{"id":12083,"date":"2013-06-18T09:49:45","date_gmt":"2013-06-18T09:49:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12083"},"modified":"2013-06-18T09:49:45","modified_gmt":"2013-06-18T09:49:45","slug":"contra-os-casamentos-precoces-no-sudo-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/africa\/contra-os-casamentos-precoces-no-sudo-do-sul\/","title":{"rendered":"Contra os casamentos precoces no Sud&atilde;o do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 18\/06\/2013 &ndash; Akech B. gostava de estudar e sonhava ser enfermeira. Contudo, quando completou 14 anos, o tio que a criava a obrigou a deixar a escola para se casar com um homem que, segundo ela, era velho e de cabelo branco, e que para t&ecirc;-la pagou 75 vacas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12083\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/artigo-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12083\" class=\"size-medium wp-image-12083\" title=\"Integrante da tribo mundari em Terekeka, Sud&atilde;o do Sul, onde muitas fam\u00c3\u00adlias consideram o matrim&ocirc;nio infantil uma maneira leg\u00c3\u00adtima de ter acesso a riquezas, como o gado, mediante o pagamento de dotes. - ared Ferrie\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/artigo-300x199.jpg\" alt=\"Integrante da tribo mundari em Terekeka, Sud&atilde;o do Sul, onde muitas fam\u00c3\u00adlias consideram o matrim&ocirc;nio infantil uma maneira leg\u00c3\u00adtima de ter acesso a riquezas, como o gado, mediante o pagamento de dotes. - ared Ferrie\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12083\" class=\"wp-caption-text\">Integrante da tribo mundari em Terekeka, Sud&atilde;o do Sul, onde muitas fam\u00c3\u00adlias consideram o matrim&ocirc;nio infantil uma maneira leg\u00c3\u00adtima de ter acesso a riquezas, como o gado, mediante o pagamento de dotes. - ared Ferrie\/IPS<\/p><\/div>  O homem j&aacute; era casado com outra mulher, com a qual tinha v&aacute;rios filhos.<\/p>\n<p>Akech tentou resistir ao casamento, mantendo seu sonho de estudar enfermagem. Mas, seu tio lhe disse: &quot;As meninas nascem para que a gente possa comer. Tudo o que quero &eacute; receber meu dote&quot;.<\/p>\n<p>Seus primos homens bateram nela com for&ccedil;a e a obrigaram a ir com eles &agrave; casa do homem em quest&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas Akech fugiu e se escondeu na casa de uma amiga. Seu tio a encontrou e mandou prend&ecirc;-la, dizendo aos policiais que havia fugido do marido e precisava que lhe dessem uma li&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A jovem passou uma noite atr&aacute;s das grades. Quando seus primos foram busc&aacute;-la, lhe deram uma surra t&atilde;o violenta que praticamente n&atilde;o conseguia andar. Depois a levaram de volta a seu marido. Ent&atilde;o, Akech sentiu que n&atilde;o tinha op&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o ser ficar.<\/p>\n<p>Ouvi hist&oacute;rias como a de Akech mais de uma vez, de mulheres e meninas que entrevistei entre mar&ccedil;o e outubro de 2012 no Sud&atilde;o do Sul, pa&iacute;s em que o casamento infantil &eacute; um problema de propor&ccedil;&otilde;es end&ecirc;micas.<\/p>\n<p>Quase a metade de todas as jovens entre 15 e 19 anos est&aacute; casada nesse pa&iacute;s africano, segundo um estudo do governo. Algumas t&ecirc;m apenas 12 anos quando contraem matrim&ocirc;nio. As que tentam resistir a essas uni&otilde;es for&ccedil;adas podem sofrer consequ&ecirc;ncias brutais por parte de suas pr&oacute;prias fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch documentou casos de adolescentes cruelmente golpeadas, humilhadas verbalmente e amea&ccedil;adas com maldi&ccedil;&otilde;es, ou levadas &agrave; pol&iacute;cia para obrig&aacute;-las a casar. Algumas foram mantidas em cativeiro e inclusive assassinadas por suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Muitas comunidades sul-sudanesas consideram que o casamento infantil &eacute; para o bem das meninas e de suas fam&iacute;lias. &Eacute; visto como uma maneira importante de as fam&iacute;lias terem acesso a riquezas por meio da pr&aacute;tica tradicional de transferir gado, dinheiro ou outros presentes mediante o pagamento de dotes. Tamb&eacute;m &eacute; visto como uma forma de proteger as jovens das rela&ccedil;&otilde;es sexuais antes de se casarem e da gravidez indesejada.<\/p>\n<p>Para algumas meninas, o casamento tamb&eacute;m pode ser a &uacute;nica maneira de escaparem da pobreza ou da viol&ecirc;ncia que sofrem em suas casas.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, a realidade est&aacute; longe disso. Aquelas que se casam jovens s&atilde;o expulsas das escolas, onde lhes negam a educa&ccedil;&atilde;o que precisam para se sustentarem e tamb&eacute;m &agrave;s suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Estudos de sa&uacute;de reprodutiva mostram que as jovens enfrentam maiores riscos na gravidez e no parto do que as mais velhas. Isto inclui trabalho de parto obstru&iacute;do e potencialmente mortal pelo fato de suas p&eacute;lvis serem menores e seus corpos imaturos, problemas exacerbados pelos limitados servi&ccedil;os de sa&uacute;de pr&eacute; e p&oacute;s-natal no Sud&atilde;o do Sul.