{"id":11942,"date":"2013-05-27T10:38:38","date_gmt":"2013-05-27T10:38:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11942"},"modified":"2013-05-27T10:38:38","modified_gmt":"2013-05-27T10:38:38","slug":"dinheiro-de-emigrantes-sustenta-a-economia-birmanesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/dinheiro-de-emigrantes-sustenta-a-economia-birmanesa\/","title":{"rendered":"Dinheiro de emigrantes sustenta a economia birmanesa"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, Tail&acirc;ndia, 27\/05\/2013 &ndash; Nangnyi Foung se dirige &agrave; secadora de roupas, retira uma cal&ccedil;a jeans e coloca sobre a t&aacute;bua de passar. &quot;Ainda tenho mais roupa para lavar&quot;, disse quando o rel&oacute;gio marca 21 horas, e j&aacute; faz 14 que ela est&aacute; trabalhando.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11942\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/emigrantes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11942\" class=\"size-medium wp-image-11942\" title=\"Ponto de entrada em Myanmar (como os militares governantes chamam a Birm&acirc;nia) a partir da Tail&acirc;ndia. - Preethi Nallu\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/emigrantes.jpg\" alt=\"Ponto de entrada em Myanmar (como os militares governantes chamam a Birm&acirc;nia) a partir da Tail&acirc;ndia. - Preethi Nallu\/IPS\" width=\"200\" height=\"152\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11942\" class=\"wp-caption-text\">Ponto de entrada em Myanmar (como os militares governantes chamam a Birm&acirc;nia) a partir da Tail&acirc;ndia. - Preethi Nallu\/IPS<\/p><\/div>  Desde sete horas da manh&atilde; est&aacute; de p&eacute; nesta lavanderia na cidade tailandesa de Chiang Mai. Pensava ter acabado quando chegaram mais dois clientes.<\/p>\n<p>Nangnyi n&atilde;o est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de rejeitar nenhum. &quot;Preciso do dinheiro. Minha fam&iacute;lia precisa que eu trabalhe&quot;, explicou &agrave; IPS, enquanto sua voz tem um tom de desespero ao colocar mais roupa na m&aacute;quina de lavar. Na entrada deste local h&aacute; seis lavadoras. Os degraus de uma escada levam &agrave; sua casa, para onde volta altas horas da noite, apenas para cair rendida antes de se levantar e come&ccedil;ar tudo de novo.<\/p>\n<p>Oriunda do Estado de Shan, na vizinha Birm&acirc;nia, Nangnyi chegou a Bangcoc afundada em d&iacute;vidas. Fugindo da viol&ecirc;ncia que persiste em seu pa&iacute;s natal, fez empr&eacute;stimos e pagou elevadas quantias a intermedi&aacute;rios para que a levassem com seguran&ccedil;a para a Tail&acirc;ndia, onde, conforme ouvira falar, a esperavam oportunidades de trabalho. Dez anos mais tarde, ainda continua trabalhando para pagar as d&iacute;vidas, acordando diariamente para cumprir seu rigoroso turno de 14 horas, lavando, secando e passando roupa de outras pessoas.<\/p>\n<p>Ao fim de sete dias de trabalho ininterrupto seu ganho &eacute; de apenas pouco mais de US$ 6, boa parte dos quais envia para sua fam&iacute;lia na Birm&acirc;nia. Junto &agrave; t&aacute;bua de passar, esta mulher contou &agrave; IPS que economiza dinheiro dormindo no s&oacute;t&atilde;o da casa. Se tamb&eacute;m tivesse de pagar por alojamento n&atilde;o poderia mandar nada para as quatro pessoas de sua fam&iacute;lia. Os birmaneses, que representam cerca de 80% dos 2,5 milh&otilde;es de imigrantes que comp&otilde;em a for&ccedil;a de trabalho da Tail&acirc;ndia, ajudam desse modo vital seus parentes sufocados economicamente.