{"id":12092,"date":"2013-06-20T10:18:55","date_gmt":"2013-06-20T10:18:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=12092"},"modified":"2013-06-20T10:18:55","modified_gmt":"2013-06-20T10:18:55","slug":"a-cada-quatro-segundos-h-mais-um-refugiado-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/a-cada-quatro-segundos-h-mais-um-refugiado-no-mundo\/","title":{"rendered":"A cada quatro segundos h&aacute; mais um refugiado no mundo"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil,, 20\/06\/2013 &ndash; Antes de chegar ao Brasil, Yves Norodom, de 21 anos, fez uma longa viagem ap&oacute;s ser for&ccedil;ado a deixar seu pa&iacute;s, a Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo (RDC), em uma perip&eacute;cia repetida por 45,2 milh&otilde;es de refugiados existentes no mundo, o maior n&uacute;mero em 20 anos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_12092\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n79-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12092\" class=\"size-medium wp-image-12092\" title=\"O acampamento de Dormiz, no Curdist&atilde;o iraquiano, com milhares de refugiados s\u00c3\u00adrios. - Acnur\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n79-300x199.jpg\" alt=\"O acampamento de Dormiz, no Curdist&atilde;o iraquiano, com milhares de refugiados s\u00c3\u00adrios. - Acnur\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12092\" class=\"wp-caption-text\">O acampamento de Dormiz, no Curdist&atilde;o iraquiano, com milhares de refugiados s\u00c3\u00adrios. - Acnur<\/p><\/div>  &Eacute; o que indica o relat&oacute;rio Tend&ecirc;ncias Globais 2012, divulgado ontem no Rio de Janeiro e em outras cidades de diferentes regi&otilde;es do mundo pelo Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (Acnur).<\/p>\n<p>Desse total, 28,8 milh&otilde;es de pessoas s&atilde;o refugiadas dentro das pr&oacute;prias fronteiras de seus pa&iacute;ses e 15,4 milh&otilde;es obtiveram status de refugiados em outras na&ccedil;&otilde;es. O Acnur registrou, no ano passado, 33,8 milh&otilde;es de pessoas sob sua assist&ecirc;ncia, o maior n&uacute;mero desde 1994. Dessa quantidade, 10,5 milh&otilde;es eram refugiados. Em m&eacute;dia, 23 mil pessoas tiveram que abandonar for&ccedil;osamente suas casas a cada dia em 2012, elevando o n&uacute;mero de refugiados for&ccedil;ados no fechamento do ano para 45,2 milh&otilde;es, o maior desde que em 1994 a guerra dos B&aacute;lc&atilde;s e a crise humanit&aacute;ria de Ruanda aumentaram essa trag&eacute;dia humana para 47 milh&otilde;es. Ao terminar 2011, o n&uacute;mero de refugiados for&ccedil;ados era de 43 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>O representante do Acnur no Brasil, Andr&eacute;s Ram&iacute;rez, disse, ao apresentar o informe na v&eacute;spera do Dia Mundial do Refugiado, que as guerras e os conflitos armados continuam sendo a principal causa de deslocamento for&ccedil;ado. Ressaltou que metade dos refugiados do mundo procede de Afeganist&atilde;o, S&iacute;ria, Iraque, Som&aacute;lia e Sud&atilde;o. &quot;Em m&eacute;dia, a cada quatro segundos uma pessoa se converte em refugiada. N&atilde;o h&aacute; vontade pol&iacute;tica em n&iacute;vel mundial para prevenir os conflitos&quot;, pontuou Ram&iacute;rez. &quot;O tema dos refugiados &eacute; um drama, uma trag&eacute;dia humana de grandes dimens&otilde;es&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>O Afeganist&atilde;o encabe&ccedil;a a lista quanto &agrave; origem dos refugiados, uma posi&ccedil;&atilde;o que ocupa h&aacute; mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Em 2012 procediam desse pa&iacute;s asi&aacute;tico 2,5 milh&otilde;es de pessoas nesta situa&ccedil;&atilde;o registradas pelo Acnur. A Som&aacute;lia est&aacute; em segundo lugar com 1,1 milh&atilde;o, seguida de Iraque com 746 mil, e S&iacute;ria com 471 mil.<\/p>\n<p>O Acnur acrescentou que h&aacute; no mundo quase um milh&atilde;o de pessoas refugiadas, &agrave; espera de obter asilo em outros pa&iacute;ses. Isso aconteceu a Norodom, segundo contou &agrave; IPS. Ele teve que esperar at&eacute; conseguir fugir para o Qu&ecirc;nia e passar pela Gr&atilde;-Bretanha, antes de chegar ao Brasil em 2010 sem documentos e apenas com a roupa do corpo. &quot;No Congo todos temiam por minha vida. Eu lutava para sobreviver, fiz o imposs&iacute;vel para conseguir. Meu trabalho era salvar minha pr&oacute;pria pele e nessa &eacute;poca eu tinha 17 anos&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>Seu pai, um representante da oposi&ccedil;&atilde;o, j&aacute; teve que deixar a RDC h&aacute; quase uma d&eacute;cada, enquanto seus 15 irm&atilde;os foram recebendo ref&uacute;gio em diferentes pa&iacute;ses e a