{"id":12031,"date":"2013-06-11T10:29:11","date_gmt":"2013-06-11T10:29:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12031"},"modified":"2013-06-11T10:29:11","modified_gmt":"2013-06-11T10:29:11","slug":"as-mulheres-so-as-mais-afetadas-pelas-medidas-de-austeridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/mundo\/as-mulheres-so-as-mais-afetadas-pelas-medidas-de-austeridade\/","title":{"rendered":"As mulheres s&atilde;o as mais afetadas pelas medidas de austeridade"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 11\/06\/2013 &ndash; A propagada crise financeira na Europa e seu negativo impacto no Sul em desenvolvimento deram lugar a uma onda de severas medidas de austeridade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12031\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/John.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12031\" class=\"size-medium wp-image-12031\" title=\"&quot;A crise e as medidas de austeridade tiveram um impacto negativo na m&atilde;o de obra feminina&quot;\u009d, afirmou John Hendra. - UN Photo\/Paulo Filgueiras\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/John.jpg\" alt=\"&quot;A crise e as medidas de austeridade tiveram um impacto negativo na m&atilde;o de obra feminina&quot;\u009d, afirmou John Hendra. - UN Photo\/Paulo Filgueiras\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12031\" class=\"wp-caption-text\">&quot;A crise e as medidas de austeridade tiveram um impacto negativo na m&atilde;o de obra feminina&quot;\u009d, afirmou John Hendra. - UN Photo\/Paulo Filgueiras<\/p><\/div>  As principais v&iacute;timas? As mulheres. Pelo menos nove pa&iacute;ses europeus &#8211; B&eacute;lgica, Eslov&aacute;quia, Espanha, Gr&eacute;cia, Holanda, Irlanda, It&aacute;lia, Portugal e Rom&ecirc;nia &#8211; est&atilde;o reduzindo ou eliminando subs&iacute;dios. As medidas tamb&eacute;m incluem a redu&ccedil;&atilde;o ou limita&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios estatais, aumento dos impostos sobre consumo e reformas das aposentadorias, da assist&ecirc;ncia social, do sistema sanit&aacute;rio e do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o h&aacute; nenhuma d&uacute;vida de que os mais pobres e vulner&aacute;veis, cuja maioria &eacute; de mulheres, s&atilde;o os mais afetados pela austeridade&quot;, disse &agrave; IPS o subsecret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), John Hendra. Isto ocorre tanto em pa&iacute;ses em desenvolvimento como nos industrializados, destacou Hendra, que tamb&eacute;m &eacute; subdiretor-executivo para Pol&iacute;ticas e Programas da ONU Mulheres.<\/p>\n<p>As fam&iacute;lias mais pobres e vulner&aacute;veis j&aacute; est&atilde;o se ajustando &agrave;s sucessivas crises h&aacute; muitos anos, com aumento nos pre&ccedil;os dos alimentos e combust&iacute;veis, e, portanto, sua capacidade de resist&ecirc;ncia hoje &eacute; limitada, afirmou Hendra em entrevista &agrave; IPS. Hendra tamb&eacute;m foi representante do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em v&aacute;rios pa&iacute;ses, entre eles Let&ocirc;nia, Tanz&acirc;nia e Vietn&atilde;.<\/p>\n<p>Em agosto de 2012, segundo as &uacute;ltimas estat&iacute;sticas, o desemprego entre as mulheres era maior do que entre os homens em dez pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia: Eslov&aacute;quia, Eslov&ecirc;nia, Espanha, Fran&ccedil;a, Gr&eacute;cia, It&aacute;lia, Luxemburgo, Malta, Pol&ocirc;nia e Rep&uacute;blica Checa. Na Espanha e na Gr&eacute;cia, mais de um quarto da m&atilde;o de obra feminina estava sem emprego no ano passado. Al&eacute;m disso, a brecha salarial entre homens e mulheres aumentou em v&aacute;rios pa&iacute;ses, particularmente na Bulg&aacute;ria, Let&ocirc;nia e Rom&ecirc;nia.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT), a propor&ccedil;&atilde;o de mulheres em empregos vulner&aacute;veis &eacute; maior do que a dos homens em todo o mundo, e em algumas regi&otilde;es de maneira significativa. No norte da &Aacute;frica, por exemplo, 55% das mulheres, contra 32% dos homens, t&ecirc;m empregos vulner&aacute;veis. No Oriente M&eacute;dio, a propor&ccedil;&atilde;o chega a 42%, contra 27% para os homens, e na &Aacute;frica subsaariana &eacute; de 85% contra 70%.