<\/p>\n<p>A Birm&acirc;nia &eacute; um dos pa&iacute;ses mais pobres do sudeste asi&aacute;tico, e luta para se recuperar ap&oacute;s d&eacute;cadas de paralisa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Atualmente, o sal&aacute;rio m&iacute;nimo neste pa&iacute;s equivalente a cerca de US$ 180 mensais, permite comprar entre oito e dez vezes menos produtos b&aacute;sicos de consumo di&aacute;rio, como arroz, sal, a&ccedil;&uacute;car e &oacute;leo para cozinhar, do que h&aacute; 20 anos. Neste pa&iacute;s o cidad&atilde;o m&eacute;dio vive com menos de um d&oacute;lar por dia.<\/p>\n<p>Embora a Birm&acirc;nia seja o maior exportador mundial de jade, p&eacute;rolas, rubis e safiras, e tenha lucrativas ind&uacute;strias extrativistas como a mineira e a madeireira, al&eacute;m da gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade, muito pouco da riqueza natural do pa&iacute;s chega &agrave;s massas. Aproximadamente, 32% da popula&ccedil;&atilde;o vive abaixo da linha de pobreza, e o desemprego &eacute; de 5,4%.<\/p>\n<p>Um estudo de 2006 sobre os trabalhadores emigrantes da Birm&acirc;nia, realizado pelo Centro de Pesquisas Asi&aacute;ticas para as Migra&ccedil;&otilde;es, mostra que dois ter&ccedil;os dos 600 consultados admitiram estar desempregados antes de emigrarem para a Tail&acirc;ndia. Apesar de preencherem lacunas cruciais no mercado de trabalho tailand&ecirc;s e suas remessas de dinheiro representarem 5% do produto interno bruto da Birm&acirc;nia, nenhum dos dois governos procura facilitar o fluxo de dinheiro entre essas pessoas e suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Apesar de existirem bancos comerciais ou locais oficiais de Xpress Money (dinheiro expresso), a maioria dos imigrantes prefere usar o canal informal de remessas conhecido como sistema &quot;hundi&quot;. Estas transa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o autorizadas envolvem pessoas na Tail&acirc;ndia que transmitem as mensagens a membros de sua rede na Birm&acirc;nia, os quais em seguida entregam a quantia necess&aacute;ria &agrave; fam&iacute;lia. Alguns imigrantes dependem de amigos e outras pessoas amigas que viajam entre os pa&iacute;ses vizinhos para atuarem como transportadores, dessa forma evitando caras taxas de transfer&ecirc;ncias banc&aacute;rias.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o se pode confiar nos bancos, que tamb&eacute;m exigem uma autoriza&ccedil;&atilde;o de trabalho, uma carta de recomenda&ccedil;&atilde;o de nosso empregador e passaporte&quot;, pontuou Nangnyi. Pouqu&iacute;ssimos estrangeiros t&ecirc;m acesso a esse tipo de documenta&ccedil;&atilde;o. Os imigrantes cujas fam&iacute;lias vivem em &aacute;reas rurais utilizam os servi&ccedil;os de intermedi&aacute;rios, que entregam o dinheiro em efetivo na casa do destinat&aacute;rio, facilitando-lhe os tr&acirc;mites.<\/p>\n<p>Segundo um informe divulgado no dia 20 deste m&ecirc;s, pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agr&iacute;cola, os pa&iacute;ses asi&aacute;ticos despacharam cerca de 60 milh&otilde;es de emigrantes pelo mundo, e estes &quot;enviaram quase US$ 260 bilh&otilde;es &agrave;s suas fam&iacute;lias no ano passado. Isto representou 63% dos fluxos mundiais para os pa&iacute;ses em desenvolvimento&quot;. Contudo, o continente parece mal equipado para fazer frente &agrave; chegada de remessas, que beneficiam uma em cada dez fam&iacute;lias asi&aacute;ticas.<\/p>\n<p>&quot;Embora a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o viva em &aacute;reas rurais, 65% dos lugares de pagamento ficam em &aacute;reas urbanas&quot;, diz o informe. Na maior parte dos pa&iacute;ses asi&aacute;ticos apenas os bancos est&atilde;o autorizados a realizar transa&ccedil;&otilde;es de divisas, dificultando o acesso das comunidades rurais pobres a fundos procedentes do exterior. O documento ressalta a urgente necessidade de dar &quot;op&ccedil;&otilde;es&quot; &agrave;s fam&iacute;lias receptoras de remessas de receberem e gastarem este dinheiro, especialmente porque nove pa&iacute;ses asi&aacute;ticos recebem atualmente remessas que &quot;excedem 10% do produto interno bruto&quot;.