{"id":11920,"date":"2013-05-22T11:55:49","date_gmt":"2013-05-22T11:55:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11920"},"modified":"2013-05-22T11:55:49","modified_gmt":"2013-05-22T11:55:49","slug":"nger-se-esfora-para-educar-as-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/africa\/nger-se-esfora-para-educar-as-meninas\/","title":{"rendered":"N&iacute;ger se esfor&ccedil;a para educar as meninas"},"content":{"rendered":"<p>Niamey, N&iacute;ger, 22\/05\/2013 &ndash; H&aacute; uma d&eacute;cada, menos de um ter&ccedil;o das meninas de N&iacute;ger em idade escolar frequentavam as aulas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11920\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/nigergrande-300x298.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11920\" class=\"size-medium wp-image-11920\" title=\"Entre 2010 e 2011, a propor&ccedil;&atilde;o geral de matr\u00c3\u00adculas de meninas nas escolas de N\u00c3\u00adger aumentou de 29% para 63%, segundo o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. - Alessandro Vannucci\/CC BY 2.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/nigergrande-300x298.jpg\" alt=\"Entre 2010 e 2011, a propor&ccedil;&atilde;o geral de matr\u00c3\u00adculas de meninas nas escolas de N\u00c3\u00adger aumentou de 29% para 63%, segundo o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. - Alessandro Vannucci\/CC BY 2.0\" width=\"200\" height=\"198\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11920\" class=\"wp-caption-text\">Entre 2010 e 2011, a propor&ccedil;&atilde;o geral de matr\u00c3\u00adculas de meninas nas escolas de N\u00c3\u00adger aumentou de 29% para 63%, segundo o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. - Alessandro Vannucci\/CC BY 2.0<\/p><\/div>  Atualmente, embora persista uma significativa oposi&ccedil;&atilde;o cultural e religiosa, quase dois ter&ccedil;os delas est&atilde;o matriculadas em estabelecimentos de ensino. &quot;Em 2003, t&iacute;nhamos apenas 15 meninas na minha escola, de 150 estudantes. Agora temos 103 de um total de 175 alunos&quot;, contou Ibrahim Sani, que durante 17 anos deu aula no povoado de Agadez, no norte deste pa&iacute;s do ocidente africano.<\/p>\n<p>Esta hist&oacute;ria se repete em outras regi&otilde;es do N&iacute;ger. Salouhou Adou, professor em uma aldeia nos arredores de Tahoua, capital da regi&atilde;o de mesmo nome, disse &agrave; IPS: &quot;quando vim para Kollama, em 2003, havia apenas 29 meninas entre 113 alunos. Hoje, a quantidade delas triplicou, e s&atilde;o 87 em um total de 137 estudantes&quot;. A propor&ccedil;&atilde;o de matr&iacute;culas femininas em Tahoua mais do que duplicou, passando de 21%, em 2001, para 45%, em 2011, segundo a dire&ccedil;&atilde;o regional de ensino prim&aacute;rio. Entre 2001 e 2011, a propor&ccedil;&atilde;o geral de matr&iacute;culas de meninas nas escolas do pa&iacute;s aumentou de 29% para 63%, segundo o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta dr&aacute;stica melhoria se deve aos esfor&ccedil;os combinados de autoridades administrativas e tradicionais, professores, pais e sociedade civil, para conscientizar sobre a import&acirc;ncia de educar as meninas. &quot;Nossa interven&ccedil;&atilde;o conseguiu reduzir o desequil&iacute;brio de g&ecirc;nero em termos de matr&iacute;culas em nossa &aacute;rea&quot;, disse Hadiza Moussa, professora em T&eacute;ssaoua, sul do pa&iacute;s, onde os dados oficiais tamb&eacute;m indicam aumento nas matr&iacute;culas das meninas. Estas representaram 45% dos estudantes em 2012, contra apenas 21% em 2001.<\/p>\n<p>Casamentos e batizados s&atilde;o cerim&ocirc;nias que os ativistas usam com frequ&ecirc;ncia para conscientizar sobre a educa&ccedil;&atilde;o feminina. Mas alguns cidad&atilde;os comuns o fazem por conta pr&oacute;pria. &quot;Fui de porta em porta para falar &agrave;s fam&iacute;lias que eram contra a educa&ccedil;&atilde;o para suas filhas&quot;, explicou &agrave; IPS o comerciante Maman Zakari, de 60 anos, na localidade de Maradi. &quot;Eu fui contra meninas na escola. Mas pude entender a import&acirc;ncia de serem educadas mediante campanhas de conscientiza&ccedil;&atilde;o e programas de r&aacute;dio&quot;, admitiu. Ele matriculou duas de suas cinco filhas.