<\/p>\n<p>IPS: A crise financeira, propagada tanto no Norte industrial quanto no Sul em desenvolvimento, pode afetar alguns dos &ecirc;xitos alcan&ccedil;ados pelas mulheres na &uacute;ltima d&eacute;cada?<\/p>\n<p>JOHN HENDRA: Acredito que sim. Por exemplo, a crise e as medidas de austeridade tiveram um impacto negativo sobre a m&atilde;o de obra feminina. Na Europa, esta diminuiu. A taxa de desemprego &eacute; maior entre as mulheres do que entre os homens em muitos pa&iacute;ses, e a brecha salarial tamb&eacute;m aumentou. Em pa&iacute;ses em desenvolvimento a crise e as medidas de austeridade levaram muitas mulheres para o trabalho informal e vulner&aacute;vel. Como as mulheres, em geral, s&atilde;o empregadas com contratos fr&aacute;geis e n&atilde;o permanentes, s&atilde;o mais vulner&aacute;veis a serem demitidas em tempos de recess&atilde;o. Elas sofreram uma perda desproporcional de empregos durante a crise financeira asi&aacute;tica (1997-1998) e na crise mundial de 2008-2009. As medidas de austeridade tamb&eacute;m tiveram impacto negativo no progresso para uma distribui&ccedil;&atilde;o mais equitativa das tarefas de cuidados. Os cortes nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de e cuidados derivaram em uma nova privatiza&ccedil;&atilde;o e em um regresso &agrave;s regras de g&ecirc;nero tradicionais.<\/p>\n<p>IPS: E quanto &eacute; severo este rev&eacute;s para alcan&ccedil;ar os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM) referentes a empoderamento de g&ecirc;nero, sa&uacute;de materna e mortalidade infantil?<\/p>\n<p>JH: H&aacute; um risco real de que a austeridade reduza o progresso para os ODM. Como disse h&aacute; pouco a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;micos, as medidas provavelmente frear&atilde;o o crescimento e a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, exacerbando as desigualdades. Segundo o Overseas Development Institute e a Plan International, a queda de 1% no produto interno bruto aumenta a mortalidade infantil para 7,4 mortes para cada mil meninas nascidas vivas, contra 1,5 mortes para cada mil meninos nascidos vivos. As taxas de conclus&atilde;o do curso prim&aacute;rio caem durante a &eacute;poca de recess&atilde;o. Entre as meninas esse &iacute;ndice chega a 29% contra 22% dos meninos. Nas crises econ&ocirc;micas mais mulheres d&atilde;o &agrave; luz em casa no Sul em desenvolvimento, e sua situa&ccedil;&atilde;o nutricional e o n&uacute;mero de exames m&eacute;dicos pr&eacute; e p&oacute;s-natal diminui. Isto afeta significativamente o &ecirc;xito do Objetivos do Mil&ecirc;nio. A agenda de desenvolvimento da ONU para depois de 2015 pode ajudar a tratar a desigualdade, melhorar o respeito aos direitos humanos e garantir que todos os pa&iacute;ses se comprometam com a sustentabilidade, a igualdade e a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza. O mais importante &eacute; assegurar que a igualdade de g&ecirc;nero seja central em uma nova agenda de desenvolvimento, e que inclua uma meta espec&iacute;fica sobre o tema e o integre em todas as outras metas e outros objetivos. Tamb&eacute;m &eacute; fundamental seguir de perto o atual modelo de crescimento e as pol&iacute;ticas de austeridade. Creio que nas &uacute;ltimas semanas foi alcan&ccedil;ado um ponto de quebra no debate sobre as medidas de austeridade, quando o Fundo Monet&aacute;rio Internacional admitiu que o impacto recessivo destas foi mais grave do que se previa, e que foram identificados erros na informa&ccedil;&atilde;o e nas an&aacute;lises sobre a d&iacute;vida p&uacute;blica nas quais se apoiaram essas medidas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 11\/06\/2013 &ndash; A propagada crise financeira na Europa e seu negativo impacto no Sul em desenvolvimento deram lugar a uma onda de severas medidas de austeridade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/mundo\/as-mulheres-so-as-mais-afetadas-pelas-medidas-de-austeridade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,4,11,7],"tags":[20,21,24],"class_list":["post-12031","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-mundo","category-politica","category-saude","tag-educacion","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12031","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12031"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12031\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}