{"id":1231,"date":"2005-11-23T00:00:00","date_gmt":"2005-11-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1231"},"modified":"2005-11-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-23T00:00:00","slug":"china-democracia-sim-mas-em-primeiro-lugar-o-partido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/china-democracia-sim-mas-em-primeiro-lugar-o-partido\/","title":{"rendered":"China: Democracia sim, mas em primeiro lugar o Partido"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 23\/11\/2005 &ndash; Ao receber a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, as autoridades da China insistiram em uma ret&oacute;rica pr&oacute;-democr&aacute;tica e de di&aacute;logo em mat&eacute;ria de direitos humanos, mas na realidade t&ecirc;m outros planos, dizem especialistas. A principal meta de Pequim &#8211; advertem &#8211; continua sendo a moderniza&ccedil;&atilde;o do governante Partido Comunista e a preserva&ccedil;&atilde;o de seu monop&oacute;lio do poder pol&iacute;tico, mais do que completar &quot;a travessia para maiores liberdades&quot;, como recomendou Bush em suas declara&ccedil;&otilde;es. Os governantes pensam que se conseguirem manter um elevado crescimento econ&ocirc;mico e melhorar a efici&ecirc;ncia do Partido que det&eacute;m o poder desde 1949, a popula&ccedil;&atilde;o continuar&aacute; apoiando-os, apesar dos protestos.<br \/> <!--more--> <br \/> Nos &uacute;ltimos meses, foram registrados dezenas de milhares de protestos por todo o pa&iacute;s, motivados por acusa&ccedil;&otilde;es de corrup&ccedil;&atilde;o e abuso de poder contra autoridades locais. Pequim contratou pesquisadores em diversas disciplinas acad&ecirc;micas para estudar o que ide&oacute;logos comunistas chamam de &quot;a recess&atilde;o democr&aacute;tica&quot;, isto &eacute;, o modo como a liberaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e a democracia afetam negativamente o desenvolvimento econ&ocirc;mico dos pa&iacute;ses. &quot;Usando o exemplo da R&uacute;ssia e das Filipinas, o objetivo dos pesquisadores &eacute; fortalecer a defesa do partido &uacute;nico e demonstrar que a liberaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica afunda os &ecirc;xitos econ&ocirc;micos&quot;, explicou Bates Gill, especialista em assuntos chineses do Centro para Estudos Estrat&eacute;gicos e Internacionais de Washington.<\/p>\n<p> A pesquisa come&ccedil;ou depois que Bush anunciou seus &quot;planos para a democracia&quot;, no discurso com que inaugurou seu segundo mandato, no dia 20 de janeiro. Nessa oportunidade, o mandat&aacute;rio norte-americano prometeu solenemente espalhar a democracia e acabar com a tirania no mundo. Tamb&eacute;m explicou que as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais de seu pa&iacute;s se baseariam no compromisso de suas contrapartes com os princ&iacute;pios democr&aacute;ticos. &quot;Mas esses juramentos idealistas contradizem a pol&iacute;tica pragm&aacute;tica de Washington em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; China&quot;, afirmou Zhang Lijun, pesquisador do Instituto de Estudos Internacionais, que depende da Academia Chinesa de Ci&ecirc;ncias Sociais.<\/p>\n<p> Especialistas da China insistem em que, devido ao forte desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s e sua nova condi&ccedil;&atilde;o de superpot&ecirc;ncia, o v&iacute;nculo com os Estados Unidos se tornou t&atilde;o estreito e complexo que nenhuma quest&atilde;o particular &#8211; como democracia ou direitos humanos &#8211; pode ser determinante do tom das rela&ccedil;&otilde;es. O presidente chin&ecirc;s, Hu Jintao, se apressou a minimizar a reclama&ccedil;&atilde;o de reformas democr&aacute;ticas feita por Bush. Por ocasi&atilde;o da c&uacute;pula do F&oacute;rum de Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica &Aacute;sia-Pac&iacute;fico (Apec) em Pusan, na Cor&eacute;ia do Sul, Hu disse na semana passada que seu pa&iacute;s ainda luta para se converter em uma economia desenvolvida e que pretende faz&ecirc;-lo em seu pr&oacute;prio ritmo e com seus pr&oacute;prios m&eacute;todos.