{"id":11984,"date":"2013-06-04T07:25:00","date_gmt":"2013-06-04T07:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11984"},"modified":"2013-06-04T07:25:00","modified_gmt":"2013-06-04T07:25:00","slug":"entrevistas-o-estado-no-perde-soberania-se-respeita-os-direitos-indgenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/entrevistas-o-estado-no-perde-soberania-se-respeita-os-direitos-indgenas\/","title":{"rendered":"Entrevistas: &quot;O Estado n&atilde;o perde soberania se respeita os direitos ind&iacute;genas&quot;"},"content":{"rendered":"<p>DARWIN, Austr&aacute;lia, 04\/06\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- &quot;Com a experi&ecirc;ncia se aprende porque no Peru est&aacute; sendo constru&iacute;do um processo adequado&quot; para consultar e dialogar com os povos ind&iacute;genas, afirmou James Anaya em entrevista ao Terram&eacute;rica.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11984\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/631_James_Anaya.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11984\" class=\"size-medium wp-image-11984\" title=\"Quando o Estado respeita os direitos humanos, exercita sua soberania, afirma James Anaya. - Milagros Salazar\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/631_James_Anaya.jpg\" alt=\"Quando o Estado respeita os direitos humanos, exercita sua soberania, afirma James Anaya. - Milagros Salazar\/IPS\" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11984\" class=\"wp-caption-text\">Quando o Estado respeita os direitos humanos, exercita sua soberania, afirma James Anaya. - Milagros Salazar\/IPS<\/p><\/div>  &quot;Acredita-se que o consentimento &eacute; dizer sim ou n&atilde;o, e quem vence&quot;, afirmou o relator da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para assuntos ind&iacute;genas, James Anaya. Consultar estes povos &quot;&eacute; criar processos abertos nos quais os ind&iacute;genas possam opinar, influir nas decis&otilde;es e haja boa vontade para buscar consensos&quot;. Anaya, advogado e relator especial das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre a Situa&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais dos Ind&iacute;genas, deu &ecirc;nfase na diversidade de rostos, idiomas, culturas e experi&ecirc;ncias que coincidiram na confer&ecirc;ncia da WIN (Rede Ind&iacute;gena Mundial), realizada entre 26 e 29 de maio em Darwin, na Austr&aacute;lia.<\/p>\n<p>Em 30 minutos de exposi&ccedil;&atilde;o, Anaya destacou a import&acirc;ncia de os Estados respeitarem e aplicarem medidas relacionadas com a Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind&iacute;genas, adotada em 2007. Em sua r&aacute;pida passagem por Darwin, Anaya conversou com o Terram&eacute;rica sobre a pol&ecirc;mica implanta&ccedil;&atilde;o da consulta pr&eacute;via aos povos ind&iacute;genas e o desafio de conceber modelos de desenvolvimento que permitam aos pa&iacute;ses acesso &agrave; prosperidade e respeito aos direitos das comunidades nativas.<\/p>\n<p>Em sua opini&atilde;o, o Peru &eacute; o pa&iacute;s latino-americano com mais progressos normativos para aplicar a consulta pr&eacute;via, estabelecida no Conv&ecirc;nio 169 da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT), diante de projetos ou atividades que afetem o territ&oacute;rio e a cultura de um povo abor&iacute;gine. Contudo, falta o pa&iacute;s demonstrar na pr&aacute;tica sua capacidade de respeitar os direitos ind&iacute;genas. &quot;Com a experi&ecirc;ncia se aprende porque no Peru est&aacute; sendo constru&iacute;do um processo adequado&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Equador, Bol&iacute;via, Brasil e Col&ocirc;mbia est&atilde;o discutindo esses mecanismos, embora ainda n&atilde;o contem com normas e protocolos internos para realizar as consultas. Para Anaya, n&atilde;o &eacute; &quot;exig&iacute;vel&quot; que os Estados aprovem leis e somente ent&atilde;o come&ccedil;arem a consultar. O maior requisito &eacute; ter &quot;vontade&quot; de respeitar os direitos, ressaltou.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Existe a percep&ccedil;&atilde;o de que alguns governos da Am&eacute;rica Latina lidam com um duplo padr&atilde;o: assinam instrumentos internacionais para proteger os direitos ind&iacute;genas, mas n&atilde;o aplicam medidas para respeit&aacute;-los. Concorda com essa ideia?<\/p>\n<p>JAMES ANAYA: Considero um avan&ccedil;o que quase todos os pa&iacute;ses latino-americanos tenham votado a favor da Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind&iacute;genas e ratificado o Conv&ecirc;nio 169. S&atilde;o passos importantes. Agora falta implantar esses processos, mas &eacute; muito complexo. Os Estados t&ecirc;m que fazer esfor&ccedil;os para enfrentar o desafio. S&atilde;o v&aacute;rios os assuntos a considerar: primeiro, a educa&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios estatais para entender que tais normas n&atilde;o s&atilde;o apenas de rela&ccedil;&atilde;o internacional, mas de aplica&ccedil;&atilde;o interna porque se dirigem a povos ind&iacute;genas que est&atilde;o em seus territ&oacute;rios. O segundo &eacute; ter a vontade pol&iacute;tica para faz&ecirc;-lo, e isso, &agrave;s vezes, &eacute; o problema porque h&aacute; v&aacute;rias for&ccedil;as pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas a enfrentar. O terceiro &eacute; estabelecer mecanismos de colabora&ccedil;&atilde;o com os povos ind&iacute;genas para implementar as normas.