{"id":11888,"date":"2013-05-17T11:27:59","date_gmt":"2013-05-17T11:27:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11888"},"modified":"2013-05-17T11:27:59","modified_gmt":"2013-05-17T11:27:59","slug":"o-lado-escuro-das-redes-sociais-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/politica\/o-lado-escuro-das-redes-sociais-no-egito\/","title":{"rendered":"O lado escuro das redes sociais no Egito"},"content":{"rendered":"<p>Cairo, Egito, 17\/05\/2013 &ndash; Mais de dois anos depois de terem desempenhado um papel fundamental na Primavera &Aacute;rabe do Egito, as redes sociais passaram a ter um papel menos positivo, servindo de plataforma para a incita&ccedil;&atilde;o, propaga&ccedil;&atilde;o de boatos e total desinforma&ccedil;&atilde;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11888\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Egito1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11888\" class=\"size-medium wp-image-11888\" title=\"As m\u00c3\u00addias sociais, que facilitaram a Primavera \u00c3\u0081rabe no Egito, agora desempenham um papel mais negativo. - Khaled Moussa al-Omrani\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Egito1.jpg\" alt=\"As m\u00c3\u00addias sociais, que facilitaram a Primavera \u00c3\u0081rabe no Egito, agora desempenham um papel mais negativo. - Khaled Moussa al-Omrani\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11888\" class=\"wp-caption-text\">As m\u00c3\u00addias sociais, que facilitaram a Primavera \u00c3\u0081rabe no Egito, agora desempenham um papel mais negativo. - Khaled Moussa al-Omrani<\/p><\/div>  Durante a revolta popular de 18 dias, ocorrida neste pa&iacute;s no come&ccedil;o de 2011, as redes sociais, especialmente Twitter e Facebook, facilitaram a organiza&ccedil;&atilde;o de grandes manifesta&ccedil;&otilde;es, com seu epicentro na famosa pra&ccedil;a Tahrir, e funcionaram como plataforma para articular demandas pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p>&quot;As mesmas redes sociais que os ativistas utilizaram para derrubar Hosni Mubarak agora servem para conseguir objetivos pol&iacute;ticos de curto prazo, manipular a opini&atilde;o p&uacute;blica e at&eacute; incitar a viol&ecirc;ncia&quot;, disse &agrave; IPS o especialista Adel Abdel-Saddiq, do Centro Al-Ahram de Estudos Pol&iacute;ticos e Estrat&eacute;gicos, com sede no Cairo. &quot;Estes novos meios foram essenciais para mobilizar centenas de manifestantes em diversos lugares simultaneamente&quot;, disse &agrave; IPS o analista pol&iacute;tico Ammar Ali Hassan. &quot;E tamb&eacute;m permitem que os usu&aacute;rios obtenham informa&ccedil;&atilde;o e not&iacute;cias de fontes que n&atilde;o sejam os canais governamentais oficiais&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>As redes sociais tamb&eacute;m passaram a ser um espa&ccedil;o para comunicados oficiais. O Conselho Supremo das For&ccedil;as Armadas (CSFA), por exemplo, continua publicando coment&aacute;rios e declara&ccedil;&otilde;es oficiais no Facebook. Este &oacute;rg&atilde;o governou o pa&iacute;s desde a sa&iacute;da de Mubarak at&eacute; a posse do presidente Mohammad Morsi, em 30 de junho de 2012. &quot;Ap&oacute;s a revolta, a classe politicamente ativa adotou o Facebook como seu meio de comunica&ccedil;&atilde;o preferido&quot;, contou Abdel-Saddiq, destacando que &quot;o ent&atilde;o governante CSFA se deu conta disso e come&ccedil;ou a se comunicar com o p&uacute;blico por esse meio, que foi decisivo para a queda do regime&quot; de Mubarak, que estava no governo desde 1981.<\/p>\n<p>&quot;Agora as redes sociais desempenham um papel mais destrutivo, s&atilde;o utilizadas frequentemente para provocar ira e &oacute;dio, e espalhar boatos n&atilde;o confirmados&quot;, segundo Abdel-Saddiq. &quot;Desde a revolu&ccedil;&atilde;o vemos que s&atilde;o usadas para incitar os manifestantes contra a pol&iacute;cia, a oposi&ccedil;&atilde;o laica contra os grupos isl&acirc;micos, mu&ccedil;ulmanos contra crist&atilde;os, e vice-versa&quot;, observou. &quot;Usu&aacute;rios an&ocirc;nimos publicaram coment&aacute;rios, que resultaram ser falsos, dizendo que as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a disparavam contra manifestantes desarmados ou que mu&ccedil;ulmanos atacavam crist&atilde;os&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>&quot;Uma vez feito isso, fica f&aacute;cil, com apoio novamente das redes sociais, incidir em uma grande quantidade de manifestantes furiosos, que se encontram em lugares espec&iacute;ficos para criar um terreno f&eacute;rtil de enfrentamentos violentos&quot;, pontuou Abdel-Saddiq. Este fen&ocirc;meno ocorreu novamente ap&oacute;s a revolta popular, quando as paix&otilde;es sect&aacute;rias se avivaram, em raz&atilde;o de choques entre mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os, por tr&aacute;s dos quais muitos observadores veem a m&atilde;o invis&iacute;vel de um terceiro.