{"id":11909,"date":"2013-05-21T11:36:22","date_gmt":"2013-05-21T11:36:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11909"},"modified":"2013-05-21T11:36:22","modified_gmt":"2013-05-21T11:36:22","slug":"caminhadas-conectam-os-palestinos-com-seu-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/caminhadas-conectam-os-palestinos-com-seu-passado\/","title":{"rendered":"Caminhadas conectam os palestinos com seu passado"},"content":{"rendered":"<p>Deir Ghassaneh, Palestina, 21\/05\/2013 &ndash; Entre as &aacute;rvores emerge uma c&uacute;pula de cor terracota, localizada sobre uma antiga casa de pedra, usada h&aacute; s&eacute;culos para ora&ccedil;&otilde;es.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11909\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/vista.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11909\" class=\"size-medium wp-image-11909\" title=\"Vista do santu&aacute;rio de al-Qatrawani, uma parada no caminho sufi na aldeia de Atara, na Cisjord&acirc;nia. - Jillian Kestler-D&quot;\u2122Amours\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/vista.jpg\" alt=\"Vista do santu&aacute;rio de al-Qatrawani, uma parada no caminho sufi na aldeia de Atara, na Cisjord&acirc;nia. - Jillian Kestler-D&quot;\u2122Amours\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11909\" class=\"wp-caption-text\">Vista do santu&aacute;rio de al-Qatrawani, uma parada no caminho sufi na aldeia de Atara, na Cisjord&acirc;nia. - Jillian Kestler-D&quot;\u2122Amours\/IPS<\/p><\/div>  Ao longe se v&ecirc; os verdes vales e as colinas do centro da Cisjord&acirc;nia. Este santu&aacute;rio, conhecido como Al-Khawass, fica a 540 metros de altitude, na aldeia palestina de Deir Ghassaneh. &Eacute; uma das v&aacute;rias paradas ao longo do caminho sufi, que come&ccedil;a no vale abaixo e faz visitantes e moradores do lugar voltarem aos tempos em que o sufismo, uma forma m&iacute;stica do Isl&atilde;, estava generalizado na &aacute;rea.<\/p>\n<p>&quot;Quero que os estrangeiros conhe&ccedil;am a cultura palestina, nossa cultura. E quero que os palestinos sejam tenazes nisto. Este &eacute; o lar de voc&ecirc;s. Orgulhem-se da terra, da p&aacute;tria&quot;, disse Rafat Jamil, diretor de trajetos e guia da Associa&ccedil;&atilde;o Rozana. Com sede em Birzeit, perto de Ramal&aacute;, esta entidade trabalha para restaurar edif&iacute;cios hist&oacute;ricos palestinos, bem como para fortalecer o patrim&ocirc;nio cultural palestino. A organiza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m criou tr&ecirc;s rotas sufis no centro e no norte da Cisjord&acirc;nia.<\/p>\n<p>Os participantes destas excurs&otilde;es de um dia veem cerca de cinco santu&aacute;rios ao longo desses caminhos e apreciam a paisagem do lugar. Indicadores pintados com as cores da bandeira palestina (vermelho, verde e branco) e localizados a cada 30\/40 metros avisam aos turistas que est&atilde;o no caminho certo. A Cisjord&acirc;nia tem aproximadamente 600 santu&aacute;rios sufis, entre eles alguns com 800 anos, segundo Jamil. Muitos foram constru&iacute;dos quando o Sultanato Mameluco e o Imp&eacute;rio Otomano governavam a antiga Palestina.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; uma luta em torno da hist&oacute;ria. Para os israelenses nada &eacute; palestino, somente judeu e israelense. A ideia &eacute; que as pessoas conversem sobre a hist&oacute;ria da Palestina e que queiram ver santu&aacute;rios e casas antigas, dos per&iacute;odos romano e otomano&quot;, explicou Jamil &agrave; IPS. &quot;Os israelenses afirmam que toda cultura daqui &eacute; deles&quot;, acrescentou, ressaltando que, no entanto, quando os turistas se aproximam &quot;veem algo mais&quot;.<\/p>\n<p>O turismo alternativo na Palestina n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno novo. Dezenas de organiza&ccedil;&otilde;es lideram rotas na Cisjord&acirc;nia e em Jerusal&eacute;m, que incluem viagens &quot;pol&iacute;ticas&quot; durante o dia, estadias em casas de fam&iacute;lias palestinas, colheita de azeitona e festivais de arte e patrim&ocirc;nio cultural. Mas a gradual expans&atilde;o e o desenvolvimento das rotas para caminhadas nos territ&oacute;rios ocupados &eacute; algo que os palestinos esperam que atraia tanto turistas quanto apoio internacional.