{"id":11886,"date":"2013-05-17T11:23:57","date_gmt":"2013-05-17T11:23:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11886"},"modified":"2013-05-17T11:23:57","modified_gmt":"2013-05-17T11:23:57","slug":"derretimento-do-rtico-entre-o-desastre-e-o-lucro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/mundo\/derretimento-do-rtico-entre-o-desastre-e-o-lucro\/","title":{"rendered":"Derretimento do &Aacute;rtico, entre o desastre e o lucro"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 17\/05\/2013 &ndash; Muitos olhos se voltam para o &Aacute;rtico, alguns com horror diante da veloz redu&ccedil;&atilde;o de um componente crucial do sistema que apoia a vida, outros antecipando com ansiedade os recursos sem explorar que dormem sob a neve e o gelo que se derrete.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11886\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/geleira1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11886\" class=\"size-medium wp-image-11886\" title=\"Geleira Hubbard en Seward, no Alasca. - Bigstock\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/geleira1.jpg\" alt=\"Geleira Hubbard en Seward, no Alasca. - Bigstock\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11886\" class=\"wp-caption-text\">Geleira Hubbard en Seward, no Alasca. - Bigstock\/IPS<\/p><\/div>  &quot;Trabalhei no norte durante 21 anos, e a escala e velocidade da mudan&ccedil;a que acontece ali &eacute; assustadora&quot;, afirmou &agrave; IPS Douglas Clark, da Universidade de Saskatchewan, no Canad&aacute;. &quot;Estas mudan&ccedil;as, tomadas em sua totalidade e refletidas em nosso informe, me impedem de dormir &agrave; noite&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Mudan&ccedil;as r&aacute;pidas e inclusive abruptas ocorrem em m&uacute;ltiplas frentes do &Aacute;rtico, segundo o Arctic Resilience Report (ARR &#8211; Informe de Resili&ecirc;ncia do &Aacute;rtico). E o que ocorre no &Aacute;rtico n&atilde;o fica ali. &quot;Este &eacute; o primeiro informe internacional a dizer ao mundo que aperte o cinto da seguran&ccedil;a: estamos em uma montanha russa selvagem e n&atilde;o sabemos o que vira&quot;, advertiu Clark.<\/p>\n<p>O ARR implicou esfor&ccedil;o de dois anos de colabora&ccedil;&atilde;o entre especialistas dos pa&iacute;ses n&oacute;rdicos, mais R&uacute;ssia, Canad&aacute; e Estados Unidos, e inclui perspectivas ind&iacute;genas. Trata-se de uma sofisticada avalia&ccedil;&atilde;o de como interagir&atilde;o as mudan&ccedil;as no clima, os ecossistemas, a economia e a sociedade. O informe foi divulgado ontem na Reuni&atilde;o Ministerial do Conselho do &Aacute;rtico, em Kiruna, na Su&eacute;cia. &quot;O que ocorre no &Aacute;rtico tem profundas implica&ccedil;&otilde;es para todas as partes do mundo&quot;, afirmou Sarah Cornell, autora principal do estudo.<\/p>\n<p>O aquecimento global est&aacute; derretendo a neve e o gelo, e tamb&eacute;m esquentando o Oceano &Aacute;rtico e as terras que o rodeiam. As esta&ccedil;&otilde;es est&atilde;o mudando, o permafrost est&aacute; derretendo, h&aacute; invas&atilde;o de novas esp&eacute;cies e as aut&oacute;ctones se esfor&ccedil;am para sobreviver, os lagos est&atilde;o desaparecendo e os rios s&atilde;o redirigidos pela paisagem que derrete, afirma o estudo. Alguns ecossistemas do &Aacute;rtico passam por modifica&ccedil;&otilde;es catastr&oacute;ficas, alguns de grande escala e irrevers&iacute;veis, acrescentou Cornell, do Centro de Resili&ecirc;ncia de Estocolmo.<\/p>\n<p>Embora para muitos o &Aacute;rtico esteja t&atilde;o longe quanto a Lua, est&aacute; intimamente interligado com o resto do mundo. O estado do tempo est&aacute; pautado amplamente pelas regi&otilde;es frias, &aacute;rtica e ant&aacute;rtica, equilibrado pelos tr&oacute;picos quentes. Mas o &Aacute;rtico est&aacute; derretendo rapidamente. No &uacute;ltimo ver&atilde;o boreal, o gelo marinho se reduziu &agrave; metade do que era h&aacute; menos de 30 anos, e continua em redu&ccedil;&atilde;o acelerada. &quot;Isto tem e ter&aacute; consequ&ecirc;ncias espetaculares para o resto do mundo. N&atilde;o sabemos quais ser&atilde;o todas elas&quot;, afirmou Cornell.<\/p>\n<p>No &Aacute;rtico vivem culturas e esp&eacute;cies que n&atilde;o s&atilde;o encontradas em nenhuma outra parte e tampouco podem ser levadas mais ao norte para escapar do aumento das temperaturas. Devem fazer um esfor&ccedil;o real para sobreviver, alertou Tero Mustonen, presidente da Cooperativa Snowchange, uma rede de culturas ind&iacute;genas de todo o mundo. &quot;O &Aacute;rtico sofre mudan&ccedil;as fundamentais. Os alces est&atilde;o aparecendo pela primeira vez na tundra, junto com novos insetos, plantas e inclusive &aacute;rvores&quot;, afirmou &agrave; IPS, de sua casa no norte da Finl&acirc;ndia.