{"id":12046,"date":"2013-06-12T09:54:11","date_gmt":"2013-06-12T09:54:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12046"},"modified":"2013-06-12T09:54:11","modified_gmt":"2013-06-12T09:54:11","slug":"presidncia-e-judicirio-em-rumo-de-coliso-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/direitos-humanos\/presidncia-e-judicirio-em-rumo-de-coliso-no-egito\/","title":{"rendered":"Presid&ecirc;ncia e judici&aacute;rio em rumo de colis&atilde;o no Egito"},"content":{"rendered":"<p>Cairo, Egito, 12\/06\/2013 &ndash; O crescente enfrentamento no Egito, durante a fase posterior &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o de 2011, entre o Poder Judici&aacute;rio e o presidente Mohammad Morsi, parece chegar ao seu ponto m&aacute;ximo com um projeto de lei que regula o trabalho judicial.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12046\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n57-300x204.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12046\" class=\"size-medium wp-image-12046\" title=\"Partid&aacute;rios do presidente Mohammad Morsi protestam, em novembro de 2012, diante do Tribunal Constitucional contra supostos casos de corrup&ccedil;&atilde;o judicial. - Khaled Moussa al-Omrani\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n57-300x204.jpg\" alt=\"Partid&aacute;rios do presidente Mohammad Morsi protestam, em novembro de 2012, diante do Tribunal Constitucional contra supostos casos de corrup&ccedil;&atilde;o judicial. - Khaled Moussa al-Omrani\/IPS\" width=\"200\" height=\"136\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12046\" class=\"wp-caption-text\">Partid&aacute;rios do presidente Mohammad Morsi protestam, em novembro de 2012, diante do Tribunal Constitucional contra supostos casos de corrup&ccedil;&atilde;o judicial. - Khaled Moussa al-Omrani\/IPS<\/p><\/div>  O projeto est&aacute; em exame no Conselho Shura, c&acirc;mara alta do parlamento com status consultivo, mas atualmente dotado de poderes legislativos.<\/p>\n<p>O artigo mais pol&ecirc;mico da iniciativa &eacute; o que prop&otilde;e reduzir a idade de aposentadoria dos ju&iacute;zes de 70 para 60 anos. Milhares de magistrados ter&atilde;o que se aposentar se for aprovada a proposta, apresentada pelo Partido Wasat, de tend&ecirc;ncia isl&acirc;mica moderada, e apoiada pela Irmandade Mu&ccedil;ulmana, &agrave; qual pertence Morsi, no poder desde junho de 2012.<\/p>\n<p>Os cr&iacute;ticos do projeto, entre os quais a maioria dos ju&iacute;zes e da oposi&ccedil;&atilde;o laica, consideram que &eacute; uma tentativa da Irmandade Mu&ccedil;ulmana de usurpar o poder e preencher os cargos judiciais com pessoas pr&oacute;ximas &agrave; sua ideologia. O l&iacute;der esquerdista Hamdin Sabahi, que ficou em segundo nas primeiras elei&ccedil;&otilde;es justas realizadas no Egito, h&aacute; um ano, disse que, se a lei for aprovada, se estar&aacute; cometendo um &quot;massacre&quot; de ju&iacute;zes no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; uma clara inten&ccedil;&atilde;o da Irmandade Mu&ccedil;ulmana de dominar as institui&ccedil;&otilde;es judiciais do pa&iacute;s para que seja poss&iacute;vel a justi&ccedil;a supervisionar as futuras elei&ccedil;&otilde;es&quot;, ressaltou Sabahi em maio, quando participava de um protesto diante da sede do Conselho Shura, no Cairo. A c&acirc;mara alta do parlamento, com poderes legislativos at&eacute; ser eleita a nova Assembleia do Povo, processo que est&aacute; em um limbo legal, &quot;n&atilde;o tem direito de legislar porque foi eleita apenas por 7% do voto popular&quot;, argumentou.<\/p>\n<p>O professor de direito constitucional da Universidade do Cairo, Gaber Gad Nassar, concordou com Sabahi. &quot;O projeto de lei, que obrigar&aacute; cerca de oito mil ju&iacute;zes a se afastarem de suas fun&ccedil;&otilde;es, constitui uma tentativa da Irmandade Mu&ccedil;ulmana e de seus aliados de controlar a justi&ccedil;a&quot;, afirmou Nassar &agrave; IPS. A seu ver, a organiza&ccedil;&atilde;o tenta &quot;designar seus pr&oacute;prios ju&iacute;zes para poder arranjar as pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares a seu favor&quot;.<\/p>\n<p>Por seu lado, os defensores da iniciativa negam categoricamente as acusa&ccedil;&otilde;es e afirmam que a lei s&oacute; objetiva purgar a justi&ccedil;a de elementos favor&aacute;veis ao deposto presidente Hosni Mubarak, que governou o pa&iacute;s de 1981 a 2011. Apoiam o projeto a Presid&ecirc;ncia, a Irmandade Mu&ccedil;ulmana e seu bra&ccedil;o pol&iacute;tico, o Partido da Liberdade e da Justi&ccedil;a (FJP).