{"id":12126,"date":"2013-06-24T12:39:03","date_gmt":"2013-06-24T12:39:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=90956"},"modified":"2013-06-24T12:39:03","modified_gmt":"2013-06-24T12:39:03","slug":"biofortificacao-para-combater-a-fome-oculta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/ultimas-noticias\/biofortificacao-para-combater-a-fome-oculta\/","title":{"rendered":"Biofortifica\u00e7\u00e3o para combater a \u201cfome oculta\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_90957\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 209px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/n113.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-90957\" title=\"n1\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/n113.jpg\" alt=\"n113 Biofortifica\u00e7\u00e3o para combater a \u201cfome oculta\u201d\" width=\"199\" height=\"300\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A mandioca \u00e9 um cultivo b\u00e1sico na \u00c1frica. A nova variedade promovida pelo CGIAR \u00e9 nutritiva, por conter maior quantidade de vitamina A, zinco ou ferro. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Na\u00e7\u00f5es Unidas, 24\/6\/2013 \u2013 A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), que trabalha para acabar com a desnutri\u00e7\u00e3o de mais de dois bilh\u00f5es de pessoas no mundo, se mostra bastante favor\u00e1vel a enriquecer o conte\u00fado de micronutrientes das plantas. Em termos t\u00e9cnicos esse processo se chama biofortifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma interven\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em mat\u00e9ria de nutrientes projetada para potencializar o conte\u00fado de micronutrientes dos alimentos por meio de pr\u00e1ticas agron\u00f4micas e do cultivo de plantas.<\/span><\/p>\n<p>O cultivo acontece na HarvestPlus, um programa internacional apoiado pelo Grupo Consultor Internacional para a Pesquisa Agr\u00edcola (CGIAR), e em centros nacionais de pesquisa agr\u00edcola, principalmente em pa\u00edses do Sul em desenvolvimento. O primeiro cultivo nutritivo, que foi desenvolvido por cientistas africanos e divulgado em associa\u00e7\u00e3o com o Centro Internacional da Batata (CIB), a batata alaranjada, demonstrou ser efetiva em fornecer at\u00e9 100% das necessidades di\u00e1rias de vitamina A para crian\u00e7as menores, de acordo com o CGIAR.<\/p>\n<p>Atualmente, est\u00e3o sendo desenvolvidos seis cultivos adicionais mediante a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos convencionais: mandioca e milho, ricos em vitamina A; feij\u00f5es e milho p\u00e9rola, ricos em ferro; e trigo e arroz, que s\u00e3o ricos em zinco. Os tr\u00eas primeiros t\u00eam por objetivo a \u00c1frica e os demais a \u00c1sia meridional. Em 2012 foram lan\u00e7adas novas variedades dos quatro primeiros cultivos, e se espera que o trigo e o arroz sejam os pr\u00f3ximos, ainda este ano.<\/p>\n<p>Embora demore produzir a quantidade de sementes necess\u00e1rias para atender a demanda, at\u00e9 meio milh\u00e3o de agricultores estar\u00e3o cultivando estes produtos nutritivos at\u00e9 o final do ano, segundo o CGIAR. Perguntado at\u00e9 que ponto pode chegar o cultivo de plantas na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas da fome e da nutri\u00e7\u00e3o no mundo, Erick Boy, diretor de nutri\u00e7\u00e3o da HarvestPlus, respondeu \u00e0 IPS que \u201cnos centramos na fome oculta, causada pela n\u00e3o obten\u00e7\u00e3o de suficientes minerais e vitaminas na dieta. Este \u00e9 o principal problema da fome que o mundo enfrenta atualmente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs seis novas variedades de cultivos b\u00e1sicos que desenvolvemos s\u00e3o mais nutritivas: cont\u00eam maiores quantidades de vitamina A, zinco ou ferro\u201d, afirmou Boy. A falta destes nutrientes \u00e9 o que causa problemas de sa\u00fade generalizados, especialmente em mulheres e crian\u00e7as. Boy acrescentou que tais cultivos ser\u00e3o distribu\u00eddos para mais de tr\u00eas milh\u00f5es de fam\u00edlias de agricultores em sete pa\u00edses da \u00c1frica e da \u00c1sia at\u00e9 2015. \u201cNada mal para um programa que come\u00e7ou do zero para desenvolver estes cultivos, em 2003\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Consumidos regularmente, estes cultivos biofortificados podem fornecer, em m\u00e9dia, 50% da quantidade necess\u00e1ria de vitamina A, zinco ou ferro. Segundo o CGIAR, mais de dois bilh\u00f5es de pessoas no mundo n\u00e3o recebem por\u00e7\u00f5es di\u00e1rias suficientes desses nutrientes cruciais em suas dietas. Isto pode causar menor coeficiente intelectual, atrofia e cegueira em crian\u00e7as; maior suscetibilidade a doen\u00e7as em crian\u00e7as e adultos; maiores riscos para a sa\u00fade das m\u00e3es, e de seus beb\u00eas, durante o parto.