<\/p>\n<p>Os casamentos precoces tamb&eacute;m criam um entorno que aumenta a vulnerabilidade das meninas casadas aos abusos f&iacute;sicos, sexuais, psicol&oacute;gicos e econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>Isto ocorre porque estas uni&otilde;es limitam seus conhecimentos e habilidades, seus recursos, suas redes de apoio social e sua autonomia, deixando-as com pouco poder em rela&ccedil;&atilde;o ao que ostentam seu marido ou a fam&iacute;lia dele.<\/p>\n<p>Cada vez h&aacute; mais consci&ecirc;ncia de que o casamento infantil &eacute; um s&eacute;rio problema de direitos humanos no Sud&atilde;o do Sul. O governo tomou algumas medidas para abord&aacute;-lo, aprovando leis que incluem importantes prote&ccedil;&otilde;es para meninas e mulheres nesse sentido.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m h&aacute; esfor&ccedil;os para melhorar o acesso das meninas a educa&ccedil;&atilde;o, por exemplo, mediante um sistema alternativo de ensino que permita &agrave;s jovens continuarem na escola mesmo gr&aacute;vidas, bem como as m&atilde;es e indiv&iacute;duos em geral que n&atilde;o tiveram acesso a uma educa&ccedil;&atilde;o formal ou que abandonaram os estudos.<\/p>\n<p>No entanto, estas medidas s&atilde;o insuficientes, e frequentemente esbarram em uma variedade de problemas e limita&ccedil;&otilde;es. H&aacute; brechas e conflitos nas leis criadas para proteger mulheres e meninas de casamentos precoces e for&ccedil;ados.<\/p>\n<p>A m&aacute; compreens&atilde;o das disposi&ccedil;&otilde;es que essas leis cont&ecirc;m, que se exacerba pela falta de uma adequada forma&ccedil;&atilde;o, pela m&aacute; coordena&ccedil;&atilde;o entre os minist&eacute;rios respons&aacute;veis por proteger a inf&acirc;ncia dos abusos, e pela falta de uma clara delega&ccedil;&atilde;o de responsabilidades perante autoridades espec&iacute;ficas, perpetua os matrim&ocirc;nios precoces e a viol&ecirc;ncia contra as meninas que resistem a eles.<\/p>\n<p>H&aacute; em curso v&aacute;rias pequenas iniciativas, implantadas ou financiadas por organiza&ccedil;&otilde;es locais e internacionais, doadores e o governo, que abordam aspectos do casamento infantil. Por&eacute;m, estes esfor&ccedil;os s&atilde;o espor&aacute;dicos, descoordenados e de alcance limitado.<\/p>\n<p>Em raz&atilde;o destas falhas, muitas mulheres continuam lidando com esse problema, frequentemente de consequ&ecirc;ncias devastadoras e de longa dura&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por ocasi&atilde;o do Dia da Crian&ccedil;a Africana, celebrado no dia 16 deste m&ecirc;s, o Sud&atilde;o do Sul deveria adotar medidas imediatas e de longo prazo para proteger as menores desta pr&aacute;tica prejudicial e garantir o cumprimento de seus direitos humanos.<\/p>\n<p>Apenas um enfoque exaustivo, que deveria ser exposto em um plano de a&ccedil;&atilde;o nacional, ajudar&aacute; a garantir um avan&ccedil;o significativo por parte do governo, de suas ag&ecirc;ncias e dos s&oacute;cios para o desenvolvimento para acabar com o casamento infantil.<\/p>\n<p>Esse enfoque deveria incluir reformas legais e iniciativas program&aacute;ticas que abordem as causas e consequ&ecirc;ncias do matrim&ocirc;nio precoce, bem como a prote&ccedil;&atilde;o para mulheres e meninas que buscam um ressarcimento por interm&eacute;dio do sistema judicial.<\/p>\n<p>&Eacute; importante que o Sud&atilde;o do Sul adote estas medidas, porque o casamento infantil limita o avan&ccedil;o social, educativo, sanit&aacute;rio, de seguran&ccedil;a e econ&ocirc;mico de mulheres e crian&ccedil;as, de suas fam&iacute;lias e de suas comunidades. &Eacute; prov&aacute;vel que n&atilde;o combater este flagelo tenha s&eacute;rias implica&ccedil;&otilde;es para o futuro desenvolvimento do pa&iacute;s. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Agnes Odhiambo &eacute; investigadora da &Aacute;frica para as mulheres na organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 18\/06\/2013 &ndash; Akech B. gostava de estudar e sonhava ser enfermeira. Contudo, quando completou 14 anos, o tio que a criava a obrigou a deixar a escola para se casar com um homem que, segundo ela, era velho e de cabelo branco, e que para t&ecirc;-la pagou 75 vacas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/africa\/contra-os-casamentos-precoces-no-sudo-do-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,13,12,6],"tags":[21,24],"class_list":["post-12083","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-colunistas","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12083\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}