{"id":11877,"date":"2013-05-16T10:34:40","date_gmt":"2013-05-16T10:34:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11877"},"modified":"2013-05-16T10:34:40","modified_gmt":"2013-05-16T10:34:40","slug":"coluna-imagem-e-conhecimento-da-unio-europeia-na-amrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/coluna-imagem-e-conhecimento-da-unio-europeia-na-amrica\/","title":{"rendered":"COLUNA: Imagem e conhecimento da Uni&atilde;o Europeia na Am&eacute;rica"},"content":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, 16\/05\/2013 &ndash; Eu me pergunto o que pode ser do interesse dos cidad&atilde;os latino-americanos com rela&ccedil;&atilde;o aos temas europeus em geral, e qual deveria ser o foco de aten&ccedil;&atilde;o em assuntos espec&iacute;ficos para os consumidores dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o hisp&acirc;nicos nos Estados Unidos. <!--more--> Confesso a complexidade da pergunta geral e me declaro um tanto incompetente para oferecer uma prescri&ccedil;&atilde;o com alguma base s&oacute;lida. Este diagn&oacute;stico &eacute;, de certa forma, uma admiss&atilde;o de fracasso por ter praticado durante mais de quatro d&eacute;cadas essa profiss&atilde;o de fim de semana, colaborando em meios de comunica&ccedil;&atilde;o em espanhol nos dois continentes e cumprindo as frequentes perguntas desses mesmos ve&iacute;culos.<\/p>\n<p>Um princ&iacute;pio da avalia&ccedil;&atilde;o do conhecimento e da imagem da Europa nesses meios &eacute; que n&atilde;o &eacute; muito diferente da oferecida pela imprensa, a televis&atilde;o e o r&aacute;dio em ingl&ecirc;s nos Estados Unidos e pelos pr&oacute;prios latino-americanos do outro lado do rio Grande e Cayo Hueso.<\/p>\n<p>Em contraste com o impacto da hist&oacute;ria europeia nas Am&eacute;ricas, nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o hisp&acirc;nicos nos Estados Unidos se observa uma mescla de desinteresse, dom&iacute;nio do estere&oacute;tipo e umas lacunas verdadeiramente preocupantes de conhecimento b&aacute;sico. Esta percep&ccedil;&atilde;o &eacute; mais aparente quando se trata de comentar sobre a Uni&atilde;o Europeia (UE) em si, que se confunde com a Europa.<\/p>\n<p>Este diagn&oacute;stico negativo &eacute; levemente corrigido em alguns focos excepcionais. O primeiro &eacute; quando a atualidade incide diretamente nas experi&ecirc;ncias dos consumidores de informa&ccedil;&atilde;o (emigra&ccedil;&atilde;o latino-americana na Europa).<\/p>\n<p>O segundo, dependendo da regi&atilde;o do territ&oacute;rio norte-americano, quando os fatos europeus se relacionam diretamente com alguns pa&iacute;ses concretamente (Cuba em Miami, por exemplo).<\/p>\n<p>A terceira causa de certo interesse &eacute; quando alguma pauta europeia &eacute; vista diretamente ligada a conjunturas comuns nos Estados Unidos (crise financeira , tr&aacute;fico de drogas).<\/p>\n<p>Mas a Uni&atilde;o Europeia em si &eacute; uma desconhecida. Quais s&atilde;o as causas?<\/p>\n<p>A resposta reside n&atilde;o em uma culpabilidade da pr&oacute;pria UE, mas precisamente pelo pr&oacute;prio cumprimento de sua miss&atilde;o original. A Europa n&atilde;o interessa porque n&atilde;o escandaliza. D&aacute;-se por descontada.<\/p>\n<p>Por um lado, al&eacute;m de espor&aacute;dicas atitudes populistas, a Europa j&aacute; est&aacute; despojada do pecado imperialista na Am&eacute;rica Latina. Praticamente, desde ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia dos Estados Unidos, a Europa &eacute; uma aliada natural (com exce&ccedil;&otilde;es que confirmam a regra, como o enfrentamento entre Espanha e Cuba).<\/p>\n<p>Quando um cachorro morde um homem, n&atilde;o &eacute; not&iacute;cia; quando um homem morde um c&atilde;o, &eacute; not&iacute;cia, segundo o c&oacute;digo do jornalismo. H&aacute; tempos que a Europa n&atilde;o morde.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, os que acusam a UE de ter fracassado e estar perto de seu desaparecimento deveriam admitir que caso morra ter&aacute; obtido &ecirc;xito. Cumpriu todas e cada uma das miss&otilde;es impostas democraticamente e por consenso.