{"id":11934,"date":"2013-05-24T11:58:53","date_gmt":"2013-05-24T11:58:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11934"},"modified":"2013-05-24T11:58:53","modified_gmt":"2013-05-24T11:58:53","slug":"direitos-bsicos-prejudicados-na-luta-contra-o-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/direitos-bsicos-prejudicados-na-luta-contra-o-crime\/","title":{"rendered":"Direitos b&aacute;sicos prejudicados na luta contra o crime"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 24\/05\/2013 &ndash; O Brasil apresenta um grande d&eacute;ficit de justi&ccedil;a, leis e institui&ccedil;&otilde;es que garantam os direitos humanos de seus habitantes, expostos em muitos lugares a situa&ccedil;&otilde;es de alto risco, diante do fogo cruzado da criminalidade e das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, segundo estudo da Anistia Internacional apresentado no dia 22.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11934\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/guarani.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11934\" class=\"size-medium wp-image-11934\" title=\"A etnia guarani kaiow&aacute; exposta \u00c3\u00a0 viol&ecirc;ncia dos pecuaristas do Mato Grosso do Sul. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/guarani.jpg\" alt=\"A etnia guarani kaiow&aacute; exposta \u00c3\u00a0 viol&ecirc;ncia dos pecuaristas do Mato Grosso do Sul. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11934\" class=\"wp-caption-text\">A etnia guarani kaiow&aacute; exposta \u00c3  viol&ecirc;ncia dos pecuaristas do Mato Grosso do Sul. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  &quot;Nos &uacute;ltimos anos houve importantes avan&ccedil;os em mat&eacute;ria de direitos b&aacute;sicos neste pa&iacute;s, mas em v&aacute;rias &aacute;reas persistem as vulnerabilidades&quot;, afirmou &Aacute;tila Roque, diretor executivo do cap&iacute;tulo brasileiro da Anistia, que tem sua sede central em Londres.<\/p>\n<p>&quot;A amea&ccedil;a &agrave; vida da popula&ccedil;&atilde;o em geral pela a&ccedil;&atilde;o criminosa continua sendo grave e os &oacute;rg&atilde;os estatais que devem garantir os direitos da sociedade frequentemente se convertem em agentes de viola&ccedil;&otilde;es desses direitos&quot;, apontou Roque &agrave; IPS. O estudo O Estado dos Direitos Humanos no Mundo, que no ano passado analisou a situa&ccedil;&atilde;o existente a esse respeito em 159 pa&iacute;ses, dedica mais de quatro p&aacute;ginas ao Brasil, nas quais se destacam a alta incid&ecirc;ncia dos crimes violentos, bem como o uso excessivo da for&ccedil;a e at&eacute; a aplica&ccedil;&atilde;o de torturas por parte das for&ccedil;as encarregadas de combater o crime.<\/p>\n<p>As for&ccedil;as policiais do Rio de Janeiro s&atilde;o um caso extremo, pontuou Roque, pois h&aacute; agentes que &quot;usam o uniforme como instrumento para violar e, assim, somar-se ao delito&quot;. O representante da Anistia entende que o Estado tem dificuldades para lutar contra esta nova forma de crime organizado. &quot;Este &eacute; um fen&ocirc;meno que ganhou visibilidade nos &uacute;ltimos tempos e que deixa claro, sobretudo, um processo de deteriora&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica, que n&atilde;o foi capaz de conter a expans&atilde;o do crime organizado nas pr&oacute;prias fileiras da pol&iacute;cia&quot;, ressaltou Roque.<\/p>\n<p>A cria&ccedil;&atilde;o no Rio de Janeiro das Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora &eacute; uma das f&oacute;rmulas eficazes para reduzir a taxa de homic&iacute;dios, mas essa estrat&eacute;gia de pol&iacute;cia comunit&aacute;ria n&atilde;o tem sido t&atilde;o r&aacute;pida nem t&atilde;o estendida para incluir as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a. De acordo com Roque, &quot;se n&atilde;o for dada aten&ccedil;&atilde;o &agrave; profundidade do problema n&atilde;o se melhorar&aacute; a situa&ccedil;&atilde;o da impunidade e dos direitos humanos&quot;. O informe da Anistia tamb&eacute;m indica que o sistema penitenci&aacute;rio do Brasil deveria ter pelo menos 200 mil efetivos a mais para atender a grande quantidade de presos existentes no pa&iacute;s, que em geral sofrem &quot;condi&ccedil;&otilde;es cru&eacute;is, desumanas e degradantes&quot;.<\/p>\n<p>Para Roque, o crescente aumento da popula&ccedil;&atilde;o carcer&aacute;ria do Brasil, com 198 milh&otilde;es de habitantes, contribui para a ocorr&ecirc;ncia de atentados contra os direitos humanos nas penitenci&aacute;rias, abarrotadas com mais de 500 mil detentos em todo o pa&iacute;s, quantidade superada apenas por Estados Unidos, China e R&uacute;ssia. Al&eacute;m disso, mais de 40% desses presos ainda n&atilde;o tem senten&ccedil;as definitivas.