{"id":12016,"date":"2013-06-10T10:19:08","date_gmt":"2013-06-10T10:19:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12016"},"modified":"2013-06-10T10:19:08","modified_gmt":"2013-06-10T10:19:08","slug":"toque-de-recolher-atemoriza-civis-do-norte-da-nigria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/africa\/toque-de-recolher-atemoriza-civis-do-norte-da-nigria\/","title":{"rendered":"Toque de recolher atemoriza civis do norte da Nig&eacute;ria"},"content":{"rendered":"<p>Lagos, Nig&eacute;ria, 10\/06\/2013 &ndash; Os habitantes dos tr&ecirc;s Estados do norte da Nig&eacute;ria onde vigora o toque de recolher vivem atemorizados pelas invas&otilde;es casa por casa que fazem os militares em busca de terroristas, bem como pelo aumento de pre&ccedil;os.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12016\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/nigeria_ch.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12016\" class=\"size-medium wp-image-12016\" title=\"O atentado contra um edif\u00c3\u00adcio da ONU em Abuja, capital da Nig&eacute;ria, deixou 23 mortos e 81 feridos no dia 26 de agosto de 2011. - Chris Ewokor\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/nigeria_ch.jpg\" alt=\"O atentado contra um edif\u00c3\u00adcio da ONU em Abuja, capital da Nig&eacute;ria, deixou 23 mortos e 81 feridos no dia 26 de agosto de 2011. - Chris Ewokor\/IPS\" width=\"200\" height=\"129\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12016\" class=\"wp-caption-text\">O atentado contra um edif\u00c3\u00adcio da ONU em Abuja, capital da Nig&eacute;ria, deixou 23 mortos e 81 feridos no dia 26 de agosto de 2011. - Chris Ewokor\/IPS<\/p><\/div>  A For&ccedil;a-Tarefa conjunta opera nos Estados de Borno, Yobe e Adamawa, desde que o presidente Goodluck Jonathan os colocou em estado de emerg&ecirc;ncia no dia 14 de maio.<\/p>\n<p>A medida foi tomada devido &agrave; presen&ccedil;a de organiza&ccedil;&otilde;es terroristas, entre elas a Boko Haram, de tend&ecirc;ncia isl&acirc;mica, que invadiram algumas cidades da regi&atilde;o, onde em seguida retiraram bandeiras nacionais e i&ccedil;aram as suas. A subdiretora de programa para a &Aacute;frica da Anistia Internacional, Lucy Freeman, disse &agrave; IPS que, al&eacute;m do medo dos ataques da Boko Haram, a popula&ccedil;&atilde;o dos Estados afetados sofre viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos por parte das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, que est&atilde;o ali para lhes dar prote&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Nas &uacute;ltimas semanas, residentes de Borno disseram &agrave; Anistia que aumentaram as deten&ccedil;&otilde;es em massa na cidade de Maiduguri. Muita gente abandonou suas casas e algumas &aacute;reas se converteram em &#39;povoados fantasmas&#39;. As escolas p&uacute;blicas fecharam porque os pais t&ecirc;m muito medo de mandar seus filhos estudarem&quot;, contou Freeman. A Boko Haram (&quot;educa&ccedil;&atilde;o ocidental &eacute; pecado&quot;, em &aacute;rabe) luta por um Estado independente no norte da Nig&eacute;ria, onde imporia a shari&aacute; (lei isl&acirc;mica).<\/p>\n<p>Segundo informe da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch, de 2012, o grupo matou quase tr&ecirc;s mil pessoas desde 2009. O &uacute;ltimo ataque foi no dia 7 de maio, na cidade de Bama, e deixou 55 mortos. Freeman tamb&eacute;m denunciou que as investiga&ccedil;&otilde;es da Anistia mostram que os presos n&atilde;o t&ecirc;m acesso ao mundo exterior, n&atilde;o t&ecirc;m contato com advogados, familiares, nem tribunais, e carecem de prote&ccedil;&atilde;o legal.