{"id":12018,"date":"2013-06-10T10:21:48","date_gmt":"2013-06-10T10:21:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12018"},"modified":"2013-06-10T10:21:48","modified_gmt":"2013-06-10T10:21:48","slug":"a-marca-indelvel-da-guerra-dos-seis-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/direitos-humanos\/a-marca-indelvel-da-guerra-dos-seis-dias\/","title":{"rendered":"A marca indel&eacute;vel da Guerra dos Seis Dias"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 10\/06\/2013 &ndash; Majda El Batsch tinha oito anos em junho de 1967 quando ficou sabendo da Guerra dos Seis Dias. &quot;N&atilde;o sabia o que significava guerra&quot;, recordou.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12018\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Majda.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12018\" class=\"size-medium wp-image-12018\" title=\"Majda el-Batsch no terra&ccedil;o de sua casa, de onde se pode ver a C&uacute;pula da Rocha. - Pierre Klochendler\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Majda.png\" alt=\"Majda el-Batsch no terra&ccedil;o de sua casa, de onde se pode ver a C&uacute;pula da Rocha. - Pierre Klochendler\/IPS\" width=\"200\" height=\"109\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12018\" class=\"wp-caption-text\">Majda el-Batsch no terra&ccedil;o de sua casa, de onde se pode ver a C&uacute;pula da Rocha. - Pierre Klochendler\/IPS<\/p><\/div>  Mais de quatro d&eacute;cadas depois, esta palestina, agora jornalista, ainda tenta decifrar o significado do conflito. O israelense Yaki Chetz tem 68 anos, mas de certa forma continua sendo aquele paraquedista que lutou na guerra. O veterano realiza diante da IPS uma demonstra&ccedil;&atilde;o de uma situa&ccedil;&atilde;o de combate corpo a corpo.<\/p>\n<p>Chetz e Batsch n&atilde;o se conhecem. O primeiro lutou na guerra, enquanto a segunda cresceu com ela. Ambos s&atilde;o claros exemplos de como o conflito b&eacute;lico deixou marcas indel&eacute;veis em israelenses, palestinos e inclusive em outros povos da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>No dia 5 de junho de 1967 Israel lan&ccedil;ou uma guerra preventiva contra ex&eacute;rcitos &aacute;rabes que haviam se reunido em suas fronteiras. Em apenas seis dias os israelenses tomaram Jerusal&eacute;m oriental, Cisjord&acirc;nia, Faixa de Gaza (se retirou unilateralmente deste &uacute;ltimo territ&oacute;rio em 2005), o Deserto do Sinai (que devolveu ao Egito pelo acordo de paz de 1979) e as Montanhas de Gol&atilde;, na S&iacute;ria.<\/p>\n<p>&quot;N&oacute;s ouv&iacute;amos o r&aacute;dio. Os homens pintavam as janelas e as mulheres faziam p&atilde;o&quot;, contou Batsch. Do terra&ccedil;o da casa de sua fam&iacute;lia, no bairro mu&ccedil;ulmano da amurada Velha Cidade, se tem uma vista panor&acirc;mica, que revela o intrincado do conflito. Desse ponto pode-se ver in&uacute;meras bandeiras israelenses, a mesquita de Al Aqsa, sagrada para os mu&ccedil;ulmanos, a C&uacute;pula da Rocha, local venerado por seguidores de Maom&eacute; e por judeus, e o Muro das Lamenta&ccedil;&otilde;es, vest&iacute;gio do antigo Templo de Jerusal&eacute;m.<\/p>\n<p>Batsch n&atilde;o pode escapar nem de sua hist&oacute;ria nem de suas lembran&ccedil;as. Ainda mant&eacute;m vivas na mem&oacute;ria v&aacute;rias passagens engra&ccedil;adas, como aquele esperan&ccedil;oso boato que percorreu a Cidade Velha no come&ccedil;o da guerra. &quot;O ex&eacute;rcito do Iraque chegou para nos salvar&quot;, diziam na &eacute;poca, equivocados, os palestinos. Chetz &eacute; mais frio. &quot;As pessoas religiosas t&ecirc;m sentimentos por Jerusal&eacute;m, mas, para n&oacute;s, os soldados, &eacute; apenas uma cidade fronteiri&ccedil;a&quot;, afirmou. Chetz 271&#215;300 A marca indel&eacute;vel da Guerra dos Seis Dias<\/p>\n<p>Depois da guerra de independ&ecirc;ncia de Israel, em 1948, Jerusal&eacute;m oriental foi conquistada e anexada pelo Reino Hachemita da Jord&acirc;nia. O nascente Estado judeu estabeleceu sua capital no setor ocidental da cidade, situa&ccedil;&atilde;o que se manteve por duas d&eacute;cadas. Contudo, em 6 de junho de 1967, um batalh&atilde;o de paraquedistas israelenses recebeu a miss&atilde;o de tomar o controle de uma pequena colina estrat&eacute;gica que dominava a terra de ningu&eacute;m que dividia Jerusal&eacute;m em duas. &quot;A miss&atilde;o era a Colina da Muni&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o Jerusal&eacute;m, nem a Cidade Velha&quot;, destacou Chetz.