<\/p>\n<p>&quot;O p&uacute;blico logo viu que as den&uacute;ncias falsas nas redes sociais come&ccedil;aram a ser usadas por certos grupos, tanto for&ccedil;as revolucion&aacute;rias, rivais pol&iacute;ticos, quanto ag&ecirc;ncias estrangeiras de intelig&ecirc;ncia, para desestabilizar o Egito p&oacute;s-revolucion&aacute;rio&quot;, ressaltou Abdel-Saddiq.<\/p>\n<p>No final de 2011 surgiu um grupo an&ocirc;nimo que se definia como &quot;comit&ecirc; para a promo&ccedil;&atilde;o da virtude e preven&ccedil;&atilde;o do v&iacute;cio no Egito&quot;. A p&aacute;gina fez temer pelo surgimento de uma &quot;pol&iacute;cia moral&quot;, semelhante &agrave; da Ar&aacute;bia Saudita, e tinha o logotipo do grupo salafista Al-Nur (Partido da Luz). Esta organiza&ccedil;&atilde;o de extrema direita religiosa se apressou em negar seu v&iacute;nculo com o grupo do Facebook, cujos criadores permanecem an&ocirc;nimos at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>&quot;Um dos inconvenientes das redes sociais &eacute; que grupos an&ocirc;nimos podem criar contas ou sites na internet falsos, e assim divulgar comunicados em nome de grupos ou figuras pol&iacute;ticas&quot;, opinou Hassan. Segundo especialistas, plataformas para compartilhar v&iacute;deos, como o Youtube, tamb&eacute;m come&ccedil;aram a ter um papel menos positivo do que tiveram durante a revolta.<\/p>\n<p>&quot;Os v&iacute;deos publicados deram um &iacute;mpeto adicional &agrave; revolta, o que permitiu a manifestantes de outras partes do pa&iacute;s saberem o que acontecia. Atualmente, s&atilde;o usados cada vez mais para incitar e subverter&quot;, explicou Abdel-Saddiq. Este especialista citou v&aacute;rios incidentes com fotos e v&iacute;deos provocadores nas redes sociais, que, ap&oacute;s incentivarem rea&ccedil;&otilde;es de ira, resultaram ser falsos ou muito exagerados. Em muitos casos, &quot;eram mais velhos do que se dizia e representavam acontecimentos sem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Abdel-Saddiq, um exemplo &eacute; o v&iacute;deo que apareceu em 2011 mostrando um policial jogando o corpo de um manifestante de boca para baixo sobre um monte de lixo. Depois de gerar uma onda de indigna&ccedil;&atilde;o contra a pol&iacute;cia e de os grandes canais de televis&atilde;o divulgarem, soube-se que o incidente nem mesmo havia acontecido no Egito. No come&ccedil;o de abril deste ano circulou outro v&iacute;deo mostrando um grupo de homens mu&ccedil;ulmanos agredindo sexualmente uma mulher copta no Alto Egito, sul do pa&iacute;s. O v&iacute;deo, divulgado no contexto das tens&otilde;es sect&aacute;rias no Cairo e em Alexandria, motivou uma onda de mal-estar popular.<\/p>\n<p>Depois soube-se que era de 2009 e tinha a ver com uma vingan&ccedil;a tribal, n&atilde;o com conflitos sect&aacute;rios. &quot;Essa foi uma clara tentativa de um grupo an&ocirc;nimo de incitar a viol&ecirc;ncia entre crist&atilde;os e mu&ccedil;ulmanos do Egito&quot;, apontou Hassan. &quot;Incidentes desse tipo ocorreram t&atilde;o perto do per&iacute;odo p&oacute;s-revolucion&aacute;rio que a maioria dos usu&aacute;rios das redes sociais questionam a fonte e a data de produ&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;deos que circulam na internet&quot;, acrescentou Hassan.<\/p>\n<p>Abdel-Saddiq atribuiu a situa&ccedil;&atilde;o atual &agrave; falta de controle legal sobre as plataformas de meios sociais no Egito, onde &quot;as leis contra inj&uacute;ria e difama&ccedil;&atilde;o s&oacute; se aplicam aos meios tradicionais de comunica&ccedil;&atilde;o, como televis&atilde;o, r&aacute;dio e imprensa, mas n&atilde;o &agrave; internet&quot;. Ele espera que, ap&oacute;s as pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares, no final deste ano, se crie uma lei para regular os meios sociais. &quot;At&eacute; ent&atilde;o, continuaremos vendo como essas novas formas de liberdade de express&atilde;o, &agrave;s quais muitos eg&iacute;pcios ainda n&atilde;o est&atilde;o acostumados, s&atilde;o usadas de maneira irrespons&aacute;vel e sem limites&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cairo, Egito, 17\/05\/2013 &ndash; Mais de dois anos depois de terem desempenhado um papel fundamental na Primavera &Aacute;rabe do Egito, as redes sociais passaram a ter um papel menos positivo, servindo de plataforma para a incita&ccedil;&atilde;o, propaga&ccedil;&atilde;o de boatos e total desinforma&ccedil;&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/politica\/o-lado-escuro-das-redes-sociais-no-egito\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1206,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[16],"class_list":["post-11888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1206"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}