{"id":11950,"date":"2013-05-28T10:19:14","date_gmt":"2013-05-28T10:19:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11950"},"modified":"2013-05-28T10:19:14","modified_gmt":"2013-05-28T10:19:14","slug":"coluna-a-unio-europeia-est-em-perigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/politica\/coluna-a-unio-europeia-est-em-perigo\/","title":{"rendered":"COLUNA: A Uni&atilde;o Europeia est&aacute; em perigo"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 28\/05\/2013 &ndash; A crise econ&ocirc;mica mundial come&ccedil;ou nos Estados Unidos com a quebra do banco Lehman Brothers, durante o governo de George W. Bush, como uma clara consequ&ecirc;ncia da globaliza&ccedil;&atilde;o desregulada da ideologia neoliberal que, sem normas &eacute;ticas, subordina o poder dos Estados aos mercados usur&aacute;rios, &agrave;s empresas off-shore e ao lucro pelo lucro. <!--more--> Ignora as pessoas, que n&atilde;o s&atilde;o consideradas, apesar de estarem morrendo de fome.<\/p>\n<p>Entre 2007 e 2009, publiquei alguns livros, entre eles Um Mundo em Muta&ccedil;&atilde;o, Elogio &agrave; Pol&iacute;tica, Lutando por um Mundo Melhor e No Centro do Furac&atilde;o, nos quais advertia para o risco de que o neoliberalismo contagiasse o euro e a pr&oacute;pria Uni&atilde;o Europeia (UE).<\/p>\n<p>O presidente norte-americano Ronald Reagan (1911-2004) e a primeira-ministra brit&acirc;nica Margareth Thatcher (1925-2013) foram os campe&otilde;es da pol&iacute;tica neoliberal dos anos 1980, continuada depois pelo pseudotrabalhista Tony Blair, com as consequ&ecirc;ncias desastrosas que j&aacute; conhecemos.<\/p>\n<p>Considerando a profunda liga&ccedil;&atilde;o entre Estados Unidos e Europa, o neoliberalismo norte-americano contagiou, inevitavelmente, a Uni&atilde;o Europeia (UE). A partir de ent&atilde;o, come&ccedil;ou a crise europeia, especialmente na zona do euro, com a lideran&ccedil;a da chanceler (chefe de governo) alem&atilde; Angela Merkel.<\/p>\n<p>Merkel, origin&aacute;ria da ent&atilde;o Alemanha Oriental, foi militante comunista apesar de ser luterana. Depois da queda do Muro de Berlim, se declarou contr&aacute;ria &agrave; unidade alem&atilde;, uma fus&atilde;o para a qual contribu&iacute;ram os Estados europeus, Portugal inclusive.<\/p>\n<p>Como &eacute; sabido, o primeiro pa&iacute;s afetado pela crise do euro foi a Gr&eacute;cia, ber&ccedil;o de nossa civiliza&ccedil;&atilde;o, raz&atilde;o pela qual deveria ter sido melhor tratada. Mas n&atilde;o foi.<\/p>\n<p>Merkel, aliada aos liberais ultraconservadores, embora se denomine democrata-crist&atilde;, reagiu exatamente como queriam os mercados.<\/p>\n<p>A Gr&eacute;cia, onde os bancos alem&atilde;es tinham um peso consider&aacute;vel, andou de mal a pior, at&eacute; conseguir o suficiente para pagar os enormes juros exigidos pela &quot;troika&quot;, formada pela Comiss&atilde;o Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI).<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os chamados Estados perif&eacute;ricos da zona do euro, com ou sem apoio financeiro, foram progressivamente entrando na crise. Primeiro a Irlanda, depois Portugal, Espanha, It&aacute;lia (terceira economia europeia), Chipre, seguidos pelo surpreendente colapso da Holanda. A Fran&ccedil;a &eacute; a mais recente a entrar na lista.<\/p>\n<p>Tudo isso devido &agrave; pol&iacute;tica criminosa de austeridade imposta pela Alemanha, secundada pela Comiss&atilde;o Europeia, presidida por Jos&eacute; Manuel Dur&atilde;o Barroso (com sucessivas e graves mudan&ccedil;as de opini&atilde;o). Com maior dire&ccedil;&atilde;o, adotou a mesma pol&iacute;tica o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, e o FMI (que tamb&eacute;m mudou v&aacute;rias vezes de opini&atilde;o a respeito da austeridade).