{"id":11895,"date":"2013-05-20T11:46:48","date_gmt":"2013-05-20T11:46:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11895"},"modified":"2013-05-20T11:46:48","modified_gmt":"2013-05-20T11:46:48","slug":"brasil-na-contramo-do-combate-ao-trfico-de-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/brasil-na-contramo-do-combate-ao-trfico-de-pessoas\/","title":{"rendered":"Brasil na contram&atilde;o do combate ao tr&aacute;fico de pessoas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/05\/2013 &ndash; O Brasil contradiz a legisla&ccedil;&atilde;o internacional no combate ao tr&aacute;fico de pessoas, porque a mant&eacute;m invis&iacute;vel e impune.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11895\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/trafico.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11895\" class=\"size-medium wp-image-11895\" title=\"O tr&aacute;fico transforma as pessoas em mercadoria. - Anistia Internacional\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/trafico.jpg\" alt=\"O tr&aacute;fico transforma as pessoas em mercadoria. - Anistia Internacional\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11895\" class=\"wp-caption-text\">O tr&aacute;fico transforma as pessoas em mercadoria. - Anistia Internacional<\/p><\/div>  Isto incentiva este crime praticado com fins sexuais, trabalho for&ccedil;ado, ado&ccedil;&atilde;o ilegal e transplante de &oacute;rg&atilde;os, afirmam especialistas. As leis no pa&iacute;s punem mais severamente o narcotr&aacute;fico do que os casos em que o tr&aacute;fico de gente &eacute; considerado crime.<\/p>\n<p>A venda de drogas, por exemplo, tem penas de pris&atilde;o entre cinco e 15 anos, em regime fechado, enquanto o tr&aacute;fico para fins de explora&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; punido com um m&aacute;ximo de oito anos em regime semiaberto. &quot;O tr&aacute;fico de pessoas ainda &eacute; um crime invis&iacute;vel. O que ocorre atualmente &eacute; uma aut&ecirc;ntica impunidade&quot;, disse &agrave; IPS o juiz Rinaldo Aparecido Barros, membro do Grupo de Trabalho contra o Tr&aacute;fico do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>O Brasil registra, em m&eacute;dia, por ano, mil casos de pessoas captadas para serem enviadas ao exterior, segundo o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, que promoveu no Rio de Janeiro uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, no dia 17, sobre &quot;Tr&aacute;fico de pessoas: preven&ccedil;&atilde;o, repress&atilde;o, aten&ccedil;&atilde;o com as v&iacute;timas e associa&ccedil;&otilde;es&quot;. Seu objetivo foi reunir e trocar informa&ccedil;&atilde;o sobre o combate a esse crime, articular a&ccedil;&otilde;es conjuntas para prevenir e reprimir o crime, e se concentrou no aspecto do pa&iacute;s como emissor de v&iacute;timas de tr&aacute;fico para o exterior.<\/p>\n<p>O Brasil tamb&eacute;m &eacute; receptor do tr&aacute;fico humano, e, al&eacute;m disso, h&aacute; brasileiras e brasileiros captados para explora&ccedil;&atilde;o dentro de suas fronteiras. Os tr&ecirc;s mil brasileiros e brasileiras levados ao exterior no &uacute;ltimo tri&ecirc;nio foram submetidos em sua maioria a explora&ccedil;&atilde;o sexual e trabalho escravo. &quot;&Eacute; um n&uacute;mero significativo. Um grande n&uacute;mero de pessoas &eacute; privado de sua dignidade. Os milhares de casos registrados a cada ano n&atilde;o representam o total, pois n&atilde;o sabemos quantos fugiram ao nosso controle&quot;, disse a subprocuradora-geral brasileira, Raquel Elias Ferreira Dodge.<\/p>\n<p>O sub-registro impede, de fato, conhecer o alcance real de v&iacute;timas enviadas ao exterior pelas m&aacute;fias do tr&aacute;fico humano, segundo os participantes do encontro. &quot;Temos que trabalhar de forma mais eficaz para que estes crimes sejam condenados e sem indevidas dila&ccedil;&otilde;es. O crime de tr&aacute;fico humano fere a dignidade humana&quot;, afirmou Dodge, integrante do Conselho Superior do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal.<\/p>\n<p>Dodge acrescentou que &quot;a m&atilde;o de obra escrava nega a personalidade do indiv&iacute;duo e converte a v&iacute;tima em uma mercadoria, que pode ser objeto de contrabando e tr&aacute;fico&quot;. Entretanto, o que torna mais dif&iacute;cil o combate ao tr&aacute;fico de pessoas &eacute; o fato de no Brasil s&oacute; existir o crime quando h&aacute; explora&ccedil;&atilde;o sexual ou trabalho escravo, disse &agrave; IPS o delegado da Pol&iacute;cia Federal no Rio de Janeiro, Erick Blatt.