{"id":1206,"date":"2005-11-16T00:00:00","date_gmt":"2005-11-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1206"},"modified":"2005-11-16T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-16T00:00:00","slug":"comunicaes-pelo-controle-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/comunicaes-pelo-controle-da-internet\/","title":{"rendered":"Comunica&ccedil;&otilde;es: Pelo controle da Internet"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/11\/2005 &ndash; Os esfor&ccedil;os para derrubar a barreira digital que det&eacute;m os pobres fracassar&atilde;o se os governos n&atilde;o conseguirem acertar suas diferen&ccedil;as sobre o gerenciamento da Internet, afirmaram diplomatas na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Mandat&aacute;rios e especialistas de todo o mundo se reunir&atilde;o a C&uacute;pula Mundial sobre a Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o, que come&ccedil;a nesta quarta-feira e vai at&eacute; sexta-feira. Um dos objetivos desse encontro &eacute; negociar o futuro controle t&eacute;cnico, legal e pol&iacute;tico da rede mundial de computadores.<br \/> <!--more--> <br \/> Muitos pa&iacute;ses querem mudar o sistema atual, mas os Estados Unidos n&atilde;o se mostram dispostos a aceitar nenhuma modifica&ccedil;&atilde;o na rede criada na d&eacute;cada de 60 em setores governamentais e acad&ecirc;micos desse pa&iacute;s. Teme-se que as negocia&ccedil;&otilde;es n&atilde;o cheguem a um resultado concreto. O ponto mais delicado de todos que ser&atilde;o abordados na C&uacute;pula &eacute; o papel de Washington na supervis&atilde;o e controle da estrutura de endere&ccedil;os da Internet, conhecida como sistema de nomes de dom&iacute;nio (DNS, sigla em ingl&ecirc;s). A atual estrutura de nomes e endere&ccedil;os da Internet &eacute; a que permite que milh&otilde;es de usu&aacute;rios de computadores em todo o planeta possam se comunicar entre si.<\/p>\n<p> Este sistema &eacute; administrado pela Corpora&ccedil;&atilde;o da Internet para Concess&atilde;o de Nomes e N&uacute;meros (ICANN, em ingl&ecirc;s), uma organiza&ccedil;&atilde;o privada sem fins lucrativos com sede na Calif&oacute;rnia, vinculada ao Departamento de Com&eacute;rcio dos Estados Unidos, mas formada por representantes do mundo das companhias, da ci&ecirc;ncia e da sociedade civil. Apesar de existirem algumas nuances de diferen&ccedil;a, tanto o bloco de pa&iacute;ses em desenvolvimento (liderado por Brasil, China, &Iacute;ndia e outros) quanto a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia afirmam que a Internet deveria ser gerenciada por um organismo internacional de maneira a haver diferentes pa&iacute;ses e interesses representados nos processos de tomada de decis&otilde;es.<\/p>\n<p> Muitos pa&iacute;ses em desenvolvimento preferem que o gerenciamento da Internet seja controlado por um organismo internacional como a pr&oacute;pria ONU. Os europeus prop&otilde;em &quot;um modelo cooperativo&quot; com a ICANN e a cria&ccedil;&atilde;o de um f&oacute;rum onde todos os governos, organiza&ccedil;&otilde;es civis interessadas e empresas possam discutir sobre o rumo da Internet. Washington, entretanto, persiste em sua oposi&ccedil;&atilde;o a esses tipos de propostas, argumentando que o sistema de controles t&eacute;cnicos atualmente supervisionado pela ICANN &eacute; a melhor forma de garantir a seguran&ccedil;a e estabilidade da rede.<\/p>\n<p> &quot;Importante como &eacute; a discuss&atilde;o sobre o gerenciamento da rede, n&atilde;o acredito que algu&eacute;m pense que isto resultar&aacute; em um computador a mais ou um telefone celular a mais nas &aacute;reas rurais da &Aacute;frica, Am&eacute;rica do Sul, &Aacute;sia ou qualquer outra parte do mundo&quot;, disse David Gross, representante dos Estados Unidos que liderou as delega&ccedil;&otilde;es desse pa&iacute;s nas reuni&otilde;es anteriores sobre inform&aacute;tica e telecomunica&ccedil;&otilde;es. O plano de a&ccedil;&atilde;o adotado na primeira fase da C&uacute;pula, realizada em Genebra em dezembro de 2003, fixou uma s&eacute;rie de metas para ampliar o acesso &agrave;s tecnologias inform&aacute;tica e de telecomunica&ccedil;&otilde;es nas &aacute;reas rurais, hospitais, bibliotecas e universidades dos pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m foram tra&ccedil;ados objetivos para o acesso &agrave; Internet dos governos locais, para que os conte&uacute;dos estivessem dispon&iacute;veis em todos os idiomas e para que os programas de educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e secund&aacute;ria levassem em conta os desafios da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento argumentam que para atingir essas metas &eacute; preciso que haja mudan&ccedil;as no gerenciamento da rede. Os Estados Unidos, entretanto, insistem em deixar tudo como est&aacute;, porque, em sua opini&atilde;o, o atual sistema j&aacute; est&aacute; produzindo resultados positivos.