<\/p>\n<p>Ficou demonstrado que a austeridade apenas favorece os mercados usur&aacute;rios, e os que est&atilde;o por tr&aacute;s deles, enquanto arrasa os Estados e seus respectivos povos. E n&atilde;o s&oacute; os chamados pa&iacute;ses perif&eacute;ricos ou do Sul, como se deduziu prematuramente. Lance-se um olhar para Holanda, Fran&ccedil;a e Alemanha. Era evidente que a crise tamb&eacute;m golpearia a Alemanha, como haviam previsto os pr&ecirc;mios Nobel de Economia Joseph Stiglitz e Paul Krugman, entre outros.<\/p>\n<p>A Alemanha mostra cada vez mais sintomas de dificuldades devido &agrave; pol&iacute;tica de austeridade que promove, ao perder grande parte de seu mercado na Europa, que representa quase 50% de suas exporta&ccedil;&otilde;es. Se a pol&iacute;tica de austeridade se mantiver, tamb&eacute;m a Alemanha entrar&aacute; em recess&atilde;o.<\/p>\n<p>A opini&atilde;o p&uacute;blica europeia est&aacute; come&ccedil;ando a entender que &eacute; necess&aacute;rio e urgente mudar a pol&iacute;tica e os pol&iacute;ticos atuais, que se revelaram incompetentes.<\/p>\n<p>Os partidos governantes na Europa s&atilde;o quase todos ultraconservadores, incapazes de entender a situa&ccedil;&atilde;o atual. O fato &eacute; que os partidos que constru&iacute;ram a UE &#8211; como os socialistas, os social-democratas, os trabalhistas e os democrata-crist&atilde;os &#8211; hoje n&atilde;o est&atilde;o no poder. As exce&ccedil;&otilde;es s&atilde;o Fran&ccedil;a e It&aacute;lia, que acaba de reeleger seu excelente presidente Giorgio Napolitano, apesar de sua idade, e designar Enrico Letta como primeiro-ministro.<\/p>\n<p>Tanto Letta quanto o presidente da Fran&ccedil;a, Fran&ccedil;ois Hollande , se declaram abertamente contra a austeridade e querem restituir aos Estados o controle dos mercados, e n&atilde;o o contr&aacute;rio.<\/p>\n<p>Por todas estas raz&otilde;es, os povos de todos os pa&iacute;ses europeus se manifestam ruidosamente contra a &quot;troika&quot;, os mercados, os pseudopol&iacute;ticos e os governos empenhados na austeridade.<\/p>\n<p>Deve-se destacar que os Estados sociais &#8211; um produto do p&oacute;s-guerra -, a democracia tal como a conceb&iacute;amos e o Estado de direito est&atilde;o sendo questionados. O dilema &eacute; simples: ou se luta contra o desemprego, a pobreza generalizada e a recess&atilde;o, e se garante o Estado social em todas as suas vertentes, enquanto ainda h&aacute; tempo, ou a Uni&atilde;o Europeia cair&aacute; no abismo.<\/p>\n<p>Isto tamb&eacute;m seria uma trag&eacute;dia para os Estados Unidos (cujo &uacute;nico aliado fiel &eacute; a Uni&atilde;o Europeia) e para o resto do mundo.<\/p>\n<p>Tenho a esperan&ccedil;a de que isto n&atilde;o aconte&ccedil;a porque o mundo n&atilde;o pode querer que a Uni&atilde;o Europeia, o projeto pol&iacute;tico mais original e ben&eacute;fico para os povos j&aacute; concebido, simplesmente desapare&ccedil;a e que aumente o perigo de um novo conflito mundial.<\/p>\n<p>Seria um retrocesso em termos de civiliza&ccedil;&atilde;o que nos faria retroceder mais de um s&eacute;culo. Que haja senso comum e coragem! Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* M&aacute;rio Soares &eacute; ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 28\/05\/2013 &ndash; A crise econ&ocirc;mica mundial come&ccedil;ou nos Estados Unidos com a quebra do banco Lehman Brothers, durante o governo de George W. 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