{"id":12087,"date":"2013-06-19T09:56:00","date_gmt":"2013-06-19T09:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12087"},"modified":"2013-06-19T09:56:00","modified_gmt":"2013-06-19T09:56:00","slug":"boom-da-quinua-desafia-agricultura-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/boom-da-quinua-desafia-agricultura-local\/","title":{"rendered":"Boom da quinua desafia agricultura local"},"content":{"rendered":"<p>Roma, It&aacute;lia, 19\/06\/2013 &ndash; Na &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o do informe Perspectivas Alimentares, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) prev&ecirc; que &quot;no futuro a quinua poder&aacute; ter um papel mais importante no sistema alimentar global, devido &agrave; sua capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o a diferentes regi&otilde;es agroecol&oacute;gicas e &agrave;s suas qualidades nutricionais superiores&quot;.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12087\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n89-300x183.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12087\" class=\"size-medium wp-image-12087\" title=\"Salada de quinua servida na sede da FAO em Roma. - Julio Godoy\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n89-300x183.jpg\" alt=\"Salada de quinua servida na sede da FAO em Roma. - Julio Godoy\/IPS\" width=\"200\" height=\"122\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12087\" class=\"wp-caption-text\">Salada de quinua servida na sede da FAO em Roma. - Julio Godoy\/IPS<\/p><\/div>  Este milenar pseudocereal andino ganhou recentemente popularidade mundial gra&ccedil;as aos seus valores nutritivos. O governo da Bol&iacute;via, principal produtor mundial, conseguiu inclusive que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas declarassem 2013 Ano Internacional da Quinua.<\/p>\n<p>No informe do dia 13, em antecipa&ccedil;&atilde;o &agrave; 38&ordf; Confer&ecirc;ncia da FAO, que acontece em Roma, entre os dias 15 e 22, esta ag&ecirc;ncia da ONU tamb&eacute;m estima que a demanda mundial continuar&aacute; aumentando &quot;com for&ccedil;a nos pr&oacute;ximos anos, impulsionada principalmente pelos pa&iacute;ses desenvolvidos, onde o gasto com alimentos naturais e mais saud&aacute;veis &eacute; uma tend&ecirc;ncia em alta&quot;.<\/p>\n<p>O &quot;gr&atilde;o de ouro&quot; &eacute; um alimento excepcional, com alto conte&uacute;do de prote&iacute;nas, superior ao do arroz, do trigo e do milho. Tamb&eacute;m cont&eacute;m oito amino&aacute;cidos essenciais e elevadas quantidades de ferro, c&aacute;lcio, magn&eacute;sio, pot&aacute;ssio, f&oacute;sforo e zinco. &Eacute; facilmente digerida, tem pouca gordura e est&aacute; livre de gl&uacute;ten. A crescente demanda mundial &eacute; uma boa not&iacute;cia alimentar e econ&ocirc;mica. Entretanto, revela perversidades t&iacute;picas do mercado global de alimentos.<\/p>\n<p>Segundo o escrit&oacute;rio de estat&iacute;sticas da FAO, no per&iacute;odo 1992-2010, a &aacute;rea de colheita nos principais pa&iacute;ses produtores &#8211; Bol&iacute;via, Peru, Equador &#8211; quase duplicou, e entre 2005 e 2012 a produ&ccedil;&atilde;o cresceu oito vezes. Mas, em contraste com a popularidade da quinua entre consumidores de pa&iacute;ses industrializados, seu consumo na regi&atilde;o andina continua relativamente baixo, pois sofre o estigma de ser &quot;comida de pobre&quot;, como disse Valeria Calamaro, ativista pelo com&eacute;rcio justo da organiza&ccedil;&atilde;o Altromercado.