{"id":11927,"date":"2013-05-23T09:33:11","date_gmt":"2013-05-23T09:33:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11927"},"modified":"2013-05-23T09:33:11","modified_gmt":"2013-05-23T09:33:11","slug":"insetos-entre-a-moda-gastronmica-e-a-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/insetos-entre-a-moda-gastronmica-e-a-fome\/","title":{"rendered":"Insetos entre a moda gastron&ocirc;mica e a fome"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 23\/05\/2013 &ndash; A &uacute;ltima proposta da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO), de considerar os insetos como parte do card&aacute;pio para combater a fome, repercute com especial &ecirc;nfase na Col&ocirc;mbia e no M&eacute;xico, dois pa&iacute;ses com tradi&ccedil;&atilde;o de entomofagia e grande diversidade biol&oacute;gica.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11927\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/gafanhotos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11927\" class=\"size-medium wp-image-11927\" title=\"Gafanhotos vermelhos \u00c3\u00a0 venda no mercado Benito J&aacute;rez da capital de Oaxaca, M&eacute;xico. - Nsaum75 CC BY-SA 3.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/gafanhotos.jpg\" alt=\"Gafanhotos vermelhos \u00c3\u00a0 venda no mercado Benito J&aacute;rez da capital de Oaxaca, M&eacute;xico. - Nsaum75 CC BY-SA 3.0\" width=\"200\" height=\"156\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11927\" class=\"wp-caption-text\">Gafanhotos vermelhos \u00c3  venda no mercado Benito J&aacute;rez da capital de Oaxaca, M&eacute;xico. - Nsaum75 CC BY-SA 3.0<\/p><\/div>  No M&eacute;xico h&aacute; mais de 300 esp&eacute;cies comest&iacute;veis destes invertebrados, segundo um estudo publicado este m&ecirc;s pelo Departamento de Entomologia da holandesa Universidade de Wageningen e pela FAO.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, pesquisas nacionais apontam mais de 500 esp&eacute;cies no centro, sul e sudeste deste pa&iacute;s megabiodiverso e com persistente pobreza que afeta 47% de seus habitantes. &quot;Os insetos s&atilde;o uma fonte vi&aacute;vel e econ&ocirc;mica de alimento de qualidade que poderia, inclusive, ser melhor do que alimentos industrializados consumidos atualmente&quot;, disse &agrave; IPS a pesquisadora Julieta Ramos-Elorduy, do Instituto de Biologia da Universidade Nacional Aut&ocirc;noma do M&eacute;xico.<\/p>\n<p>Para esta especialista, o M&eacute;xico &quot;est&aacute; preparado para um consumo maci&ccedil;o, mas &eacute; preciso educar as pessoas sobre t&eacute;cnicas e formas de comercializ&aacute;-los. N&atilde;o h&aacute; preocupa&ccedil;&atilde;o em proteg&ecirc;-los. N&atilde;o h&aacute; medidas oficiais&quot;, disse a pesquisadora, que desde a d&eacute;cada de 1970 estuda os benef&iacute;cios destes bichos de idade milenar e que encontrou 549 esp&eacute;cies comest&iacute;veis.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o ganha dimens&otilde;es ambientais, especialmente no Dia Internacional da Diversidade Biol&oacute;gica, comemorado ontem. A ingest&atilde;o de insetos, ou entomofagia, &eacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena no M&eacute;xico, conforme consta do C&oacute;digo Florentino, escrito por frei Bernardino de Sahag&uacute;n (1499-1590), que chegou a descobrir o consumo de 96 esp&eacute;cies. Alguns insetos t&ecirc;m at&eacute; tr&ecirc;s vezes mais prote&iacute;nas do que um quilo de carne e apresentam uma concentra&ccedil;&atilde;o de nutrientes superada apenas pelo pescado, segundo a Comiss&atilde;o Nacional para o Conhecimento e Uso da Biodiversidade.<\/p>\n<p>O card&aacute;pio mexicano de insetos &eacute; composto por percevejos, mariposas, escaravelhos, borboletas, larvas de formigas e moscas, abelhas, vespas e gafanhotos, presentes em quase todo o territ&oacute;rio. S&atilde;o preparados fritos, assados ou em diferentes tipos de molhos. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, v&aacute;rios destes manjares saltaram das cozinhas de fam&iacute;lias rurais e pobres para as mesas de restaurantes da moda. Na cidade de Mitla, perto do s&iacute;tio arqueol&oacute;gico zapoteco do Estado de Oaxaca, uma pequena empresa usa as mariposas (Hypopta agavis) da planta agave para elaborar um sal picante que acompanha o mescal, bebida alco&oacute;lica destilada desse mesmo vegetal.<\/p>\n<p>&quot;Nos baseamos em uma receita caseira. A moagem &eacute; feita &agrave; m&atilde;o e usamos uma misturadora manual. Tamb&eacute;m empacotamos &agrave; m&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS a gerente comercial da firma Gran Mitla, Diana Coronal, que produz 300 quilos desse sal por m&ecirc;s. Um quilo exige 300 gramas de mariposas mo&iacute;das, outros 300 de chili seco e 400 gramas de sal. As mariposas, recolhidas entre agosto e outubro, s&atilde;o congeladas para abastecer a produ&ccedil;&atilde;o, pois entre novembro e maio est&aacute; proibida sua coleta em todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o da FAO indica que mais de 1.900 esp&eacute;cies fazem parte de dietas tradicionais de pelo menos dois bilh&otilde;es de pessoas em todo o mundo. Os preferidos s&atilde;o escaravelhos, lagartas, vespas, formigas, gafanhotos e grilos. A coleta e cria&ccedil;&atilde;o de insetos podem gerar empregos e renda e t&ecirc;m potencial industrial, segundo os autores do estudo.