{"id":12065,"date":"2013-06-17T10:19:44","date_gmt":"2013-06-17T10:19:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12065"},"modified":"2013-06-17T10:19:44","modified_gmt":"2013-06-17T10:19:44","slug":"o-renascimento-indgena-brasileiro-sob-fogo-cruzado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/o-renascimento-indgena-brasileiro-sob-fogo-cruzado\/","title":{"rendered":"O renascimento ind&iacute;gena brasileiro sob fogo cruzado"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 17\/06\/2013 &ndash; Os tratores e as m&aacute;quinas com as quais fazendeiros e outros grandes agricultores bloquearam estradas no dia 14, em mais de dez pontos de norte a sul do Brasil, destacaram o poder econ&ocirc;mico do setor que se levantou contra a demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12065\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ca5-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12065\" class=\"size-medium wp-image-12065\" title=\"Integrantes do povo pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o em Governador, seu territ&oacute;rio ind\u00c3\u00adgena. - Cimi\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ca5-300x225.jpg\" alt=\"Integrantes do povo pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o em Governador, seu territ&oacute;rio ind\u00c3\u00adgena. - Cimi\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12065\" class=\"wp-caption-text\">Integrantes do povo pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o em Governador, seu territ&oacute;rio ind\u00c3\u00adgena. - Cimi<\/p><\/div>  A presen&ccedil;a de senadores e deputados nos protestos indica o crescente poder pol&iacute;tico dos ruralistas, que frequentemente imp&otilde;em derrotas parlamentares ao governo que, nominalmente, desfruta de ampla maioria no Congresso.<\/p>\n<p>A &quot;paralisa&ccedil;&atilde;o nacional&quot; de atividades, convocada pela Frente Parlamentar Agropecu&aacute;ria, mobilizou uns poucos milhares de pessoas em alguns lugares e centenas em outros, mas &eacute; apenas parte de uma ofensiva dos fazendeiros contra a cria&ccedil;&atilde;o de novos territ&oacute;rios ind&iacute;genas ou a amplia&ccedil;&atilde;o dos existentes. Modificar a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, que assegura aos povos ind&iacute;genas o &quot;usufruto exclusivo&quot; de terras que ocupavam tradicionalmente, em uma extens&atilde;o suficiente para sua &quot;reprodu&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e cultural&quot;, &eacute; o maior objetivo dos ruralistas, que em 2012 j&aacute; conseguiram revisar o C&oacute;digo Florestal em benef&iacute;cio pr&oacute;prio e em detrimento do meio ambiente.<\/p>\n<p>Outras medidas reclamadas, como participa&ccedil;&atilde;o dos minist&eacute;rios da Agricultura e do Desenvolvimento Agr&aacute;rio e de centros de pesquisa agr&iacute;cola no processo de demarca&ccedil;&atilde;o, objetivam conter o reconhecimento de novas reservas ind&iacute;genas. Comp&otilde;em &quot;um retrocesso completo&quot;, segundo Marcos Terena, funcion&aacute;rio da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio (Funai), o &oacute;rg&atilde;o governamental respons&aacute;vel pela pol&iacute;tica para o setor, e veterano l&iacute;der de lutas pela afirma&ccedil;&atilde;o e autonomia dos povos origin&aacute;rios.<\/p>\n<p>Para os ruralistas se trata de &quot;uma disputa patrimonial&quot;, desejam expandir o grande neg&oacute;cio agropecu&aacute;rio como sempre, tomando terras p&uacute;blicas, em &aacute;reas n&atilde;o ocupadas ou atribu&iacute;das &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o e a povos tradicionais, afirmou Marcio Santilli, especialista do n&atilde;o governamental Instituto Socioambiental e ex-presidente da Funai. Por isso buscam definir como simples conflito agr&aacute;rio o caso de terras identificadas como ind&iacute;genas que incluem &aacute;reas privadas, que s&atilde;o legalmente inadmiss&iacute;veis e condenadas &agrave; evacua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em numerosas ocasi&otilde;es s&atilde;o posses ilegais, mas no Mato Grosso do Sul muitos fazendeiros t&ecirc;m t&iacute;tulos de propriedade v&aacute;lidos, reconhecidos por governos anteriores. Ali, grande quantidade dos conflitos se prolonga h&aacute; d&eacute;cadas e se tornaram sangrentos. Esse Estado pecu&aacute;rio e grande produtor de soja concentrou 57% dos 560 assassinatos de ind&iacute;genas ocorridos entre 2003 e 2012 no Brasil, segundo dados do Conselho Indigenista Mission&aacute;rio (Cimi), ligado &agrave; Igreja Cat&oacute;lica. Nem todos os homic&iacute;dios se devem a disputas pela terra, mas a matan&ccedil;a reflete a absoluta assimetria no confronto entre ruralistas e ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>As mortes violentas n&atilde;o impediram uma explos&atilde;o demogr&aacute;fica inimagin&aacute;vel h&aacute; tr&ecirc;s ou quatro d&eacute;cadas, quando a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena parecia amea&ccedil;ada de extin&ccedil;&atilde;o. Nos anos 1980, estimava-se que no Brasil s&oacute; restassem pouco mais de 200 mil integrantes dos povos origin&aacute;rios. Contudo, no censo de 2010, 896.917 pessoas se declararam ind&iacute;genas, o triplo de 1991, quando essa categoria passou a ser inclu&iacute;da entre as op&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas para autoidentifica&ccedil;&atilde;o das pessoas entrevistadas pelos recenseadores.