{"id":12011,"date":"2013-06-07T09:49:52","date_gmt":"2013-06-07T09:49:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12011"},"modified":"2013-06-07T09:49:52","modified_gmt":"2013-06-07T09:49:52","slug":"educao-sexual-busca-romper-tabus-no-sul-em-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/saude\/educao-sexual-busca-romper-tabus-no-sul-em-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Educa&ccedil;&atilde;o sexual busca romper tabus no Sul em desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Kuala Lumpur, Mal&aacute;sia, 07\/06\/2013 &ndash; A jornalista liberiana Mae Azango contou que durante um ano &quot;viveu como morcego, indo de uma &aacute;rvore a outra&quot; junto com sua filha, para escapar dos fan&aacute;ticos religiosos que a amea&ccedil;aram de morte por denunciar a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina em seu pa&iacute;s.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12011\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/tabus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12011\" class=\"size-medium wp-image-12011\" title=\"Na confer&ecirc;ncia Women Deliver, de Kuala Lumpur, na Mal&aacute;sia, as participantes compartilharam estrat&eacute;gias para romper os tabus religiosos em mat&eacute;ria de direitos sexuais e reprodutivos - Stella Paul\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/tabus.jpg\" alt=\"Na confer&ecirc;ncia Women Deliver, de Kuala Lumpur, na Mal&aacute;sia, as participantes compartilharam estrat&eacute;gias para romper os tabus religiosos em mat&eacute;ria de direitos sexuais e reprodutivos - Stella Paul\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12011\" class=\"wp-caption-text\">Na confer&ecirc;ncia Women Deliver, de Kuala Lumpur, na Mal&aacute;sia, as participantes compartilharam estrat&eacute;gias para romper os tabus religiosos em mat&eacute;ria de direitos sexuais e reprodutivos - Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>  Esta jornalista da FrontPage Africa contou &agrave; IPS que o governo da Lib&eacute;ria assinou em 2012 um tratado garantindo o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o para seus cidad&atilde;os, mas continua escondendo dados sobre os direitos vinculados &agrave; sa&uacute;de sexual e reprodutiva.<\/p>\n<p>&quot;Com cada artigo que escrevo, estou em risco&quot;, afirmou Azango, acrescentando que depende totalmente de &quot;fontes secretas&quot; dentro do governo para obter informa&ccedil;&atilde;o, pois &eacute; muito pouco o que se leva at&eacute; a opini&atilde;o p&uacute;blica. Seus problemas repercutiram entre mulheres e especialistas em direitos de sa&uacute;de, que se reuniram nesta cidade, capital da Mal&aacute;sia, para a terceira confer&ecirc;ncia anual da Women Deliver (As Mulheres D&atilde;o Vida), realizada entre 28 e 30 de maio.<\/p>\n<p>Procedentes de diferentes pontos do planeta, as participantes n&atilde;o tiveram problemas para identificar os objetivos comuns: romper os tabus em mat&eacute;ria de educa&ccedil;&atilde;o sexual e criar um ambiente seguro para ativistas e profissionais da sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o, para gerar consci&ecirc;ncia sobre planejamento familiar e rela&ccedil;&otilde;es sexuais seguras.<\/p>\n<p>No Marrocos, pa&iacute;s de 32 milh&otilde;es de habitantes, &eacute; proibida a educa&ccedil;&atilde;o sexual nas escolas porque os legisladores acreditam que se trata de um &quot;conceito negativo, destinado a promover a promiscuidade&quot;, afirmou &agrave; IPS a ativista Amina Lemrini. As melhorias nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de sexual nesse pa&iacute;s s&atilde;o lentas por causa dos tabus que as autoridades religiosas buscam preservar, destacou.<\/p>\n<p>Com um governo que n&atilde;o est&aacute; disposto a desafiar os cl&eacute;rigos, o trabalho de fornecer servi&ccedil;os de sa&uacute;de recai totalmente sobre a sociedade civil e, por fim, tamb&eacute;m as amea&ccedil;as. Lemrini disse que n&atilde;o conhece nenhum defensor de direitos de sa&uacute;de reprodutiva que n&atilde;o tenha sofrido uma amea&ccedil;a, mas o governo n&atilde;o lhes d&aacute; nenhuma prote&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Entre os especialistas que reconhecem o perigo est&aacute; o diretor-executivo do Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, que disse &agrave; IPS que o fundamentalismo religioso &quot;&eacute;, certamente, uma preocupa&ccedil;&atilde;o&quot;, no que diz respeito aos avan&ccedil;os em mat&eacute;ria de sa&uacute;de sexual. Contudo, ainda assim, pede que os ativistas continuem com seu trabalho. &quot;O fundamentalismo existe em todas as sociedades e em todas as religi&otilde;es, o que importa &eacute; como comunicamos nossa mensagem&quot;, afirmou, destacando que quanto mais gente conhecer seus direitos e op&ccedil;&otilde;es, menos duvidar&atilde;o em desafiar as leis e os chamados &quot;tabus culturais&quot;.<\/p>\n<p>Uma r&aacute;pida passagem pelas estat&iacute;sticas mundiais basta para confirmar a necessidade de melhorar as comunica&ccedil;&otilde;es. Segundo o UNFPA, quase 800 mulheres morrem por dia por problemas relacionados com a gravidez. Em um ano, s&atilde;o 350 mil mortes, 99% das quais vivem nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Os abortos seletivos em fun&ccedil;&atilde;o do sexo e o descuido que sofrem as meninas rec&eacute;m-nascidas s&atilde;o respons&aacute;veis pela &quot;falta&quot; de 134 milh&otilde;es de mulheres no mundo.