<\/p>\n<p>&quot;Os suspeitos ou acusados de integrar a Boko Haram n&atilde;o costumam receber explica&ccedil;&otilde;es do motivo de serem detidos, suas fam&iacute;lias ignoram seus paradeiros e, em geral, n&atilde;o t&ecirc;m direito de falar com um advogado&quot;, afirmou Freeman. &quot;Os detidos sob a acusa&ccedil;&atilde;o de integrar a Boko Haram, responsabilizados por algum delito ou que foram levados a um tribunal desde 2009, em pouqu&iacute;ssimos casos tiveram um processo judicial. A maioria permanece na pris&atilde;o esperando julgamento&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Ali Sani fugiu de sua casa em Mubi, uma das maiores cidades do Estado de Adamawa, e agora vive em Kano, a maior do norte da Nig&eacute;ria. Sani, que se mant&eacute;m informada sobre o que ocorre em sua cidade, disse &agrave; IPS que o toque de recolher, que vigora desde o anoitecer at&eacute; o amanhecer, prejudica seriamente a atividade comercial. &quot;Um amigo, que veio de Mubi no final de semana, me contou que n&atilde;o havia combates l&aacute;, mas que o toque de recolher afeta o com&eacute;rcio e a liberdade de movimento. &Eacute; imposs&iacute;vel se comunicar porque os telefones foram cortados. Os agricultores n&atilde;o podem plantar porque t&ecirc;m medo e os pre&ccedil;os dispararam&quot;, detalhou Sani.<\/p>\n<p>O presidente justificou a medida como necess&aacute;ria, por causa da &uacute;ltima onda de atividades terroristas, que aumentava os desafios em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a no norte nigeriano. Al&eacute;m dos ataques de maio, um atentado suicida cometido em mar&ccedil;o custou a vida de 41 pessoas, enquanto no m&ecirc;s seguinte um confronto entre combatentes da Boko Haram e o ex&eacute;rcito deixou 187 mortos e 77 feridos.<\/p>\n<p>Um editor do Estado de Kaduna, que pediu para ser identificado como Rahman, disse &agrave; IPS que desde a declara&ccedil;&atilde;o do estado de emerg&ecirc;ncia foram cortadas as comunica&ccedil;&otilde;es com Borno, Yobe e Adamawa. &quot;Creio que &eacute; uma medida deliberada para bloquear as comunica&ccedil;&otilde;es entre os membros da Boko Haram e impedir que usem celulares para detonar bombas&quot;, afirmou. &quot;Mas tamb&eacute;m afetou os usu&aacute;rios civis inocentes, que n&atilde;o podem receber, nem fazer, um telefonema de parentes ou amigos&quot;, explicou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Fredrick Fasehun, fundador da Oodua Peoples&#39; Congress (OPC), no sudoeste da Nig&eacute;ria, afirmou &agrave; IPS que as opera&ccedil;&otilde;es militares na regi&atilde;o afetada eram enormes no contexto de um estado de emerg&ecirc;ncia. A OPC &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o nacionalista armada do povo yoruba. &quot;Quando se declara o estado de emerg&ecirc;ncia em uma regi&atilde;o, as for&ccedil;as armadas t&ecirc;m o dever de manter a lei e a ordem, e sabe-se que os soldados o fazem pela for&ccedil;a&quot;, pontuou, em Lagos.<\/p>\n<p>Como fundador da OPC, Fasehun esteve detido v&aacute;rias vezes por liderar um grupo armado ilegal. Segundo o dirigente, devem ser feitos interrogat&oacute;rios adequados e libertar quem nada tem a ver com a insurg&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, opinou que os implicados em combates devem ser levados a um tribunal da jurisdi&ccedil;&atilde;o competente.<\/p>\n<p>O advogado e ativista pelos direitos humanos Femi Falana disse &agrave; imprensa em Lagos que &eacute; a favor do estado de emerg&ecirc;ncia nos tr&ecirc;s Estados onde foi decretado. Contudo, destacou que, diante dos incessantes ataques terroristas, sequestros, roubos a m&atilde;o armada e crimes violentos no pa&iacute;s, o governo deve deixar de falar que existe seguran&ccedil;a pessoal e da propriedade no pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, exortou Jonathan a agir dentro da Constitui&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o dissolver as estruturas democr&aacute;ticas nos Estados afetados pelo estado de emerg&ecirc;ncia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lagos, Nig&eacute;ria, 10\/06\/2013 &ndash; Os habitantes dos tr&ecirc;s Estados do norte da Nig&eacute;ria onde vigora o toque de recolher vivem atemorizados pelas invas&otilde;es casa por casa que fazem os militares em busca de terroristas, bem como pelo aumento de pre&ccedil;os. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/africa\/toque-de-recolher-atemoriza-civis-do-norte-da-nigria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":206,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-12016","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12016","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/206"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12016"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12016\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}