{"id":12030,"date":"2013-06-11T10:26:38","date_gmt":"2013-06-11T10:26:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12030"},"modified":"2013-06-11T10:26:38","modified_gmt":"2013-06-11T10:26:38","slug":"coluna-a-expanso-monetria-do-g4-impacta-os-pases-emergentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/economia\/coluna-a-expanso-monetria-do-g4-impacta-os-pases-emergentes\/","title":{"rendered":"COLUNA: A expans&atilde;o monet&aacute;ria do G4 impacta os pa&iacute;ses emergentes"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 11\/06\/2013 &ndash; A economia mundial transborda de liquidez ap&oacute;s as sucessivas manobras de expans&atilde;o monet&aacute;ria adotadas nos &uacute;ltimos anos pelas quatro economias mais avan&ccedil;adas &#8211; Estados Unidos, Uni&atilde;o Europeia, Jap&atilde;o e Gr&atilde;-Bretanha -, o Grupo dos Quatro (G4). <!--more--> Quando a pol&iacute;tica de taxas de juros em n&iacute;vel zero n&atilde;o basta para estimular suas economias, os bancos centrais destes pa&iacute;ses compram ativos em grande escala, como t&iacute;tulos de d&iacute;vida ou obriga&ccedil;&otilde;es hipotec&aacute;rias garantidas, a fim de injetar liquidez no sistema banc&aacute;rio.<\/p>\n<p>O objetivo &eacute; estender cr&eacute;ditos para empresas e ind&uacute;strias, e incentivar o consumo.<\/p>\n<p>Imediatamente depois da crise financeira e econ&ocirc;mica mundial de 2008, diante do risco de colapso financeiro, tanto as economias avan&ccedil;adas como as emergentes adotaram pol&iacute;ticas de est&iacute;mulo para reavivar a demanda, sustentar o interc&acirc;mbio comercial e combater a paralisia.<\/p>\n<p>Durante a fase recessiva de 2008-2009, a expans&atilde;o monet&aacute;ria desempenhou um papel importante no manejo da crise, ajudando economias avan&ccedil;adas e emergentes por igual.<\/p>\n<p>Entretanto, embora as economias emergentes tenham contornado a crise e retomado o crescimento, o G4 continua paralisado, com seus mercados deprimidos e elevado desemprego. Esta situa&ccedil;&atilde;o os levou a persistir com doses ainda maiores de expans&atilde;o monet&aacute;ria, com o objetivo de reanimar a circula&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito e incentivar a demanda.<\/p>\n<p>Antes da crise, os b&ocirc;nus do Tesouro dos Estados Unidos somava entre US$ 700 bilh&otilde;es e US$ 800 bilh&otilde;es. Atualmente chegam a mais de US$ 2 trilh&otilde;es. Mediante a terceira rodada de expans&atilde;o monet&aacute;ria, iniciada em setembro de 2012, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos se comprometeu a adquirir US$ 40 bilh&otilde;es mensais de obriga&ccedil;&otilde;es hipotec&aacute;rias garantidas, enquanto o desemprego se mantiver acima de 6,5%.<\/p>\n<p>O Banco Central Europeu injetou US$ 637 bilh&otilde;es para dar liquidez &agrave; zona do euro, e a expans&atilde;o monet&aacute;ria na Gr&atilde;-Bretanha &eacute; calculada em US$ 572 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Recentemente, o Banco do Jap&atilde;o iniciou uma manobra expansiva de US$ 1,4 trilh&atilde;o ao longo de dois anos, para superar a depressiva defla&ccedil;&atilde;o atual e alcan&ccedil;ar a meta de 2% de infla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nestes anos, o balan&ccedil;o dos bancos centrais do G4 aumentaram, de 11% a 12% do produto interno bruto desses pa&iacute;ses para o atual n&iacute;vel sem precedentes de 23%. Em valores monet&aacute;rios, passou-se de US$ 3,5 trilh&otilde;es, em 2007, para US$ 9 trilh&otilde;es atuais.<\/p>\n<p>Como a taxa de juros no G4 est&aacute; em n&iacute;vel zero e, n&atilde;o obstante, suas economias permanecerem paralisadas, &eacute; inevit&aacute;vel que ingentes capitais fluam do grupo para economias emergentes ou em desenvolvimento, em busca de retornos mais altos. Estima-se que cerca de 40% do aumento da base monet&aacute;ria dos Estados Unidos na primeira fase de expans&atilde;o monet&aacute;ria seguiram esse caminho, enquanto na segunda fase o fluxo &eacute; estimado em aproximadamente um ter&ccedil;o.<\/p>\n<p>Estes ingentes deslocamentos de capitais t&ecirc;m um impacto importante sobre as economias emergentes e em desenvolvimento. As corpora&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m acesso a cr&eacute;dito de baixo custo est&atilde;o contraindo elevado endividamento e aumentando sua exposi&ccedil;&atilde;o em moedas estrangeiras. Desta forma, resultam cada vez mais vulner&aacute;veis diante de futuros aumentos das taxas de juros e das paridades cambiais nos pa&iacute;ses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Por outro lado, a forte entrada de capitais especulativos nos pa&iacute;ses emergentes valoriza suas divisas, expande o cr&eacute;dito e causa press&otilde;es inflacion&aacute;rias.