<\/p>\n<p>O informe tem implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas particularmente vitais para o sudeste da &Aacute;sia, onde 13 milh&otilde;es de migrantes atualmente vivem e trabalham no exterior. A Tail&acirc;ndia se tornou uma &quot;importadora&quot; de m&atilde;o de obra migrante, atraindo mais que o dobro da quantidade de migrantes para trabalhar em sua economia que se expande do que envia para fora de suas fronteiras.<\/p>\n<p>As mulheres s&atilde;o quase 49% dos 214 milh&otilde;es de trabalhadores migrantes no mundo e respondem pela maior parte das remessas. Muito conscientes das necessidades de suas fam&iacute;lias, como alimenta&ccedil;&atilde;o, moradia, educa&ccedil;&atilde;o para os filhos e irm&atilde;os menores, bem como cuidados com a sa&uacute;de, frequentemente elas suportam condi&ccedil;&otilde;es extremas para enviar dinheiro para suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>O povoado de Mae Sot, na fronteira entre Tail&acirc;ndia e Birm&acirc;nia, abriga a maior quantidade de trabalhadoras migrantes tailandesas, que trabalham mais de 15 horas di&aacute;rias em f&aacute;bricas de roupas. Estima-se que em 2012 este setor faturou US$ 6,3 bilh&otilde;es, enquanto as oper&aacute;rias que mant&ecirc;m a ind&uacute;stria funcionando receberam entre US$ 66 e US$ 100 por m&ecirc;s.<\/p>\n<p>Kyoko Kusakabe, professora adjunta de g&ecirc;nero e desenvolvimento do Instituto Asi&aacute;tico de Tecnologia e coautora de A For&ccedil;a de Trabalho Oculta da Tail&acirc;ndia, afirmou &agrave; IPS que a maioria das imigrantes em Mae Sot &quot;evita as greves e perder seus direitos&quot; para manterem seus empregos. Segundo Kyoko, isto &eacute; parte de uma cultura que obriga as mulheres a serem &quot;respons&aacute;veis&quot;, desde quase ainda crian&ccedil;a, enquanto seus pares do sexo oposto t&ecirc;m poucas obriga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Para a professora, esta cultura se reflete nos padr&otilde;es das remessas: quando a economia est&aacute; no auge, os envios de dinheiro feitos pelos homens aumentam, voltando a cair quando a economia est&aacute; em crise. Por outro lado, os envios feitos pelas mulheres se mant&ecirc;m est&aacute;veis independente do clima econ&ocirc;mico geral, o que sugere que elas economizam mais e adiam suas pr&oacute;prias necessidades em &eacute;pocas de austeridade econ&ocirc;mica para preservar o sustento de suas fam&iacute;lias. A pesquisa de Kyoko conclui que, apesar de as mulheres n&atilde;o receberem o sal&aacute;rio ou perderem o emprego, pedem dinheiro emprestado para enviar &agrave;s suas fam&iacute;lias, temendo que seus filhos ou pais passem fome sem seu apoio financeiro. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, Tail&acirc;ndia, 27\/05\/2013 &ndash; Nangnyi Foung se dirige &agrave; secadora de roupas, retira uma cal&ccedil;a jeans e coloca sobre a t&aacute;bua de passar. &quot;Ainda tenho mais roupa para lavar&quot;, disse quando o rel&oacute;gio marca 21 horas, e j&aacute; faz 14 que ela est&aacute; trabalhando. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/dinheiro-de-emigrantes-sustenta-a-economia-birmanesa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1204,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-11942","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1204"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11942"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11942\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}