<\/p>\n<p>O boom da produ&ccedil;&atilde;o andina apresenta v&aacute;rios desafios. Como seu pre&ccedil;o de exporta&ccedil;&atilde;o &eacute; alto, desloca outros produtos locais, convertendo-se em monocultura em terras montanhosas e fr&aacute;geis do oeste boliviano. Tamb&eacute;m provoca uma contra&ccedil;&atilde;o da pecu&aacute;ria de camel&iacute;deos, como a lhama. Menos gado significa menos esterco, fertilizante org&acirc;nico de uso tradicional para preservar os solos nessas regi&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;Diante da alta demanda mundial deste alimento, as pr&aacute;ticas tradicionais foram abandonadas&quot;, disse o agr&ocirc;nomo Vladimir Orsag, diretor do Programa de Pesquisa Estrat&eacute;gica da Bol&iacute;via e professor da Universidade Maior de San Andr&eacute;s. &quot;A fronteira agr&iacute;cola se amplia nas zonas planas, ocupando espa&ccedil;os destinados &agrave; pecu&aacute;ria, que sempre foi uma atividade complementar para a agricultura&quot;, acrescentou. Esta din&acirc;mica n&atilde;o respeita os per&iacute;odos de descanso da terra, &quot;provocando eros&atilde;o de solos, maior mineraliza&ccedil;&atilde;o e perda acelerada de mat&eacute;ria org&acirc;nica, maior incid&ecirc;ncia de pragas e doen&ccedil;as nos cultivos e, por fim, queda da fertilidade e produtividade dos solos&quot;, enfatizou Orsag, de La Paz, em entrevista por telefone &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Em outras palavras, se a demanda internacional continuar crescendo, como prev&ecirc; a FAO, o cultivo de quinua n&atilde;o &eacute; sustent&aacute;vel nas condi&ccedil;&otilde;es atuais. O governo da Bol&iacute;via tem consci&ecirc;ncia destes problemas. Por um lado, estimula o consumo interno, buscando mudar os h&aacute;bitos alimentares da popula&ccedil;&atilde;o, e, por outro, tenta recuperar as t&eacute;cnicas agr&iacute;colas mais apropriadas. Dados oficiais mostram que, do total da produ&ccedil;&atilde;o nacional de 2012 (50.566 toneladas), s&oacute; 24%, cerca de 12 mil toneladas, foi destinada ao consumo interno. O governo espera que este suba para 20 mil toneladas este ano.<\/p>\n<p>O vice-ministro de Desenvolvimento Rural e Agropecu&aacute;rio, V&iacute;ctor Hugo V&aacute;squez Mamani, chefe da delega&ccedil;&atilde;o boliviana na Confer&ecirc;ncia, admite que o boom da quinua provocou eros&atilde;o. &quot;Mas estamos recuperando as boas pr&aacute;ticas agr&iacute;colas de nossos antepassados&quot;, destacou V&aacute;squez Mamani em entrevista &agrave; IPS. &quot;Respeitamos mais os per&iacute;odos de descanso da terra e praticamos o que chamamos complexo lhama-quinua, para obter adubos agr&iacute;colas e manter a riqueza dos solos&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Em sua opini&atilde;o, o aumento do pre&ccedil;o internacional n&atilde;o &eacute; determinante do consumo interno. &quot;Os bolivianos do altiplano bebem muita cerveja, que &eacute; mais cara do que a quinua. Al&eacute;m disso, o consumo interno cresceu de maneira proporcional ao aumento da produ&ccedil;&atilde;o e das exporta&ccedil;&otilde;es&quot;, pontuou Mamani. As autoridades continuam estimulando o consumo. &quot;Estou convencido de que tamb&eacute;m comemos com os olhos. Para que as pessoas comam mais quinua temos que preparar os pratos de uma maneira mais apetitosa&quot;, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma, It&aacute;lia, 19\/06\/2013 &ndash; Na &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o do informe Perspectivas Alimentares, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) prev&ecirc; que &quot;no futuro a quinua poder&aacute; ter um papel mais importante no sistema alimentar global, devido &agrave; sua capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o a diferentes regi&otilde;es agroecol&oacute;gicas e &agrave;s suas qualidades nutricionais superiores&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/boom-da-quinua-desafia-agricultura-local\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-12087","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12087","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12087"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12087\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}