{"id":1226,"date":"2005-11-22T00:00:00","date_gmt":"2005-11-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1226"},"modified":"2005-11-22T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-22T00:00:00","slug":"coria-do-sul-uma-moderada-potncia-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/mundo\/coria-do-sul-uma-moderada-potncia-regional\/","title":{"rendered":"Cor&eacute;ia do Sul: Uma moderada pot&ecirc;ncia regional"},"content":{"rendered":"<p>Busan, 22\/11\/2005 &ndash; At&eacute; h&aacute; pouco tempo, a Cor&eacute;ia do Sul era considerada outro pigmeu pol&iacute;tico da &Aacute;sia no bolso dos Estados Unidos. Mas agora sua grande proje&ccedil;&atilde;o externa coloca este pa&iacute;s como eventual mediador em uma regi&atilde;o conflitiva. A Cor&eacute;ia do Sul, localizada entre duas grandes pot&ecirc;ncias como China e Jap&atilde;o e colocada como cunha da Cor&eacute;ia do Norte, era subestimada por seus vizinhos, apesar de sua crescente influ&ecirc;ncia econ&ocirc;mica. Agora as percep&ccedil;&otilde;es est&atilde;o mudando rapidamente. Isto se deve a que este pa&iacute;s est&aacute; se convertendo em um dos mais vibrantes da &Aacute;sia, por sua crescente influ&ecirc;ncia cultural na regi&atilde;o e pela transforma&ccedil;&atilde;o global p&oacute;s-Guerra Fria, que fizeram com que hoje os analistas o descrevam como uma &quot;moderada pot&ecirc;ncia regional&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> O termo moderado busca mostrar que o poder da Cor&eacute;ia do Sul n&atilde;o prov&eacute;m de uma for&ccedil;a &quot;dura&quot; do ponto de vista militar ou econ&ocirc;mico, mas de sua boa imagem, que tem ra&iacute;zes na democratiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica interna, na exporta&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias e na popularidade entre os habitantes da regi&atilde;o. &quot;A Cor&eacute;ia do Sul agora est&aacute; no limiar de um novo papel, dando equil&iacute;brio de seguran&ccedil;a na regi&atilde;o devido &agrave; sua capacidade &uacute;nica de suavizar os problemas antes que ocorra uma escalada&quot;, disse Paul Bracken, um professor de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas da Universidade de Yale que assistiu ao simp&oacute;sio internacional realizado em Busan intitulado &quot;Para uma nova ordem e uma nova solidariedade asi&aacute;ticas&quot;.<\/p>\n<p> Atualmente, a Cor&eacute;ia do Sul apresenta-se pouco amea&ccedil;adora para qualquer dos outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o e, freq&uuml;entemente, para uma pot&ecirc;ncia menor fica mais f&aacute;cil trabalhar pela paz e estabilidade do que para pot&ecirc;ncias maiores que t&ecirc;m interesses mais altos, afirmou o especialista. O simp&oacute;sio, organizado pelo liberal peri&oacute;dico sul-coreano Hankyoreh, aconteceu no contexto da confer&ecirc;ncia de dois dias do F&oacute;rum de Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica &Aacute;sia-Pac&iacute;fico (Apec), que terminou s&aacute;bado em Busan e que contou com l&iacute;deres de 21 pa&iacute;ses. Contribuindo com o papel da Cor&eacute;ia do Sul nos &uacute;ltimos anos como for&ccedil;a moderadora, est&atilde;o as mudan&ccedil;as significativas nas equa&ccedil;&otilde;es geopol&iacute;ticas do nordeste da &Aacute;sia, historicamente uma regi&atilde;o de grande rivalidade de poderes, escaladas militares e profunda desconfian&ccedil;a.<\/p>\n<p> Primeiro, a introdu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o e amizade com a Cor&eacute;ia do Norte, chamada &quot;Brilho de Sol&quot;, por parte do governo anterior, de Kim Dae Jung (1997-2003), em um passo audacioso que distendeu a maior fonte de tens&atilde;o nas vizinhan&ccedil;as da Cor&eacute;ia do Sul. Muitos sul-coreanos, que antes consideravam a comunista Cor&eacute;ia do Norte como uma s&eacute;ria amea&ccedil;a &agrave; sua seguran&ccedil;a, mudaram radicalmente seu ponto de vista depois da hist&oacute;rica c&uacute;pula bilateral de 2000, onde os dois pa&iacute;ses se comprometeram a trabalhar para uma eventual reunifica&ccedil;&atilde;o. Desde a divis&atilde;o da Cor&eacute;ia em norte comunista e sul capitalista, h&aacute; 60 anos, os dois lados foram amargos inimigos e estiveram constantemente prontos para iniciar uma guerra. Mas j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais assim.<\/p>\n<p> Segundo, o distanciamento da Cor&eacute;ia do Sul dos Estados Unidos e sua disposi&ccedil;&atilde;o de criticar as pol&iacute;ticas de seu ex-mentor lhe deram uma nova credibilidade diante da China e da Cor&eacute;ia do Norte, que no passado sempre a trataram como c&uacute;mplice de Washington na regi&atilde;o. Embora Seul ainda mantenha boas rela&ccedil;&otilde;es com a Casa Branca e inclusive enviou militares ao Iraque para juntarem-se &agrave;s for&ccedil;as invasoras, o crescente sentimento antinorte-americano entre seus habitantes, a reivindica&ccedil;&atilde;o de maior soberania nacional e as realidades regionais a levaram a afirmar pol&iacute;ticas mais independentes. &quot;O governo dos Estados Unidos n&atilde;o est&aacute; de acordo que a Cor&eacute;ia do Sul surja como mediadora no nordeste da &Aacute;sia, mas n&atilde;o creio que Washington tenha a capacidade de solucionar estes problemas por conta pr&oacute;pria&quot;, afirmou Kim Bo-Geun, secret&aacute;ria-geral da Funda&ccedil;&atilde;o Hankyoreh para a Reunifica&ccedil;&atilde;o da Cultura. &quot;Nesta regi&atilde;o existe uma urgente necessidade de um intermedi&aacute;rio honesto, e a Cor&eacute;ia do Sul parece ser o melhor candidato&quot;, destacou.