{"id":1189,"date":"2005-11-10T00:00:00","date_gmt":"2005-11-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1189"},"modified":"2005-11-10T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-10T00:00:00","slug":"espanha-menina-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/espanha-menina-e-agora\/","title":{"rendered":"Espanha: &Eacute; menina. E agora?"},"content":{"rendered":"<p>Miami, 10\/11\/2005 &ndash; Leonor, a primog&ecirc;nita do Pr&iacute;ncipe e da Princesa de Ast&uacute;rias, herdeiros da Coroa da Espanha, nasceu bem diante da satisfa&ccedil;&atilde;o generalizada de sua fam&iacute;lia e uma opini&atilde;o p&uacute;blica que, de maneira esmagadora, ap&oacute;ia a monarquia parlamentarista como f&oacute;rmula de conviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Entretanto, um fato puramente pessoal, que poderia ficar limitado ao contexto familiar em qualquer dos demais Estados europeus que compartilham esse sistema pol&iacute;tico que mant&eacute;m a simb&oacute;lica chefia do Estado nas m&atilde;os de um sistema sucess&oacute;rio, extrapolou t&atilde;o logo o nascimento foi anunciado.<br \/> <!--more--> <br \/> J&aacute; foi posto em andamento um processo de reforma da Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola. O motivo &eacute; que o artigo 57 do atual texto discrimina a mulher em benef&iacute;cio do var&atilde;o quanto &agrave; sucess&atilde;o na chefia do Estado. A linha sucess&oacute;ria privilegia o primeiro var&atilde;o nascido e relega as mulheres que nas&ccedil;am antes a um papel secund&aacute;rio. Para dizer em termos pr&aacute;ticos, somente no caso de Leonor ser a &uacute;nica descendente de Felipe e Leticia &eacute; que chegaria &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de Rainha da Espanha. No momento em que um menino nascer depois da primog&ecirc;nita ele poder&aacute; ser, constitucionalmente, algum dia o Rei, e ela ficaria modestamente como Infanta. &Eacute; exatamente o que atualmente sofrem as infantas Helena e Cristina, irm&atilde;s de Felipe de Borb&oacute;n. Esta expl&iacute;cita discrimina&ccedil;&atilde;o se choca frontalmente com o artigo 14 da Constitui&ccedil;&atilde;o que pro&iacute;be toda demonstra&ccedil;&atilde;o de desigualdade.<\/p>\n<p> Se o sentimento popular e pol&iacute;tico favor&aacute;vel &agrave; reforma constitucional j&aacute; era forte antes do nascimento da infanta Leonor, com sua vinda ao mundo ganhou velocidade de cruzeiro. Se antes os diferentes setores sociais e pol&iacute;ticos competiam em protagonismo pressionando pela reforma, agora ser&aacute; imposs&iacute;vel de ser detida. Entretanto, conv&eacute;m lembrar alguns aspectos legais e pol&iacute;ticos que &eacute; preciso ter em conta.<\/p>\n<p> Em primeiro lugar, o ordenamento existente prescreve que para tal reforma ser fact&iacute;vel deve ser aprovada pela legislatura atual, por uma maioria de dois ter&ccedil;os no Congresso dos Deputados e no Senado. Depois, deve dissolver as Cortes, convocar novas elei&ccedil;&otilde;es e, j&aacute; com a nova c&acirc;mara em funcionamento, proceder pela mesma maioria a ratifica&ccedil;&atilde;o da modifica&ccedil;&atilde;o que substituiria a atual discrimina&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, depois a mudan&ccedil;a deve ser submetida a referendo popular.<\/p>\n<p> Em termos pr&aacute;ticos, a reforma seria encarada pela atual composi&ccedil;&atilde;o das Cortes, antes do limite do per&iacute;odo normal que expiraria em 2008. Ent&atilde;o, o novo parlamento cuidaria da ratifica&ccedil;&atilde;o da reforma entre esse ano at&eacute; 2012, a n&atilde;o ser que os termos temporais de ambas legislaturas fossem encurtados por conveni&ecirc;ncia pol&iacute;tica (problemas de apoio parlamentar ao atual governo ou do eleito nas elei&ccedil;&otilde;es seguintes).