{"id":1200,"date":"2005-11-14T00:00:00","date_gmt":"2005-11-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1200"},"modified":"2005-11-14T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-14T00:00:00","slug":"alimentao-granjas-industriais-emigram-para-o-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/economia\/alimentao-granjas-industriais-emigram-para-o-sul\/","title":{"rendered":"Alimenta&ccedil;&atilde;o: Granjas industriais emigram para o Sul"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 14\/11\/2005 &ndash; As granjas industriais, &agrave;s quais muitos especialistas atribuem o recrudescimento de enfermidades como a gripe avi&aacute;ria, e tamb&eacute;m a doen&ccedil;a da vaca louca, emigram do Norte rico para a Am&eacute;rica Latina, &Aacute;sia e &Aacute;frica. Estes estabelecimentos de explora&ccedil;&atilde;o intensiva de alimentos animais concentram 74% da produ&ccedil;&atilde;o mundial de carne de ave e 68% da de ovos, disse &agrave; IPS Danielle Nierenberg, pesquisadora do Worldwatch Institute, em Washington. Aproximadamente a metade da produ&ccedil;&atilde;o su&iacute;na e 43% de toda a carne do mundo procedem desses estabelecimentos.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;O crescimento destas opera&ccedil;&otilde;es &eacute; mais r&aacute;pido ao redor das cidades da Am&eacute;rica Latina, &Aacute;sia e partes da &Aacute;frica&quot;, explicou Nierenberg, autora do informe &quot;Comidas mais felizes: repensar a ind&uacute;stria global da carne&quot;. A oposi&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas e as regulamenta&ccedil;&otilde;es mais duras para as chamadas &quot;f&aacute;bricas de animais&quot;, que chegam a abrigar cem mil porcos ou um milh&atilde;o de frangos, expulsaram muitos destes estabelecimentos da Am&eacute;rica do Norte e da Europa, explicou.<\/p>\n<p> Rios, riachos e solos contaminados com esterco, preju&iacute;zo econ&ocirc;mico para os pequenos produtores impossibilitados de competir e m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de vida para os animais s&atilde;o alguns dos problemas que agora s&atilde;o constatados no Brasil, M&eacute;xico, Filipinas e em muitos outros pa&iacute;ses. As pr&aacute;ticas agropecu&aacute;rias de escala industrial constituem &quot;uma maneira ineficiente, ambientalmente prejudicial, perigosa e desumana de produzir carne&quot;, afirmou Nierenberg. Os problemas sanit&aacute;rios talvez sejam hoje a principal preocupa&ccedil;&atilde;o, num momento em que a gripe avi&aacute;ria, como fez h&aacute; alguns anos a doen&ccedil;a da vaca louca, concentra a aten&ccedil;&atilde;o mundial.<\/p>\n<p> A preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a imp&otilde;e o confinamento das aves em locais fechados, mas Nierenberg e outros especialistas acreditam que as fazendas industriais e os mercados onde milhares de aves vivas s&atilde;o enjauladas juntas s&atilde;o um cultivo ideal para o v&iacute;rus da gripe avi&aacute;ria. H&aacute; evid&ecirc;ncias que vinculam os focos da doen&ccedil;a da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina) e o v&iacute;rus do Nipah &agrave; expans&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o pecu&aacute;ria de car&aacute;ter industrial, afirmou. Por outro lado, os pequenos produtores de carne animal n&atilde;o podem competir com as grandes corpora&ccedil;&otilde;es, que freq&uuml;entemente s&atilde;o internacionais. Estes criadores acabam emigrando para as cidades ou trabalhando para as empresas que os expulsaram do neg&oacute;cio.<\/p>\n<p> &quot;Os criadores de frango do Brasil e M&eacute;xico acabaram escravos em sua pr&oacute;pria terra, como nos Estados Unidos&quot;, disse a especialista. Em todo o mundo, as pequenas propriedades est&atilde;o em queda, enquanto nos Estados Unidos e na Europa exportam seu modelo agropecu&aacute;rio industrial, disse Mark Rosegrant, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa em Pol&iacute;ticas Alimentares (IFPRI), com sede em Washington. As pr&aacute;ticas agropecu&aacute;rias industriais no mundo em desenvolvimento se expandiram enormemente nos &uacute;ltimos 15 anos e j&aacute; est&atilde;o criando problemas ecol&oacute;gicos, disse Rosegrant &agrave; IPS. &quot;Com a aplica&ccedil;&atilde;o de leis ambientais, em geral d&eacute;beis, &eacute; muito prov&aacute;vel que estes problemas piorem muito&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> O consumo de carne aumenta rapidamente no mundo em desenvolvimento. A China ultrapassar&aacute; o consumo europeu por habitante em menos de 20 anos, acrescentou. &quot;Isto requer um enorme aumento da produ&ccedil;&atilde;o&quot;, alertou o especialista. Os pa&iacute;ses se voltar&atilde;o cada vez mais para modalidades intensivas de produ&ccedil;&atilde;o, porque lhes permitem ter acesso a mercados de grande escala, acrescentou. Por outro lado, Harriett Friedmann, especialista em seguran&ccedil;a alimentar da Universidade de Toronto, disse &agrave; IPS que &quot;essa &eacute; uma id&eacute;ia realmente m&aacute;, e a efici&ecirc;ncia das fazendas industriais &eacute; um mito&quot;. Esta modalidade de produ&ccedil;&atilde;o depende da disposi&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel e fertilizantes baratos e de grandes quantidades de &aacute;gua pot&aacute;vel. Al&eacute;m disso, estes estabelecimentos produzem enorme quantidade de esterco, entre outros danos ambientais, e, de um modo ou de outro, os custos acabam sendo pagos pela popula&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima, ressaltou.