{"id":1204,"date":"2005-11-16T00:00:00","date_gmt":"2005-11-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1204"},"modified":"2005-11-16T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-16T00:00:00","slug":"cuba-computadores-e-internet-sim-mas-no-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/cuba-computadores-e-internet-sim-mas-no-em-casa\/","title":{"rendered":"Cuba: Computadores e Internet sim, mas n&atilde;o em casa"},"content":{"rendered":"<p>Havana, 16\/11\/2005 &ndash; Cuba mant&eacute;m uma pol&iacute;tica sobre inform&aacute;tica que prioriza o uso social das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e telecomunica&ccedil;&otilde;es, mas exclui o acesso privado a ferramentas como a Internet. &quot;Na medida em que nossas possibilidades forem maiores, novos espa&ccedil;os ser&atilde;o abertos&quot;, assegurou &agrave; IPS o ministro cubano de Inform&aacute;tica e Comunica&ccedil;&otilde;es, Ignacio Gonz&aacute;lez Planas, durante um f&oacute;rum sobre Internet organizado pela chancelaria. Planas, entretanto, n&atilde;o esclareceu se esses &quot;novos espa&ccedil;os&quot; implicar&atilde;o aberturas que permitam no futuro aos cidad&atilde;os deste pa&iacute;s o acesso &agrave; Internet a partir de contas pessoais habilitadas nos computadores de suas casas. Essa alternativa n&atilde;o parece figurar nos planos atuais, enfocados em desenvolver o uso social intensivo dos recursos de conex&atilde;o.<br \/> <!--more--> <br \/> De acordo com dados oficiais, Cuba contava, ao terminar o primeiro semestre deste ano, com 335 mil computadores, ou 2,98 para cada cem habitantes, enquanto em 2004 13 em cada mil cubanos tinham acesso &agrave; Internet. Todas as escolas, 93 das quais t&ecirc;m apenas um aluno, iniciaram o atual curso escolar com 46.290 computadores dispon&iacute;veis para seus estudantes de educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, secund&aacute;ria e pr&eacute;-escolar. Neste pa&iacute;s de educa&ccedil;&atilde;o universal e gratuita, todas as universidades est&atilde;o conectadas &agrave; Internet, bem como os centros cient&iacute;ficos e os meios estatais de comunica&ccedil;&atilde;o, entre outras institui&ccedil;&otilde;es. Entretanto, a compra ou importa&ccedil;&atilde;o de um computador est&aacute; sujeita a r&iacute;gidas regulamenta&ccedil;&otilde;es, o mesmo acontecendo com o acesso privado &agrave; Internet.<\/p>\n<p> &quot;Meu pai me trouxe os componentes de um computador do estrangeiro e n&oacute;s o montamos aqui. Depois consegui uma conta de e-mail&quot;, contou Mar&iacute;a del Carmen, economista de 26 anos que n&atilde;o quis dar o sobrenome. A jovem, que preferiu n&atilde;o explicar a origem de sua conta de correio eletr&ocirc;nico, afirmou que esta forma de se conectar &eacute; mais abundante do que aquelas que permitem navegar na rede, mas est&aacute; igualmente sujeita a restri&ccedil;&otilde;es no setor privado. &quot;No escrit&oacute;rio temos Internet e a&iacute; busco o que preciso para a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o que estou fazendo&quot;, disse. Comprar no mercado negro uma senha para navegar em casa lhe custaria cerca de US$ 40, com direito a aproximadamente tr&ecirc;s horas di&aacute;rias, algo proibitivo para seu bolso, explicou.<\/p>\n<p> O ministro Planas afirmou que as condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas do pa&iacute;s impedem um acesso maci&ccedil;o &agrave; Internet, de modo que se optou pelo uso social destes recursos, atrav&eacute;s de centros coletivos, institui&ccedil;&otilde;es, salas de navega&ccedil;&atilde;o, escolas, universidades e os chamados &quot;jovens clubes&quot; de computa&ccedil;&atilde;o, &quot;Sem d&uacute;vida, isto &eacute; mais efetivo e permite o acesso a mais cidad&atilde;os do que se coloc&aacute;ssemos conex&otilde;es em algumas casas, coisa que s&oacute; uma elite da popula&ccedil;&atilde;o poderia pagar e consumiria uma parte muito importante de nossa banda larga, por exemplo&quot;, disse o ministro. Por&eacute;m, as salas de navega&ccedil;&atilde;o s&atilde;o escassas, a maioria instalada nos hot&eacute;is para turistas, s&atilde;o pagas em pesos convers&iacute;veis (moeda local que circula em lugar do d&oacute;lar) e nem sempre permitem o acesso a cidad&atilde;os cubanos.