<\/p>\n<p>Primeiramente, cumpriu o mandato de &quot;fazer da guerra algo impens&aacute;vel, e materialmente imposs&iacute;vel&quot;, segundo a doutrina de Robert Schuman e Jean Monnet.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, construiu o maior e mais efetivo mercado comum da hist&oacute;ria. Conseguiu que hoje (apesar da crise) nunca tantos europeus de tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es vivam melhor por maior espa&ccedil;o de tempo. Mas n&atilde;o morde, embora a crise do euro ajude um pouco a atrair a aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, o interesse em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; UE se choca com uma desvantagem intr&iacute;nseca do organismo: &eacute; extremamente complicado.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de se confundir com a Europa (uma realidade hist&oacute;rica e cultural n&atilde;o reduzida &agrave; geografia), a Uni&atilde;o Europeia ainda &eacute; um &quot;objeto pol&iacute;tico n&atilde;o identificado (OPNI)&quot;, segundo feliz met&aacute;fora de Jacques Delors, n&atilde;o esclarecida pelas diversas teorias (funcionalismo, intergovernamentalismo, supranacionalismo, realismos).<\/p>\n<p>Para profanos e especialistas, a UE &eacute; um emaranhado de institui&ccedil;&otilde;es, legisla&ccedil;&otilde;es, pactos e m&uacute;ltiplos protagonistas, &quot;governo multin&iacute;vel&quot;. Nada tem de estranho que, diante da complicada agenda de uma visita a Bruxelas, Madeleine Albright (secret&aacute;ria de Estado de Bill Clinton e catedr&aacute;tica em rela&ccedil;&otilde;es internacionais) exclamasse com sarcasmo que para entender a UE &eacute; preciso ser &quot;franc&ecirc;s ou muito inteligente&quot;.<\/p>\n<p>Para compreender a UE deve-se ter a paci&ecirc;ncia asi&aacute;tica, o entusiasmo latino-americano, o pragmatismo norte-americano e uma persist&ecirc;ncia muito alem&atilde;.<\/p>\n<p>Deve-se insistir que a UE utilize meios econ&ocirc;micos, mas que seu fim sempre foi pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>Deve-se esclarecer que &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria formada por Estados soberanos, que n&atilde;o renunciar&atilde;o &agrave; sua identidade cultural ou pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>A UE n&atilde;o &eacute; um superEstado em forma&ccedil;&atilde;o. Deve-se admitir que os europeus talvez n&atilde;o saibam quem s&atilde;o e onde termina a Europa, mas sabem perfeitamente quem n&atilde;o s&atilde;o e quem n&atilde;o compartilha de seus valores ou experi&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Deve-se interiorizar que a UE n&atilde;o tenta impor seu modelo de integra&ccedil;&atilde;o nacional, mas procura compartilh&aacute;-lo e oferec&ecirc;-lo para sua ado&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o, corre&ccedil;&atilde;o ou rejei&ccedil;&atilde;o, segundo os erros cometidos.<\/p>\n<p>Deve-se aceitar, enfim, que a UE, reescrevendo Winston Churchill com sua descri&ccedil;&atilde;o da democracia liberal, &eacute; &quot;o pior sistema de governan&ccedil;a interestatal, descartados todos os demais&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Joaqu&iacute;n Roy &eacute; catedr&aacute;tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni&atilde;o Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, 16\/05\/2013 &ndash; Eu me pergunto o que pode ser do interesse dos cidad&atilde;os latino-americanos com rela&ccedil;&atilde;o aos temas europeus em geral, e qual deveria ser o foco de aten&ccedil;&atilde;o em assuntos espec&iacute;ficos para os consumidores dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o hisp&acirc;nicos nos Estados Unidos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/coluna-imagem-e-conhecimento-da-unio-europeia-na-amrica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,13],"tags":[18],"class_list":["post-11877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-colunistas","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11877\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}