{"id":12003,"date":"2013-06-06T09:51:08","date_gmt":"2013-06-06T09:51:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12003"},"modified":"2013-06-06T09:51:08","modified_gmt":"2013-06-06T09:51:08","slug":"cresce-o-primeiro-sindicato-de-presos-da-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/cresce-o-primeiro-sindicato-de-presos-da-argentina\/","title":{"rendered":"Cresce o primeiro sindicato de presos da Argentina"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 06\/06\/2013 &ndash; Na Argentina, pa&iacute;s de grande tradi&ccedil;&atilde;o sindical, se consolida uma experi&ecirc;ncia in&eacute;dita: uma organiza&ccedil;&atilde;o que defende os direitos trabalhistas de um coletivo especialmente vulner&aacute;vel, o das pessoas processadas ou condenadas na pris&atilde;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12003\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/participantes1-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12003\" class=\"size-medium wp-image-12003\" title=\"Participantes da assembleia de cria&ccedil;&atilde;o do Sindicato \u00c3\u0161nico de Trabalhadores Privados da Liberdade de Locomo&ccedil;&atilde;o, em julho de 2012. - Foto: CTA\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/participantes1-300x225.jpg\" alt=\"Participantes da assembleia de cria&ccedil;&atilde;o do Sindicato \u00c3\u0161nico de Trabalhadores Privados da Liberdade de Locomo&ccedil;&atilde;o, em julho de 2012. - Foto: CTA\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12003\" class=\"wp-caption-text\">Participantes da assembleia de cria&ccedil;&atilde;o do Sindicato \u00c3\u0161nico de Trabalhadores Privados da Liberdade de Locomo&ccedil;&atilde;o, em julho de 2012. - Foto: CTA<\/p><\/div>  &quot;Nunca se lutou por algo assim aqui dentro&quot;, disse &agrave; IPS o interno Gustavo Moreno, de 33 anos, que cumpre pena de 22 anos no Complexo Penitenci&aacute;rio da Cidade Aut&ocirc;noma de Buenos Aires, mais conhecido como Pres&iacute;dio de Devoto.<\/p>\n<p>Preso h&aacute; tr&ecirc;s anos, Moreno trabalha na equipe de limpeza da pris&atilde;o, &eacute; coordenador do ciclo b&aacute;sico comum do centro universit&aacute;rio que funciona no local e estuda administra&ccedil;&atilde;o de empresas. Tamb&eacute;m &eacute; secret&aacute;rio de a&ccedil;&atilde;o social do novo Sindicato &Uacute;nico de Trabalhadores Privados da Liberdade de Locomo&ccedil;&atilde;o (Sutpla), criado em julho de 2012 e reconhecido pelo Servi&ccedil;o Penitenci&aacute;rio Federal gra&ccedil;as a um acordo. O Sutpla integra a Central de Trabalhadores da Argentina (CTA, de centro-esquerda), cujos dirigentes informaram que seu desenvolvimento &eacute; observado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) como uma experi&ecirc;ncia a de ser levada para outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>&quot;Temos 700 filiados e cem filiadas e a ideia principal &eacute; reivindicar o direito de pessoas que est&atilde;o sem nenhuma defesa e em estado de vulnerabilidade&quot;, explicou &agrave; IPS o secret&aacute;rio-geral do Sutpla, Rodrigo D&iacute;az, em liberdade assistida desde abril. Atualmente, reclamam status sindical com apoio dos advogados da CTA. Quando conseguirem, dever&atilde;o passar a cobrar uma cota, mas n&atilde;o &eacute; um assunto importante para a organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A consolida&ccedil;&atilde;o do sindicato entusiasma D&iacute;az, que esteve preso em diversas oportunidades. &quot;No total, 12 anos, em diferentes pris&otilde;es&quot;, contou. Come&ccedil;ou a estudar direito ainda preso e agora continua o curso em liberdade, faltando um ano para se formar. Seus estudos e sua passagem por diversas pris&otilde;es lhe permitiram conhecer melhor os direitos trabalhistas dos presos, que nem sempre s&atilde;o cumpridos. &quot;A l&oacute;gica do servi&ccedil;o penitenci&aacute;rio n&atilde;o &eacute; a de outorgar um direito, mas um benef&iacute;cio&quot;, argumentou.<\/p>\n<p>Atualmente, 64% dos quase dez mil detentos a cargo do Servi&ccedil;o Penitenci&aacute;rio Federal (SPF) trabalham, sob a &oacute;rbita da administra&ccedil;&atilde;o nacional. Outras 49 mil pessoas est&atilde;o presas em recintos dependentes dos governos provinciais, onde as porcentagens dos que realizam tarefas variam. A Lei de Execu&ccedil;&atilde;o da Pena Privativa da Liberdade, profundamente reformada em 2012, estabelece que os detentos t&ecirc;m direito a trabalhar e estudar, como parte de sua reabilita&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m fixa que seu trabalho &quot;deve ser remunerado&quot;.