{"id":11980,"date":"2013-06-03T12:13:31","date_gmt":"2013-06-03T12:13:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11980"},"modified":"2013-06-03T12:13:31","modified_gmt":"2013-06-03T12:13:31","slug":"maus-sintomas-no-cuidado-com-a-sade-de-indgenas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/maus-sintomas-no-cuidado-com-a-sade-de-indgenas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Maus sintomas no cuidado com a sa&uacute;de de ind&iacute;genas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Porto Alegre, Brasil, 03\/06\/2013 &ndash; O cuidado sanit&aacute;rio para os ind&iacute;genas no Brasil n&atilde;o goza de boa sa&uacute;de, afirmam especialistas da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), mission&aacute;rios, trabalhadores sociais nas comunidades e integrantes dos povos origin&aacute;rios.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11980\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/indigenas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11980\" class=\"size-medium wp-image-11980\" title=\"Encontro sobre sa&uacute;de e seguran&ccedil;a alimentar na reserva caingangue de Guarita, no sul do Brasil. - Marcos Antonio Ribeiro\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/indigenas.jpg\" alt=\"Encontro sobre sa&uacute;de e seguran&ccedil;a alimentar na reserva caingangue de Guarita, no sul do Brasil. - Marcos Antonio Ribeiro\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11980\" class=\"wp-caption-text\">Encontro sobre sa&uacute;de e seguran&ccedil;a alimentar na reserva caingangue de Guarita, no sul do Brasil. - Marcos Antonio Ribeiro<\/p><\/div>  Ida Pietricovsky Oliveira, assessora do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) na cidade de Bel&eacute;m, no Estado do Par&aacute;, destacou a falta de informa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica sobre a sa&uacute;de dos ind&iacute;genas, com base em dados coletados por enfermeiros, profissionais e t&eacute;cnicos nas comunidades.<\/p>\n<p>O escrit&oacute;rio de comunica&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de justificou para a IPS as car&ecirc;ncias pela fase ainda incompleta da transi&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia sanit&aacute;ria aos povos ind&iacute;genas. Em 2010 come&ccedil;ou a passagem da gest&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de para a Secretaria Especial de Sa&uacute;de Ind&iacute;gena (Sesai), vinculada ao Minist&eacute;rio. Seja como for, a situa&ccedil;&atilde;o dificulta a implanta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que atendam adequadamente as necessidades de cada grupo ind&iacute;gena, com suas caracter&iacute;sticas diferenciadas.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; um problema grave que estamos tentando dialogar com a Sesai&quot;, disse Oliveira &agrave; IPS. A forma como s&atilde;o colhidos os dados em cada regi&atilde;o &eacute; diferente, o que complica obter informa&ccedil;&otilde;es cruzadas, explicou. O Unicef e outras ag&ecirc;ncias da ONU criaram escrit&oacute;rios com equipes multidisciplinares para abastecer o Sistema de Vigil&acirc;ncia Alimentar e Nutricional e assim melhorar, junto com a Sesai, a nutri&ccedil;&atilde;o em cada Distrito Sanit&aacute;rio Especial Ind&iacute;gena.<\/p>\n<p>Essa iniciativa come&ccedil;ou pelas crian&ccedil;as do povo xavante, no Estado do Mato Grosso, porque essa regi&atilde;o registra altos &iacute;ndices de mortalidade por inani&ccedil;&atilde;o e diarreia. &quot;A ideia &eacute; capacitar as equipes para evitar novas mortes. A mortalidade infantil nas &aacute;reas ind&iacute;genas &eacute; o dobro da m&eacute;dia nacional e a melhoria nos indicadores &eacute; muito lenta&quot;, afirmou Oliveira.<\/p>\n<p>O &uacute;ltimo informe sobre a viol&ecirc;ncia contra os povos ind&iacute;genas brasileiros do Conselho Ind&iacute;gena Mission&aacute;rio (Cimi), da Igreja Cat&oacute;lica, com dados de 2011, incluiu um cap&iacute;tulo intitulado A Desaten&ccedil;&atilde;o em Mat&eacute;ria de Sa&uacute;de, que descreve 53 casos de neglig&ecirc;ncia na aten&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria em 16 Estados, prejudicando 53 mil pessoas. O Estado do Amazonas tem o maior n&uacute;mero de incid&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>O informe se baseia em not&iacute;cias publicadas em jornais e revistas das diferentes regi&otilde;es e em relat&oacute;rios dos mission&aacute;rios. Indica que h&aacute; uma queixa geral nas comunidades ind&iacute;genas: o abandono e a falta de profissionais da sa&uacute;de, de medicamentos, equipamentos, transporte e de assist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>De norte a sul as necessidades s&atilde;o semelhantes neste pa&iacute;s imenso com mais de 195 milh&otilde;es de habitantes, dos quais, segundo o censo de 2010, 900 mil se declararam ind&iacute;genas, pertencentes a 305 povos distintos e que falam 274 l&iacute;nguas. Em Dourados no Estado de Mato Grosso do Sul, a proximidade da reserva ind&iacute;gena com a cidade aumentou os &iacute;ndices de alcoolismo, diabete e hipertens&atilde;o entre os ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>A demarca&ccedil;&atilde;o das terras dos yanomami, que habitam no norte do pa&iacute;s, for&ccedil;ou membros desse povo milenar a deixar de ser n&ocirc;made, para ficarem confinados em &aacute;reas pr&oacute;ximas a destacamentos do ex&eacute;rcito. Como resultado, passaram