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Um dos assuntos com mais resist&ecirc;ncias das autoridades &eacute; a implanta&ccedil;&atilde;o da consulta pr&eacute;via. Como v&ecirc; os crit&eacute;rios que est&atilde;o sendo considerados pelos governos para estabelecer qual &eacute; um povo ind&iacute;gena com direito a ser consultado?<\/p>\n<p>JA: Isso varia muito nos pa&iacute;ses, depende de qual Estado.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Por exemplo, o Peru.<\/p>\n<p>JA: No Peru est&atilde;o apenas come&ccedil;ando a aplicar a lei e sua regulamenta&ccedil;&atilde;o. Sei que h&aacute; todo um debate sobre o registro (dos povos ind&iacute;genas), mas ainda &eacute; necess&aacute;rio ver como v&atilde;o aplicar a lei. Espero que o fa&ccedil;am segundo os padr&otilde;es internacionais. Por outro lado, deve-se reconhecer que a consulta se baseia em direitos fundamentais que de alguma forma se aplicam a todos. No caso dos povos ind&iacute;genas, por suas caracter&iacute;sticas, se trata de procedimentos diferenciados e especiais. N&atilde;o &eacute; quest&atilde;o de considera&ccedil;&otilde;es abstratas, &eacute; preciso ver no terreno.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Falando de casos concretos, no Peru existe consenso em consultar os povos ind&iacute;genas da Amaz&ocirc;nia, mas n&atilde;o ocorre o mesmo quando se fala de comunidades camponesas localizadas precisamente em &aacute;reas de atividades extrativistas.<\/p>\n<p>JA: Sempre se deve proteger os direitos dos povos ind&iacute;genas. &Eacute; preciso avan&ccedil;ar no desenvolvimento para benef&iacute;cio de todos, mas protegendo os direitos ind&iacute;genas. E conseguir as duas coisas &eacute; poss&iacute;vel, n&atilde;o s&atilde;o incompat&iacute;veis.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Talvez esse seja o problema: os Estados considerarem que &eacute; preciso deixar de respeitar os direitos ind&iacute;genas para promover o investimento privado sem suas terras&#8230;<\/p>\n<p>JA: O que acontece &eacute; que os modelos que existem mostram isto (os direitos e o desenvolvimento econ&ocirc;mico) com algo incompat&iacute;vel. Talvez seja o caso de criar novos modelos baseados em direitos humanos, modelos que respeitem os direitos dos povos ind&iacute;genas. N&atilde;o &eacute; quest&atilde;o de frear o desenvolvimento.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Isso que parece t&atilde;o simples de entender gera resist&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>JA: H&aacute; muita polariza&ccedil;&atilde;o entre as partes e seria preciso dialogar mais.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Acredita que o Estado perde soberania se um povo ind&iacute;gena tem a &uacute;ltima palavra sobre realizar, ou n&atilde;o, um projeto de investimento em seu territ&oacute;rio?<\/p>\n<p>JA: O Estado n&atilde;o perde soberania se respeita os direitos humanos ou os direitos ind&iacute;genas. Tem que acatar estas normas para respeitar os direitos, o Estado n&atilde;o pode fazer o que quer. Eu diria que o respeito destes direitos &eacute; uma forma de garantir que esta soberania seja exercida. Quando o Estado respeita os direitos humanos, exercita sua soberania porque favorece os cidad&atilde;os e os povos.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Mas existe uma perda de confian&ccedil;a nos governantes. Como garantir processos de consultas leg&iacute;timas que permitam destravar o debate?<\/p>\n<p>JA: &Eacute; necess&aacute;rio superar a desconfian&ccedil;a, os preconceitos. Trata-se de criar processos abertos, nos quais os povos ind&iacute;genas possam opinar, influir nas decis&otilde;es e haja boa vontade para buscar consensos. O que acontece &eacute; que &agrave;s vezes acredita-se que o consentimento &eacute; dizer sim ou n&atilde;o, e quem ganha. O consentimento est&aacute; vinculado &agrave; consulta, da consulta com finalidade de chegar a um consentimento, a um consenso. N&atilde;o &eacute; quest&atilde;o de uma parte impor sua opini&atilde;o &agrave; outra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DARWIN, Austr&aacute;lia, 04\/06\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- &quot;Com a experi&ecirc;ncia se aprende porque no Peru est&aacute; sendo constru&iacute;do um processo adequado&quot; para consultar e dialogar com os povos ind&iacute;genas, afirmou James Anaya em entrevista ao Terram&eacute;rica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/entrevistas-o-estado-no-perde-soberania-se-respeita-os-direitos-indgenas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":141,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,4],"tags":[19,21],"class_list":["post-11984","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-mundo","tag-arte-y-cultura","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11984\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}