fam&iacute;lia acabou fragmentada pela di&aacute;spora. &quot;Nos amea&ccedil;aram e seis irm&atilde;os acabamos no Brasil, outros j&aacute; haviam conseguido ref&uacute;gio, alguns na &Aacute;frica, outros na Fran&ccedil;a. Tivemos que nos separar&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Uma das maiores dificuldades de Norodom foi aprender a falar portugu&ecirc;s. &quot;&Eacute; um idioma que nunca ouvira. Demorei seis meses para aprender o b&aacute;sico e depois um ano para domin&aacute;-lo melhor&quot;, explicou. Atualmente est&aacute; desempregado, mas mant&eacute;m o sonho de um dia poder voltar a estudar e conseguir entrar na universidade p&uacute;blica do Rio de Janeiro, para cursar engenharia qu&iacute;mica. &quot;N&atilde;o &eacute; que esteja muito feliz, mas ao menos estou vivo e me encontro bem&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>A vida de Norodom se parece com a de muitos outros que chegaram ao Brasil. Segundo o Comit&ecirc; Nacional para Refugiados (Conare), vinculado ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, h&aacute; no pa&iacute;s 4.715 estrangeiros nesta situa&ccedil;&atilde;o, de 76 nacionalidades. Deles, 2.012 contam com assist&ecirc;ncia do Acnur. &quot;S&atilde;o pessoas que pertencem a grupos &eacute;tnicos que fogem por motivos de pensamento ou conflito. Nosso desafio &eacute; oferecer as melhores condi&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&atilde;o para a integra&ccedil;&atilde;o do refugiado&quot;, disse Jo&atilde;o Guilherme Granja, vice-presidente do Conare.<\/p>\n<p>O Brasil tem uma legisla&ccedil;&atilde;o apropriada para a acolhida de refugiados e oferece todos os servi&ccedil;os p&uacute;blicos e similares direitos aos das pessoas nascidas no pa&iacute;s, mas recebe bem menos quantidade do que na&ccedil;&otilde;es mais pobres, como Paquist&atilde;o, que mant&eacute;m acolhidos 1,638 milh&atilde;o de pessoas. Tamb&eacute;m Iraque, Qu&ecirc;nia, S&iacute;ria e Eti&oacute;pia est&atilde;o na lista dos pa&iacute;ses que mais acolhem refugiados, segundo o Acnur. Em 2012 o Brasil recebeu mais de 1.200 solicita&ccedil;&otilde;es de ref&uacute;gio e este ano o n&uacute;mero ser&aacute; maior, disse o representante do Acnur.<\/p>\n<p>&quot;Temos mais solicita&ccedil;&otilde;es devido &agrave; crise em v&aacute;rios pa&iacute;ses. O Brasil tem dimens&otilde;es continentais e poderia receber mais refugiados, mas est&aacute; muito distante dos lugares onde est&atilde;o ocorrendo as emerg&ecirc;ncias humanit&aacute;rias&quot;, explicou Ram&iacute;rez. Por&eacute;m, o aumento do custo de vida nas cidades brasileiras e as dificuldades da maior parte da sociedade tamb&eacute;m afetam a qualidade de vida dos refugiados, argumentou Aline Thuller, coordenadora da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Caritas, ligada &agrave; Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>&quot;A maioria dos refugiados vive em comunidades com car&ecirc;ncias e em favelas. Eles t&ecirc;m os mesmos direitos aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e as mesmas dificuldades que sofrem os brasileiros. A maioria trabalha no setor informal&quot;, indicou Thuller &agrave; IPS. Segundo a coordenadora, &quot;ainda h&aacute; muito preconceito, os refugiados s&atilde;o confundidos com foragidos por desconhecimento desse status&quot;. A Caritas recebia anteriormente principalmente homens angolanos, que fugiam do recrutamento for&ccedil;ado durante a guerra civil em seu pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Agora, ao Rio de Janeiro chegam muitas mulheres gr&aacute;vidas e com filhos, e fam&iacute;lias inteiras. O Rio de Janeiro &eacute; o segundo Estado que mais refugiados recebe, depois de S&atilde;o Paulo, e est&aacute; ultimando um plano regional de aten&ccedil;&atilde;o aos acolhidos. &quot;As pessoas criaram grupos de trabalho divididos em eixos tem&aacute;ticos e incluem atividades pr&aacute;ticas para facilitar o acesso a direitos b&aacute;sicos por parte dos refugiados&quot;, explicou Thuller. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil,, 20\/06\/2013 &ndash; Antes de chegar ao Brasil, Yves Norodom, de 21 anos, fez uma longa viagem ap&oacute;s ser for&ccedil;ado a deixar seu pa&iacute;s, a Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo (RDC), em uma perip&eacute;cia repetida por 45,2 milh&otilde;es de refugiados existentes no mundo, o maior n&uacute;mero em 20 anos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/america-latina\/a-cada-quatro-segundos-h-mais-um-refugiado-no-mundo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-12092","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12092\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}