{"id":11880,"date":"2013-05-16T10:40:09","date_gmt":"2013-05-16T10:40:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11880"},"modified":"2013-05-16T10:40:09","modified_gmt":"2013-05-16T10:40:09","slug":"mxico-reinventa-o-desaparecimento-forado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/mxico-reinventa-o-desaparecimento-forado\/","title":{"rendered":"M&eacute;xico reinventa o desaparecimento for&ccedil;ado"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 16\/05\/2013 &ndash; O desaparecimento for&ccedil;ado de pessoas n&atilde;o necessariamente significa a morte imediata das v&iacute;timas. No M&eacute;xico tamb&eacute;m &eacute; um meio de alimentar mercados de explora&ccedil;&atilde;o e escravid&atilde;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11880\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Mexico.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11880\" class=\"size-medium wp-image-11880\" title=\"Mulheres querem que o governo do M&eacute;xico busque seus familiares desaparecidos. - Diana Cariboni\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Mexico.jpg\" alt=\"Mulheres querem que o governo do M&eacute;xico busque seus familiares desaparecidos. - Diana Cariboni\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11880\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres querem que o governo do M&eacute;xico busque seus familiares desaparecidos. - Diana Cariboni\/IPS<\/p><\/div>  Este pa&iacute;s retrocedeu &quot;&agrave; barb&aacute;rie dos gladiadores romanos&quot;, disse &agrave; IPS o advogado Juan L&oacute;pez, assessor legal das For&ccedil;as Unidas por Nossos Desaparecidos no M&eacute;xico (Fuundec-Fundem), um grupo que nasceu para apoiar as fam&iacute;lias que buscam seus entes queridos no Estado de Coahuila e que por necessidade adquiriu presen&ccedil;a nacional.<\/p>\n<p>No cen&aacute;rio mexicano, pautado pelo crime organizado e pela militariza&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica, os desaparecimentos de pessoas n&atilde;o seguem o padr&atilde;o de d&eacute;cadas passadas, neste e em outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina marcados por ditaduras, repress&atilde;o ilegal de opositores e conflitos armados. Hoje pode &quot;ser o filho do vizinho&quot;, observou L&oacute;pez. Uma parte n&atilde;o definida destas v&iacute;timas cai em um &quot;neg&oacute;cio alternativo&quot; que deixa &quot;grandes lucros: uma for&ccedil;a de trabalho pela qual n&atilde;o se paga, pois est&aacute; escravizada&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A&iacute; entrariam o recrutamento for&ccedil;ado de adolescentes e crian&ccedil;as para preencherem as hostes de assassinos, trabalhar na produ&ccedil;&atilde;o de drogas ou outras tarefas exigidas pelas m&aacute;fias ou para o tr&aacute;fico de &oacute;rg&atilde;os. &quot;H&aacute; informes confirmados&quot; de &ocirc;nibus detidos por grupos armados que &quot;levam todos os homens jovens&quot;, contou L&oacute;pez. O perfil das v&iacute;timas tamb&eacute;m mudou, segundo a an&aacute;lise de casos denunciados. Primeiro, os desaparecidos s&atilde;o homens entre 30 e 45 anos, depois a faixa et&aacute;ria cai para 20 a 25 anos e 17 a 19. Hoje tamb&eacute;m se sequestra adolescentes, enquanto a propor&ccedil;&atilde;o de mulheres cresceu a ponto de j&aacute; ser metade dos novos desaparecimentos, destacou.<\/p>\n<p>Atualmente floresce no M&eacute;xico o tr&aacute;fico trabalhista e sexual, o terceiro neg&oacute;cio ilegal mais lucrativo no mundo depois do tr&aacute;fico de drogas e de armas. O Estado de Tlaxcala &eacute; epicentro de redes que captam mulheres em mais de 20 distritos e, inclusive, em zonas fronteiri&ccedil;as, e as exploram em cidades deste pa&iacute;s e dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para as Migra&ccedil;&otilde;es afirma que 80% das pessoas traficadas no M&eacute;xico s&atilde;o mulheres e meninas. Este pa&iacute;s &eacute; o segundo, depois da Tail&acirc;ndia, em quantidade de v&iacute;timas de tr&aacute;fico enviadas para os Estados Unidos. Estas pessoas, &quot;levantadas&quot; nas ruas, nos povoados e nas comunidades, passam a engrossar &quot;um mercado humano&quot;, e &eacute; poss&iacute;vel que muitas &quot;estejam vivas&quot;, segundo L&oacute;pez.<\/p>\n<p>Nos seis anos do mandato do presidente Felipe Calder&oacute;n (2006-2012), desapareceram 26.121 pessoas, segundo a base de dados que o atual governo de Enrique Pe&ntilde;a Nieto divulgou no final de fevereiro. Ningu&eacute;m sabe o que aconteceu com elas. A lista omite casos muito conhecidos, segundo comprovaram as fam&iacute;lias, e informa&ccedil;&atilde;o pouca, ou nenhuma, obtida na maioria dos casos pelos pr&oacute;prios familiares.<\/p>\n<p>Os relatos assustam: jovens que s&atilde;o obrigados a lutar entre si, at&eacute; a morte de um deles, ou esquartejar viva uma mulher, como ato de inicia&ccedil;&atilde;o e aliena&ccedil;&atilde;o do recrutado. Grupos de homens for&ccedil;ados a treinamento no qual sobrevivem apenas os mais aptos. Mulheres enganadas, escravizadas e dominadas por meio de amea&ccedil;as contra seus filhos.