{"id":11965,"date":"2013-05-29T12:11:44","date_gmt":"2013-05-29T12:11:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11965"},"modified":"2013-05-29T12:11:44","modified_gmt":"2013-05-29T12:11:44","slug":"economia-de-jerusalm-oriental-em-bancarrota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/economia-de-jerusalm-oriental-em-bancarrota\/","title":{"rendered":"Economia de Jerusal&eacute;m oriental em bancarrota"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 29\/05\/2013 &ndash; Grossos cadeados selam as portas de estabelecimentos comerciais, agora cobertos por grafites e musgo por falta de uso.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11965\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Jerusalem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11965\" class=\"size-medium wp-image-11965\" title=\"A barreira de separa&ccedil;&atilde;o de Israel vista de Al Ram, outrora uma pr&oacute;spera comunidade de Jerusal&eacute;m oriental, que agora fica do outro lado e &eacute; economicamente prejudicada. - Jillian Kestler-D&#39;Amours\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Jerusalem.jpg\" alt=\"A barreira de separa&ccedil;&atilde;o de Israel vista de Al Ram, outrora uma pr&oacute;spera comunidade de Jerusal&eacute;m oriental, que agora fica do outro lado e &eacute; economicamente prejudicada. - Jillian Kestler-D&#39;Amours\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11965\" class=\"wp-caption-text\">A barreira de separa&ccedil;&atilde;o de Israel vista de Al Ram, outrora uma pr&oacute;spera comunidade de Jerusal&eacute;m oriental, que agora fica do outro lado e &eacute; economicamente prejudicada. - Jillian Kestler-D&#39;Amours\/IPS<\/p><\/div>  Poucos clientes passam pela rua pouco iluminada, &agrave;s vezes parando para olhar as frutas e verduras, ou comprando em a&ccedil;ougues quase vazios do leste desta cidade. &quot;Todos os com&eacute;rcios est&atilde;o fechados. O meu &eacute; o &uacute;nico aberto. Este costumava ser o melhor lugar&quot;, contou Mustafa Sunocret, de 64 anos, vendedor de frutas em um pequeno espa&ccedil;o do mercado pr&oacute;ximo &agrave; sua casa, no bairro mu&ccedil;ulmano da Cidade Velha de Jerusal&eacute;m.<\/p>\n<p>Em meio aos coloridos len&ccedil;os, roupas e tapetes, artesanatos em cer&acirc;mica e lembran&ccedil;as religiosas que se acumulam nos pontos de venda e lojas desta zona hist&oacute;rica, os comerciantes palestinos se esfor&ccedil;am para manter seus neg&oacute;cios. Sunocret, cuja sa&uacute;de piora diariamente, disse &agrave; IPS que n&atilde;o pode trabalhar fora da Cidade Velha, embora lhe pese o custo de manter seu com&eacute;rcio, pois paga altas contas de &aacute;gua, luz e impostos municipais.<\/p>\n<p>Abed Ajloni, dono de uma loja de antiguidades, deve 250 mil shekels (US$ 68 mil) de impostos &agrave; Municipalidade de Jerusal&eacute;m. Quase diariamente os fiscais chegam &agrave; Cidade Velha acompanhados de policiais e soldados israelenses para pressionar os moradores a pagarem, contou &agrave; IPS. &quot;Eles se sentem como se estivessem voltando para ocupar a cidade, com soldados e policiais&quot;, explicou Ajloni, dono do mesmo com&eacute;rcio h&aacute; 35 anos. &quot;Mas, para onde posso ir? O que posso fazer? Toda minha vida estive neste lugar. Acaso Jerusal&eacute;m pertence a n&oacute;s, ou a algu&eacute;m mais? Quem &eacute; respons&aacute;vel por Jerusal&eacute;m? Quem?&quot;, questionou.