{"id":11867,"date":"2013-05-14T11:37:44","date_gmt":"2013-05-14T11:37:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11867"},"modified":"2013-05-14T11:37:44","modified_gmt":"2013-05-14T11:37:44","slug":"o-desafio-de-ser-uma-mulher-maasai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/africa\/o-desafio-de-ser-uma-mulher-maasai\/","title":{"rendered":"O desafio de ser uma mulher maasai"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 14\/05\/2013 &ndash; A tribo maasai, do Qu&ecirc;nia e da Tanz&acirc;nia, foi durante muito tempo um modelo de cultura tradicional para muitos africanos, e tamb&eacute;m para ocidentais que realizavam saf&aacute;ris em suas terras de Maasai Mara, Samburu ou Amboseli. <!--more--> Contudo, deixando de lado a familiaridade dos turistas, estes ind&iacute;genas enfrentam em seu caminho muitos dos obst&aacute;culos tamb&eacute;m enfrentados por outras comunidades marginalizadas de todo o mundo.<\/p>\n<p>William Kikanae, l&iacute;der comunit&aacute;rio de sua aldeia maasai em Maasai Mara, conversou com a IPS em Nova York, durante o lan&ccedil;amento de uma iniciativa da marca espanhola de sapatos Pikolinos, para dar oportunidades econ&ocirc;micas a mulheres das tribos locais. &quot;Primeiro, sei por mim mesmo que as mulheres s&atilde;o a parte mais importante da fam&iacute;lia&quot;, disse &agrave; IPS. Por&eacute;m, &quot;para o povo maasai as mulheres n&atilde;o s&atilde;o importantes. Elas n&atilde;o t&ecirc;m o mesmo poder que os homens&quot;, observou.<\/p>\n<p>Como diretor da organiza&ccedil;&atilde;o Adcam para o Qu&ecirc;nia, Kikanae trabalha com marcas de outros pa&iacute;ses, como a Pikolinos, em projetos que permitam &agrave;s mulheres de sua comunidade ganhar dinheiro. Por meio do Projeto Maasai, as mulheres da tribo bordam sand&aacute;lias que s&atilde;o enviadas &agrave; Espanha para seu acabamento e venda em todo o mundo. Os ganhos retornam &agrave; comunidade em forma de projetos de desenvolvimento como escolas, cl&iacute;nicas e moradias.<\/p>\n<p>&quot;Antes, os homens da minha comunidade pensavam que eu apoiava as mulheres para estar no poder mais do que elas&quot;, contou Kikanae em rela&ccedil;&atilde;o ao Projeto Maasai. &quot;N&atilde;o estamos contra ningu&eacute;m. Agora posso dizer que inclusive nossos pol&iacute;ticos est&atilde;o orgulhosos do projeto&quot;, acrescentou. Uma funcion&aacute;ria do governo e m&eacute;dica da tribo maasai, que pediu para n&atilde;o ser identificada, disse que apoiar as mulheres e impulsion&aacute;-las para a primeira linha do desenvolvimento &eacute; uma maneira significativa de conseguir mudan&ccedil;as dentro da comunidade.<\/p>\n<p>&quot;As mulheres n&atilde;o podem ser donas do gado que criam, mas se forem educadas isto mudar&aacute;. Nem tudo est&aacute; perdido para quem n&atilde;o foi &agrave; escola. Se seus homens permitirem que comercializem leite ou artesanato, elas poder&atilde;o gerar renda para suas fam&iacute;lias&quot;, disse a m&eacute;dica &agrave; IPS. As comunidades pobres sempre s&atilde;o exploradas e est&atilde;o escassamente representadas no tocante &agrave; ajuda, por isso, quando uma tribo como a maasai se associa a uma organiza&ccedil;&atilde;o do exterior, &eacute; natural que haja ceticismo.<\/p>\n<p>&quot;O problema come&ccedil;a nos intermedi&aacute;rios. Estes s&atilde;o homens que se sup&otilde;em fazem a liga&ccedil;&atilde;o da comunidade com &#39;os que ajudam&#39;. Estas pessoas aproveitar&atilde;o a oportunidade de explorar a comunidade para atingirem suas pr&oacute;prias ambi&ccedil;&otilde;es, enquanto uma parte muito pequena da ajuda chega &agrave;s benefici&aacute;rias&quot;, advertiu a funcion&aacute;ria. &quot;Como a educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; atrasada, os poucos indiv&iacute;duos educados usam a ignor&acirc;ncia da maioria em benef&iacute;cio pr&oacute;prio. Por isso, em poucas palavras, &eacute; poss&iacute;vel que o alde&atilde;o comum n&atilde;o consiga estabelecer essa diferen&ccedil;a&quot;, destacou.