<\/p>\n<p>Brenda Rangel, de 35 anos, integrante da Fundem, busca seu irm&atilde;o H&eacute;ctor, que tinha 28 anos quando policiais municipais o detiveram, em novembro de 2009, junto com outros dois homens em Monclova, Coahuila. &quot;Mas n&atilde;o os colocaram &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de nenhuma autoridade&quot;, contou Brenda &agrave; IPS. Ela soube do ocorrido porque seu irm&atilde;o conseguiu lhe telefonar de um celular. &quot;A pol&iacute;cia o entregou a alguma organiza&ccedil;&atilde;o ilegal&quot;. No dia seguinte, eu estava em Monclova e movi c&eacute;u e terra para encontr&aacute;-lo. &quot;Meu irm&atilde;o est&aacute; vivo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Brenda foi uma das oradoras mais eloquentes na marcha organizada pelas m&atilde;es de desaparecidos de todo o pa&iacute;s, no dia 10, no centro da capital, para cobrar do governo mobiliza&ccedil;&atilde;o de recursos para encontr&aacute;-los. &quot;N&atilde;o h&aacute; dinheiro para buscar os desaparecidos do povo&quot;, afirmou com voz potente e pungente. As m&atilde;es, vestidas de branco, percorreram v&aacute;rios quarteir&otilde;es at&eacute; o monumento do Anjo da Independ&ecirc;ncia, gritando palavras de ordem como &quot;Filha, ou&ccedil;a, sua m&atilde;e est&aacute; te procurando&quot;.<\/p>\n<p>Lourdes Valdivia, de 43 anos, n&atilde;o sabe de seu marido Jos&eacute; Diego Cordero, de 47, nem de seu filho Juan Diego, de 22 anos, desde dezembro de 2010, quando foram &agrave; ca&ccedil;a com oito amigos e parentes. Em uma barreira perto de Joaqu&iacute;n Amaro, munic&iacute;pio do Estado de Zacatecas, foram detidos por policiais municipais. Com o pretexto de examinarem suas autoriza&ccedil;&otilde;es de ca&ccedil;a, foram presos na delegacia de pol&iacute;cia, contou Lourdes, chorando. Gra&ccedil;as a um menor que deixaram ir embora e a um adulto que fugiu, ela soube que &quot;foram retirados &agrave; noite e entregues a um grupo, supostamente Los Zetas&quot;, uma das gangues mafiosas que operam no M&eacute;xico.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m h&aacute; os que desaparecem por um sequestro extorsivo, por ter presenciado um crime ou por ficar preso em fogo cruzado. O engenheiro de sistemas Juan Ricardo Rodr&iacute;guez se reuniu com sua noiva em setembro de 2011 em um hotel de Zacatecas, onde ele trabalhava, para acertarem os planos do casamento. Quando iam embora, presenciaram um comando armado levando tr&ecirc;s homens. O casal tentou se afastar do lugar, mas tamb&eacute;m foi capturado.<\/p>\n<p>Policiais federais, que falaram com os homens armados, observaram toda a cena, disse &agrave; IPS a m&atilde;e de Rodr&iacute;guez, Virginia Barajas, que reconstruiu os fatos gra&ccedil;as a testemunhas. Existem vers&otilde;es de centenas de pessoas trancadas em dep&oacute;sitos, casas de seguran&ccedil;a de algum grupo ilegal ou locais isolados em &aacute;reas rurais. Para outras fontes, o mais prov&aacute;vel &eacute; que os desaparecidos estejam mortos, como indicam as descobertas de valas comuns. Contudo, h&aacute; fam&iacute;lias que receberam restos mortais que n&atilde;o eram de seus membros desaparecidos.<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia sempre alimenta a esperan&ccedil;a, disse o jurista Santiago Corcuera, que entre 2004 e 2010 integrou o Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos For&ccedil;ados ou Involunt&aacute;rios do Conselho de Direitos Humanos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Corcuera tamb&eacute;m distingue v&aacute;rios padr&otilde;es de desaparecimento. Quando os respons&aacute;veis s&atilde;o integrantes de alguma for&ccedil;a p&uacute;blica, o mais prov&aacute;vel &eacute; que a v&iacute;tima acabe morta. Mas h&aacute; &quot;coniv&ecirc;ncia, por exemplo, com a explora&ccedil;&atilde;o sexual de mulheres e crian&ccedil;as&quot;, ou com outro tipo de explora&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter trabalhista, &quot;de apoio ao narcotr&aacute;fico&quot; e para engrossar as filas da bandidagem.<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o de Corcuera, a lei de v&iacute;timas adotada pelo governo de Pe&ntilde;a Nieto &eacute; &quot;uma luz&quot;, porque cria mecanismos de repara&ccedil;&atilde;o. Mas faltam protocolos de busca, que deveriam estar coordenados entre os diferentes Estados e com outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o, ressaltou. L&oacute;pez foi al&eacute;m: &quot;O Estado n&atilde;o busca, n&atilde;o investiga. E se op&otilde;e a que as fam&iacute;lias investiguem&quot;. Segundo a organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch, em muitos casos, os agentes p&uacute;blicos &quot;disseram &agrave;s fam&iacute;lias que o avan&ccedil;o das investiga&ccedil;&otilde;es dependia completamente dos esfor&ccedil;os que estas realizassem&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 16\/05\/2013 &ndash; O desaparecimento for&ccedil;ado de pessoas n&atilde;o necessariamente significa a morte imediata das v&iacute;timas. No M&eacute;xico tamb&eacute;m &eacute; um meio de alimentar mercados de explora&ccedil;&atilde;o e escravid&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/mxico-reinventa-o-desaparecimento-forado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11880","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}