<\/p>\n<p>Estes capitais s&atilde;o em grande parte propensos a movimentos repentinos em busca de maiores rendimentos, e sua volatilidade implica um alto risco para as economias receptoras.<\/p>\n<p>A pol&iacute;tica monet&aacute;ria n&atilde;o convencional do G4 &eacute; criticada pelas na&ccedil;&otilde;es emergentes, inclu&iacute;do o grupo Brics (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul).<\/p>\n<p>A magnitude da expans&atilde;o monet&aacute;ria do G4 tem consequ&ecirc;ncias sobre a economia global, j&aacute; que suas moedas &#8211; que n&atilde;o s&atilde;o totalmente convers&iacute;veis &#8211; constituem os pilares do sistema financeiro mundial.<\/p>\n<p>O d&oacute;lar norte-americano &eacute; a principal moeda de reserva mundial e, junto com o euro, a libra brit&acirc;nica e o iene japon&ecirc;s, integra a cesta de divisas que o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) utiliza para a cota&ccedil;&atilde;o de sua pr&oacute;pria &quot;moeda sint&eacute;tica&quot;, os Direitos Especiais de Giro.<\/p>\n<p>Isto explica o papel determinante das moedas do G4 no mercado financeiro mundial e o impacto das expans&otilde;es monet&aacute;rias sobre as economias de nosso mundo globalizado e interconectado.<\/p>\n<p>Portanto, &eacute; necess&aacute;rio que o G4 atue com grande responsabilidade e trabalhe em conjunto com as economias emergentes para minimizar os efeitos adversos de suas pol&iacute;ticas de expans&atilde;o.<\/p>\n<p>Seria particularmente importante forjar um consenso sobre a preven&ccedil;&atilde;o da potencial crise financeira e as altera&ccedil;&otilde;es que pode infligir &agrave;s economias em desenvolvimento uma vez que cessem as expans&otilde;es monet&aacute;rias e aumentem as taxas de juros no G4.<\/p>\n<p>A retirada repentina de maci&ccedil;os fluxos de capitais &eacute; um cen&aacute;rio previs&iacute;vel que &eacute; preciso antecipar e controlar.<\/p>\n<p>A crise financeira asi&aacute;tica de 1997-1998 foi disparada, em parte, por uma precedente vers&atilde;o de expans&atilde;o monet&aacute;ria empreendida pelo Jap&atilde;o ap&oacute;s o estouro da bolha imobili&aacute;ria e da bolsa de valores no come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1990. Tamb&eacute;m nessa ocasi&atilde;o, a enorme inje&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimos a juros baixos provocou uma bolha financeira, press&otilde;es inflacion&aacute;rias e instabilidade monet&aacute;ria nas economias asi&aacute;ticas.<\/p>\n<p>Uma crise maior e mais profunda pode afetar as economias emergentes e em desenvolvimento se os sintomas de risco, que j&aacute; s&atilde;o evidentes, n&atilde;o forem enfrentados com pol&iacute;ticas coordenadas.<\/p>\n<p>O Grupo dos 20 deve considerar esta problem&aacute;tica como uma prioridade de sua agenda.<\/p>\n<p>* Shyam Saran, ex-secret&aacute;rio de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores da &Iacute;ndia, &eacute; presidente do Research and Information Systems for Developing Countries (RIS) e membro do Centre for Policy Research em Nova D&eacute;lhi. (IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 11\/06\/2013 &ndash; A economia mundial transborda de liquidez ap&oacute;s as sucessivas manobras de expans&atilde;o monet&aacute;ria adotadas nos &uacute;ltimos anos pelas quatro economias mais avan&ccedil;adas &#8211; Estados Unidos, Uni&atilde;o Europeia, Jap&atilde;o e Gr&atilde;-Bretanha -, o Grupo dos Quatro (G4). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/economia\/coluna-a-expanso-monetria-do-g4-impacta-os-pases-emergentes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1020,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,12,5,11],"tags":[14,17,18,21],"class_list":["post-12030","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-america-do-norte","tag-asia-e-pacifico","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12030","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1020"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12030"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12030\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}