{"id":1187,"date":"2005-11-10T00:00:00","date_gmt":"2005-11-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1187"},"modified":"2005-11-10T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-10T00:00:00","slug":"amrica-latina-a-alca-entre-o-tmulo-e-a-maquiagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/mundo\/amrica-latina-a-alca-entre-o-tmulo-e-a-maquiagem\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina: A Alca entre o t&uacute;mulo e a maquiagem"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 10\/11\/2005 &ndash; A maioria dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe desejam uma &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio das Am&eacute;ricas (Alca), ainda que reduzida, diante da resist&ecirc;ncia de uma minoria que, mesmo assim, soma uma poderosa economia. Por isso, especialistas e ativistas se perguntam se ainda h&aacute; margem para relan&ccedil;ar esta iniciativa impulsionada pelos Estados Unidos. &quot;Falar de uma Alca sem o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai) e Venezuela n&atilde;o s&oacute; &eacute; arriscado, como tamb&eacute;m j&aacute; &eacute; parcialmente verdade&quot;, disse &agrave; IPS Germ&aacute;n de la Reza, professor da c&aacute;tedra de Simon Bol&iacute;var na Universidade de Paris e de temas de integra&ccedil;&atilde;o comercial em v&aacute;rias universidades mexicanas.<br \/> <!--more--> <br \/> O especialista se referia aos acordos comerciais que Washington j&aacute; assinou com o Chile e cinco pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Central mais a Rep&uacute;blica Dominicana (DR-Cafta, sigla em ingl&ecirc;s) e a outros que negocia com Peru, Col&ocirc;mbia, Bol&iacute;via e Panam&aacute;. Este processo tamb&eacute;m &eacute; chamado de &quot;Alca light&quot;. &quot;Possivelmente, depois se busque uma reuni&atilde;o dos tratados bilaterais em um s&oacute;&quot;, concretizando, dessa maneira, uma nova vers&atilde;o da Alca. O problema &eacute; que sob esta estrat&eacute;gia, defendida por Washington, se isola cada pa&iacute;s latino-americano do contexto regional, o que diminui sua capacidade negociadora&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Luis Macas, presidente da poderosa Confedera&ccedil;&atilde;o de Nacionalidades Ind&iacute;genas do Equador (Conaie), concordou parcialmente com De la Reza. &quot;Em n&iacute;vel de acordos bilaterais &eacute; certo que progride uma Alca diferente, mas n&atilde;o chegar&aacute; a se concretizar, pois, embora a maioria dos governos a queira, n&oacute;s os povos vamos resistir&quot;, declarou este dirigente &agrave; IPS. A IV C&uacute;pula das Am&eacute;ricas, realizada na semana passada na Argentina, terminou com uma declara&ccedil;&atilde;o em que pelo menos 29 pa&iacute;ses &#8211; cujo l&iacute;der vis&iacute;vel foi o M&eacute;xico &#8211; deixaram patente seu interesse em relan&ccedil;ar a Alca. O restante expressou que n&atilde;o existem agora condi&ccedil;&otilde;es para isso. Este &uacute;ltimo grupo, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, representa 75% do produto interno bruto da Am&eacute;rica do Sul.<\/p>\n<p> O processo das c&uacute;pulas americanas come&ccedil;ou em 1994, em Miami, com a convoca&ccedil;&atilde;o dos membros ativos da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos, todos os do continente, menos Cuba, suspensa desde 1962 do sistema. Segundo o presidente venezuelano, Hugo Ch&aacute;vez, e numerosos ativistas sociais que se reuniram na Argentina na III C&uacute;pula dos Povos, a Alca j&aacute; &eacute; um &quot;cad&aacute;ver, est&aacute; morta&quot;. Tal postura &eacute; verdadeira se referir-se &agrave; vers&atilde;o original do projeto, tra&ccedil;ado na I C&uacute;pula das Am&eacute;ricas, disse De la Reza. Os governos da regi&atilde;o haviam ratificado ao t&eacute;rmino desse encontro na cidade canadense de Quebec, em abril de 2001, que as negocia&ccedil;&otilde;es para chegar a este acordo de livre com&eacute;rcio hemisf&eacute;rico deveriam estar conclu&iacute;das em janeiro deste ano, o que n&atilde;o ocorreu, e em vigor a partir de dezembro uma vez ratificado pelos parlamentos, o que agora &eacute; imposs&iacute;vel.<\/p>\n<p> Mas em 2003, os ministros de Com&eacute;rcio decidiram que cada pa&iacute;s se somaria &agrave; Alca segundo prazos e termos flex&iacute;veis, um caminho que poderia come&ccedil;ar a tomar forma depois da reuni&atilde;o da Argentina. Nesse encontro ministerial, Vicente Fox, presidente do M&eacute;xico, pa&iacute;s campe&atilde;o em tratados de livre com&eacute;rcio ao ter 12 em vigor, declarou que 29 pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe concordam em avan&ccedil;ar com o acordo e que assim o far&atilde;o, mesmo que os demais n&atilde;o o fa&ccedil;am. Nesse grupo est&atilde;o os pa&iacute;ses que mant&ecirc;m a maioria de seu interc&acirc;mbio com os Estados Unidos ou que centram seus interesses nesse mercado.