<\/p>\n<p>As mulheres maasai n&atilde;o costumam negar os problemas que t&ecirc;m pela falta de instru&ccedil;&atilde;o. Entendem que quanto mais gente educada existir em sua comunidade menos ser&atilde;o v&iacute;timas de explora&ccedil;&atilde;o. Mas os velhos padr&otilde;es permanecem. Em muitas aldeias africanas, somente se uma menina &eacute; considerada &quot;in&uacute;til&quot; em sua fam&iacute;lia (resistindo a se casar jovem, a realizar as tarefas dom&eacute;sticas ou cuidar do jardim) &eacute; que acaba enviada para a escola. Isto causa uma discrimina&ccedil;&atilde;o nas oportunidades e faz com que a educa&ccedil;&atilde;o seja inacess&iacute;vel para os que a desejam. Mesmo atualmente, &eacute; vis&iacute;vel a dicotomia tradi&ccedil;&atilde;o-modernidade.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o fato de dentro da fam&iacute;lia n&atilde;o estarem atendidas as necessidades b&aacute;sicas, por exemplo de eletricidade ou transporte para a escola, dificulta muito o desempenho de um estudante da &aacute;rea rural. &quot;Imagine-se tendo de fazer os trabalhos dom&eacute;sticos &agrave; luz de fogo ou caminhando longas dist&acirc;ncias e ainda ir &agrave; escola&quot;, ponderou a m&eacute;dica. Para algu&eacute;m de fora da comunidade pode parecer que as mulheres maasai n&atilde;o t&ecirc;m respiro, j&aacute; que sofrem desde a falta de servi&ccedil;os de sa&uacute;de &#8211; especialmente a materna, o que leva muitas a morrerem ao darem &agrave; luz -, at&eacute; a propaga&ccedil;&atilde;o do HIV\/aids, assunto sobre o qual a maioria prefere n&atilde;o falar.<\/p>\n<p>&quot;Os homens v&atilde;o &agrave;s cidades, vendem vacas ou trabalham, mant&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es com as mulheres do lugar e trazem o v&iacute;rus para casa&quot;, apontou a m&eacute;dica. &quot;As mulheres n&atilde;o ouviram falar em preservativos ou de negociar para manter rela&ccedil;&otilde;es sexuais seguras&quot;, ressaltou. Como em outras sociedades do mundo, a propaga&ccedil;&atilde;o do HIV\/aids est&aacute; diretamente vinculada &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, e, quando meninos e meninas n&atilde;o recebem informa&ccedil;&atilde;o sobre sa&uacute;de sexual, o ciclo perp&eacute;tuo da enfermidade continua.<\/p>\n<p>A estas preocupa&ccedil;&otilde;es se soma o crescente problema do deslocamento de pessoas. &quot;Os homens vendem vastos setores de Maasialand, &agrave;s vezes sem as esposas saberem. Isto ocorre desde Kitengela at&eacute; Namanga, na fronteira. Outras comunidades est&atilde;o comprando esta terra, e em pouco tempo os maasai entrar&atilde;o em &aacute;reas de acesso muito dif&iacute;cil. Para a funcion&aacute;ria, os l&iacute;deres atuais t&ecirc;m vista curta para ver que est&aacute; sendo forjada uma cat&aacute;strofe&quot;. Para facilitar o desenvolvimento dos maasai, &quot;&eacute; preciso uma boa lideran&ccedil;a que guie este processo, para n&atilde;o haver explora&ccedil;&atilde;o&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>Com educa&ccedil;&atilde;o e uma boa lideran&ccedil;a, os obst&aacute;culos enfrentados pela tribo s&atilde;o abordados lentamente. Uma a uma, as mulheres maasai t&ecirc;m mais probabilidades de reavaliarem as necessidades de suas fam&iacute;lias e de sua comunidade, ao mesmo tempo em que trabalham juntas com organiza&ccedil;&otilde;es locais e internacionais para conseguir uma mudan&ccedil;a, ressaltou a funcion&aacute;ria. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 14\/05\/2013 &ndash; A tribo maasai, do Qu&ecirc;nia e da Tanz&acirc;nia, foi durante muito tempo um modelo de cultura tradicional para muitos africanos, e tamb&eacute;m para ocidentais que realizavam saf&aacute;ris em suas terras de Maasai Mara, Samburu ou Amboseli. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/africa\/o-desafio-de-ser-uma-mulher-maasai\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1430,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5],"tags":[21,24],"class_list":["post-11867","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1430"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11867\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}