<\/p>\n<p>&quot;Isso pode ser conseguido se os insetos forem cultivados e comercializados em grandes quantidades. Mas os produtores devem ser conscientes de que est&atilde;o perdendo recursos&quot;, disse Ramos-Elorduy, que pesquisa a produtividade de esp&eacute;cies de insetos do milho e da ab&oacute;bora e formas para aument&aacute;-la. &quot;A t&eacute;cnica de coleta &eacute; a mesma em todas as partes, mas n&atilde;o h&aacute; legisla&ccedil;&atilde;o sobre t&eacute;cnicas adequadas. As pessoas as desconhecem. Al&eacute;m disso, paga-se muito pouco&quot;, lamentou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Em um estudo, Ramos-Elorduy, Andr&eacute;s Ju&aacute;rez e Jos&eacute; Manuel Pino alertam que &quot;este valioso recurso gastron&ocirc;mico, devido a diversos problemas ambientais e socioecon&ocirc;micos, corre o risco de desaparecer&quot;. O trabalho, publicado em dezembro, conclui que &quot;o impacto ambiental, a mudan&ccedil;a cultural e o uso da terra fazem com que o consumo de insetos diminua, principalmente entre os grupos de jovens&quot;.<\/p>\n<p>A gerente Coronal concorda que devem ser adotadas normas para proteger estas esp&eacute;cies. &quot;S&atilde;o necess&aacute;rias regulamenta&ccedil;&otilde;es sobre coleta e comercializa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; parte da gastronomia mexicana e &eacute; preciso cuidar desse recurso&quot;, afirmou. Por esse motivo, muitos coletores evitam falar sobre como e onde pegam insetos. O documento da FAO recomenda infraestrutura automatizada e marcos regulat&oacute;rios para uma produ&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel, confi&aacute;vel e segura. Al&eacute;m disso, insiste na possibilidade de que a biomassa de insetos seja usada como mat&eacute;ria-prima da alimenta&ccedil;&atilde;o animal.<\/p>\n<p>Na Col&ocirc;mbia, um manjar que pode ser comprado facilmente &eacute; a crocante formiga sa&uacute;va cabe&ccedil;a de vidro (Atta laevigata), tostada e salgada. A origem deste e de outros pratos tamb&eacute;m &eacute; ind&iacute;gena. Contudo, &quot;entrar na floresta para grandes coletas de insetos &eacute; muito delicado, porque estes ficam em &aacute;reas de vida silvestre&quot;, afirmou &agrave; IPS o bi&oacute;logo colombiano e planejador regional, Jaime Bernal Hadad.<\/p>\n<p>A Col&ocirc;mbia tem uma pobreza que afeta 32,7% da popula&ccedil;&atilde;o e &eacute; o segundo pa&iacute;s mais megabiodiverso do mundo, depois do Brasil. &quot;Nos ecossistemas tropicais, embora haja grande diversidade de esp&eacute;cies, a quantidade por esp&eacute;cie &eacute; pouca. Com grandes coletas pode-se extinguir esp&eacute;cies ou gerar desequil&iacute;brio ambiental&quot;, alertou Hadad. &quot;Os besouros nas &aacute;rvores ca&iacute;das das florestas contribuem para sua decomposi&ccedil;&atilde;o e para o equil&iacute;brio dessas matas. As vespas e abelhas t&ecirc;m um papel importante na poliniza&ccedil;&atilde;o&quot;, explicou Hadad.<\/p>\n<p>E, &quot;embora haja grupos ind&iacute;genas que consomem esses insetos, que s&atilde;o apetitosos, s&atilde;o grupos minorit&aacute;rios que n&atilde;o chegam a causar problema&quot;, acrescentou Hadad. Para o bi&oacute;logo, criar insetos &quot;&eacute; uma op&ccedil;&atilde;o interessante, mas entram em jogo outros fatores, como a quest&atilde;o cultural de aceita&ccedil;&atilde;o e consumo. Naturalmente que na Europa pode ser considerado ex&oacute;tico, mas, se falarmos de popula&ccedil;&otilde;es marginalizadas na Am&eacute;rica Latina, a quest&atilde;o &eacute; diferente e at&eacute; surpreendente&quot;.<\/p>\n<p>Na luta contra a fome &quot;n&atilde;o se pode descartar quest&otilde;es mais estruturais&quot;, alertou Hadad. E, al&eacute;m disso, &quot;vale a pena perguntar se a proposta poderia ser controlada ou se ser&aacute; outro meio de impactar a conserva&ccedil;&atilde;o, desta vez n&atilde;o pela pecu&aacute;ria ou pela madeira, mas pelos insetos&quot;, argumentou. &quot;Assim, continuaremos reproduzindo a destrui&ccedil;&atilde;o dos sistemas naturais, sem solu&ccedil;&otilde;es reais&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Helda Mart&iacute;nez (Bogot&aacute;).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 23\/05\/2013 &ndash; A &uacute;ltima proposta da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO), de considerar os insetos como parte do card&aacute;pio para combater a fome, repercute com especial &ecirc;nfase na Col&ocirc;mbia e no M&eacute;xico, dois pa&iacute;ses com tradi&ccedil;&atilde;o de entomofagia e grande diversidade biol&oacute;gica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/insetos-entre-a-moda-gastronmica-e-a-fome\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[],"class_list":["post-11927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}