{"id":11936,"date":"2013-05-27T10:29:42","date_gmt":"2013-05-27T10:29:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11936"},"modified":"2013-05-27T10:29:42","modified_gmt":"2013-05-27T10:29:42","slug":"diminui-a-pobreza-na-argentina-independente-dos-debates","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/diminui-a-pobreza-na-argentina-independente-dos-debates\/","title":{"rendered":"Diminui a pobreza na Argentina, independente dos debates"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 27\/05\/2013 &ndash; Nos dez anos transcorridos desde a chegada de N&eacute;stor Kirchner &agrave; Presid&ecirc;ncia da Argentina, sucedido no cargo em 2007 por sua mulher, Cristina Fern&aacute;ndez, a pobreza diminuiu, o emprego cresceu e melhorou o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, embora n&atilde;o haja acordo sobre os n&uacute;meros exatos das mudan&ccedil;as.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11936\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Cristina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11936\" class=\"size-medium wp-image-11936\" title=\"Cristina Fern&aacute;ndez ampliou medidas de luta contra a pobreza ap&oacute;s suceder seu marido, N&eacute;stor Kirchner. - Presid&ecirc;ncia de Argentina\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Cristina.jpg\" alt=\"Cristina Fern&aacute;ndez ampliou medidas de luta contra a pobreza ap&oacute;s suceder seu marido, N&eacute;stor Kirchner. - Presid&ecirc;ncia de Argentina\" width=\"200\" height=\"143\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11936\" class=\"wp-caption-text\">Cristina Fern&aacute;ndez ampliou medidas de luta contra a pobreza ap&oacute;s suceder seu marido, N&eacute;stor Kirchner. - Presid&ecirc;ncia de Argentina<\/p><\/div>  &quot;Estamos mais perto que nunca da fome zero, embora ainda existam crian&ccedil;as desnutridas&quot;, resume o l&iacute;der e cofundador da Rede Solid&aacute;ria, Juan Carr.<\/p>\n<p>A fome, as recorrentes inunda&ccedil;&otilde;es, o frio extremo, as epidemias, a necessidade de um transporte urgente, s&atilde;o v&aacute;rios dos problemas sociais que colocam na linha de fogo Carr e sua gente da Rede Solid&aacute;ria, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental com volunt&aacute;rios por todo o pa&iacute;s. &quot;Os argentinos se indignam com a pobreza. Esta atitude &eacute; uma novidade de 15 anos. Antes n&atilde;o acontecia. O assunto s&oacute; preocupava os mais progressistas. Hoje, todos se envolvem. Mas o olhar &eacute; um pouco imaturo. Muitos sentem raiva&quot;, acrescentou Carr.<\/p>\n<p>Na conversa com a IPS, Carr declarou que se preocupa em fugir da disputa entre porta-vozes do governo centro-esquerdista de Cristina Fern&aacute;ndez e da oposi&ccedil;&atilde;o a respeito da queda, ou n&atilde;o, da pobreza. Para ele, os dados n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o otimistas nem t&atilde;o dram&aacute;ticos como apresentados por um e outro lado. Mais de 54% da popula&ccedil;&atilde;o argentina vivia na pobreza no final de 2001, quando come&ccedil;ou a profunda crise socioecon&ocirc;mica que derivou em protestos de rua e uma forte repress&atilde;o policial que deixou dezenas de mortos e feridos, e que, finalmente, levou &agrave; ren&uacute;ncia do presidente Fernando de la R&uacute;a, que cumpriu apenas dois dos quatro anos de seu mandato.<\/p>\n<p>N&eacute;stor Kirchner, que morreu em outubro de 2010 aos 60 anos, assumiu o governo em 25 de maio de 2003 ap&oacute;s uma s&eacute;rie de presidentes interinos, e desde ent&atilde;o esse indicador quase n&atilde;o deixou da baixar. O &uacute;ltimo dado publicado pelo Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas e Censos (Indec), correspondente ao final de 2012, indica que 5,4% dos 40 milh&otilde;es de argentinos s&atilde;o pobres. Por&eacute;m, opositores e alguns especialistas duvidam dos n&uacute;meros do Indec, o qual questionam desde sua interven&ccedil;&atilde;o, em 2007. Consideram que se baseia em uma cesta b&aacute;sica subavaliada, que n&atilde;o contemplaria a infla&ccedil;&atilde;o real.<\/p>\n<p>Por exemplo, estudos apresentados pela Universidade Cat&oacute;lica Argentina (privada) indicam que a pobreza ainda afeta 26,9% da popula&ccedil;&atilde;o. Algo parecido ocorre com o desemprego, que segundo dados oficiais passou de 24% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, em 2002, para 16,3%, em 2003, e desde ent&atilde;o seguiu a tend&ecirc;ncia &agrave; baixa at&eacute; situar-se em 7,9% na &uacute;ltima medi&ccedil;&atilde;o. Estes n&uacute;meros tamb&eacute;m s&atilde;o questionados.<\/p>\n<p>Carr afirma que, segundo sua organiza&ccedil;&atilde;o e &quot;olhando o assunto com certa desconfian&ccedil;a&quot;, o dado real da pobreza &quot;est&aacute; no meio, e arrisca dizer que &quot;n&atilde;o parece afetar 30%, mas tampouco 5%. Creio que o razo&aacute;vel &eacute; crer que um em cada cinco argentinos continua pobre&quot;. Nesse contexto de luta contra a pobreza, o ativista destacou &quot;dois documentos gloriosos&quot; na &uacute;ltima d&eacute;cada.