<\/p>\n<p>N&atilde;o foi apenas a natalidade que triplicou a popula&ccedil;&atilde;o. O reconhecimento na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 dos direitos das minorias &eacute;tnicas estimulou um renascimento ind&iacute;gena, que fez recuperar a identidade, mesmo mos que vivem fora de suas aldeias originais. Dos autoidentificados como ind&iacute;genas em 2010, 36% vivem em cidades. H&aacute; &quot;aldeias urbanas&quot; em v&aacute;rias delas, como Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>A ressurrei&ccedil;&atilde;o alimenta avan&ccedil;os na educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena, &agrave;s vezes com o resgate da l&iacute;ngua origin&aacute;ria, nas ra&iacute;zes culturais e na ado&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias. Em cerca de dez anos, &quot;um fator novo&quot; determinar&aacute; o desenvolvimento dos povos ind&iacute;genas e suas rela&ccedil;&otilde;es com a sociedade envolvente, pontuou Terena. &quot;S&atilde;o os doutores ind&iacute;genas&quot;, que est&atilde;o se formando nas universidades, &quot;sem perder sua cultura pr&oacute;pria&quot;, especialmente no sul do Brasil, destacou.<\/p>\n<p>Este ciclo representou uma virada na hist&oacute;ria brasileira de etnoc&iacute;dio desde a chegada dos colonizadores em 1500, quando, se estima, cinco milh&otilde;es de ind&iacute;genas habitavam o atual territ&oacute;rio nacional. Agora, no entanto, enfrentam novas amea&ccedil;as. Al&eacute;m dos ruralistas, que buscam fechar as institui&ccedil;&otilde;es que alimentaram o renascimento ind&iacute;gena, grandes projetos de infraestrutura na Amaz&ocirc;nia tendem a alterar as condi&ccedil;&otilde;es tradicionais em que vivem v&aacute;rios povos origin&aacute;rios.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o de dezenas de hidrel&eacute;tricas, planejadas para os rios da bacia amaz&ocirc;nica nos pr&oacute;ximos anos, est&aacute; intensificando as lutas entre ind&iacute;genas, construtoras e governo. &Agrave;s repetidas invas&otilde;es ind&iacute;genas na hidrel&eacute;trica de Belo Monte, em constru&ccedil;&atilde;o no rio Xingu, um grande afluente do Amazonas, no Estado do Par&aacute;, corresponde um recrudescimento da repress&atilde;o policial. Esse clima de exaspera&ccedil;&atilde;o culminou com a morte de Oziel Gabriel no dia 30 de maio, aparentemente causada por um disparo da pol&iacute;cia no munic&iacute;pio de Sidrol&acirc;ndia, no Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>A trag&eacute;dia aconteceu durante uma opera&ccedil;&atilde;o policial, ordenada pela justi&ccedil;a, para retirar centenas de ind&iacute;genas que haviam ocupado uma fazenda, identificada como parte do territ&oacute;rio tradicional dos terenas h&aacute; 13 anos. Contradit&oacute;rias decis&otilde;es judiciais e dificuldades para indenizar o propriet&aacute;rio v&atilde;o dilatando o processo. A correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as e a prioridade que o governo d&aacute; ao desenvolvimento econ&ocirc;mico s&atilde;o totalmente adversas para os ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>Entretanto, eles contam com a Constitui&ccedil;&atilde;o, conv&ecirc;nios internacionais e uma opini&atilde;o p&uacute;blica internacional que defende a diversidade humana. Com a consci&ecirc;ncia e os valores hoje consolidados, &quot;a sociedade brasileira n&atilde;o permitiria retrocessos nos direitos reconhecidos na Constitui&ccedil;&atilde;o&quot;, declarou Paulo Maldos, secret&aacute;rio nacional de Articula&ccedil;&atilde;o Social do governo federal, cuja fun&ccedil;&atilde;o j&aacute; o levou a perigosas negocia&ccedil;&otilde;es com grupos ind&iacute;genas rebelados.<\/p>\n<p>A repercuss&atilde;o negativa desestimula atos antiabor&iacute;gines. Cada ind&iacute;gena assassinado, como Gabriel, se converte em um m&aacute;rtir que real&ccedil;a a resist&ecirc;ncia de seus povos. Por isso &eacute; poss&iacute;vel que essa morte neutralize, ou pelo menos modere por algum tempo, a ofensiva ruralista contra territ&oacute;rios ancestrais. Segundo a Funai, h&aacute; no pa&iacute;s mais de 450 territ&oacute;rios ind&iacute;genas em processo de demarca&ccedil;&atilde;o, que somam mais de cem mil hectares, enquanto outra centena de territ&oacute;rios est&aacute; em fase de identifica&ccedil;&atilde;o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 17\/06\/2013 &ndash; Os tratores e as m&aacute;quinas com as quais fazendeiros e outros grandes agricultores bloquearam estradas no dia 14, em mais de dez pontos de norte a sul do Brasil, destacaram o poder econ&ocirc;mico do setor que se levantou contra a demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/o-renascimento-indgena-brasileiro-sob-fogo-cruzado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6],"tags":[27,21],"class_list":["post-12065","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12065","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12065"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12065\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}