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a estabeleceu que os presos e as presas recebam o sal&aacute;rio m&iacute;nimo em vigor no pa&iacute;s, equivalente a US$ 553 mensais, com independ&ecirc;ncia do hor&aacute;rio que cumpram. Contudo, na pr&aacute;tica, a maioria dos reclusos que trabalham recebem uma quantia muito menor, pois o SPF realiza uma s&eacute;rie de pol&ecirc;micos descontos. &quot;Algu&eacute;m est&aacute; ficando com a diferen&ccedil;a e &eacute; prov&aacute;vel que seja o Encope&quot;, denunciou D&iacute;az.<\/p>\n<p>O Encope (Ente de Coopera&ccedil;&atilde;o T&eacute;cnica e Financeira do Servi&ccedil;o Penitenci&aacute;rio) &quot;n&atilde;o cumpre as fun&ccedil;&otilde;es para as quais foi criado. Simula uma legalidade que n&atilde;o tem e eles mesmos se fiscalizam&quot;, denunciou o sindicalista. O diretor do SPF, V&iacute;ctor Hortel, admitiu que no passado houve irregularidades nos descontos feitos para um fundo de reserva para quando o preso ficasse em liberdade. Mas descartou que essas pr&aacute;ticas continuem agora &eacute; h&aacute; maior controle por parte de &oacute;rg&atilde;os anticorrup&ccedil;&atilde;o sobre o processo.<\/p>\n<p>Com assist&ecirc;ncia dos advogados da CTA, o sindicato apresentou v&aacute;rios recursos legais contra os descontos aos trabalhadores encarcerados, com exce&ccedil;&atilde;o das reten&ccedil;&otilde;es para sua futura aposentadoria. Al&eacute;m disso, este ano a luta contra os descontos e outras reivindica&ccedil;&otilde;es trabalhistas levou os filiados do Sutpla &agrave; sua primeira greve, de 72 horas. O sindicato tamb&eacute;m pede a entrega de roupa e cal&ccedil;ado adequado para a higiene e seguran&ccedil;a dos trabalhadores, sobretudo quando manipulam res&iacute;duos ou bens que possam contaminar.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, D&iacute;az se reuniu com autoridades da seguran&ccedil;a social para conseguir que os rec&eacute;m-libertados possam receber um seguro-desemprego por seis meses como qualquer trabalhador demitido. Ele mesmo, que recebia um sal&aacute;rio at&eacute; abril por seu trabalho no Pres&iacute;dio de Devoto, ficou sem renda t&atilde;o logo conseguiu a liberdade, seis meses antes de completar sua pena.<\/p>\n<p>D&iacute;az acrescentou que a pior situa&ccedil;&atilde;o ocorre nas pris&otilde;es que dependem dos governos provinciais. &quot;Na Unidade N&ordm; 1 de Olmos (prov&iacute;ncia de Buenos Aires), os internos recebem como pagamento dois cart&otilde;es de telefone por m&ecirc;s&quot;, afirmou, explicando que em algumas pris&otilde;es o trabalho dos presos &eacute; trocado por benef&iacute;cios como permiss&atilde;o para visitas em dias de semana. N&atilde;o o consideram parte do tratamento, nem um direito, e tampouco que seja remunerado.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o se transmite aos internos a ideia de que com o trabalho podem aprender um of&iacute;cio e ajudar suas fam&iacute;lias. Por isso h&aacute; tanta reincid&ecirc;ncia&quot;, opinou D&iacute;az. Diante desse cen&aacute;rio, o Sutpla prop&otilde;e refor&ccedil;ar a atividade sindical no Pres&iacute;dio de Devoto onde nasceu a organiza&ccedil;&atilde;o, e depois estender esses direitos para as demais pris&otilde;es masculinas e femininas.<\/p>\n<p>As atividades trabalhistas nas pris&otilde;es s&atilde;o muito diversas. H&aacute; oficinas de produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria (hortas, viveiros, produ&ccedil;&atilde;o de forragens, leiteria) e industrial (gr&aacute;fica, artigos esportivos, bicicletas, bolsas, m&oacute;veis), al&eacute;m de poderem trabalhar em atividades pr&oacute;prias da pris&atilde;o como no servi&ccedil;o de limpeza, onde trabalha Moreno, que recebe US$ 385 l&iacute;quidos mensais.<\/p>\n<p>&quot;Trabalho para meus filhos&quot;, afirmou Moreno. Tem quatro, de 13, 11, sete e um ano. &quot;Para mim, o que fa&ccedil;o &eacute; estudar. Isso me dar&aacute; uma ferramenta para quando sair&quot;, enfatizou Moreno, &agrave; espera de um tr&acirc;mite que pode reduzir sua longa condena&ccedil;&atilde;o. &quot;O estudo me desliga da vida aqui dentro&quot;, confessou. N&atilde;o &eacute; a primeira vez que fica sem liberdade. Em outra ocasi&atilde;o em que esteve preso conseguiu terminar os estudos secund&aacute;rios. &quot;Quando estava fora n&atilde;o tive oportunidade&quot;, lamentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 06\/06\/2013 &ndash; Na Argentina, pa&iacute;s de grande tradi&ccedil;&atilde;o sindical, se consolida uma experi&ecirc;ncia in&eacute;dita: uma organiza&ccedil;&atilde;o que defende os direitos trabalhistas de um coletivo especialmente vulner&aacute;vel, o das pessoas processadas ou condenadas na pris&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/cresce-o-primeiro-sindicato-de-presos-da-argentina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,5],"tags":[],"class_list":["post-12003","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12003"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12003\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}