{"id":12002,"date":"2013-06-06T09:48:58","date_gmt":"2013-06-06T09:48:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12002"},"modified":"2013-06-06T09:48:58","modified_gmt":"2013-06-06T09:48:58","slug":"coluna-um-congresso-para-liberar-o-mundo-da-pena-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/mundo\/coluna-um-congresso-para-liberar-o-mundo-da-pena-de-morte\/","title":{"rendered":"COLUNA: Um congresso para liberar o mundo da pena de morte"},"content":{"rendered":"<p>Barcelona, Espanha, 06\/06\/2013 &ndash; Entre os dias 12 e 15 de junho acontecer&aacute; em Madri o V Congresso Mundial Contra a Pena de Morte, que reunir&aacute; uma sele&ccedil;&atilde;o internacional de especialistas, ganhadores de pr&ecirc;mios Nobel da Paz e representantes de institui&ccedil;&otilde;es internacionais e n&atilde;o governamentais especializadas no tema. <!--more--> Participar&atilde;o v&aacute;rios milhares de pessoas, entre as quais testemunhas, ex-condenados e familiares de sentenciados &agrave; pena capital, procedentes de aproximadamente 90 pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Este grande acontecimento tem cada vez maior visibilidade no calend&aacute;rio dos direitos humanos e uma influ&ecirc;ncia maior na pol&iacute;tica internacional. Ser&atilde;o apresentados os dados atuais da longa e dura batalha contra a pena de morte no mundo.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, &eacute; claro que estamos nos encaminhando para um mundo livre da pena de morte. Em dezembro passado, uma maioria de pa&iacute;ses votou a favor da resolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) que promove a suspens&atilde;o da pena de morte.<\/p>\n<p>Essa foi a quarta vota&ccedil;&atilde;o na ONU desde 2007, e a cada vez aumenta o n&uacute;mero de na&ccedil;&otilde;es que apoiam a morat&oacute;ria.<\/p>\n<p>Este poderoso sinal pol&iacute;tico e diplom&aacute;tico est&aacute; acompanhado de fatos positivos. &Eacute; cada vez maior o n&uacute;mero de pa&iacute;ses que consideram que a pena capital &eacute; indevida e err&ocirc;nea, tanto humana quanto juridicamente.<\/p>\n<p>Segundo a ONU, cerca de 150 pa&iacute;ses j&aacute; aboliram a pena de morte de sua legisla&ccedil;&atilde;o ou na pr&aacute;tica, o que constitui um grande avan&ccedil;o, j&aacute; que, na d&eacute;cada de 1970, apenas 16 haviam tomado essa atitude.<\/p>\n<p>O rep&uacute;dio &agrave;s execu&ccedil;&otilde;es pelo Estado em todas as regi&otilde;es, culturas e religi&otilde;es ganhou for&ccedil;a ao ficar evidente, de maneira progressiva, que esta horrenda pr&aacute;tica &eacute; cruel, irrevog&aacute;vel e uma viola&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; vida. E que n&atilde;o tem nenhum efeito de dissuas&atilde;o no grau de criminalidade. Bem ao contr&aacute;rio, incita &agrave; viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Uma das regi&otilde;es que ser&aacute; objeto de particular aten&ccedil;&atilde;o &eacute; a que compreende o Oriente M&eacute;dio e o norte da &Aacute;frica, onde &#8211; em contraste com a &Aacute;frica subsaariana e com independ&ecirc;ncia dos progressos alcan&ccedil;ados gra&ccedil;as &agrave; l&uacute;cida e perseverante a&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os comprometidos -, s&atilde;o m&uacute;ltiplos os desafios que ainda devem ser enfrentados.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional indica que no Iraque foram executadas 129 pessoas no ano passado e que o Ir&atilde; vem em segundo lugar, depois da China, no n&uacute;mero de execu&ccedil;&otilde;es, enquanto o I&ecirc;men continua horrorizando a opini&atilde;o p&uacute;blica ao executar pessoas que supostamente cometeram crimes quando eram menores de idade.<\/p>\n<p>A Ar&aacute;bia Saudita, onde a decapita&ccedil;&atilde;o mediante espada &eacute; o m&eacute;todo mais normal de execu&ccedil;&atilde;o, continua aplicando a pena capital a pessoas acusadas de crimes sem homic&iacute;dio, como adult&eacute;rio, roubo, tr&aacute;fico de drogas e feiti&ccedil;aria.<\/p>\n<p>Arg&eacute;lia, Jord&acirc;nia, Kuwait, L&iacute;bano e Marrocos impuseram condena&ccedil;&otilde;es &agrave; morte em 2012, enquanto, felizmente, continuaram se negando a realizar as execu&ccedil;&otilde;es. &Eacute; de se desejar que logo o Egito comunique com maior transpar&ecirc;ncia as pr&aacute;ticas neste campo.