<\/p>\n<p>Segundo o Banco Mundial, as crian\u00e7as desnutridas t\u00eam maiores probabilidades de deixar a escola e de ter menor renda na vida adulta, reduzindo o crescimento econ\u00f4mico geral. Em sua publica\u00e7\u00e3o <em>O Estado Mundial da Agricultura e da Alimenta\u00e7\u00e3o 2013<\/em>, divulgada em Roma, na It\u00e1lia, a FAO explica que, ao contr\u00e1rio da fortifica\u00e7\u00e3o, que ocorre durante o processamento dos alimentos, biofortifica\u00e7\u00e3o implica enriquecer o conte\u00fado de micronutrientes das plantas.<\/p>\n<p>Persistem as perguntas sobre se consumidor est\u00e1 pronto para comprar alimentos biofortificados, especialmente quando estes s\u00e3o diferentes das variedades tradicionais. Segundo a FAO, as primeiras evid\u00eancias sugerem que os consumidores est\u00e3o dispostos a adquiri-los, e inclusive pagariam um pouco mais por eles. Em Uganda, a FAO descobriu que os consumidores estavam dispostos a pagar pelas variedades alaranjadas da batata, da mesma forma que pagavam pelas brancas, inclusive sem uma campanha promocional.<\/p>\n<p>Resultados semelhantes foram registrados em Z\u00e2mbia, no caso do milho alaranjado, potencializado nutricionalmente, para que os consumidores n\u00e3o o confundissem com o milho amarelo (comum) ou o branco. Quando sua introdu\u00e7\u00e3o foi acompanhada de informa\u00e7\u00e3o nutricional, tamb\u00e9m foi aceito um pre\u00e7o um pouco maior. \u201cNos focamos na \u00c1frica subsaariana e \u00c1sia meridional porque, se algu\u00e9m olhar qualquer mapa da fome oculta, estas s\u00e3o as regi\u00f5es marcadas em vermelho\u201d, destacou Boy.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina fez um trabalho melhor ao aprimorar a nutri\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Contudo, ainda h\u00e1 bols\u00f5es onde a fome oculta \u00e9 um problema, pontuou Boy. \u201cPor isso, tamb\u00e9m trabalhamos na Am\u00e9rica Latina. Na verdade, agora estou na Guatemala\u201d, contou. Nesse pa\u00eds ele trabalha com diferentes envolvidos com rela\u00e7\u00e3o aos feij\u00f5es com alto conte\u00fado de ferro e milho rico em zinco. \u201cAntecipamos que poderemos ter variedades de dois ou tr\u00eas cultivos que s\u00e3o ricos em ferro e zinco para os agricultores da Am\u00e9rica Latina e do Caribe at\u00e9 2015\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>No come\u00e7o deste m\u00eas, o governo da Gr\u00e3-Bretanha concedeu o equivalente a US$ 46,4 milh\u00f5es \u00e0 HarvestPlus para que desenvolva e distribua seis cultivos nutritivos a v\u00e1rios milh\u00f5es de fam\u00edlias de agricultores na \u00c1frica e \u00c1sia. Esse dinheiro foi anunciado em uma reuni\u00e3o internacional de alto n\u00edvel, em Londres, com v\u00e1rios s\u00f3cios para assumir firmes compromissos pol\u00edticos e financeiros a fim de melhorar a nutri\u00e7\u00e3o no mundo. Em suas declara\u00e7\u00f5es na abertura do encontro, o primeiro-ministro brit\u00e2nico, David Cameron, disse que tudo passa por fazer as coisas de outra maneira. \u201cPara a ci\u00eancia, trata-se de aproveitar o poder da inova\u00e7\u00e3o para desenvolver melhores sementes e cultivos mais produtivos e nutritivos\u201d, apontou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 24\/6\/2013 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO), que trabalha para acabar com a desnutri&ccedil;&atilde;o de mais de dois bilh&otilde;es de pessoas no mundo, se mostra bastante favor&aacute;vel a enriquecer o conte&uacute;do de micronutrientes das plantas. 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