{"id":11925,"date":"2013-05-23T09:29:23","date_gmt":"2013-05-23T09:29:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11925"},"modified":"2013-05-23T09:29:23","modified_gmt":"2013-05-23T09:29:23","slug":"cicatrizes-da-tragdia-em-oficinas-txteis-de-bangladesh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/cicatrizes-da-tragdia-em-oficinas-txteis-de-bangladesh\/","title":{"rendered":"Cicatrizes da trag&eacute;dia em oficinas t&ecirc;xteis de Bangladesh"},"content":{"rendered":"<p>Daca, Bangladesh, 23\/05\/2013 &ndash; &quot;Estava escuro e quente, com um p&oacute; asfixiante por todos os lados. No ar dominava o cheiro dos corpos em decomposi&ccedil;&atilde;o&quot;, recordou Nasima, de 24 anos, uma trabalhadora t&ecirc;xtil que passou quatro dias debaixo dos escombros do pr&eacute;dio que desabou em abril na capital de Bangladesh.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11925\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/cicatrizes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11925\" class=\"size-medium wp-image-11925\" title=\"Foi o pior acidente industrial na hist&oacute;ria de Bangladesh, com pelo menos 1.127 mortes. - Naimul Haq\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/cicatrizes.jpg\" alt=\"Foi o pior acidente industrial na hist&oacute;ria de Bangladesh, com pelo menos 1.127 mortes. - Naimul Haq\/IPS\" width=\"200\" height=\"139\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11925\" class=\"wp-caption-text\">Foi o pior acidente industrial na hist&oacute;ria de Bangladesh, com pelo menos 1.127 mortes. - Naimul Haq\/IPS<\/p><\/div>  A jovem recordou o terror pelo qual ela e outras quatro trabalhadoras passaram quando ficaram sepultadas por restos de vidro, ferro e concreto do edif&iacute;cio de oito andares.<\/p>\n<p>As equipes de resgate as encontraram entre as ru&iacute;nas do quinto e sexto andares do pr&eacute;dio Rana Plaza, no sub&uacute;rbio de Savar, onde funcionavam cinco oficinas t&ecirc;xteis. Nasima contou &agrave; IPS que estava &quot;muito assustada&quot; para lembrar de todos os detalhes dessas 96 horas. &quot;Minhas colegas morreram uma ap&oacute;s outra a poucos metros de mim&quot;, contou. Ela se deu conta de que haviam morrido quando deixou de ouvir suas vozes chamando na escurid&atilde;o.<\/p>\n<p>Nasima come&ccedil;ou a trabalhar na Ether Garments, uma das muitas companhias que funcionavam no Rana Plaza, apenas 20 dias antes da trag&eacute;dia. Foi o pior acidente industrial na hist&oacute;ria de Bangladesh, no qual morreram pelo menos 1.127 pessoas, segundo a &uacute;ltima contagem. Enquanto as fam&iacute;lias das v&iacute;timas come&ccedil;avam a chegar desesperadas ao lugar da trag&eacute;dia, vinham &agrave; luz informa&ccedil;&otilde;es de falhas nas medidas de seguran&ccedil;a e de neglig&ecirc;ncia por parte dos respons&aacute;veis.<\/p>\n<p>Logo ficou claro que os propriet&aacute;rios tinham sido alertados sobre a possibilidade de um desabamento do pr&eacute;dio, autorizado a funcionar somente at&eacute; o quinto andar. Quando os sobreviventes come&ccedil;aram a falar, denunciaram que os patr&otilde;es ignoraram as recomenda&ccedil;&otilde;es dos engenheiros de fechar as f&aacute;bricas em 24 de abril, dia do desmoronamento, e que amea&ccedil;aram de demiss&atilde;o quem faltasse. Estas revela&ccedil;&otilde;es causaram indigna&ccedil;&atilde;o internacional e mostraram a situa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria t&ecirc;xtil do pa&iacute;s, o setor que mais gera divisas, cerca de US$ 20 bilh&otilde;es por ano.<\/p>\n<p>Empresas transnacionais como a sueca H&amp;M, a irlandesa Primark e as norte-americanas Gap e Walmart, que subcontratam a maior parte de sua produ&ccedil;&atilde;o em Bangladesh para aproveitar a m&atilde;o de obra barata, em sua maioria feminina, agora s&atilde;o alvo de duras cr&iacute;ticas por n&atilde;o terem adotado os padr&otilde;es de seguran&ccedil;a. Apesar de estas acusa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o serem novas, grupos de direitos humanos esperam que a trag&eacute;dia sacuda a ind&uacute;stria o suficiente para levar &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o de leis trabalhistas e que sejam seguidas as regras de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Shapla, de 