<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, este esquema deve contemplar um detalhe delicado e curioso quanto ao status efetivo do Pr&iacute;ncipe Felipe. Se a reforma pela qual se deixaria de discriminar a mulher for efetiva antes que o Pr&iacute;ncipe Felipe suba ao trono, ficaria em uma posi&ccedil;&atilde;o inc&ocirc;moda, j&aacute; que legalmente a sucessora ao trono seria sua irm&atilde; Helena. Entretanto, este pequeno problema se solucionaria por uma curta linha transit&oacute;ria no artigo reformista assinalando que a nova regra sucess&oacute;ria n&atilde;o se aplicaria em seu caso.<\/p>\n<p> Em um plano pol&iacute;tico, o acontecimento n&atilde;o poderia ter chegado em melhor momento, quando n&atilde;o s&oacute; se discute esta reforma, mas tamb&eacute;m a urgente adapta&ccedil;&atilde;o do texto constitucional ao que se converteu no tema central pol&iacute;tico, que somente compete em prioridade com a quest&atilde;o crucial da imigra&ccedil;&atilde;o e suas implica&ccedil;&otilde;es. Depois do casamento de Felipe e Leticia, considerava-se que a reforma n&atilde;o deveria precipitar-se e n&atilde;o convinha, em todo caso, que ficasse reduzida a este tema monogr&aacute;fico, pois poderia ser interpretada como um plebiscito diante da monarquia com todo tipo de especula&ccedil;&otilde;es sobre os n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o. Portanto, acredita-se que a melhor solu&ccedil;&atilde;o seria esperar contar com um pacote de reformas que englobassem a monografia da sucess&atilde;o.<\/p>\n<p> Agora &eacute; evidente que a inadi&aacute;vel revoga&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o existente iria em companhia da n&atilde;o menos urgente reforma ou adapta&ccedil;&atilde;o do sistema aut&ocirc;nomo, para que reflita as demandas em algumas das chamadas alardeadamente &quot;nacionalidades&quot; no texto votado em 1978 em plena transi&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; j&aacute; terem surgido vozes insistentes para que a monarquia atual adquira um novo n&iacute;vel de garantia ao converter-se em federal.<\/p>\n<p> Nada de estranho teria este ajuste, j&aacute; que simplesmente refletiria o esp&iacute;rito e o desenho do bras&atilde;o nacional, onde pode-se ver de maneira palp&aacute;vel as origens diversas dessa entidade que a Constitui&ccedil;&atilde;o com extremo cuidado e prud&ecirc;ncia deixou nos alinhavos (hilvanes) das &quot;nacionalidades&quot; e &quot;regi&otilde;es&quot;, eufemismo que evitava a condi&ccedil;&atilde;o de &quot;na&ccedil;&otilde;es&quot; (como herdeiras dos antigos &quot;reinos&quot;) de algumas das primeiras. Ser&aacute; a oportunidade de Felipe e Leticia, ou, pelo menos, da futura Rainha Leonor. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Joaqu&iacute;n Roy &eacute; catedr&aacute;tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia da Universidade de Miami. (jroy@miami.edu).<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, 10\/11\/2005 &ndash; Leonor, a primog&ecirc;nita do Pr&iacute;ncipe e da Princesa de Ast&uacute;rias, herdeiros da Coroa da Espanha, nasceu bem diante da satisfa&ccedil;&atilde;o generalizada de sua fam&iacute;lia e uma opini&atilde;o p&uacute;blica que, de maneira esmagadora, ap&oacute;ia a monarquia parlamentarista como f&oacute;rmula de conviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Entretanto, um fato puramente pessoal, que poderia ficar limitado ao contexto familiar em qualquer dos demais Estados europeus que compartilham esse sistema pol&iacute;tico que mant&eacute;m a simb&oacute;lica chefia do Estado nas m&atilde;os de um sistema sucess&oacute;rio, extrapolou t&atilde;o logo o nascimento foi anunciado.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/espanha-menina-e-agora\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1189","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1189"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1189\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}