a se alimentar de comida processada, porque a pesca escasseia em seus assentamentos e a terra &eacute; dedicada &agrave; planta&ccedil;&atilde;o. Quando buscam assist&ecirc;ncia m&eacute;dica nos postos municipais de sa&uacute;de, enfrentam os preconceitos e a rejei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Lutamos para que cada comunidade retome sua autonomia e seu protagonismo em mat&eacute;ria alimentar&quot;, disse &agrave; IPS Sandro Luckmann, membro do Conselho da Miss&atilde;o entre &Iacute;ndios, de igrejas evang&eacute;licas. Essas miss&otilde;es trabalham h&aacute; 30 anos com os caingangues da Reserva de Guarita, entre os munic&iacute;pios de Tenente Portela, Miragua&iacute; e Redentora, no Rio Grande do Sul. O povo caingangue &eacute; o terceiro mais numeroso do Brasil e Guarita &eacute; seu maior assentamento, segundo o censo de 2010.<\/p>\n<p>Luckmann recordou que a sa&uacute;de e a alimenta&ccedil;&atilde;o fazem parte de um amplo processo, que passa por encontrar novos meios de produ&ccedil;&atilde;o. &quot;A demarca&ccedil;&atilde;o das terras n&atilde;o cria as condi&ccedil;&otilde;es para que a comunidade tenha soberania alimentar. H&aacute; programas vinculados a um ou outro governo, n&atilde;o a uma pol&iacute;tica p&uacute;blica est&aacute;vel&quot;, criticou.<\/p>\n<p>Em Guarita, mulheres e homens caingangues devem trabalhar nos frigor&iacute;ficos das cidades pr&oacute;ximas ou como tempor&aacute;rios nas colheitas de ma&ccedil;&atilde;, cebola ou uva, for&ccedil;ados a viverem em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias em alojamentos coletivos. &quot;H&aacute; relatos de que na ind&uacute;stria da carne cabe aos ind&iacute;genas os piores trabalhos, aqueles que ningu&eacute;m quer fazer&quot;, contou o indigenista. &quot;Viajam at&eacute; quatro horas de &ocirc;nibus para trabalhar oito horas e fazem o trajeto de volta para dormir em suas casas&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Luckmann recordou que o Artigo 123 da Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira estabelece que as demarca&ccedil;&otilde;es de terras ind&iacute;genas, que estabelecem os territ&oacute;rios ancestrais, devem garantir sua reprodu&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e cultural e a subsist&ecirc;ncia de suas comunidades. Mas isso n&atilde;o acontece, denunciou. &quot;Ao falar de seguran&ccedil;a e soberania alimentar deve-se pensar no espa&ccedil;o territorial que ocupam os ind&iacute;genas e que as altera&ccedil;&otilde;es em suas condi&ccedil;&otilde;es de vida produzem defici&ecirc;ncias nutricionais e problemas de sa&uacute;de&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>O caingangue Marcos Antonio Ribeiro, coordenador da Sesai em Guarita, confirmou que as mudan&ccedil;as dos h&aacute;bitos alimentares tradicionais ind&iacute;genas por uma dieta menos diversificada e com produtos processados provocou aumento da desnutri&ccedil;&atilde;o, anemia e da hipovitaminose na reserva. Antes, este povo vivia da produ&ccedil;&atilde;o de milho, ab&oacute;bora e feij&atilde;o, e da coleta de produtos silvestres.<\/p>\n<p>Dessa forma, seus integrantes mudaram sua dieta pela facilidade de adquirir os alimentos processados comercialmente, pela falta de terras produtivas e pelo uso indiscriminado de pesticidas, o que fez desaparecer v&aacute;rias plantas aut&oacute;ctones. Ribeiro explicou &agrave; IPS que as mudan&ccedil;as alimentares n&atilde;o causaram apenas danos na sa&uacute;de, mas na cultura dos caingangues, porque h&aacute; um conjunto de rituais conectados com a alimenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por exemplo, &quot;quando um jovem vai comer farelo de milho, o mais velho da casa bate em todo o seu corpo com suas m&atilde;os e o faz tomar antes uma infus&atilde;o, pois os caingangues acreditam que sem este ritual os jovens enfraquecem e sofrer&atilde;o c&acirc;imbras quando adultos&quot;, acrescentou Ribeiro. Antes, os caingangues utilizavam ervas medicinais e agora buscam os profissionais de sa&uacute;de, que encontram pacientes com diabetes, hipertens&atilde;o, colesterol e altos n&iacute;veis de triglic&eacute;rides.<\/p>\n<p>Ribeiro lamentou que &quot;nos &uacute;ltimos anos h&aacute; c&acirc;ncer em todas as idades e de todos os tipos entre os ind&iacute;genas, inclusive entre as crian&ccedil;as&quot;. Formado em nutri&ccedil;&atilde;o, ele promove o retorno aos conhecimentos tradicionais nas institui&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e nas comunidades. Sua pr&oacute;pria m&atilde;e morreu por complica&ccedil;&otilde;es derivadas da diabete e integra uma estat&iacute;stica ainda invis&iacute;vel para as autoridades de sa&uacute;de. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Alegre, Brasil, 03\/06\/2013 &ndash; O cuidado sanit&aacute;rio para os ind&iacute;genas no Brasil n&atilde;o goza de boa sa&uacute;de, afirmam especialistas da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), mission&aacute;rios, trabalhadores sociais nas comunidades e integrantes dos povos origin&aacute;rios. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/maus-sintomas-no-cuidado-com-a-sade-de-indgenas-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6,7],"tags":[27],"class_list":["post-11980","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-saude","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11980\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}