19 anos, cujo bra&ccedil;o esquerdo ficou em tal estado que foi preciso amput&aacute;-lo no pr&oacute;prio lugar do acidente, conversou com a IPS, em sua cama no hospital do Instituto Nacional de Traumatologia e Reabilita&ccedil;&atilde;o Ortop&eacute;dica desta capital. A jovem recordou que sobreviveu por v&aacute;rias horas presa entre as ru&iacute;nas do segundo e terceiro andares, &quot;com sangue e cad&aacute;veres por todo lado&quot;. Mehedul, marido de Shapla e que trabalhava como operador de uma m&aacute;quina de costura no mesmo andar que ela, contou &agrave; IPS que sobreviveu por pura sorte, pois estava na parte de tr&aacute;s do pr&eacute;dio no momento em que a estrutura veio abaixo, atingindo a maioria dos trabalhadores que estavam na parte da frente.<\/p>\n<p>Alguns sobreviventes, como Razia, de 21 anos, sofrem tanta dor que prefeririam a morte. &quot;Algu&eacute;m me d&ecirc; veneno. Quero morrer&quot;, gritava na sala do hospital onde ela e outros 121 feridos s&atilde;o atendidos gratuitamente. A jovem disse &agrave; IPS que apenas ouviu uma grande explos&atilde;o e logo tudo ficou escuro. Nas 14 horas seguintes precisou lutar para poder respirar atrav&eacute;s do espesso p&oacute; que a cobria. Ao seu lado no hospital estava Shamsul Alam, inspetor de qualidade, de 28 anos, que sofreu ferimentos na espinha dorsal que, segundo os m&eacute;dicos, s&atilde;o &quot;muito dif&iacute;ceis de operar&quot; e poder&atilde;o acabar sendo fatais. Alam contou &agrave; IPS que agora sabe &quot;como &eacute; estar dentro de um caix&atilde;o&quot;, ao explicar o que sentia prostrado em uma cama.<\/p>\n<p>O trauma tamb&eacute;m apagou por completo a mem&oacute;ria de outros sobreviventes. Um operador chamado Runu ficou dois dias debaixo dos escombros antes de ser resgatado. Hoje &eacute; incapaz de se lembrar de algo do dia da trag&eacute;dia. J&aacute; os que se lembram prometem n&atilde;o voltar a trabalhar em uma f&aacute;brica. &quot;Vou mendigar, se for preciso, mas nunca voltarei a trabalhar em uma f&aacute;brica t&ecirc;xtil&quot;, declarou &agrave; IPS a jovem Mariam, de 25 anos, cujas pernas e bra&ccedil;os foram quebrados pelo concreto e pelas barras de ferro. &quot;Nasci de novo&quot;, disse Shakhina. &quot;N&atilde;o cometerei o erro de voltar a um emprego mortal&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Grandes expoentes da ind&uacute;stria est&atilde;o, finalmente, adotando medidas de seguran&ccedil;a. A. K. M. Salim Osman, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Fabricantes e Exportadores de Tecidos, disse &agrave; IPS que o incidente de abril foi uma &quot;grande chamada de aten&ccedil;&atilde;o&quot;, e admitiu que, &quot;se continuarmos ignorando r&iacute;gidos padr&otilde;es &eacute;ticos de seguran&ccedil;a, nos equivocaremos de novo&quot;. Osman afirmou que a ratifica&ccedil;&atilde;o pelo setor t&ecirc;xtil do Acordo pela Seguran&ccedil;a dos Edif&iacute;cios e Contra o Fogo &eacute; um passo na dire&ccedil;&atilde;o certa.<\/p>\n<p>Segundo o conv&ecirc;nio, um comit&ecirc; tripartite formado por representantes de cada empresa, trabalhadores e um inspetor neutro, indicado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT), dever&aacute; vigiar a implanta&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de seguran&ccedil;a estabelecidos nos ignorados protocolos vigentes. &quot;Se necess&aacute;rio, obrigaremos as f&aacute;bricas a fechar at&eacute; cumprirem as regras&quot;, disse &agrave; IPS Mohammad Shafiqul Islam, ex-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Fabricantes e Exportadores de Roupa de Bangladesh. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daca, Bangladesh, 23\/05\/2013 &ndash; &quot;Estava escuro e quente, com um p&oacute; asfixiante por todos os lados. No ar dominava o cheiro dos corpos em decomposi&ccedil;&atilde;o&quot;, recordou Nasima, de 24 anos, uma trabalhadora t&ecirc;xtil que passou quatro dias debaixo dos escombros do pr&eacute;dio que desabou em abril na capital de Bangladesh. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/cicatrizes-da-tragdia-em-oficinas-txteis-de-bangladesh\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-11925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}