<\/p>\n<p> O papel da Cor&eacute;ia do Sul como mediadora foi evidente nas recentes conversa&ccedil;&otilde;es das &quot;seis partes&quot; (Estados Unidos, Jap&atilde;o, China, R&uacute;ssia e as duas Cor&eacute;ias), cujo objetivo foi tratar o problema das armas nucleares da Cor&eacute;ia do Norte. Enquanto que no passado, como aliada de Washington, Seul criticava fortemente tanto a Cor&eacute;ia do Norte quanto a China, agora se aproxima deste &uacute;ltimo pa&iacute;s e ajudou a reduzir a intensidade das posi&ccedil;&otilde;es conservadoras norte-americanas, que poderiam levar a um devastador conflito na regi&atilde;o. Outro fator que favorece a imagem da Cor&eacute;ia do Sul como moderadora &eacute; a repentina escalada de tens&otilde;es entre Jap&atilde;o e China. Enquanto T&oacute;quio se preocupa pelo surgimento da China como superpot&ecirc;ncia, Pequim v&ecirc; o rearmamento do Jap&atilde;o, com o apoio dos Estados Unidos, como uma s&eacute;ria amea&ccedil;a.<\/p>\n<p> Neste contexto, a Cor&eacute;ia do Sul aparece como uma for&ccedil;a de equil&iacute;brio para a paz entre os dois, apesar de ser uma pot&ecirc;ncia muito menor. &quot;A Cor&eacute;ia do Sul, como amiga dos Estados Unidos e da China, pode ter um papel importante em eliminar as suspeitas e come&ccedil;ar um di&aacute;logo significativo para resolver os problemas hist&oacute;ricos desta regi&atilde;o&quot;, comentou Ye Zi Cheng, da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim. Mas de todos os fatores que favorecem Seul no cen&aacute;rio regional, o mais interessante &eacute; sua crescente influ&ecirc;ncia como exportador de cultura e entretenimento, um fen&ocirc;meno chamado &quot;ayllu&quot;, que significa &quot;ol&aacute;&quot;. Nos &uacute;ltimos anos, os dramas televisivos, os filmes e a m&uacute;sica da Cor&eacute;ia do Sul passaram de uma relativa obscuridade a uma imensa popularidade, n&atilde;o s&oacute; no leste e sudeste da &Aacute;sia, mas tamb&eacute;m nos Estados Unidos e no M&eacute;xico.<\/p>\n<p> Inclusive, no Jap&atilde;o, onde todo coreano tradicionalmente foi menosprezado, o pop coreano, o &quot;K-Pop&quot;, cativou uma gera&ccedil;&atilde;o inteira de jovens. No ano passado, a cultura pop sul-coreana contabilizou US$ 1,187 bilh&atilde;o em lucros, gra&ccedil;as &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o de filmes e programas de televis&atilde;o, venda de produtos e turismo relacionados com o &quot;ayllu&quot;, segundo o Instituto de Pesquisa Comercial, uma organiza&ccedil;&atilde;o de especialistas do governo. &quot;Mais do que dinheiro, o que todas estas exporta&ccedil;&otilde;es culturais est&atilde;o fazendo &eacute; ganhar os cora&ccedil;&otilde;es e as mentes das pessoas al&eacute;m das fronteiras nacionais&quot;, afirmou Ubonrat Siriyuvasak, especialista em cultura midi&aacute;tica e popular da Universidade de Chulalangkorn, em Bangcoc. Segundo a especialista, tudo isso faz da Cor&eacute;ia do Sul o pa&iacute;s perfeito para promover a paz, n&atilde;o s&oacute; na pen&iacute;nsula coreana, mas em toda a &Aacute;sia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Busan, 22\/11\/2005 &ndash; At&eacute; h&aacute; pouco tempo, a Cor&eacute;ia do Sul era considerada outro pigmeu pol&iacute;tico da &Aacute;sia no bolso dos Estados Unidos. Mas agora sua grande proje&ccedil;&atilde;o externa coloca este pa&iacute;s como eventual mediador em uma regi&atilde;o conflitiva. A Cor&eacute;ia do Sul, localizada entre duas grandes pot&ecirc;ncias como China e Jap&atilde;o e colocada como cunha da Cor&eacute;ia do Norte, era subestimada por seus vizinhos, apesar de sua crescente influ&ecirc;ncia econ&ocirc;mica. Agora as percep&ccedil;&otilde;es est&atilde;o mudando rapidamente. Isto se deve a que este pa&iacute;s est&aacute; se convertendo em um dos mais vibrantes da &Aacute;sia, por sua crescente influ&ecirc;ncia cultural na regi&atilde;o e pela transforma&ccedil;&atilde;o global p&oacute;s-Guerra Fria, que fizeram com que hoje os analistas o descrevam como uma &quot;moderada pot&ecirc;ncia regional&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/mundo\/coria-do-sul-uma-moderada-potncia-regional\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1724,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1226","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1226","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1724"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1226\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}