<\/p>\n<p>Um &eacute; de 2003, quando a atividade agropecu&aacute;ria come&ccedil;ou a se recuperar e o governo teve uma pol&iacute;tica social &quot;muito boa&quot;. Segundo Carr, &quot;a&iacute; se come&ccedil;ou a produzir alimentos fortemente, causando uma tremenda baixa nas mortes de menores de seis anos por problemas relacionados com a alimenta&ccedil;&atilde;o&quot;. Depois, com a entrada em vigor da Ajuda Universal por Filho (AUH) para Prote&ccedil;&atilde;o Social, impulsionada pelo atual governo de Cristina Fern&aacute;ndez, chegou outro momento destacado por Carr. &quot;Pelo menos 500 mil pessoas sa&iacute;ram da pobreza extrema em apenas alguns meses&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Essa ajuda universal, lan&ccedil;ada em 2009, na metade do primeiro mandato da presidente Fern&aacute;ndez, &eacute; uma transfer&ecirc;ncia de renda do Estado para menores de 18 anos, filhos de pais desempregados ou com empregos prec&aacute;rios (sem contribuir para a assist&ecirc;ncia social). Como contrapartida, os benefici&aacute;rios devem estudar e passar por controles m&eacute;dicos peri&oacute;dicos. O Estado entrega 340 pesos (US$ 65) por m&ecirc;s e por filho, at&eacute; o m&ecirc;s que vem, quando a quantia subir&aacute; para 460 pesos (US$ 88), para um universo de aproximadamente 3,3 milh&otilde;es de menores integrantes de 1,8 milh&atilde;o de fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Esse aux&iacute;lio tamb&eacute;m &eacute; recebido por mulheres gr&aacute;vidas sem emprego, por deficientes sem limite de idade e pelos que trabalham por conta pr&oacute;pria em cooperativas apoiadas pelo Estado e que contribuem com um imposto m&iacute;nimo, chamado monotributo social. &Agrave; margem dos mais vulner&aacute;veis de sempre, tamb&eacute;m setores m&eacute;dios que haviam ca&iacute;do na pobreza conseguiram se recuperar na &uacute;ltima d&eacute;cada. Em alguns casos, inclusive, suas vidas mudaram completamente.<\/p>\n<p>Guillermo Mesa, de 46 anos, tinha seu pr&oacute;prio t&aacute;xi no final da d&eacute;cada de 1990. N&atilde;o havia terminado a escola secund&aacute;ria. A crise de 2001 foi fatal para ele. &quot;Fiquei sem nada&quot;, contou &agrave; IPS. Sem emprego, seu casamento acabou em poucos meses. &quot;Naquela &eacute;poca come&ccedil;aram os roubos de carro. Levaram o meu e, quando o seguro pagou, o dinheiro n&atilde;o dava para comprar nada&quot;, recordou. Ele se refere ao come&ccedil;o de 2002, quando a moeda argentina sofreu uma brusca desvaloriza&ccedil;&atilde;o frente ao d&oacute;lar.<\/p>\n<p>&quot;Fiquei dois meses sem conseguir nada. Fiz trabalhos eventuais. Consegui algum dinheiro como motorista de carro de aluguel, mas senti muito a separa&ccedil;&atilde;o. Tinha a menina de um ano e o menino de 12&quot;, acrescentou Mesa. Em 2003, decidiu fazer os exames das mat&eacute;rias que faltavam do curso secund&aacute;rio. &quot;Depois, comecei a fazer cursos de encanador e eletricista&quot;, afirmou. Os cursos foram feitos em um Centro de Forma&ccedil;&atilde;o Profissional em Lan&uacute;s, sul de Buenos Aires. O centro dependia do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. &quot;Cheguei a ter muito trabalho e tive que contratar alguns ajudantes&quot;.<\/p>\n<p>Em 2008, a Central de Trabalhadores Argentina abriu novos centros de forma&ccedil;&atilde;o e o chamaram para dar aulas. &quot;Fiz um curso de instrutor e agora dou aula de eletricidade para maiores de 16 anos&quot;, contou Mesa. Est&aacute; bom porque recebe &quot;em blanco&quot;, ou seja, com contribui&ccedil;&atilde;o para a aposentadoria, assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, f&eacute;rias e pr&ecirc;mios, e agora estuda para ser bibliotec&aacute;rio.<\/p>\n<p>&quot;Acabarei no ano que vem e quero estudar para ser professor de matem&aacute;tica&quot;, acrescentou. Mesa nunca p&ocirc;de ter acesso &agrave; casa pr&oacute;pria. O autom&oacute;vel n&atilde;o conseguiu comprar, mas voltou a casar e seu filho vai &agrave; universidade. &quot;Foi duro, mas tive sorte. Agora &eacute; mais f&aacute;cil conseguir trabalho e, se a pessoa tem estudo, isso ajuda muito&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 27\/05\/2013 &ndash; Nos dez anos transcorridos desde a chegada de N&eacute;stor Kirchner &agrave; Presid&ecirc;ncia da Argentina, sucedido no cargo em 2007 por sua mulher, Cristina Fern&aacute;ndez, a pobreza diminuiu, o emprego cresceu e melhorou o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, embora n&atilde;o haja acordo sobre os n&uacute;meros exatos das mudan&ccedil;as. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/diminui-a-pobreza-na-argentina-independente-dos-debates\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-11936","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11936\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}