<\/p>\n<p>O Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) tamb&eacute;m apoia v&aacute;rios incentivos. &quot;Os professores de &aacute;reas rurais que participam destas campanhas recebem apoio material desta ag&ecirc;ncia, al&eacute;m de seus sal&aacute;rios&quot;, disse &agrave; IPS Kadri Yacouba, diretor de escolas prim&aacute;rias em Maradi. &quot;E as mulheres que enviam suas filhas &agrave; escola recebem dinheiro para iniciar pequenos neg&oacute;cios&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Apesar do aumento das matr&iacute;culas femininas nas escolas, ainda h&aacute; uma grande brecha entre meninos e meninas nesse sentido. Entre 2001 e 2011, as dos meninos aumentaram de 36% para 86%. Essa brecha se explica pelo fato de, nas &aacute;reas rurais, muitas fam&iacute;lias n&atilde;o enviarem suas filhas &agrave; escola devido a cren&ccedil;as sociais e culturais. &quot;H&aacute; muitos pais que pensam que a escola &eacute; um fator desestabilizador para as meninas. Para eles, o destino de uma menina &eacute; ser boa esposa e boa m&atilde;e&quot;, disse &agrave; IPS o inspetor escolar aposentado Aboubabcar Amadou.<\/p>\n<p>Tanto em &aacute;reas urbanas quanto rurais, os pais costumam tirar suas filhas da escola para for&ccedil;&aacute;-las a casar. &quot;Mesmo nas fam&iacute;lias onde elas frequentam as aulas, os pais est&atilde;o mais interessados na educa&ccedil;&atilde;o dos var&otilde;es. Ir buscar &aacute;gua, lavar a roupa e cozinhar ainda s&atilde;o tarefas que fazem a vida cotidiana das meninas menores&quot;, disse Nana Hadiza, integrante de uma coaliz&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil que trabalha pelo acesso universal &agrave; educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A campanha sofreu um rev&eacute;s em novembro de 2012, quando o projeto de lei que buscava manter as meninas nas escolas enfrentou a forte oposi&ccedil;&atilde;o de cl&eacute;rigos mu&ccedil;ulmanos e associa&ccedil;&otilde;es de mulheres da mesma f&eacute;. Estes grupos pressionaram os legisladores para n&atilde;o aprovarem a lei e a devolverem para avalia&ccedil;&atilde;o. O motivo foi o Artigo 14, pelo qual toda pessoa presente ao casamento de uma menina em idade escolar sem aprova&ccedil;&atilde;o de um juiz seria pass&iacute;vel de sofrer condena&ccedil;&atilde;o entre seis meses e dois anos de pris&atilde;o, al&eacute;m de multa entre US$ 1 mil e US$ 2 mil, ou as duas puni&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>De acordo com as associa&ccedil;&otilde;es mu&ccedil;ulmanas, isto n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel em um pa&iacute;s como N&iacute;ger, onde cerca de 99% da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; isl&acirc;mica. &quot;O Isl&atilde; d&aacute; aos pais todos os direitos e a autoridade sobre seus filhos. Um pai n&atilde;o precisa de autoriza&ccedil;&atilde;o do juiz para entregar sua filha em casamento&quot;, argumentou Malam Abdou Garba, um pregador de Niamey.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; necess&aacute;rio modificar o projeto de lei para tirar tudo o que n&atilde;o esteja de acordo com o Isl&atilde;. Estes artigos podem levar as jovens a se insubordinarem e desobedecerem os pais, e isso pode fazer com que muitos deles se neguem a matricular suas filhas nas escolas&quot;, pontuou &agrave; IPS Mamane Sani, da Associa&ccedil;&atilde;o Nigeriana pela Defesa dos Direitos Humanos. Por&eacute;m, Hadiza Saley, da campanha Podemos, um movimento de associa&ccedil;&otilde;es femininas em N&iacute;ger que combate a viol&ecirc;ncia e a discrimina&ccedil;&atilde;o contra as mulheres, pediu uma legisla&ccedil;&atilde;o de maior alcance. &Eacute; necess&aacute;rio &quot;incluir todas as meninas&quot;, opinou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Niamey, N&iacute;ger, 22\/05\/2013 &ndash; H&aacute; uma d&eacute;cada, menos de um ter&ccedil;o das meninas de N&iacute;ger em idade escolar frequentavam as aulas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/africa\/nger-se-esfora-para-educar-as-meninas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12],"tags":[20,21,24],"class_list":["post-11920","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","tag-educacion","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11920","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11920"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11920\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}