<\/p>\n<p> A maioria das fazendas industriais, sem importar em que pa&iacute;s estejam, usam as mesmas duas ou tr&ecirc;s ra&ccedil;as de frango ou de porco, limitando a biodiversidade do sistema alimentar e aumentando sua vulnerabilidade &agrave;s doen&ccedil;as. Para impedir que surjam enfermidades em raz&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de confinamento e insalubridade, &eacute; necess&aacute;rio dar grandes quantidades de antibi&oacute;ticos aos animais, gerando um cen&aacute;rio prop&iacute;cio para a cria&ccedil;&atilde;o de bact&eacute;rias resistentes a esses medicamentos, que al&eacute;m do mais se integram na cadeia alimentar humana. &quot;Quanto falta para que os custos reais das fazendas industriais agropecu&aacute;rias industriais comecem a ser conhecidos&quot;. Estamos negando esta perspectiva coletivamente&quot;, disse Friedmann.<\/p>\n<p> Com um sistema de produ&ccedil;&atilde;o alimentar que continua produzindo mais e mais problemas, n&atilde;o falta muito para que ocorra um choque de grandes propor&ccedil;&otilde;es, acrescentou. N&atilde;o &eacute; menor entre os questionamentos dos estabelecimentos agropecu&aacute;rios industriais o mal-estar dos pr&oacute;prios animais. &quot;A ci&ecirc;ncia animal nos afasta da cren&ccedil;a na santidade dos animais. Pelo contr&aacute;rio, nos levou &agrave; &quot;f&aacute;brica animal&quot;, que, como os campos de concentra&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma vis&atilde;o do inferno&quot;, escreveu o produtor rural e ensa&iacute;sta norte-americano Wendell Berry.<\/p>\n<p> Um v&iacute;deo clandestino recentemente divulgado sobre um estabelecimento dedicado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de ovos mostrava as aves cobertas de excremento e confinadas em jaulas t&atilde;o pequenas que apenas podiam se mover. A granja onde essas imagens foram feitas &eacute; propriedade de um veterin&aacute;rio ligado &agrave; principal universidade agr&iacute;cola do Canad&aacute;. &quot;As fotos e o v&iacute;deo me revelaram explicitamente algumas crueldades extremas cometidas contra as galinhas. Me surpreende saber que isto existe, especialmente no Canad&aacute;&quot;, disse A. B. M. Raj, pesquisador da Escola de Ci&ecirc;ncia Veterin&aacute;ria Cl&iacute;nica da Universidade de Bristol.<\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para acreditar que essas condi&ccedil;&otilde;es sejam diferentes das de qualquer outro estabelecimento produtor de ovos no Canad&aacute;&quot;, afirmou Debra Probert, da Coaliz&atilde;o Canadense para os Animais de Fazenda. Essas condi&ccedil;&otilde;es refletem as crueldades reiteradamente expostas nas investiga&ccedil;&otilde;es de grandes estabelecimentos av&iacute;colas dos Estados Unidos, disse Probert. Esses v&iacute;deos estimularam demandas p&uacute;blicas por melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida para os animais de fazenda na Am&eacute;rica do Norte e Europa. Mas essas mesmas demandas incentivaram o acelerado surgimento de fazendas industriais em outras regi&otilde;es do mundo, disse Nierenberg, lembrando que &quot;pa&iacute;ses como China t&ecirc;m regras para o bem-estar dos animais, mas n&atilde;o as aplicam&quot;. O pior das pr&aacute;ticas agropecu&aacute;rias industriais em todo o mundo &eacute; que quebram a conex&atilde;o entre os criadores, a terra e os animais, concluiu a especialista. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 14\/11\/2005 &ndash; As granjas industriais, &agrave;s quais muitos especialistas atribuem o recrudescimento de enfermidades como a gripe avi&aacute;ria, e tamb&eacute;m a doen&ccedil;a da vaca louca, emigram do Norte rico para a Am&eacute;rica Latina, &Aacute;sia e &Aacute;frica. Estes estabelecimentos de explora&ccedil;&atilde;o intensiva de alimentos animais concentram 74% da produ&ccedil;&atilde;o mundial de carne de ave e 68% da de ovos, disse &agrave; IPS Danielle Nierenberg, pesquisadora do Worldwatch Institute, em Washington. Aproximadamente a metade da produ&ccedil;&atilde;o su&iacute;na e 43% de toda a carne do mundo procedem desses estabelecimentos.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/economia\/alimentao-granjas-industriais-emigram-para-o-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1200","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1200"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}