{"id":12063,"date":"2013-06-17T10:16:55","date_gmt":"2013-06-17T10:16:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12063"},"modified":"2013-06-17T10:16:55","modified_gmt":"2013-06-17T10:16:55","slug":"japo-tambm-quer-a-riqueza-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/africa\/japo-tambm-quer-a-riqueza-africana\/","title":{"rendered":"Jap&atilde;o tamb&eacute;m quer a riqueza africana"},"content":{"rendered":"<p>Yokohama, Jap&atilde;o, 17\/06\/2013 &ndash; O Jap&atilde;o, terceira economia mundial, procura fortalecer suas rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e comerciais com a &Aacute;frica, para, entre outras coisas, se contrapor &agrave; forte presen&ccedil;a da China nesse continente rico em recursos naturais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12063\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n87-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12063\" class=\"size-medium wp-image-12063\" title=\"Instala&ccedil;&otilde;es petroleiras em Bentiu, Sud&atilde;o do Sul. - Charlton Doki\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n87-300x225.jpg\" alt=\"Instala&ccedil;&otilde;es petroleiras em Bentiu, Sud&atilde;o do Sul. - Charlton Doki\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12063\" class=\"wp-caption-text\">Instala&ccedil;&otilde;es petroleiras em Bentiu, Sud&atilde;o do Sul. - Charlton Doki\/IPS<\/p><\/div>  Os participantes de uma confer&ecirc;ncia de doadores de alto n&iacute;vel para seus pa&iacute;ses, organizada pelo Jap&atilde;o nos tr&ecirc;s primeiros dias deste m&ecirc;s, destacaram a necessidade de uma aproxima&ccedil;&atilde;o, j&aacute; n&atilde;o pelos tradicionais empr&eacute;stimos e pela assist&ecirc;ncia, que at&eacute; agora definiram as rela&ccedil;&otilde;es, mas mediante o com&eacute;rcio e os investimentos.<\/p>\n<p>&quot;O crescimento anual registrado da &Aacute;frica &eacute; superior a 6%, e o continente representa popula&ccedil;&atilde;o em expans&atilde;o e um importante mercado regional&quot;, destacou Mokoto Ito, porta-voz da chancelaria japonesa, na quinta Confer&ecirc;ncia Internacional de T&oacute;quio sobre o Desenvolvimento da &Aacute;frica (Ticad), que terminou no dia 3, em Yokohama. &quot;O Jap&atilde;o pode ter papel ativo, investindo em infraestrutura e fornecendo tecnologia industrial para impulsionar os bens manufaturados, al&eacute;m de fomentar as capacidades&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Suas palavras claramente refletem o interesse de T&oacute;quio nos recursos naturais africanos, vitais para suas necessidades energ&eacute;ticas. O Jap&atilde;o &eacute; fortemente dependente das importa&ccedil;&otilde;es de g&aacute;s e petr&oacute;leo. Tamb&eacute;m denotam um desejo de competi&ccedil;&atilde;o com seu rival regional, a China, cujo interc&acirc;mbio comercial com a &Aacute;frica somou US$ 138,6 bilh&otilde;es no ano passado, segundo o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), muito acima do com&eacute;rcio entre T&oacute;quio e esse continente, que foi de US$ 30 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>A Ticad, um f&oacute;rum com duas d&eacute;cadas de hist&oacute;ria, procura incentivar o di&aacute;logo e as sociedades entre as economias africanas e asi&aacute;ticas. Goza do apoio de atores importantes, como Banco Mundial, Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Uni&atilde;o Africana.<\/p>\n<p>Ao falar a l&iacute;deres de 40 pa&iacute;ses participantes do f&oacute;rum, o primeiro-ministro japon&ecirc;s, Shinzo Abe, anunciou que, al&eacute;m de sua assist&ecirc;ncia oficial ao desenvolvimento, de US$ 14 bilh&otilde;es, T&oacute;quio tamb&eacute;m &quot;oferecer&aacute; US$ 32 bilh&otilde;es em investimentos p&uacute;blicos e privados para apoiar o crescimento econ&ocirc;mico africano&quot;. Abe assegurou que seu pa&iacute;s n&atilde;o &quot;escavaria e exploraria recursos apenas para traz&ecirc;-los para o Jap&atilde;o&quot;, e acrescentou que &quot;apoiaremos a &Aacute;frica para que seus recursos naturais permitam seu crescimento&quot;.<\/p>\n<p>Especialistas interpretaram isto como um questionamento &agrave; pol&ecirc;mica estrat&eacute;gia da China na &Aacute;frica. Os investimentos chineses, de US$ 127 bilh&otilde;es em projetos extrativistas e industriais em territ&oacute;rio africano, s&atilde;o criticados como uma &quot;monopoliza&ccedil;&atilde;o de recursos&quot; e por n&atilde;o contemplar considera&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento humano. Abe tamb&eacute;m insistiu em uma transpar&ecirc;ncia maior nas transa&ccedil;&otilde;es comerciais e prometeu fazer mais para proteger os direitos e a seguran&ccedil;a de aproximadamente 30 mil africanos que vivem e trabalham no Jap&atilde;o.