<\/p>\n<p>Israel ocupou Jerusal&eacute;m oriental, inclu&iacute;da a Cidade Velha, em 1967. Em julho de 1980 aprovou uma lei declarando que &quot;Jerusal&eacute;m, completa e unida, &eacute; a capital de Israel&quot;. Mas isto continua sem reconhecimento por parte da comunidade internacional. Segundo o direito internacional, Jerusal&eacute;m oriental &eacute; territ&oacute;rio ocupado (junto com Cisjord&acirc;nia, Faixa de Gaza e as s&iacute;rias colinas de Gol&atilde;) e os residentes palestinos da cidade est&atilde;o protegidos pela Quarta Conven&ccedil;&atilde;o de Genebra.<\/p>\n<p>Historicamente, Jerusal&eacute;m foi o centro econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico e cultural para toda a popula&ccedil;&atilde;o palestina. Contudo, ap&oacute;s d&eacute;cadas definhando sob as pol&iacute;ticas israelenses para isolar a cidade do resto dos territ&oacute;rios ocupados, sem servi&ccedil;os municipais e investimentos, a parte oriental afundou em um estado de pobreza e abandono. &quot;Depois de 45 anos de ocupa&ccedil;&atilde;o, os jerosolimitanos (naturais de Jerusal&eacute;m) &aacute;rabes sofrem esquizofrenia pol&iacute;tica e cultural, simultaneamente conectados e isolados das &aacute;reas que os rodeiam: Ramal&aacute; e Cisjord&acirc;nia a leste, Jerusal&eacute;m ocidental e Israel a oeste&quot;, segundo o International Crisis Group.<\/p>\n<p>As restri&ccedil;&otilde;es israelenses ao planejamento e &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, demoli&ccedil;&otilde;es de moradias, falta de investimento em educa&ccedil;&atilde;o e emprego, constru&ccedil;&atilde;o de uma barreira de 2,5 metros de altura entre bairros palestinos e as &aacute;reas que os rodeiam, e um sistema de autoriza&ccedil;&atilde;o para entrar em Jerusal&eacute;m contribuem para o isolamento da cidade. Organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas formais de palestinos tamb&eacute;m foram proibidas na cidade, e, entre 2001 e 2009, Israel fechou 26 delas, incluindo a ex-sede da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Liberta&ccedil;&atilde;o da Palestina em Jerusal&eacute;m, a Casa do Oriente e a C&acirc;mara de Com&eacute;rcio de Jerusal&eacute;m.<\/p>\n<p>As pol&iacute;ticas israelenses tamb&eacute;m encareceram os pre&ccedil;os de produtos e servi&ccedil;os b&aacute;sicos, e obrigaram muitos comerciantes palestinos a fecharem ou mudarem para Ramal&aacute; ou outros bairros palestinos do outro lado da muralha. Muitos jerosolimitanos palestinos tamb&eacute;m preferem fazer suas compras na Cisjord&acirc;nia, ou em Jerusal&eacute;m ocidental, onde os pre&ccedil;os s&atilde;o mais baixos. Os palestinos constituem 39% da popula&ccedil;&atilde;o atual da cidade, quase 80% dos habitantes de Jerusal&eacute;m oriental, e 85% das crian&ccedil;as vivem abaixo da linha de pobreza.<\/p>\n<p>&quot;Como &eacute; poss&iacute;vel desenvolver uma economia se n&atilde;o maneja seus pr&oacute;prios recursos e n&atilde;o tem nenhum controle de suas fronteiras?&quot;, perguntou Zakaria Odeh, diretor da Coaliz&atilde;o C&iacute;vica para os Direitos dos Palestinos em Jerusal&eacute;m, sobre &quot;este tipo de fragmenta&ccedil;&atilde;o, postos de controle, fechamentos&quot;. E &quot;sem liberdade de circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias e de seres humanos, como se desenvolve uma economia? N&atilde;o se pode falar de uma economia independente em Jerusal&eacute;m, na Cisjord&acirc;nia ou na Palestina sem uma solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. N&atilde;o temos uma economia palestina. Temos atividades econ&ocirc;micas. &Eacute; tudo o que temos&quot;, pontuou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Segundo informe