<\/p>\n<p>Na Tun&iacute;sia, onde come&ccedil;ou a Primavera &Aacute;rabe, os sinais s&atilde;o mistos: no ano passado, o presidente interino comutou para pris&atilde;o perp&eacute;tua as senten&ccedil;as de 122 pessoas que, segundo o governo, estavam no corredor da morte. Pela primeira vez, esse pa&iacute;s votou a favor do chamado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas pela morat&oacute;ria. Entretanto, em 2011 voltou a impor a pena de morte.<\/p>\n<p>Isso n&atilde;o significa que os desafios estejam circunscritos ao Oriente M&eacute;dio e norte da &Aacute;frica.<\/p>\n<p>A China executa mais pessoas do que o resto do mundo em seu conjunto.<\/p>\n<p>A Bielor&uacute;ssia continua sendo, de maneira obstinada, o &uacute;nico pa&iacute;s que executa pessoas na Europa, onde a pena capital &eacute; taxativamente exclu&iacute;da no Artigo 2&ordm; da Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia: &quot;Direito &agrave; vida. 1. Toda pessoa tem direito &agrave; vida. 2. Ningu&eacute;m poder&aacute; ser condenado &agrave; pena de morte e nem executado&quot;.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos continua diminuindo o n&uacute;mero de Estados que praticam a pena capital, com a recente ades&atilde;o de Maryland.<\/p>\n<p>A Am&eacute;rica Latina &#8211; outra li&ccedil;&atilde;o que o Sul d&aacute; em pouco tempo &#8211; est&aacute; livre em sua integridade. Os dois &uacute;nicos pa&iacute;ses onde ainda n&atilde;o figura da legisla&ccedil;&atilde;o embora n&atilde;o se pratique execu&ccedil;&otilde;es h&aacute; v&aacute;rios anos, Cuba e Guatemala, renovaram h&aacute; pouco sua decis&atilde;o de n&atilde;o realizar execu&ccedil;&otilde;es e j&aacute; n&atilde;o possuem presos no &quot;corredor da morte&quot;.<\/p>\n<p>Apesar dos maus exemplos dados h&aacute; pouco tempo por Jap&atilde;o, Indon&eacute;sia e &Iacute;ndia, ao voltarem a executar pessoas ap&oacute;s v&aacute;rios anos sem faz&ecirc;-lo, devemos ver que, em seu conjunto, a situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; mudando de tal forma que a cada ano nos aproximamos mais rapidamente do momento em que a pena de morte se transformar&aacute; em lembran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Na Espanha acontecer&aacute; o Congresso Mundial Contra a Pena de Morte, organizado pela associa&ccedil;&atilde;o francesa Ensemble Contre la Peine de Mort (Juntos Contra a Pena de Morte), com patroc&iacute;nio dos governos de Fran&ccedil;a, Noruega, Su&iacute;&ccedil;a e do pa&iacute;s anfitri&atilde;o, em colabora&ccedil;&atilde;o com a Coaliz&atilde;o Mundial Contra a Pena de Morte.<\/p>\n<p>O Congresso ser&aacute; uma grande oportunidade para que os Estados adotem uma posi&ccedil;&atilde;o firme contra esta forma de viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, marcar&aacute; pautas para orientar os membros da sociedade civil internacional &#8211; pol&iacute;ticos, juristas, especialistas &#8211; na elabora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias para conseguir a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte em escala mundial.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m enviar&aacute; uma clara mensagem ao mundo: este grande objetivo &eacute; n&atilde;o apenas conceitual e eticamente essencial, mas politicamente poss&iacute;vel. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Federico Mayor Zaragoza &eacute; presidente da Comiss&atilde;o Internacional Contra a Pena de Morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Barcelona, Espanha, 06\/06\/2013 &ndash; Entre os dias 12 e 15 de junho acontecer&aacute; em Madri o V Congresso Mundial Contra a Pena de Morte, que reunir&aacute; uma sele&ccedil;&atilde;o internacional de especialistas, ganhadores de pr&ecirc;mios Nobel da Paz e representantes de institui&ccedil;&otilde;es internacionais e n&atilde;o governamentais especializadas no tema. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/mundo\/coluna-um-congresso-para-liberar-o-mundo-da-pena-de-morte\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":322,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,4,11],"tags":[22],"class_list":["post-12002","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-mundo","category-politica","tag-pena-de-morte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12002","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/322"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12002"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12002\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}