{"id":11969,"date":"2013-05-31T10:32:46","date_gmt":"2013-05-31T10:32:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11969"},"modified":"2013-05-31T10:32:46","modified_gmt":"2013-05-31T10:32:46","slug":"frana-e-portugal-o-casamento-gay-contradiz-as-aparncias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/direitos-humanos\/frana-e-portugal-o-casamento-gay-contradiz-as-aparncias\/","title":{"rendered":"FRAN&Ccedil;A E PORTUGAL: O casamento gay contradiz as apar&ecirc;ncias"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 31\/05\/2013 &ndash; O casamento entre pessoas do mesmo sexo contraria a cren&ccedil;a generalizada de uma Fran&ccedil;a ber&ccedil;o do conceito republicano moderno e promotor dos direitos civis igualit&aacute;rios desde a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1789, enquanto o pacato Portugal se revela muito mais aberto e transigente.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11969\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n811-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11969\" class=\"size-medium wp-image-11969\" title=\"Jovens homossexuais portugueses na marcha por ocasi&atilde;o do anivers&aacute;rio da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, no dia 25 de abril. - Anette Dujisin\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n811-300x225.jpg\" alt=\"Jovens homossexuais portugueses na marcha por ocasi&atilde;o do anivers&aacute;rio da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, no dia 25 de abril. - Anette Dujisin\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11969\" class=\"wp-caption-text\">Jovens homossexuais portugueses na marcha por ocasi&atilde;o do anivers&aacute;rio da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, no dia 25 de abril. - Anette Dujisin\/IPS<\/p><\/div>  A viol&ecirc;ncia da rea&ccedil;&atilde;o de vastos setores da sociedade francesa diante da aprova&ccedil;&atilde;o pelo parlamento, dia 23 de abril, e da promulga&ccedil;&atilde;o, no dia 18 deste m&ecirc;s, da lei que autoriza o casamento homossexual deixou muita gente perplexa, habituadas a considerar este pa&iacute;s como uma esp&eacute;cie de porto seguro de toler&acirc;ncia.<\/p>\n<p>At&eacute; altas horas da noite do dia 26, foram registrados atos de viol&ecirc;ncia e enfrentamentos entre policiais e manifestantes, muitos deles membros de diversas organiza&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas tradicionalistas que veem nessas ocasi&otilde;es um atentado contra a natureza das fam&iacute;lias. Por&eacute;m, a temperatura baixou e no dia 29, na cidade de Montpellier, aconteceu sem incidentes o primeiro casamento franc&ecirc;s entre dois homens, uma cerim&ocirc;nia que contou com cerca de 500 pessoas festejando, 140 jornalistas e cinco manifestantes opositores de extrema direita, facilmente neutralizados por uma centena de policiais.<\/p>\n<p>Na primeira linha de oposi&ccedil;&atilde;o ao casamento gay estiveram presentes figuras de destaque da Igreja Cat&oacute;lica, como o arcebispo de Paris, cardeal Andr&eacute; Vingt-Trois, e Marc Aillet, bispo da diocese de Bayona, Lescar e Oloron.<\/p>\n<p>Por outro lado, no tamb&eacute;m cat&oacute;lico Portugal, ao ser votada a lei sobre casamento gay, em 2010, o Patriarca de Lisboa, cardeal Jos&eacute; da Cruz Policarpo, manteve um cauteloso sil&ecirc;ncio respeitando a condi&ccedil;&atilde;o de Estado laico estipulada na Constitui&ccedil;&atilde;o. E Portugal deu um passo a mais. Por proposta da esquerda, com apoio de v&aacute;rios deputados de direita, o parlamento nacional aprovou, no dia 17 deste m&ecirc;s, uma lei autorizando os casais do mesmo sexo a adotarem crian&ccedil;as em conjunto.<\/p>\n<p>Consultado pela IPS sobre esta aparente contradi&ccedil;&atilde;o, Rui Tavares, deputado portugu&ecirc;s do Partido Verde no Parlamento Europeu, explicou que &quot;a Fran&ccedil;a &eacute; um pa&iacute;s conservador, mas a maioria dos estrangeiros n&atilde;o acredita nisso porque conhecem apenas momentos como a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1789, a Liberta&ccedil;&atilde;o (resist&ecirc;ncia &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o alem&atilde; 1940-1945) e o movimento estudantil de maio de 1968&quot;.<\/p>\n<p>Tavares afirmou que &quot;estes fatos hist&oacute;ricos foram exce&ccedil;&otilde;es &agrave; regra&quot; e que, desde 1945, &quot;a Fran&ccedil;a s&oacute; elegeu dois presidentes de esquerda, Fran&ccedil;ois Mitterrand (1981-1995) e o atual, Fran&ccedil;ois Hollande. &quot;Os demais foram todos mandat&aacute;rios conservadores: Charles De Gaulle, Georges Pompidou, Valery Giscard d&#39;Estaign, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e at&eacute; chegou a colocar no segundo turno das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2001 Jean-Marie Le Pen, l&iacute;der da extrema direita&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>&quot;Que grande primeira rep&uacute;blica europeia, uma Fran&ccedil;a que mant&eacute;m, paradoxalmente, muitos aspectos aristocr&aacute;ticos e mon&aacute;rquicos, um pa&iacute;s com estruturas muito mais hier&aacute;rquicas e autorit&aacute;rias do que Portugal e que conserva enormes bols&otilde;es de catolicismo reacion&aacute;rio e retr&oacute;grado, que se escondeu durante a Liberta&ccedil;&atilde;o, reapareceu com a guerra da Arg&eacute;lia e est&aacute; muito organizado&quot;, ressaltou Tavares, ironicamente.