{"id":11957,"date":"2013-05-28T10:32:32","date_gmt":"2013-05-28T10:32:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11957"},"modified":"2013-05-28T10:32:32","modified_gmt":"2013-05-28T10:32:32","slug":"a-unio-africana-deve-fazer-mais-pela-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/africa\/a-unio-africana-deve-fazer-mais-pela-paz\/","title":{"rendered":"A Uni&atilde;o Africana deve fazer mais pela paz"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 28\/05\/2013 &ndash; &quot;Meu marido e meu filho mais velho, incapazes de suportar a guerra, perderam a raz&atilde;o. Dois dos meus filhos foram crian&ccedil;as-soldados e uma filha de oito anos foi sequestrada.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11957\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/guerra.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11957\" class=\"size-medium wp-image-11957\" title=\"Anos de guerra obrigaram Passion, de 13 anos, a viver nas ruas de Goma, leste da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. - Einberger\/argum\/EED\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/guerra.jpg\" alt=\"Anos de guerra obrigaram Passion, de 13 anos, a viver nas ruas de Goma, leste da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. - Einberger\/argum\/EED\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11957\" class=\"wp-caption-text\">Anos de guerra obrigaram Passion, de 13 anos, a viver nas ruas de Goma, leste da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. - Einberger\/argum\/EED\/IPS<\/p><\/div>  N&atilde;o os veremos nunca mais&quot;, disse Mariamu Dong sobre o conflito de 21 anos entre o norte e o sul do Sud&atilde;o, agora dois pa&iacute;ses separados. Seus sete filhos cresceram nesses anos sangrentos, mas apenas um conseguiu super&aacute;-los.<\/p>\n<p>&quot;Me sinto como algu&eacute;m a quem cortaram os membros, pois perdi meu marido e meus filhos na guerra. Somente o mais novo p&ocirc;de sobreviver e agora vive no Qu&ecirc;nia. E todo esse tempo o mundo nos olhava de longe&quot;, lamentou Dong. O sul se converteu em pa&iacute;s independente em 9 de julho de 2011. Dong vive no que hoje &eacute; o Sud&atilde;o do Sul, em Torit, parte do Estado de Equatoria Oriental. Entretanto, diariamente recorda a guerra que o mundo e a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Unidade Africana (OUA), agora chamada Uni&atilde;o Africana (UA), permitiram que continuasse por mais de duas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Foi um &oacute;rg&atilde;o regional, a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento da &Aacute;frica Oriental (Igad) que finalmente conseguiu o Acordo Geral de Paz de 2005 entre o governo assentado de Cartum e o Movimento de Liberta&ccedil;&atilde;o do Povo do Sud&atilde;o, que levou posteriormente ao fim da guerra e &agrave; independ&ecirc;ncia do sul. A Igad &eacute; formada por Djibuti, Eritreia, Eti&oacute;pia, Qu&ecirc;nia, Som&aacute;lia, Sud&atilde;o, Sud&atilde;o do Sul e Uganda.<\/p>\n<p>Especialistas em conflitos afirmam que a implanta&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias n&atilde;o violentas para acabar com as guerras deve ser prioridade quando o continente comemora o Dia da &Aacute;frica, celebrado no dia 25, juntamente com os 50 anos da cria&ccedil;&atilde;o da OUA, transformada em UA em 2001. &quot;A UA, e antes a OUA, dormiram durante boa parte dos conflitos africanos. Os milh&otilde;es de vidas que se perderam no continente constituem o testamento do fracasso dessas organiza&ccedil;&otilde;es&quot;, afirmou &agrave; IPS o especialista em paz e seguran&ccedil;a congolense Lionel Ibaka.<\/p>\n<p>Um exemplo &eacute; a guerra da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo (RDC) que, segundo estimativas da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), deixou cinco milh&otilde;es de mortos desde que come&ccedil;ou em 1998, pontuou Ibaka. Em mar&ccedil;o, o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU resolveu enviar uma brigada de interven&ccedil;&atilde;o para neutralizar grupos rebeldes que atuam no leste dessa na&ccedil;&atilde;o do centro da &Aacute;frica. Mas essa interven&ccedil;&atilde;o pode ter chegado tarde. &quot;O banho de sangue e o terror na RDC s&atilde;o considerados os piores e mais destrutivos desde a Segunda Guerra Mundial&quot;, advertiu Ibaka.<\/p>\n<p>Um informe de 2010 da Ag&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados indica que a viol&ecirc;ncia na RDC est&aacute; &quot;acompanhada por um uso evidentemente sistem&aacute;tico da viola&ccedil;&atilde;o e do ataque sexual por parte de todas as for&ccedil;as combatentes&quot;. O documento acrescenta que 30 mil crian&ccedil;as foram recrutadas como soldados e viveram uma &quot;viol&ecirc;ncia indescrit&iacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>Nisa Luambo, uma jovem de 27 anos da prov&iacute;ncia de Kivu Sul, foi obrigada a passar por algo semelhante. Embora n&atilde;o tenha perdido a vida, a viol&ecirc;ncia matou uma parte de seu ser. Tinha 12 anos quando come&ccedil;ou a guerra e se viu separada de sua fam&iacute;lia. &quot;Fui abusada sexualmente tanto por