<\/p>\n<p> A atual conex&atilde;o cubana &agrave; Internet n&atilde;o oferece a banda larga adequada para atender a demanda do pa&iacute;s, cujo &uacute;nica liga&ccedil;&atilde;o com a Internet &eacute; via sat&eacute;lite. Segundo especialistas, o problema se resolveria com a conex&atilde;o de um cabo de fibra &oacute;tica entre Cuba e o estado norte-americano da Fl&oacute;rida, mas as restri&ccedil;&otilde;es do embargo norte-americano contra esse pa&iacute;s impedem que isso seja feito. &quot;Se por dificuldades econ&ocirc;micas n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel que os cidad&atilde;os tenham acesso &agrave; Internet desde suas casas, deveriam ser estimuladas outras op&ccedil;&otilde;es como, por exemplo, disseminar os locais existentes e oferec&ecirc;-los a pre&ccedil;os moderados&quot;, disse &agrave; IPS o opositor Manuel Cuesta. Em sua opini&atilde;o, o lado econ&ocirc;mico &eacute; usado para &quot;mascarar&quot; as raz&otilde;es ideol&oacute;gicas. &quot;&Eacute; uma maneira de estender &agrave; tecnologia as limita&ccedil;&otilde;es das liberdades de express&atilde;o, que &eacute; um mal maior&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Cuesta &eacute; porta-voz da Arco Progressista, uma coaliz&atilde;o de grupos da dissid&ecirc;ncia moderada ligada &agrave; revista digital Consenso, que est&aacute; em sua segunda edi&ccedil;&atilde;o bimensal. &quot;Juntamos recursos para ter acesso &agrave; Internet. &Eacute; a &uacute;nica revista digital da oposi&ccedil;&atilde;o de Cuba&quot;, afirmou. O governo cubano considera &quot;mercen&aacute;rios a servi&ccedil;o do imp&eacute;rio&quot; todos os grupos dissidentes, alguns dos quais mant&ecirc;m p&aacute;ginas digitais contratadas em servidores de fora do pa&iacute;s. Cuba participar&aacute; da segunda fase da C&uacute;pula Mundial sobre a Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o, que acontecer&aacute; em T&uacute;nis entre esta quarta-feira at&eacute; a pr&oacute;xima sexta-feira, com uma delega&ccedil;&atilde;o de 20 pessoas encabe&ccedil;ada pelo ministro de Inform&aacute;tica e Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> Um dos assuntos que ser&atilde;o tratados nessa reuni&atilde;o &eacute; o do gerenciamento da Internet, isto &eacute;, a forma de administrar a rede mundial de computadores em seus aspectos t&eacute;cnicos e pol&iacute;ticos e na concess&atilde;o de nomes e n&uacute;meros de dom&iacute;nio. Governos de pa&iacute;ses em desenvolvimento e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil reclamam participa&ccedil;&atilde;o no gerenciamento da Internet, uma rede originalmente criada e desenvolvida nos Estados Unidos, cujo governo exerce certa hegemonia em sua administra&ccedil;&atilde;o. Havana aproveitar&aacute; o encontro para cobrar dos Estados Unidos o fim das transmiss&otilde;es &quot;ilegais&quot; de r&aacute;dio e televis&atilde;o para Cuba, que segundo as autoridades totalizam 2.425 horas semanais emitidas em 30 freq&uuml;&ecirc;ncias. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, 16\/11\/2005 &ndash; Cuba mant&eacute;m uma pol&iacute;tica sobre inform&aacute;tica que prioriza o uso social das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e telecomunica&ccedil;&otilde;es, mas exclui o acesso privado a ferramentas como a Internet. &quot;Na medida em que nossas possibilidades forem maiores, novos espa&ccedil;os ser&atilde;o abertos&quot;, assegurou &agrave; IPS o ministro cubano de Inform&aacute;tica e Comunica&ccedil;&otilde;es, Ignacio Gonz&aacute;lez Planas, durante um f&oacute;rum sobre Internet organizado pela chancelaria. Planas, entretanto, n&atilde;o esclareceu se esses &quot;novos espa&ccedil;os&quot; implicar&atilde;o aberturas que permitam no futuro aos cidad&atilde;os deste pa&iacute;s o acesso &agrave; Internet a partir de contas pessoais habilitadas nos computadores de suas casas. Essa alternativa n&atilde;o parece figurar nos planos atuais, enfocados em desenvolver o uso social intensivo dos recursos de conex&atilde;o.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/cuba-computadores-e-internet-sim-mas-no-em-casa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":171,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1204","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/171"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1204\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}