<\/p>\n<p> &quot;Quando lan&ccedil;o um olhar ao mundo, penso que progredimos muito em todas estas &aacute;reas&quot;, disse Gross. &quot;Embora, naturalmente, ainda haja muito a ser feito&quot;. Estima-se que um sexto da popula&ccedil;&atilde;o mundial, cerca de um bilh&atilde;o de pessoas, t&ecirc;m acesso &agrave; Internet. Enquanto a ampla maioria da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode se conectar &agrave; rede vive em pa&iacute;ses em desenvolvimento, tamb&eacute;m h&aacute; milh&otilde;es de pessoas no mundo industrializado que tampouco podem usar a Internet por raz&otilde;es econ&ocirc;micas. Nas &uacute;ltimas reuni&otilde;es preparat&oacute;rias da C&uacute;pula de T&uacute;nis, os diplomatas dos pa&iacute;ses em desenvolvimento insistiram sistematicamente em que o gerenciamento da Internet deve ser mais transparente e inclusivo para contribuir com o fomento ao desenvolvimento econ&ocirc;mico e social.<\/p>\n<p> &quot;O controle da rede n&atilde;o pode ser prerrogativa de nenhum grupo de pa&iacute;ses ou de acionistas&quot;, disse a diplomata brasileira Maria Luiza Viotti, em um f&oacute;rum da ONU realizado em Nova York. &quot;Os governos t&ecirc;m muito em jogo, e as preocupa&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses em desenvolvimento devem ser levadas em considera&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou. Os delegados dos Estados Unidos se manifestaram contr&aacute;rios, argumentando que se determinados governos tomarem parte da administra&ccedil;&atilde;o da Internet haver&aacute; uma eros&atilde;o da liberdade de express&atilde;o e de opini&atilde;o pol&iacute;tica independente. Michael Gallagher, o assessor para assuntos de Internet do presidente norte-americano, George W. Bush, acredita que os pa&iacute;ses que desejam mudan&ccedil;as na administra&ccedil;&atilde;o da rede visam o &uacute;nico &quot;elemento central&quot;, o DSN, em uma tentativa de exercer seu controle.<\/p>\n<p> &quot;Est&atilde;o em busca de estar com a faca e o queijo na m&atilde;o, e pensam que o DSN &eacute; a explica&ccedil;&atilde;o do sentido da vida&quot;, afirmou. &quot;Mas o sentido da vida est&aacute; dentro das fronteiras de seus pr&oacute;prios pa&iacute;ses e nas pol&iacute;ticas que eles mesmos desenvolvem&quot;, acrescentou. A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e o Canad&aacute; compartilham muitas preocupa&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos a respeito do controle da Internet por parte dos governos. Por&eacute;m, ao mesmo tempo, tamb&eacute;m est&atilde;o cansados da hegemonia norte-americana. Os analistas afirmam que ainda &eacute; prematura prever se a C&uacute;pula ser&aacute; um fiasco, mas, por outro lado, consideram muito prov&aacute;vel que conclua sem a assinatura de nenhum acordo significativo.<\/p>\n<p> &quot;Seria uma bobagem acreditar que os Estados Unidos n&atilde;o continuar&atilde;o desempenhando um papel de protagonista em qualquer futuro governo da Internet&quot;, afirmou Irmran Chaudhry, um especialista em tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o da Universidade George Mason, da Virg&iacute;nia. &quot;Parece pouco plaus&iacute;vel que os Estados Unidos cedam terreno a um organismo regulador patrocinado pela ONU&quot;, continuou. &quot;Nesse sentido &eacute; prov&aacute;vel que esta discuss&atilde;o n&atilde;o passe de um exerc&iacute;cio in&uacute;til, porque n&atilde;o importa quantas propostas forem enviadas ao secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan, porque todas estar&atilde;o submetidas ao poder de veto que concretamente os Estados Unidos exercem&quot;, concluiu o especialista.<\/p>\n<p> Outros temem que este cen&aacute;rio leve Brasil, China, R&uacute;ssia e outras na&ccedil;&otilde;es a implementarem sua pr&oacute;pria vers&atilde;o de Internet. &quot;Necessitamos uma plataforma onde os l&iacute;deres do mundo possam exercitar seu pensamento sobre a Internet&quot;, disse a comiss&aacute;ria europ&eacute;ia para a Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o e os Meios de Comunica&ccedil;&atilde;o, Vivian Reding, ao jornal brit&acirc;nico The Guardian. &quot;Se eles t&ecirc;m a impress&atilde;o que a Internet est&aacute; dominada por uma &uacute;nica na&ccedil;&atilde;o e que n&atilde;o pertence a todas as na&ccedil;&otilde;es, ent&atilde;o pode ser que a Internet seja derrubada&quot;, concluiu. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/11\/2005 &ndash; Os esfor&ccedil;os para derrubar a barreira digital que det&eacute;m os pobres fracassar&atilde;o se os governos n&atilde;o conseguirem acertar suas diferen&ccedil;as sobre o gerenciamento da Internet, afirmaram diplomatas na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Mandat&aacute;rios e especialistas de todo o mundo se reunir&atilde;o a C&uacute;pula Mundial sobre a Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o, que come&ccedil;a nesta quarta-feira e vai at&eacute; sexta-feira. 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