<\/p>\n<p>O UNFPA estima que &quot;milh&otilde;es de adolescentes&quot; mant&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es sexuais inseguras e carecem de informa&ccedil;&atilde;o sobre anticoncepcionais. Osotimehin disse que &quot;33% das adolescentes entre 15 e 19 anos n&atilde;o contam com informa&ccedil;&atilde;o sobre planejamento familiar na Eti&oacute;pia, 38% na Bol&iacute;via, 42% no Nepal, 52% no Haiti e 62% em Gana&quot;.<\/p>\n<p>Nyradzayi Gumbonzvanda, diretora da Associa&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; de Mulheres Jovens, disse &agrave; IPS que n&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o renunciar &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es sobre direitos e sa&uacute;de sexual e reprodutiva. &quot;Precisamos de um ambiente operacional para os que discutem estes temas&quot;, afirmou. &quot;&Eacute; preciso proteger a imprensa, n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de op&ccedil;&atilde;o. Os governos devem ampliar a coopera&ccedil;&atilde;o com a m&iacute;dia e oferecer apoio legal onde n&atilde;o existir&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Gumbonzvanda acredita que o jornalismo social &eacute; uma forma efetiva de mitigar os riscos que representam os fundamentalistas, n&atilde;o s&oacute; para amplificar as vozes que n&atilde;o s&atilde;o ouvidas, mas tamb&eacute;m para impulsionar a a&ccedil;&atilde;o da cidadania. No Egito, onde a popula&ccedil;&atilde;o enfrenta as pol&iacute;ticas conservadoras do bra&ccedil;o pol&iacute;tico governante da Irmandade Mu&ccedil;ulmana, uma rede de jornalistas se concentra em quest&otilde;es de sa&uacute;de sexual e reprodutiva, o que faz os isl&acirc;micos franzirem a sobrancelha.<\/p>\n<p>Ahmed Awadalla, respons&aacute;vel de viol&ecirc;ncia sexual e de g&ecirc;nero da Africa and Middle East Refugee Assistance (Amera), disse &agrave; IPS que toda pessoa que fala sobre este assunto corre risco de ser detida, assediada ou ir para a pris&atilde;o. Isso faz com que a cada dia haja mais blogueiros. As pessoas fogem para o ciberespa&ccedil;o em busca de f&oacute;runs seguros para compartilhar informa&ccedil;&atilde;o e ideias. &quot;Quando escrevo sobre os direitos sexuais das mulheres, violo duas normas&quot;, explicou. &quot;Primeiro por falar de um tema proibido e, segundo, por faz&ecirc;-lo sendo homem. N&atilde;o se entende que esteja do lado das mulheres&quot;, afirmou este jornalista que est&aacute; sob muita press&atilde;o mas que nada o convencer&aacute; a abandonar sua luta.<\/p>\n<p>Os governos da &Aacute;frica, Am&eacute;rica Latina e &Aacute;sia devem prestar contas aos doadores, disse Agnes Callamard, diretora-executiva da organiza&ccedil;&atilde;o Artigo 19, com sede em Londres, que defende a liberdade de express&atilde;o no mundo. &quot;Todos os governos se comprometeram a gastar certa quantia de dinheiro dos fundos de ajuda em sa&uacute;de sexual&quot;, observou. Pesquisar sobre o fluxo de dinheiro pode servir para pressionar os governos a melhorarem a difus&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na verdade,o Grupo de Informa&ccedil;&atilde;o em Reprodu&ccedil;&atilde;o Escolhida (Gire), com sede no M&eacute;xico, come&ccedil;ou a rastrear a ajuda destinada ao fornecimento de informa&ccedil;&atilde;o sobre sa&uacute;de sexual e reprodutiva em 2011. &quot;Descobrimos que faltava quase um milh&atilde;o de d&oacute;lares&quot;, informou Alma Luz Beltr&aacute;n y Puga, defensora de direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o da Gire. &quot;Iniciamos uma demanda contra o governo. Se for seguido o rastro desta forma em diferentes partes do mundo, poder&aacute; haver maior responsabilidade&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>Um estudo da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) indica que os pa&iacute;ses ricos doaram quase US$ 6,4 bilh&otilde;es para ajudar a fornecer acesso e informa&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria de sa&uacute;de reprodutiva nas na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kuala Lumpur, Mal&aacute;sia, 07\/06\/2013 &ndash; A jornalista liberiana Mae Azango contou que durante um ano &quot;viveu como morcego, indo de uma &aacute;rvore a outra&quot; junto com sua filha, para escapar dos fan&aacute;ticos religiosos que a amea&ccedil;aram de morte por denunciar a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina em seu pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/saude\/educao-sexual-busca-romper-tabus-no-sul-em-desenvolvimento\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1384,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,7],"tags":[17,20],"class_list":["post-12011","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-saude","tag-asia-e-pacifico","tag-educacion"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1384"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12011"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12011\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}