{"id":1207,"date":"2005-11-17T00:00:00","date_gmt":"2005-11-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1207"},"modified":"2005-11-17T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-17T00:00:00","slug":"frana-a-contribuio-dos-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/frana-a-contribuio-dos-imigrantes\/","title":{"rendered":"Fran&ccedil;a: A contribui&ccedil;&atilde;o dos imigrantes"},"content":{"rendered":"<p>Paris, 17\/11\/2005 &ndash; A Fran&ccedil;a n&atilde;o seria a pot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica e militar que &eacute; hoje sem a contribui&ccedil;&atilde;o dos imigrantes que chegaram durante v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es, como recordaram &agrave; cidadania deste pa&iacute;s centenas de mulheres de origem magrebi em uma carta aberta. Em seu &quot;Appel des m&egrave;res &agrave; la Responsabilit&eacute;&quot; (Chamado das m&atilde;es &agrave; responsabilidade), publicada, entre outros ve&iacute;culos de imprensa, pelo jornal Le Monde no &uacute;ltimo dia 10, as mulheres pedem o fim de duas semanas de dist&uacute;rbios dos quais participaram jovens de comunidades minorit&aacute;rias e policiais. &quot;N&atilde;o se pode expressar a contribui&ccedil;&atilde;o de nossos av&oacute;s e pais na reconstru&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a depois da Segunda Guerra Mundial como se fosse uma parte do produto interno bruto&quot;, disse &agrave; IPS Yamina Benguigui, conhecida documentarista francesa de origem argelina.<br \/> <!--more--> <br \/> Benguigui, de 47 anos, disse que nos &uacute;ltimos 50 anos os imigrantes ofereceram &agrave; Fran&ccedil;a inclusive suas vidas. Durante as duas guerras mundiais, centenas de milhares de soldados de antigas col&ocirc;nias francesas morreram lutando pela liberdade de metr&oacute;pole, afirmou. Imigrantes procedentes das ex-col&ocirc;nias tamb&eacute;m fizeram extraordin&aacute;rios sacrif&iacute;cios emocionais, adotando a ex-pot&ecirc;ncia colonial como seu novo lar. &quot;N&atilde;o se pode avaliar o significado deste gesto em termos econ&ocirc;micos&quot;, ressaltou. Benguigui e as demais signat&aacute;rias do &quot;Appel des m&eacute;res&quot; exigem o fim dos dist&uacute;rbios que sacodem a Fran&ccedil;a desde o dia 27 de outubro.<\/p>\n<p> A carta aberta aos jovens imigrantes que encabe&ccedil;am os dist&uacute;rbios nas &aacute;reas mais pobres das cidades, e tamb&eacute;m dirigida a pol&iacute;ticos e ao governo, qualifica os incidentes de grito desesperado de uma juventude devastada pelo desemprego e pela segrega&ccedil;&atilde;o racial. As tens&otilde;es na Fran&ccedil;a come&ccedil;aram depois que dois adolescentes de fam&iacute;lias de imigrantes morreram acidentalmente em uma esta&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica de alta voltagem em Clichy-sous-Bois, 30 quil&ocirc;metros a nordeste de Paris. Ao se espalhar o rumor de que eles haviam se escondido nesse local porque fugiam da pol&iacute;cia (vers&atilde;o negada pelas autoridades), explodiu a f&uacute;ria dos imigrantes. A pol&iacute;cia respondeu com m&atilde;o dura, chegando a lan&ccedil;ar g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo dentro de uma mesquita, o que aumentou a ira popular.<\/p>\n<p> A maioria dos habitantes das zonas perif&eacute;ricas da capital francesa onde come&ccedil;aram os dist&uacute;rbios &eacute; de mu&ccedil;ulmanos. A tens&atilde;o continuou sendo alimentada pelo ministro do Interior, Nicol&aacute;s Sarkozy, que qualificou de &quot;esc&oacute;ria&quot; os jovens imigrantes que vivem nas &aacute;reas afetadas. Durante duas semanas, grupos de jovens incendiaram mais de oito mil ve&iacute;culos e atacaram centenas de estabelecimentos comerciais, dep&oacute;sitos e edif&iacute;cios p&uacute;blicos, incluindo escolas e centros esportivos. Pelo menos duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, entre as quais, muitos policiais. Os fatos de viol&ecirc;ncia come&ccedil;aram no nordeste de Paris e se espalharam rapidamente por todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p> Dirigindo-se aos jovens rebeldes, a declara&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es imigrantes diz: &quot;Queridos filhos. A Fran&ccedil;a &eacute; nosso pa&iacute;s. Por favor, n&atilde;o o destruam porque, lembrem-se, n&oacute;s (os imigrantes) ajudamos a constru&iacute;-lo&quot;. Segundo informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o oficiais, entre 1945 e 1975 at&eacute; um ter&ccedil;o da produ&ccedil;&atilde;o industrial estava a cargo de oper&aacute;rios imigrantes. Por&eacute;m, a ind&uacute;stria n&atilde;o &eacute; tudo. &Eacute; dif&iacute;cil imaginar a m&uacute;sica popular francesa sem Charles Aznavour, cantor de 85 anos de origem arm&ecirc;nia. Ou o futebol franc&ecirc;s sem Michel Platini e Zinedine Zidane. O primeiro &eacute; filho de imigrantes italianos e o segundo de bereberes nascidos na Arg&eacute;lia.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m &eacute; dif&iacute;cil imaginar o teatro ou o cinema da Fran&ccedil;a sem Raoul Ruiz, o cineasta chileno que levou &agrave; tela o cl&aacute;ssico de Marcel Proust &quot;Em busca do tempo perdido&quot;. Ou, ainda, sem Yamina Benguigui. Sem ela, o p&uacute;blico franc&ecirc;s talvez tivesse permanecido indiferente diante dos milhares de filhos de imigrantes aos quais &eacute; proibido trabalhar somente por causa de sua origem &eacute;tnica. Seu document&aacute;rio &quot;Le Plafond de Verre&quot; (O Teto de Vidro), de 2004, narra as pen&uacute;rias de centenas de jovens imigrantes em busca de emprego.<\/p>\n<p> A maioria dos candidatos de fam&iacute;lias imigrantes preenchia os requisitos, mas estes eram ignorados. &quot;Era como se uma fronteira invis&iacute;vel impedisse os candidatos imigrantes de ingressarem no mercado de trabalho&quot;, disse Benguigui. Alguns candidatos enviaram dois curr&iacute;culos: um com seus dados reais, e outro assinando com um nome &quot;franc&ecirc;s&quot; e endere&ccedil;o de um bairro &quot;respeit&aacute;vel&quot;. Os curr&iacute;culos verdadeiros foram ignorados. Os falsos sempre foram aceitos. &quot;Na realidade, &eacute; um sistema semelhante ao apartheid&quot;, disse Benguigui, se referindo ao regime de segrega&ccedil;&atilde;o racial institucionalizada contra a maioria negra da &Aacute;frica do Sul, que acabou em 1994. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, 17\/11\/2005 &ndash; A Fran&ccedil;a n&atilde;o seria a pot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica e militar que &eacute; hoje sem a contribui&ccedil;&atilde;o dos imigrantes que chegaram durante v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es, como recordaram &agrave; cidadania deste pa&iacute;s centenas de mulheres de origem magrebi em uma carta aberta. 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