<\/p>\n<p>&quot;Descobrir o crime &eacute; muito dif&iacute;cil, somente diante da den&uacute;ncia se pode iniciar uma investiga&ccedil;&atilde;o, sem que seja certo que o crime ser&aacute; provado&quot;, pontuou Blatt, tamb&eacute;m representante da Interpol (Pol&iacute;cia Internacional) no Estado do Rio de Janeiro. &quot;Em geral, as pessoas v&atilde;o ao lugar de sua explora&ccedil;&atilde;o voluntariamente, a maioria sem saber que ter&aacute; seu passaporte retido&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para as Migra&ccedil;&otilde;es define o tr&aacute;fico humano como &quot;a capta&ccedil;&atilde;o, o transporte, o traslado, a acolhida ou a recep&ccedil;&atilde;o de pessoas, recorrendo &agrave; amea&ccedil;a ou ao uso da for&ccedil;a ou outras formas de coa&ccedil;&atilde;o&quot;. Como coa&ccedil;&otilde;es cita &quot;o rapto, a fraude, o engodo, o abuso de poder, ou uma situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade ou concess&atilde;o ou recep&ccedil;&atilde;o de pagamentos ou benef&iacute;cios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra, com fins de explora&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>O c&oacute;digo penal brasileiro s&oacute; contempla, no Artigo 231, o crime de explora&ccedil;&atilde;o sexual, e no Artigo 149 o de submeter a condi&ccedil;&atilde;o de escravid&atilde;o. Ambos s&atilde;o punidos com penas leves, muito inferiores a crimes que n&atilde;o comercializam seres humanos e sua dignidade. A Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas Contra o Crime Organizado Transnacional, assinada em 2000 e que o Brasil ratificou em 2003, tipifica especificamente os crimes de tr&aacute;fico de pessoas e prop&otilde;e castigos amplos, algo que o pa&iacute;s ainda n&atilde;o colocou em suas leis.<\/p>\n<p>&quot;Estamos na contram&atilde;o do direito internacional. No Brasil o tema &eacute; tratado de maneira inadequada. &Eacute; um crime contra a humanidade e atenta contra a dignidade humana&quot;, queixou-se Barros. O juiz afirma que os instrumentos mais adequados para combater o tr&aacute;fico de pessoas s&atilde;o as medidas que permitem o bloqueio dos ativos de suas m&aacute;fias, para dessa forma atacar seu lado econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>O tr&aacute;fico humano est&aacute; em m&atilde;os de complexas redes de organiza&ccedil;&otilde;es criminais transnacionais que, no Brasil, captam mulheres geralmente pobres, sem perspectiva de ter uma vida melhor, disse &agrave; IPS a advogada Michelle Gueraldi, do Projeto Trama, que re&uacute;ne organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais dedicadas ao combate a esse crime. Quando emigram, elas o fazem voluntariamente, em ocasi&otilde;es movidas pelo desejo de melhorar de vida, e acabam exploradas na Espanha, nos Estados Unidos, em Portugal e pa&iacute;ses do Caribe, entre outros lugares, explicou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Blatt acrescentou que o Brasil &eacute; receptor de mulheres v&iacute;timas do tr&aacute;fico humano procedentes do leste europeu, especialmente Hungria e Pol&ocirc;nia. &quot;Este crime &eacute; uma viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos. Trabalhamos na preven&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o de suas v&iacute;timas. Tamb&eacute;m recebemos den&uacute;ncias de casos em que notamos que a maioria dos recrutadores &eacute; de pessoas conhecidas e de confian&ccedil;a das v&iacute;timas&quot;, detalhou Gueraldi.<\/p>\n<p>Bras&iacute;lia estabeleceu, em fevereiro, o II Plano de Combate Contra o Tr&aacute;fico de Pessoas, mas o desafio &eacute; levar &agrave; pr&aacute;tica as pol&iacute;ticas estabelecidas, informou a advogada. Por seu lado, Blatt reconheceu que fazer um acompanhamento das v&iacute;timas do tr&aacute;fico humano em sua mobiliza&ccedil;&atilde;o internacional &eacute; complexo para as policiais locais e a Interpol. &quot;Se no Brasil &eacute; lento o sistema de comunica&ccedil;&atilde;o entre a pol&iacute;cia e os procuradores, imaginem o que &eacute; a comunica&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;cias em n&iacute;vel internacional&quot;, pontuou.<\/p>\n<p>O tr&aacute;fico de pessoas &eacute; um neg&oacute;cio extremamente lucrativo. Apenas na Europa, gera anualmente cerca de US$ 3,2 bilh&otilde;es, segundo foi informado no encontro do Rio de Janeiro. O Escrit&oacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas Contra a Droga e o Crime indica que ao menos 2,5 milh&otilde;es de pessoas s&atilde;o v&iacute;timas de tr&aacute;fico humano no mundo. Uma pesquisa deste organismo mostra que 58% dessas v&iacute;timas s&atilde;o objeto de explora&ccedil;&atilde;o sexual e 36% de trabalho escravo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/05\/2013 &ndash; O Brasil contradiz a legisla&ccedil;&atilde;o internacional no combate ao tr&aacute;fico de pessoas, porque a mant&eacute;m invis&iacute;vel e impune. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/brasil-na-contramo-do-combate-ao-trfico-de-pessoas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[27],"class_list":["post-11895","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11895\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}