<\/p>\n<p> Se outros querem fazer uma Alca entre si, &eacute; problema deles, respondeu Celso Amorin, ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do Brasil, pa&iacute;s que junto a outros do Mercosul, concentra seu com&eacute;rcio na Am&eacute;rica do Sul ou com pa&iacute;ses que est&atilde;o fora do continente. &quot;&Eacute; evidente que existe uma ruptura regional, mas, pelo menos, h&aacute; alguns pa&iacute;ses lutando por uma integra&ccedil;&atilde;o verdadeira e n&atilde;o pela hegemonia e anexa&ccedil;&atilde;o que a Alca representa&quot;, afirmou o presidente da Conaide. Para as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil reunida na C&uacute;pula dos Povos, a Alca &eacute; uma express&atilde;o acabada do neocolonialismo norte-americano que quer tirar proveito dos fracos mercados latino-americanos.<\/p>\n<p> Sob a bandeira da chamada Alternativa Bolivariana para as Am&eacute;ricas (Alba), impulsionada por Venezuela e Cuba, a Conaie e outras organiza&ccedil;&otilde;es sociais da regi&atilde;o lutam pelo descarrilamento definitivo da Alca e cria&ccedil;&atilde;o de um modelo de integra&ccedil;&atilde;o diferente, que coloque as pessoas no centro, conforme afirmam. Com esse projeto demonstram certa simpatia os pa&iacute;ses do Mercosul, cujo poder pol&iacute;tico na regi&atilde;o &eacute; crescente, especialmente o do Brasil, incentivador da Comunidade Sul-americana de Na&ccedil;&otilde;es criada no ano passado em uma c&uacute;pula regional no Peru. Mas, segundo observadores, trata-se de uma postura presa com alfinetes.<\/p>\n<p> Se a Alba ou a Comunidade Sul-americana de na&ccedil;&otilde;es funcionar do ponto de vista comercial e de benef&iacute;cios econ&ocirc;micos a&iacute; estar&atilde;o, Brasil, Argentina e outros pa&iacute;ses. Mas se isso n&atilde;o ocorrer e houver esperan&ccedil;as de que a Alca seja mais efetiva, os atores se mover&atilde;o para este outro projeto, disse &agrave; IPS o catedr&aacute;tico mexicano de Economia Carlos V&aacute;zconez. &quot;Tudo &eacute; quest&atilde;o de interesses&quot;, acrescentou. A Alca original foi perdendo possibilidades, entre outros motivos, pela negativa de Washington em reduzir seu protecionismo comercial, especialmente do setor agr&iacute;cola, o que prejudica fortes competidores nesse ramo, com Brasil, Argentina e Uruguai.<\/p>\n<p> Os Estados Unidos argumentam que a quest&atilde;o deve ser tratada o contexto da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) e que n&atilde;o se pode ceder enquanto outros pa&iacute;ses que aplicam subs&iacute;dios &agrave; agricultura, como a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e o Jap&atilde;o, mant&ecirc;m essas pol&iacute;ticas. O protecionismo agr&iacute;cola ser&aacute; abordado na pr&oacute;xima confer&ecirc;ncia ministerial da OMC em Hong Kong. Bras&iacute;lia afirma que poderia, inclusive, retomar o processo de cria&ccedil;&atilde;o do acordo de livre com&eacute;rcio americano depois desse encontro, sempre que houver avan&ccedil;os na OMC com rela&ccedil;&atilde;o aos subs&iacute;dios. Mas tudo indica que pouco se avan&ccedil;ar&aacute; na quest&atilde;o da controv&eacute;rsia pelo com&eacute;rcio agropecu&aacute;rio na reuni&atilde;o de dezembro.<\/p>\n<p> &quot;Tudo &eacute; quest&atilde;o de interesses, deve-se tirar toda parafern&aacute;lia pol&iacute;tica e ver que nos fatos o que interessa aos pa&iacute;ses &eacute; fazer bons neg&oacute;cios, seja na Alca, Alba ou onde for&quot;, disse V&aacute;sconez. De la Reza afirma que, para al&eacute;m da discuss&atilde;o sobre o futuro da Alca original ou de sua vers&atilde;o &quot;light&quot;, o que est&aacute; claro &eacute; que esse projeto j&aacute; deixou suas marcas na regi&atilde;o. Em seu entender, gra&ccedil;as ao processo da Alca &quot;se estabeleceu o avan&ccedil;o na facilita&ccedil;&atilde;o de neg&oacute;cios em escala continental e estimulou direta e indiretamente a homologa&ccedil;&atilde;o das legisla&ccedil;&otilde;es em diversas &aacute;reas de interesse econ&ocirc;mico (com&eacute;rcio desleal, direitos de propriedade, prote&ccedil;&atilde;o dos investimentos, etc)&quot;. Al&eacute;m disso, &quot;foram criadas as bases que permitiram negocia&ccedil;&otilde;es relativamente r&aacute;pidas dos tratados de livre com&eacute;rcio bilaterais, que j&aacute; s&atilde;o aplicados a 10 pa&iacute;ses do continente e que num futuro pr&oacute;ximo poderia chegar a 13&quot; ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 10\/11\/2005 &ndash; A maioria dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe desejam uma &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio das Am&eacute;ricas (Alca), ainda que reduzida, diante da resist&ecirc;ncia de uma minoria que, mesmo assim, soma uma poderosa economia. Por isso, especialistas e ativistas se perguntam se ainda h&aacute; margem para relan&ccedil;ar esta iniciativa impulsionada pelos Estados Unidos. &quot;Falar de uma Alca sem o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai) e Venezuela n&atilde;o s&oacute; &eacute; arriscado, como tamb&eacute;m j&aacute; &eacute; parcialmente verdade&quot;, disse &agrave; IPS Germ&aacute;n de la Reza, professor da c&aacute;tedra de Simon Bol&iacute;var na Universidade de Paris e de temas de integra&ccedil;&atilde;o comercial em v&aacute;rias universidades mexicanas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/mundo\/amrica-latina-a-alca-entre-o-tmulo-e-a-maquiagem\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1187","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1187\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}