<\/p>\n<p>Walid Shirabi, porta-voz do movimento Ju&iacute;zes pelo Egito, integrado por ju&iacute;zes e funcion&aacute;rios judiciais favor&aacute;veis &agrave; Irmandade Mu&ccedil;ulmana, considerou &quot;il&oacute;gicas&quot; as cr&iacute;ticas da oposi&ccedil;&atilde;o de que o projeto de lei prop&otilde;e preencher o Poder Judici&aacute;rio com magistrados dessa organiza&ccedil;&atilde;o. &quot;Segundo a Constitui&ccedil;&atilde;o, o Conselho Judicial Supremo (SJC) &eacute; respons&aacute;vel por designar os ju&iacute;zes&quot;, que depois devem contar com a aprova&ccedil;&atilde;o do presidente, afirmou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Shirabi ressaltou que &quot;o SJC n&atilde;o tem nenhum juiz da Irmandade Mu&ccedil;ulmana&quot;. Essa institui&ccedil;&atilde;o de 15 membros &eacute; a m&aacute;xima autoridade judicial do pa&iacute;s. Tamb&eacute;m rebateu a ideia de que a aposentadoria em massa de milhares de magistrados prejudicar&aacute; o funcionamento da justi&ccedil;a no Egito, que j&aacute; est&aacute; paralisada com, literalmente, milh&otilde;es de casos em todo o sistema de tribunais do pa&iacute;s. &quot;Por outro lado, o trabalho ficar&aacute; mais &aacute;gil com a designa&ccedil;&atilde;o de quadros frescos&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Shirabi tamb&eacute;m se colocou contra a cr&iacute;tica de que o Conselho Shura n&atilde;o tem autoridade leg&iacute;tima para adotar uma nova lei. &quot;A Constitui&ccedil;&atilde;o aprovada h&aacute; pouco lhe d&aacute; o direito de legislar at&eacute; que haja uma nova c&acirc;mara baixa&quot;, afirmou. &quot;Toda declara&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria tem como meta manter a corrup&ccedil;&atilde;o do regime de Mubarak, que elevou a idade de aposentadoria de 60 para 70 anos com o objetivo expresso de manter os ju&iacute;zes favor&aacute;veis&quot;, pontuou.<\/p>\n<p>O primeiro enfrentamento entre o Poder Judici&aacute;rio e as for&ccedil;as isl&acirc;micas do Egito come&ccedil;ou h&aacute; quase um ano, quando o Alto Tribunal Constitucional declarou que a lei que permitiu organizar as primeiras elei&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s a queda do regime de Mubarak, realizadas no final de 2011 e come&ccedil;o de 2012, era inconstitucional.<\/p>\n<p>No dia seguinte, 15 de junho de 2012, o ent&atilde;o governante Conselho Supremo das For&ccedil;as Armadas ordenou a dissolu&ccedil;&atilde;o da rec&eacute;m-eleita Assembleia do Povo, que tinha metade de suas cadeiras nas m&atilde;os do FJP, da Irmandade Mu&ccedil;ulmana, enquanto a outra quarta parte era ocupada por outros partidos isl&acirc;micos. Muitos rivais pol&iacute;ticos da Irmandade Mu&ccedil;ulmana aplaudiram a dissolu&ccedil;&atilde;o do parlamento isl&acirc;mico, mas especialistas legais questionaram a legitimidade da decis&atilde;o do Alto Tribunal Constitucional.<\/p>\n<p>&quot;S&oacute; um ter&ccedil;o das cadeiras do parlamento, os reservados aos candidatos independentes, era questionado do ponto de vista constitucional&quot;, disse na &eacute;poca o professor de direito constitucional da Universidade do Cairo, Atef al-Banna, em entrevista &agrave; IPS. &quot;Mas esse Tribunal n&atilde;o ofereceu nenhum argumento legal para dissolver toda a Assembleia&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>A assessora de assuntos pol&iacute;ticos de Morsi, Pakinam al-Sharqawi, acusou, em abril, o Poder Judici&aacute;rio de intervir de forma injusta na pol&iacute;tica nacional, &quot;desde a dissolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia do Povo no ano passado&quot;, uma iniciativa que qualificou de &quot;perigosa e sem precedentes&quot;. Acrescentou que &quot;nunca antes foi permitido a um tribunal dissolver efetivamente um parlamento eleito democraticamente por 30 milh&otilde;es de cidad&atilde;os&quot;.<\/p>\n<p>No ano passado houve mais enfrentamentos, como a falida tentativa da Presid&ecirc;ncia de restabelecer a Assembleia do Povo, o &ecirc;xito da tentativa de nomear um novo promotor geral, e um decreto executivo que protege temporariamente as decis&otilde;es presidenciais do Poder Judici&aacute;rio. Atualmente, o FJP, que tem consider&aacute;vel maioria no Conselho Shura, tenta fazer aprovar o controvertido projeto de lei sobre a idade de aposentadoria dos magistrados.<\/p>\n<p>Por sua vez, o Judici&aacute;rio pede que todo debate sobre o texto legislativo seja adiado at&eacute; a elei&ccedil;&atilde;o da nova c&acirc;mara baixa. Contudo, na semana passada, para ira de muitos ju&iacute;zes e dirigentes da oposi&ccedil;&atilde;o, o FJP enviou para o comit&ecirc; de assuntos legislativos o projeto de lei para discuss&atilde;o. Mas, n&atilde;o est&aacute; claro quando, ou se, o Conselho o submeter&aacute; a vota&ccedil;&atilde;o. Enquanto isso, o Clube de Ju&iacute;zes do Egito, uma associa&ccedil;&atilde;o de magistrados que n&atilde;o simpatizam com Morsi, amea&ccedil;ou suspender toda a atividade judicial se o projeto for aprovado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cairo, Egito, 12\/06\/2013 &ndash; O crescente enfrentamento no Egito, durante a fase posterior &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o de 2011, entre o Poder Judici&aacute;rio e o presidente Mohammad Morsi, parece chegar ao seu ponto m&aacute;ximo com um projeto de lei que regula o trabalho judicial. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/direitos-humanos\/presidncia-e-judicirio-em-rumo-de-coliso-no-egito\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1206,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-12046","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1206"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12046"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12046\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}