{"id":12042,"date":"2013-06-12T09:44:14","date_gmt":"2013-06-12T09:44:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12042"},"modified":"2013-06-12T09:44:14","modified_gmt":"2013-06-12T09:44:14","slug":"mulheres-indianas-podem-falar-de-sexo-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/direitos-humanos\/mulheres-indianas-podem-falar-de-sexo-na-internet\/","title":{"rendered":"Mulheres indianas podem falar de sexo&#8230; na internet"},"content":{"rendered":"<p>Kolkata, &Iacute;ndia, 12\/06\/2013 &ndash; Quando Rita Datta (nome fict&iacute;cio), de 30 anos, decidiu fazer um curso de alfabetiza&ccedil;&atilde;o inform&aacute;tica, adentrou em uma realidade virtual onde o maior tabu na &Iacute;ndia se transformou no mais simples e natural tema de conversa&ccedil;&atilde;o: o sexo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12042\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n84-300x198.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12042\" class=\"size-medium wp-image-12042\" title=\"As mulheres indianas agora podem falar sobre sexo na internet. - Zofeen Ebrahim\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n84-300x198.jpg\" alt=\"As mulheres indianas agora podem falar sobre sexo na internet. - Zofeen Ebrahim\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12042\" class=\"wp-caption-text\">As mulheres indianas agora podem falar sobre sexo na internet. - Zofeen Ebrahim\/IPS<\/p><\/div>  Datta, uma trabalhadora no servi&ccedil;o dom&eacute;stico no Estado indiano de Bengala Ocidental, contou que a internet a ajudou a encontrar resposta para perguntas que nunca se animara a fazer.<\/p>\n<p>No vasto e an&ocirc;nimo mundo do ciberespa&ccedil;o, Datta pode interagir com milhares de mulheres que, como ela, superam o estigma que neste pa&iacute;s cerca a sexualidade feminina. &quot;Agora posso falar das minhas necessidades, do meu corpo e de meus sentimentos como nunca antes&quot;, explicou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A &Iacute;ndia &eacute; o terceiro pa&iacute;s com mais usu&aacute;rios ativos da internet com 137 milh&otilde;es, atr&aacute;s de China e Estados Unidos, embora o alcance da rede continue sendo baixo. Mas isto est&aacute; mudando: enquanto os internautas urbanos constitu&iacute;am 77% do total h&aacute; uma d&eacute;cada, as &uacute;ltimas pesquisas mostram que hoje 34% moram em cidades com menos de 500 mil habitantes.<\/p>\n<p>Em um pa&iacute;s onde se calcula que a cada 28 minutos uma mulher &eacute; violada, e onde foram registradas mais de 50 mil viola&ccedil;&otilde;es de meninos e meninas entre 2001 e 2011, especialistas dizem que o sil&ecirc;ncio sobre os temas sexuais perpetua a viol&ecirc;ncia contra as mulheres, que n&atilde;o s&oacute; &eacute; tolerada como tamb&eacute;m estimulada. O uso da internet para romper este sil&ecirc;ncio poderia ter um impacto tang&iacute;vel no terreno, preveem.<\/p>\n<p>Em dezembro passado, a viola&ccedil;&atilde;o grupal de uma jovem estudante de medicina em um &ocirc;nibus andando em Nova D&eacute;lhi desatou uma onda de indigna&ccedil;&atilde;o nacional. Cada vez mais mulheres indianas usam os f&oacute;runs na internet para falar sobre viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, viola&ccedil;&otilde;es e a fortemente arraigada cultura patriarcal. Este interc&acirc;mbio &eacute; bem visto, especialmente por defensores da sa&uacute;de reprodutiva feminina, que lutam por mudar o fato de que 22% das meninas indianas s&atilde;o m&atilde;es antes de completarem 18 anos, devido &agrave; falta de consci&ecirc;ncia e de acesso a servi&ccedil;os de planejamento familiar.<\/p>\n<p>A internet ainda deve chegar &agrave;s zonas rurais, onde vivem 70% das mulheres. Mesmo em &aacute;reas onde a conex&atilde;o &eacute; bastante boa, foi necess&aacute;rio passar muito tempo para que as indianas pudessem come&ccedil;ar a opinar em f&oacute;runs online, superando uma forte cultura conservadora. A soci&oacute;loga e feminista Manjima Bhattacharjya afirmou que hoje as mulheres est&atilde;o criando espa&ccedil;os na internet onde podem trocar informa&ccedil;&atilde;o vital sobre anticoncepcionais, interagir com homens &quot;sem a vigil&acirc;ncia da sociedade, e expressar suas pr&oacute;prias opini&otilde;es sobre diversos temas, incluindo a viol&ecirc;ncia sexual e o ass&eacute;dio&quot;.