<\/p>\n<p>Uma delega&ccedil;&atilde;o da Anistia, que em 2012 visitou as pris&otilde;es do Amazonas para investigar a veracidade das den&uacute;ncias de maus-tratos, encontrou os presos &quot;amontoados em celas f&eacute;tidas e inseguras&quot;. Foram colhidos v&aacute;rios depoimentos sobre torturas, como a simula&ccedil;&atilde;o de afogamento por meio de sacos pl&aacute;sticos, golpes e choques el&eacute;tricos, uma pr&aacute;tica pela qual s&atilde;o responsabilizados, na maioria dos casos, policiais militares, diz o informe.<\/p>\n<p>A investiga&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m aborda a quest&atilde;o ind&iacute;gena, se detendo na situa&ccedil;&atilde;o da etnia guarani kaiow&aacute; do Mato Grosso do Sul, que sofre intimida&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia e amea&ccedil;as de expuls&atilde;o de suas terras ancestrais. &quot;Os l&iacute;deres camponeses e ind&iacute;genas dessa regi&atilde;o s&atilde;o vulner&aacute;veis &agrave; viol&ecirc;ncia de latifundi&aacute;rios e o risco de morte continua alto&quot;, advertiu Roque. Trata-se de uma &quot;a&ccedil;&atilde;o organizada de exterm&iacute;nio de um povo com a coniv&ecirc;ncia do Estado e a paralisia da sociedade&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>O informe questiona a publica&ccedil;&atilde;o, em julho de 2012, de um parecer da Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica que permite o desenvolvimento de projetos mineiros e hidrel&eacute;tricos, al&eacute;m de constru&ccedil;&otilde;es militares, em terras ind&iacute;genas sem que sejam feitas as consultas segundo o Conv&ecirc;nio 169 da organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) sobre povos origin&aacute;rios e tribais, que o Brasil ratificou em 2002.<\/p>\n<p>Fl&aacute;vio Machado, coordenador regional do Conselho Indigenista Mission&aacute;rio (Cimi) disse &agrave; IPS que os povos ind&iacute;genas sofrem &quot;total desprezo&quot; por parte das autoridades brasileiras e enfrentam uma das mais graves situa&ccedil;&otilde;es desde os tempos da ditadura (1964-1985). &quot;H&aacute; uma ofensiva conjunta contra os povos ind&iacute;genas, cujos membros s&atilde;o tratados como cidad&atilde;os de segunda classe&quot;, afirmou Machado, que colaborou com a Anistia para a parte ind&iacute;gena do informe anual da organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os 45 mil membros da etnia guarani kaiow&aacute; constituem a segunda maior popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena do pa&iacute;s. A maioria vive em pequenas &aacute;reas confinadas no sul do Mato Grosso do Sul, suportando n&iacute;veis de viol&ecirc;ncia e agress&atilde;o superiores &agrave; m&eacute;dia nacional. A taxa de homic&iacute;dio nacional &eacute; de 27,4 para cada cem mil habitantes, segundo o Mapa da Viol&ecirc;ncia 2012. Mas no povo guarani kaiow&aacute; essa m&eacute;dia sobe para 140 para cem mil pessoas, explicou o representante do Cimi.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos dez anos foram assassinados 12 l&iacute;deres ind&iacute;genas apenas no Estado do Mato Grosso do Sul, a maioria da etnia guarani kaiow&aacute;. &quot;A viol&ecirc;ncia &eacute; exercida por pecuaristas e seus capangas. H&aacute; uma mil&iacute;cia para matar ind&iacute;genas e evitar que suas terras ancestrais sejam demarcadas pelas autoridades. At&eacute; agora s&oacute; foi reconhecido oficialmente 10% do territ&oacute;rio que lhes corresponde por lei&quot;, denunciou o Cimi, entidade vinculada &agrave; Confer&ecirc;ncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).<\/p>\n<p>Machado afirmou que o problema mais grave que estes ind&iacute;genas enfrentam &eacute; o suic&iacute;dio, pela ang&uacute;stia de se verem sem perspectivas de futuro em suas vidas. Segundo a Dire&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de Ind&iacute;gena Especial do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, foram registrados 611 suic&iacute;dios entre 2000 e 2012. &quot;Esta &eacute; a consequ&ecirc;ncia do processo de confinamento em pequenas &aacute;reas sem possibilidades de desenvolvimento&quot;, enfatizou. A presidente Dilma Rousseff n&atilde;o recebeu representantes das comunidades abor&iacute;genes desde que assumiu o cargo em janeiro de 2011, apesar de haver numerosos pedidos, afirmou o Cimi. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 24\/05\/2013 &ndash; O Brasil apresenta um grande d&eacute;ficit de justi&ccedil;a, leis e institui&ccedil;&otilde;es que garantam os direitos humanos de seus habitantes, expostos em muitos lugares a situa&ccedil;&otilde;es de alto risco, diante do fogo cruzado da criminalidade e das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, segundo estudo da Anistia Internacional apresentado no dia 22. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/direitos-bsicos-prejudicados-na-luta-contra-o-crime\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6],"tags":[],"class_list":["post-11934","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11934\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}