<\/p>\n<p>J&aacute; em Portugal, &quot;n&atilde;o h&aacute; extrema direita nem salazaristas organizados&quot;, em alus&atilde;o a Antonio de Oliveira Salazar (1889-1970), fundador e l&iacute;der do &quot;Estado Novo&quot;, a ditadura corporativista fundada em 1933 e derrubada em 1974 pela Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, levada adiante pelos capit&atilde;es esquerdistas do ex&eacute;rcito. &quot;Este pa&iacute;s se liberalizou, urbanizou e modernizou muito nos &uacute;ltimos 30 anos, e a maioria da popula&ccedil;&atilde;o se identifica com estas mudan&ccedil;as que melhoraram suas vidas, e agora &eacute; mais aberta e plural&quot;, afirmou o deputado.<\/p>\n<p>Apesar disso, &quot;a homofobia &eacute; um fen&ocirc;meno que em Portugal continua presente e se manifesta pela linguagem ou atitude, embora seja mais extenso do que intenso, e muitos optem por uma atitude de n&atilde;o inger&ecirc;ncia na vida dos demais, inclusive nos aspectos que podem ser considerados objet&aacute;veis. Em geral, os portugueses n&atilde;o t&ecirc;m atitudes absolutistas sobre qualquer coisa&quot;, pontuou Tavares.<\/p>\n<p>Em Portugal, &quot;os la&ccedil;os familiares s&atilde;o fortes e se converteram em um argumento a favor do casamento gay&quot;, disse o parlamentar portugu&ecirc;s, contando, a seguir, uma experi&ecirc;ncia pessoal: &quot;minha m&atilde;e de 80 anos me telefonou para dizer que a partir de agora est&aacute; a favor do casamento gay, depois que ouviu um homossexual dizer o quanto sua m&atilde;e gostaria que ele se casasse&quot;. Na Fran&ccedil;a, &quot;as dist&acirc;ncias s&atilde;o maiores, mesmo entre parentes diretos, de maneira que a oposi&ccedil;&atilde;o a este tipo de uni&atilde;o parece ser um assunto mais racional e justificado com um discurso de valores, e n&atilde;o pela experi&ecirc;ncia do afeto familiar&quot;, concluiu.<\/p>\n<p>Por sua vez, Fernando Fern&aacute;ndez, escritor e jornalista aposentado da ag&ecirc;ncia francesa AFP, disse que &quot;o espetacular das manifesta&ccedil;&otilde;es nesse pa&iacute;s, contra a lei que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, &eacute; que pode parecer um contrassenso em uma sociedade que tem perante o mundo uma imagem de toler&acirc;ncia, aberta e liberal. &Eacute; verdade que a sociedade francesa pode parecer liberal quando vista do ponto de vista de outras que t&ecirc;m em sua ess&ecirc;ncia uma profunda arca da Igreja Cat&oacute;lica, como a espanhola ou a polonesa&quot;, observou, por telefone &agrave; IPS, de Paris.<\/p>\n<p>&quot;No entanto, ocorre que, al&eacute;m deste selo, a sociedade francesa est&aacute; seguramente muito mais determinada pelo que considera seus valores e n&atilde;o aceita o fato de existirem homossexuais iguais em deveres e direitos&quot; aos heterossexuais, concluiu o jornalista. Emilia, uma l&eacute;sbica portuguesa de 29 anos, concordou em falar &agrave; IPS desde que n&atilde;o revelasse seu nome completo, &quot;porque sou das poucas felizardas que t&ecirc;m trabalho, em um pa&iacute;s onde h&aacute; muitos chefes homof&oacute;bicos e o desemprego entre os jovens beira os 50%&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Claro que h&aacute; diferen&ccedil;as substanciais entre Portugal e Fran&ccedil;a, onde um casamento gay tem de ser realizado sob forte prote&ccedil;&atilde;o policial, o que mostra o grau de estupidez e primitivismo a que chegaram alguns franceses&quot;, afirmou Emilia. Por&eacute;m, ressaltou que n&atilde;o se deve idealizar Portugal. &quot;&Eacute; certo que as leis sobre casamento homossexual e a ado&ccedil;&atilde;o s&atilde;o das mais avan&ccedil;adas do mundo, mas tamb&eacute;m &eacute; verdade que n&atilde;o temos a vida f&aacute;cil, especialmente quanto &agrave; igualdade de oportunidades, existindo uma rejei&ccedil;&atilde;o por parte de pessoas com moral muito conservadora e que ocupam altos cargos em empresas e institui&ccedil;&otilde;es&quot;, ressaltou a jovem. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 31\/05\/2013 &ndash; O casamento entre pessoas do mesmo sexo contraria a cren&ccedil;a generalizada de uma Fran&ccedil;a ber&ccedil;o do conceito republicano moderno e promotor dos direitos civis igualit&aacute;rios desde a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1789, enquanto o pacato Portugal se revela muito mais aberto e transigente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/direitos-humanos\/frana-e-portugal-o-casamento-gay-contradiz-as-aparncias\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6],"tags":[18],"class_list":["post-11969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}