<\/p>\n<p>Estes f&oacute;runs se tornaram cruciais, sobretudo considerando que a educa&ccedil;&atilde;o sexual praticamente n&atilde;o existe nas escolas indianas. Os professores de biologia passam por alto sobre a reprodu&ccedil;&atilde;o e os livros de texto que fazem men&ccedil;&atilde;o ao assunto est&atilde;o sendo &quot;revisados&quot;, por seu &quot;objet&aacute;vel conte&uacute;do&quot;.<\/p>\n<p>Durante o projeto de pesquisa Erotics (acr&ocirc;nimo em ingl&ecirc;s de Pesquisa Explorat&oacute;ria sobre Sexualidade e Internet), realizado pela internacional Associa&ccedil;&atilde;o para o Progresso das Comunica&ccedil;&otilde;es (APC), Bhattacharjya descobriu que, em compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses analisados, o tema foi muito pouco investigado na &Iacute;ndia. O estudo da APC foi realizado no per&iacute;odo 2008-2010 no Brasil, Estados Unidos, &Aacute;frica do Sul, &Iacute;ndia e L&iacute;bano.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, Bhattacharjya e outros acad&ecirc;micos, professores e ativistas come&ccedil;aram a identificar tend&ecirc;ncias que sugerem que a internet est&aacute; empoderando as mulheres. &quot;Me causou particular impacto o n&uacute;mero de m&atilde;es blogueiras, mulheres de classe m&eacute;dia que comentam na internet sobre v&aacute;rios assuntos, desde abuso sexual contra menores at&eacute; direitos reprodutivos e a divis&atilde;o do trabalho por g&ecirc;nero&quot;, indicou &agrave; IPS. A soci&oacute;loga tamb&eacute;m afirmou que a internet oferece um espa&ccedil;o fundamental para a discuss&atilde;o de temas de g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual em um pa&iacute;s que despenalizou a homossexualidade apenas em 2009, e onde 73% da popula&ccedil;&atilde;o ainda considera que deveria ser ilegal.<\/p>\n<p>Bhattacharjya citou o caso de um jovem que sofria de depress&atilde;o porque se identificava como mulher. Foi somente ap&oacute;s ter acesso a informa&ccedil;&atilde;o na internet sobre mudan&ccedil;a de sexo que finalmente buscou ajuda profissional, falou com sua fam&iacute;lia e decidiu submeter-se a uma cirurgia de mudan&ccedil;a de sexo. &quot;Agora tem um blog para ajudar outras pessoas com problemas de identidade de g&ecirc;nero&quot;, contou. As ativistas indianas rapidamente aproveitam o aumento do n&uacute;mero de internautas para divulgar suas campanhas pela rede.<\/p>\n<p>A famosa Campanha da Roupa &Iacute;ntima Rosa, movimento n&atilde;o violento em resposta a um ataque contra mulheres cometido em um bar na cidade de Mangalores, utilizou o Facebook para reunir 40 mil manifestantes em 2009. No dia 14 de fevereiro daquele ano, o grupo convocou seus partid&aacute;rios a enviarem roupa &iacute;ntima na cor rosa ao escrit&oacute;rio do grupo nacionalista hindu Sri Ram Sena, cujo l&iacute;der amea&ccedil;ara &quot;tomar a&ccedil;&otilde;es&quot; contra casais n&atilde;o casados que fossem vistos pela rua no Dia de S&atilde;o Valentim (equivalente ao Dia dos Namorados). Ap&oacute;s esse original protesto, o l&iacute;der pol&iacute;tico se viu obrigado a dialogar com as ativistas.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, o n&uacute;mero de blogs dedicados &agrave; sexualidade e &agrave; identidade de g&ecirc;nero se multiplicaram na &Iacute;ndia. Malobika, cofundadora do grupo de apoio a l&eacute;sbicas Sappho for Equality, disse que a internet preencheu o vazio criado por uma sociedade intolerante com a identidade sexual. A ativista foi for&ccedil;ada a trabalhar &quot;clandestinamente&quot; at&eacute; 2004. Hoje, contou &agrave; IPS, a Sappho for Equality &eacute; a &uacute;nica plataforma vis&iacute;vel para l&eacute;sbicas em Kolkata, oferece servi&ccedil;os online e recebe telefonemas todos os dias. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kolkata, &Iacute;ndia, 12\/06\/2013 &ndash; Quando Rita Datta (nome fict&iacute;cio), de 30 anos, decidiu fazer um curso de alfabetiza&ccedil;&atilde;o inform&aacute;tica, adentrou em uma realidade virtual onde o maior tabu na &Iacute;ndia se transformou no mais simples e natural tema de conversa&ccedil;&atilde;o: o sexo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/direitos-humanos\/mulheres-indianas-podem-falar-de-sexo-na-internet\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":784,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-12042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/784"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12042\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}