<\/p>\n<p>Mustonen, coautor do ARR, trabalha com comunidades chukchi de pastores de renas do noroeste da Sib&eacute;ria, que andam por essas terras afastadas h&aacute; v&aacute;rios s&eacute;culos. Como muitas comunidades ind&iacute;genas que vivem na terra, possuem profunda liga&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, cultural e espiritual com a paisagem. E essa paisagem est&aacute; mudando tanto que &agrave;s vezes n&atilde;o reconhecem seu pr&oacute;prio lar, observou. &quot;Os chukchi n&atilde;o compartilham facilmente seus pensamentos. Mas os idosos t&ecirc;m uma mensagem clara e forte para transmitir ao mundo: a natureza j&aacute; n&atilde;o confia nos seres humanos&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Entretanto, as oito na&ccedil;&otilde;es do Conselho do &Aacute;rtico se centraram principalmente em futuras oportunidades de transporte mar&iacute;timo, acesso a petr&oacute;leo, g&aacute;s e recursos minerais, e em geopol&iacute;tica. Concederam a China, Jap&atilde;o, &Iacute;ndia, Coreia do Sul, Cingapura e It&aacute;lia status de observadores, enquanto o Canad&aacute; bloqueou a candidatura da Uni&atilde;o Europeia. O Conselho &eacute; o principal f&oacute;rum internacional sobre assuntos do norte, e nos pr&oacute;ximos dois anos ser&aacute; liderado pelo Canad&aacute; que, afirmou, se centrar&aacute; no desenvolvimento econ&ocirc;mico. Nos &uacute;ltimos tempos este pa&iacute;s tem provocado cr&iacute;ticas por redirigir suas pr&oacute;prias pesquisas cient&iacute;ficas para apoiar empresas e ind&uacute;strias.<\/p>\n<p>Algumas estimativas dizem que a regi&atilde;o pode ter 13% do petr&oacute;leo ainda n&atilde;o descoberto no mundo, bem como 30% dos dep&oacute;sitos n&atilde;o descobertos de g&aacute;s, e vastas quantidades de recursos minerais. As muito elogiadas pesquisas cient&iacute;ficas do Conselho agora se centrar&atilde;o em como desenvolver os recursos do norte para benef&iacute;cio dos habitantes dessa parte do mundo.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio de Estado norte-americano, John Kerry, representou seu pa&iacute;s no Conselho, manifestando assim o renovado interesse na regi&atilde;o por parte de Washington, que tamb&eacute;m divulgou sua nova Estrat&eacute;gia Nacional para a Regi&atilde;o do &Aacute;rtico. Embora reconhe&ccedil;a os impactos profundos do aquecimento global sobre a regi&atilde;o e a popula&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria, a Estrat&eacute;gia afirma que a regi&atilde;o ajudar&aacute; a cobrir as necessidades energ&eacute;ticas dos Estados Unidos no futuro.<\/p>\n<p>Na reuni&atilde;o, os membros adotaram um acordo sobre prepara&ccedil;&atilde;o para a contamina&ccedil;&atilde;o marinha com petr&oacute;leo. Algumas organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e ambientalistas pediram uma morat&oacute;ria &agrave;s perfura&ccedil;&otilde;es em busca de petr&oacute;leo no &Aacute;rtico, devido &agrave;s perigosas condi&ccedil;&otilde;es e &agrave;s dificuldades que implicam os trabalhos de limpeza. Segundo o Greenpeace Internacional, esse acordo n&atilde;o oferece nenhum padr&atilde;o m&iacute;nimo, espec&iacute;fico e pr&aacute;tico, e tampouco cont&eacute;m disposi&ccedil;&otilde;es para as empresas serem responsabilizadas por todos os custos e danos causados.<\/p>\n<p>&quot;Aqui aconteceram duas confer&ecirc;ncias: uma que alertou para os perigos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e da r&aacute;pida industrializa&ccedil;&atilde;o nesta fr&aacute;gil regi&atilde;o, e outra, da qual participaram os ministros das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, que praticamente n&atilde;o tomou medidas concretas para abord&aacute;-los&quot;, afirmou Ruth Davis, assessora de pol&iacute;ticas no Greenpeace Internacional.<\/p>\n<p>Os povos do &Aacute;rtico n&atilde;o necessariamente se op&otilde;em ao desenvolvimento econ&ocirc;mico, mas querem estar no controle do que ocorrer. Por&eacute;m, as na&ccedil;&otilde;es &aacute;rticas e as comunidades locais est&atilde;o em fases muito diferentes. Na Finl&acirc;ndia e R&uacute;ssia, os povos origin&aacute;rios n&atilde;o t&ecirc;m direitos oficiais sobre a terra ou a &aacute;gua, ao contr&aacute;rio de Canad&aacute; ou Alasca, explicou Mustonen. Para ele, &quot;os direitos e as culturas dos povos ind&iacute;genas nestas regi&otilde;es devem ser levados a s&eacute;rio para integrar suas necessidades em qualquer forma de desenvolvimento. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 17\/05\/2013 &ndash; Muitos olhos se voltam para o &Aacute;rtico, alguns com horror diante da veloz redu&ccedil;&atilde;o de um componente crucial do sistema que apoia a vida, outros antecipando com ansiedade os recursos sem explorar que dormem sob a neve e o gelo que se derrete. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/mundo\/derretimento-do-rtico-entre-o-desastre-e-o-lucro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4],"tags":[21],"class_list":["post-11886","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11886\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}