<\/p>\n<p>Apesar destas express&otilde;es de boa vontade, alguns analistas est&atilde;o decepcionados pelo fato de os participantes n&atilde;o terem abordado as rela&ccedil;&otilde;es a partir da perspectiva humana. Akio Shibata, diretor do Instituto de Pesquisa de Recursos Naturais, centro de estudos japon&ecirc;s focado no desenvolvimento agr&iacute;cola, afirmou que a &ecirc;nfase da Ticad nos investimentos privados e no com&eacute;rcio &eacute; perigosa para as vastas popula&ccedil;&otilde;es rurais no continente africano, que seguem vivendo em abjeta pobreza. Segundo o Banco Mundial, 48,8% dos habitantes da &Aacute;frica subsaariana ainda vivem abaixo da linha de pobreza.<\/p>\n<p>&quot;Fiquei desiludido porque a Ticad ignorou temas fundamentais como as altas taxas de mortalidade materna, a prote&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e a justa distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, que tamb&eacute;m s&atilde;o fundamentais para o desenvolvimento sustent&aacute;vel&quot;, afirmou Shibata. Ele tamb&eacute;m alertou que as promessas de T&oacute;quio ,de passar sua experi&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica e apoiar as reformas estruturais na &Aacute;frica, poderiam preparar o caminho para uma explora&ccedil;&atilde;o mineira e agr&iacute;cola de grande escala. Isso afetaria os pequenos produtores, que representam mais de 70% da popula&ccedil;&atilde;o na maioria dos pa&iacute;ses africanos.<\/p>\n<p>&quot;Focar-se em projetos agr&iacute;colas de grande escala &eacute; um perigo para os pequenos agricultores, que enfrentam o risco de as grandes companhias os deixarem sem terra e sem trabalho&quot;, advertiu Shibata. Este especialista falou em uma sess&atilde;o da confer&ecirc;ncia da qual tamb&eacute;m participaram camponeses da prov&iacute;ncia de Tete, de Mo&ccedil;ambique, que protestam contra o Programa de Coopera&ccedil;&atilde;o Triangular para o Desenvolvimento Agr&iacute;cola das Savanas Tropicais (ProSavana).<\/p>\n<p>Esse projeto procura converter grandes faixas da savana mo&ccedil;ambicana em uma zona agr&iacute;cola comercial para produzir soja destinada &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o. Mo&ccedil;ambique atualmente registra taxas de crescimento de 7%, mas est&aacute; entre os tr&ecirc;s pa&iacute;ses africanos com piores &iacute;ndices em mat&eacute;ria de desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>Augusto Mafigo, agricultor e sindicalista em Mo&ccedil;ambique, disse que os camponeses redobraram seus protestos contra o ProSavana por temerem que os fa&ccedil;a perder suas pequenas por&ccedil;&otilde;es de terra cultiv&aacute;vel quando as companhias estrangeiras se instalarem. Esse cen&aacute;rio teria graves consequ&ecirc;ncias para Mo&ccedil;ambique, considerando que 80% da for&ccedil;a de trabalho desse pa&iacute;s de 23 milh&otilde;es de habitantes &eacute; constitu&iacute;da por pequenos produtores.<\/p>\n<p>Apesar disso, l&iacute;deres africanos na confer&ecirc;ncia comemoraram a ideia de uma presen&ccedil;a japonesa maior no continente. &quot;O Jap&atilde;o trar&aacute; tecnologia de qualidade e pode ter um importante papel como contrapeso &agrave; China&quot;, disse &agrave; IPS Tseliso Nteso, do Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as de Lesoto. Outros funcion&aacute;rios governamentais expressaram sua esperan&ccedil;a de que a mensagem da Ticad, de maior associa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blico-privada, marque o come&ccedil;o de um novo modelo de desenvolvimento, que seja &quot;mais am&aacute;vel&quot; com as popula&ccedil;&otilde;es marginalizadas do continente, especialmente as subsaarianas.<\/p>\n<p>A economista Zuzana Brixiova, do Banco Africano de Desenvolvimento, afirmou que uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre Jap&atilde;o e &Aacute;frica tamb&eacute;m poderia servir para enfrentar outros temas globais, como o esgotamento dos recursos naturais, a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e a crescente desigualdade, desde que se concentrem em um desenvolvimento sustent&aacute;vel. Brixiova ressaltou &agrave; IPS que para isso &eacute; crucial fixar &quot;padr&otilde;es de desenvolvimento que possam garantir reformas inclusivas e estruturais&quot; no continente africano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yokohama, Jap&atilde;o, 17\/06\/2013 &ndash; O Jap&atilde;o, terceira economia mundial, procura fortalecer suas rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e comerciais com a &Aacute;frica, para, entre outras coisas, se contrapor &agrave; forte presen&ccedil;a da China nesse continente rico em recursos naturais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/africa\/japo-tambm-quer-a-riqueza-africana\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":200,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,10],"tags":[17],"class_list":["post-12063","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-energia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/200"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12063\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}