<\/p>\n<p>&quot;Queremos trazer turistas para &aacute;reas onde nunca estiveram, e gerar um bom impacto econ&ocirc;mico na comunidade&quot;, disse Michel Awad, diretor-executivo e cofundador do Centro Siraj, uma operadora de turismo sem fins lucrativos com sede em Beit Sahour, perto de Bel&eacute;m. Se mais pessoas passassem mais tempo nos territ&oacute;rios palestinos, &quot;partiriam com uma compreens&atilde;o real da causa palestina e se tornariam promotores da justi&ccedil;a em seus pa&iacute;ses&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O Centro Siraj organiza trajetos a p&eacute; ou de bicicleta, bem como excurs&otilde;es pol&iacute;ticas para visitantes internacionais por toda a Cisjord&acirc;nia. Estas incluem a chamada Rota da Natividade, que serpenteia de Nazar&eacute; a Bel&eacute;m, e que, acredita-se, segue a viagem feita por Jos&eacute; e Maria antes do nascimento de Jesus, ou os caminhos do patriarca Abra&atilde;o, que incluem 170 quil&ocirc;metros desde Naplusa at&eacute; Hebr&oacute;n.<\/p>\n<p>Awad contou &agrave; IPS que os operadores tur&iacute;sticos israelenses manejam a maioria dos percursos de peregrinos religiosos &#8211; todo um neg&oacute;cio na Terra Santa -, embora estes invadam &aacute;reas palestinas. Frequentemente, os turistas visitam locais sagrados em Bel&eacute;m e voltam &agrave; noite para hot&eacute;is administrados por israelenses em Jerusal&eacute;m, por exemplo. Desta forma, o turismo baseado na comunidade &eacute; uma alternativa a estes itiner&aacute;rios religiosos e fortalece os palestinos.<\/p>\n<p>Israel n&atilde;o pode competir, porque estes trajetos implicam muito mais que uma caminhada, detalhou Awad. &quot;Trata-se de conhecer a comunidade e as fam&iacute;lias. &Eacute; totalmente diferente&quot;, ressaltou. Os conselhos de aldeias e povoados palestinos fornecem insumos e orienta&ccedil;&atilde;o para as caminhadas do Centro Siraj, e com regularidade as fam&iacute;lias recebem participantes para almo&ccedil;os ou pernoite em suas casas. As fam&iacute;lias que preparam essas refei&ccedil;&otilde;es durante as excurs&otilde;es semanais, por exemplo, recebem 40 shekels (US$ 10) para cada convidado.<\/p>\n<p>&quot;Nosso objetivo &eacute; criar na Palestina um novo turismo baseado em experi&ecirc;ncias que permitam aos viajantes viver a hospitalidade palestina e conhecer muitas paisagens. Queremos criar um novo tipo de turismo que esteja em contato com as comunidades locais e que gere benef&iacute;cios diretos para as &aacute;reas rurais&quot;, pontuou Awad. Entre janeiro e junho de 2012, foram realizadas cerca de 3,5 milh&otilde;es de visitas a locais tur&iacute;sticos nos territ&oacute;rios palestinos ocupados, segundo o Escrit&oacute;rio Central Palestino de Estat&iacute;sticas, a maioria na regi&atilde;o de Bel&eacute;m. No entanto, realizar excurs&otilde;es na Palestina vai al&eacute;m de gerar turismo.<\/p>\n<p>&quot;Nos encanta a paisagem: as pedras, as &aacute;rvores, tudo. &Eacute; um sopro de ar fresco, literalmente&quot;, disse Bassam Al Mohor, fot&oacute;grafo e membro do grupo excursionista Shat-ha, com sede em Ramal&aacute;. Toda sexta-feira essa entidade organiza passeios por diferentes &aacute;reas da Cisjord&acirc;nia, e ocasionalmente a lugares dentro de Israel, da Jord&acirc;nia ou de outros pa&iacute;ses. Os trajetos n&atilde;o s&atilde;o complicados, s&atilde;o gratuitos e geralmente duram desde as primeiras horas da manh&atilde; at&eacute; o come&ccedil;o da tarde. A organiza&ccedil;&atilde;o tende a se centrar em palestinos da &aacute;rea, embora os visitantes internacionais sejam bem-vindos, j&aacute; que busca conectar os palestinos urbanos com os rurais, fortalecendo os v&iacute;nculos entre o povo e sua p&aacute;tria.<\/p>\n<p>&quot;A paisagem na Cisjord&acirc;nia est&aacute; diminuindo, desaparecendo, morrendo lentamente. E isso se deve principalmente &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o. Se nos aproximamos das col&ocirc;nias israelenses corremos o risco de sermos atacados. &Eacute; realmente triste ver que caminhos, pelos quais faz&iacute;amos lindas caminhadas, repentinamente ficaram fora de nossos limites&quot;, disse Mohor. &quot;Por&eacute;m, quando se caminha e se v&ecirc; antigas casas de pedra ou varandas ou povoados antigos, a primeira coisa que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; esse patrim&ocirc;nio. N&atilde;o sab&iacute;amos que a natureza pode ser assim. &Eacute; poss&iacute;vel se perder nisto&quot;, acrescentou Mohor. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deir Ghassaneh, Palestina, 21\/05\/2013 &ndash; Entre as &aacute;rvores emerge uma c&uacute;pula de cor terracota, localizada sobre uma antiga casa de pedra, usada h&aacute; s&eacute;culos para ora&ccedil;&otilde;es. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/caminhadas-conectam-os-palestinos-com-seu-passado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":103,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5,11],"tags":[21,16],"class_list":["post-11909","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/103"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11909"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11909\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}