da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Com&eacute;rcio e Desenvolvimento (Unctad), somente a barreira de separa&ccedil;&atilde;o de Israel causou a perda direta de aproximadamente US$ 1 bilh&atilde;o aos palestinos em Jerusal&eacute;m, e continua fazendo perder oportunidades no valor de US$ 200 milh&otilde;es por ano. O corte e o controle que Israel imp&otilde;e &agrave; estrada Jerusal&eacute;m-Jeric&oacute;, hist&oacute;rica rota comercial que ligava Jerusal&eacute;m ao resto da Cisjord&acirc;nia e do Oriente M&eacute;dio, tamb&eacute;m contribuiu para o colapso econ&ocirc;mico da cidade.<\/p>\n<p>Antes da primeira Intifada (levante popular), que come&ccedil;ou em 1987, Jerusal&eacute;m oriental contribu&iacute;a com 14% a 15% do produto interno bruto dos territ&oacute;rios palestinos ocupados. Em 2000, esse &iacute;ndice havia ca&iacute;do para menos de 8%, e em 2010 a economia de Jerusal&eacute;m oriental, comparada com os demais territ&oacute;rios palestinos ocupados, era estimada em apenas 7%. &quot;A separa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica reduziu o tamanho relativo da economia de Jerusal&eacute;m oriental, seu desprendimento dos demais territ&oacute;rios palestinos ocupados e o redirecionamento gradual do emprego em Jerusal&eacute;m oriental para o mercado de trabalho israelense&quot;, afirma o informe da Unctad.<\/p>\n<p>H&aacute; d&eacute;cadas Israel adotou uma pol&iacute;tica de manter o &quot;equil&iacute;brio demogr&aacute;fico&quot; em Jerusal&eacute;m, e tenta limitar a quantidade de residentes da cidade em 26,5% ou menos da popula&ccedil;&atilde;o total. Para manter esta composi&ccedil;&atilde;o, Israel construiu numerosos assentamentos judeus dentro e ao redor de Jerusal&eacute;m, e mudou as fronteiras municipais para englobar bairros judeus e ao mesmo tempo excluir os palestinos.<\/p>\n<p>Atualmente, estima-se que 90 mil palestinos que t&ecirc;m direitos de resid&ecirc;ncia em Jerusal&eacute;m vivem do outro lado da barreira de separa&ccedil;&atilde;o e devem atravessar os postos de controle israelenses para poderem ir &agrave; escola, ao m&eacute;dico, trabalhar e obter outros servi&ccedil;os. &quot;Israel est&aacute; usando todo tipo de ferramentas para pressionar os palestinos a partirem. Algumas vezes essas ferramentas s&atilde;o vis&iacute;veis e, outras, invis&iacute;veis&quot;, observou Ziad al-Hammouri, diretor do Centro de Jerusal&eacute;m para os Direitos Sociais e Econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>Pelo menos 25% dos mil estabelecimentos comerciais palestinos da Cidade Velha foram fechados nos &uacute;ltimos anos devido aos altos impostos e &agrave; falta de compradores, afirmou al-Hammouri &agrave; IPS. &quot;Os impostos s&atilde;o uma ferramenta invis&iacute;vel, t&atilde;o perigosa quanto revogar os cart&otilde;es de identifica&ccedil;&atilde;o e demolir casas. Israel usar&aacute; isto como press&atilde;o e como ferramenta no futuro, para confiscar estes com&eacute;rcios e propriedades&quot;, apontou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 29\/05\/2013 &ndash; Grossos cadeados selam as portas de estabelecimentos comerciais, agora cobertos por grafites e musgo por falta de uso. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/economia-de-jerusalm-oriental-em-bancarrota\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":103,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5],"tags":[21,16],"class_list":["post-11965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/103"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}