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s cinco horas de combate corpo a corpo, 105 jordanianos e 35 israelenses estavam mortos, 18 deles do grupo de Chetz. &quot;Tinha muito medo&quot;, reconheceu. &quot;Eu pensei: me restam apenas cinco metros para me salvar. Era pura sobreviv&ecirc;ncia. Morreram tantos soldados, tantos amigos. Me sentia desesperado. N&atilde;o pensava em Jerusal&eacute;m&quot;, detalhou. Como um dos &uacute;ltimos sobreviventes do batalh&atilde;o, Chetz se converteu em um her&oacute;i acidental da batalha que selou o destino de Jerusal&eacute;m.<\/p>\n<p>Quando os paraquedistas entraram na Cidade Velha, as defesas jordanianas de Jerusal&eacute;m oriental j&aacute; estavam vulner&aacute;veis, e por isso houve poucos combates. &quot;Entramos sem dar um &uacute;nico tiro&quot;, recordou. Os palestinos estavam t&atilde;o confiantes na vit&oacute;ria, que a derrota foi um duro golpe. &quot;Lembro que minha irm&atilde; mais velha me dizia ter visto um soldado israelense, e os vizinhos a acusavam de mentir&quot;, contou Batsch. Os palestinos &quot;haviam escutado o presidente eg&iacute;pcio Gamal Abdel Nasser preparando-os para uma vit&oacute;ria. N&atilde;o podiam aceitar ser derrotados duas vezes: a cat&aacute;strofe de 1948 e novamente em 1967&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Por outro lado, a certeza da derrota era t&atilde;o grande entre os israelenses que o triunfo militar causou uma euforia nacional, exceto em muitos soldados. &quot;Fomos rezar no Muro das Lamenta&ccedil;&otilde;es, mas, na verdade, me sentia muito mal&quot;, disse Chetz. &quot;As pessoas estavam impactadas. Os israelenses estavam &eacute;brios da vit&oacute;ria, exibindo seus tanques e avi&otilde;es&quot;, pontuou Batsch.<\/p>\n<p>Duas gera&ccedil;&otilde;es mais tarde, crian&ccedil;as israelenses de s&eacute;timo grau cantam um hino patri&oacute;tico que glorifica a abnega&ccedil;&atilde;o de Chetz e seus camaradas, enquanto o antigo campo de batalha na Colina da Muni&ccedil;&atilde;o se converteu em santu&aacute;rio visitado por estudantes e recrutas. Chetz det&eacute;m um grupo de soldados e lhes pergunta: &quot;O que significa Jerusal&eacute;m para voc&ecirc;s?&quot;, e eles respondem em un&iacute;ssono: &quot;Alabada seas, Jerusal&eacute;m, capital de Israel por toda uma eternidade. N&oacute;s, povo de Israel, te honramos&quot;. Chetz concluiu que &quot;eles lutar&atilde;o por Jerusal&eacute;m&quot;.<\/p>\n<p>Chetz e Batsch t&ecirc;m vidas e expectativas diferentes, mas com alguns pontos em comum. &quot;Os judeus podem celebrar suas tradi&ccedil;&otilde;es, mas n&oacute;s, crist&atilde;os e mu&ccedil;ulmanos, temos que pedir permiss&atilde;o para irmos aos nossos lugares de ora&ccedil;&atilde;o. Essa &eacute; a l&oacute;gica da ocupa&ccedil;&atilde;o&quot;, lamentou Batsch. Nem Chetz nem Batsch s&atilde;o religiosos praticantes, mas provavelmente coincidam em que o conflito palestino-israelense por Jerusal&eacute;m seja essencialmente nacionalista. Ambos desejam que a chamada solu&ccedil;&atilde;o dos dois Estados acabe com o conflito. Os dois querem a paz.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, as diferen&ccedil;as n&atilde;o desaparecem. Chetz destaca que &quot;h&aacute; tr&ecirc;s mil anos de hist&oacute;ria&quot; vinculados ao Muro das Lamenta&ccedil;&otilde;es, enquanto Batsch tem outra vis&atilde;o. &quot;Para mim n&atilde;o importa a hist&oacute;ria nem a mitologia. N&atilde;o se trata de quem viveu primeiro aqui, mas se posso viver com meus direitos em meu pr&oacute;prio Estado soberano&quot;, enfatizou. Por sua vez, Chetz disse que &quot;hoje, Jerusal&eacute;m est&aacute; unida e anexada, e essa &eacute; uma realidade&quot;. E Batsch afirmou: &quot;Os israelenses devem aprender com a hist&oacute;ria. Nenhum poder que domina outro dura para sempre&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 10\/06\/2013 &ndash; Majda El Batsch tinha oito anos em junho de 1967 quando ficou sabendo da Guerra dos Seis Dias. &quot;N&atilde;o sabia o que significava guerra&quot;, recordou. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/direitos-humanos\/a-marca-indelvel-da-guerra-dos-seis-dias\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":430,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-12018","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/430"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12018\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}