soldados como por civis. Sofri quatro abortos nessa &eacute;poca, e n&atilde;o tinha cuidados m&eacute;dicos nem comida&quot;, contou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;As pessoas me perguntam o que quero para o futuro, e eu respondo com meu sil&ecirc;ncio. Onde estavam quando nos violavam e batiam na gente at&eacute; quase morrermos? Sim tivemos sorte porque muitas morreram&quot;, acrescentou Luambo. O pa&iacute;s continua inst&aacute;vel e n&atilde;o se vislumbra o fim do conflito. &quot;Quando penso no amanh&atilde; n&atilde;o sinto alegria. Sei que n&atilde;o h&aacute; amanh&atilde; para um povo que vive em guerra&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Vincent Kimosop, diretor-executivo do n&atilde;o governamental Instituto Internacional para Assuntos Legislativos, que d&aacute; assist&ecirc;ncia jur&iacute;dica a &oacute;rg&atilde;os do governo, parlamentares e outros atores do processo legislativo, acredita que a aus&ecirc;ncia de governan&ccedil;a est&aacute; no cora&ccedil;&atilde;o do conflito africano. &quot;A UA deve fazer mais para apoiar o desenvolvimento de institui&ccedil;&otilde;es de governan&ccedil;a, pois a institucionalidade do Estado &eacute; a base para que um pa&iacute;s funcione&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Para Javas Bigambo, especialista em governan&ccedil;a, direitos humanos e desenvolvimento, a &quot;UA n&atilde;o pode ser cega diante das atrocidades e dos horrores cometidos por presidentes africanos. &Eacute; lament&aacute;vel, mas a UA raramente encontrou algum erro em um l&iacute;der africano ou proporcionou solu&ccedil;&otilde;es para os problemas econ&ocirc;micos e de governabilidade&quot;. A hist&oacute;ria continental de conflitos violentos &quot;aponta para essa destro&ccedil;ada f&aacute;brica social e pol&iacute;tica. A &Aacute;frica est&aacute; em perp&eacute;tua agita&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O genoc&iacute;dio de Ruanda, uma carnificina na qual foram assassinadas 800 mil pessoas, e a viol&ecirc;ncia p&oacute;s-eleitoral do Qu&ecirc;nia em 2007, na qual mil pessoas morreram e 600 mil foram for&ccedil;adas a fugir, tamb&eacute;m s&atilde;o parte dessa l&oacute;gica africana. No entanto, Julius Mucunguzi, acad&ecirc;mico ugandense especializado em not&iacute;cias de conflitos, acredita que as coisas est&atilde;o mudando. &quot;A &Aacute;frica est&aacute; em um caminho de renova&ccedil;&atilde;o. Est&aacute; melhorando. Embora a OUA tenha sido criada h&aacute; 50 anos, a UA tem pouco mais de uma d&eacute;cada e j&aacute; est&aacute; criando estruturas para aprofundar a paz e a seguran&ccedil;a&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Contudo, &quot;institui&ccedil;&otilde;es como seu Conselho de Paz e Seguran&ccedil;a devem investir em mecanismos de alerta para detectar sinais de poss&iacute;veis conflitos e evitar que aconte&ccedil;am&quot;, ressaltou Mucunguzi. Para o desenvolvimento da &Aacute;frica &eacute; crucial existirem meios de comunica&ccedil;&atilde;o independentes, pluralistas e vibrantes, e a UA deve criar um clima que celebre a liberdade de imprensa e o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, recomenda o especialista. No ano passado, 18 jornalistas foram assassinados na Som&aacute;lia.<\/p>\n<p>Em Uganda, a intoler&acirc;ncia estatal contra a m&iacute;dia ficou evidente no dia 20 deste m&ecirc;s, quando o governo fechou o Daily Monitor, principal jornal desse pa&iacute;s da &Aacute;frica oriental. O impresso, o site e duas emissoras de r&aacute;dio que faziam parte do mesmo grupo tamb&eacute;m foram fechados por informarem sobre uma carta que envolvia o presidente, Yoweri Museveni, em opera&ccedil;&otilde;es para assegurar que seu filho assuma a Presid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Contudo, e apesar da atual instabilidade e das turbul&ecirc;ncias, &quot;a &Aacute;frica est&aacute; conseguindo progressos significativos&quot;, insistiu Mucunguzi. A economia da integra&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; fundamental. Segundo Bigambo, a UA &quot;deve fortalecer blocos econ&ocirc;micos&quot;, como a Igad, a Comunidade Africana Oriental e o Mercado Comum da &Aacute;frica Oriental e Meridional. &quot;O com&eacute;rcio regional &eacute; um componente estrat&eacute;gico para promover uma &Aacute;frica integrada, pr&oacute;spera e pac&iacute;fica&quot;, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 28\/05\/2013 &ndash; &quot;Meu marido e meu filho mais velho, incapazes de suportar a guerra, perderam a raz&atilde;o. Dois dos meus filhos foram crian&ccedil;as-soldados e uma filha de oito anos foi sequestrada. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/africa\/a-unio-africana-deve-fazer-mais-pela-paz\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":142,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11957","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11957","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/142"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11957"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11957\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}