<\/p>\n<p> &quot;Apesar de nosso enorme avan&ccedil;o econ&ocirc;mico, a China continua sendo o pa&iacute;s em desenvolvimento maior do mundo, com uma popula&ccedil;&atilde;o gigantesca, uma d&eacute;bil base econ&ocirc;mica e um desenvolvimento desigual&quot;, disse Jintao aos demais mandat&aacute;rios presentes &agrave; c&uacute;pula. &quot;Ainda devemos percorrer um longo caminho antes de podermos nos modernizar e alcan&ccedil;ar a prosperidade comum&quot;, afirmou. E acrescentou: &quot;Devemos respeitar o direito de todos os pa&iacute;ses de escolher, com independ&ecirc;ncia, seus pr&oacute;prios caminhos para o desenvolvimento&quot;. Assim, seus coment&aacute;rios sa&iacute;ram em resposta &agrave;s declara&ccedil;&otilde;es feitas por Bush na cidade japonesa de Kyoto, um dia antes, sobre expandir a democracia no mundo, id&eacute;ia que definiu sua viagem pela &Aacute;sia na semana passada.<\/p>\n<p> Bush apontou Taiwan &#8211; que a China considera uma prov&iacute;ncia renegada &#8211; como exemplo de sociedade aberta com progresso econ&ocirc;mico, e pediu &agrave;s autoridades em Pequim que a imitassem. A escalada de declara&ccedil;&otilde;es trocadas por Jintao e Bush continuou em Pequim, quando o presidente norte-americano disse ao seu anfitri&atilde;o que deveria dar mais liberdades aos seus cidad&atilde;os. &quot;&Eacute; importante que as liberdades sociais, pol&iacute;ticas e religiosas prosperem na China. N&oacute;s incentivamos a China a continuar processando sua transi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;ria para uma maior liberdade&quot;, disse Bush. Hu Jintao respondeu: &quot;&Eacute; inevit&aacute;vel que China e Estados Unidos tenham perspectivas diferentes em algumas quest&otilde;es. Os dois pa&iacute;ses t&ecirc;m uma hist&oacute;ria, uma cultura e uma situa&ccedil;&atilde;o interna muito diferentes&quot;.<\/p>\n<p> Nos meses seguintes ao an&uacute;ncio de Bush de uma &quot;agenda para a democracia&quot;, as autoridades chinesas expressaram claramente sua inten&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o realizar nenhuma mudan&ccedil;a que possa reduzir o poder do Partido Comunista no governo. Em uma declara&ccedil;&atilde;o intitulada &quot;A constru&ccedil;&atilde;o da democracia pol&iacute;tica na China&quot;, o governo defendeu, em outubro, a id&eacute;ia de que a China algum dia ir&aacute; adotar o tipo de democracia multipartid&aacute;ria. A China pode &quot;aprender com as experi&ecirc;ncias e os &ecirc;xitos das culturas pol&iacute;ticas de outros pa&iacute;ses. Mas n&atilde;o deve tomar nenhum outro pa&iacute;s como um modelo a ser copiado&quot;, dizia a declara&ccedil;&atilde;o. Nos &uacute;ltimos meses, Pequim tentou sistematicamente restringir e controlar o livre pensamento e a imprensa independente. <\/p>\n<p> Os censores chineses aumentaram suas restri&ccedil;&otilde;es aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o locais e o uso da Internet. Tamb&eacute;m se freou um projeto que permitiria a impress&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s de jornais estrangeiros, o que foi atribu&iacute;do &agrave; lembran&ccedil;a do papel da imprensa no colapso da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Na semana passada, o diretor da Administra&ccedil;&atilde;o Geral de Imprensa e Publica&ccedil;&otilde;es, Shi Zongyuan, mencionou as derrubadas dos governos da Ucr&acirc;nia, Ge&oacute;rgia e Quirguist&atilde;o como parte de sua argumenta&ccedil;&atilde;o para abandonar esse plano. &quot;As &#039;revolu&ccedil;&otilde;es de cores? nos recordam que &eacute; preciso n&atilde;o deixar que entrem os sabotadores e que devemos manter a porta fechada, e por essa raz&atilde;o a fechamos transitoriamente&quot;, disse Shi ao Financial Times, um dos jornais que participavam do projeto. <\/p>\n<p> Para evitar sua pr&oacute;pria &quot;revolu&ccedil;&atilde;o colorida&quot;, Pequim tamb&eacute;m perseguiu muitas organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, as quais considerou participantes de levantes registrados nas ex-rep&uacute;blicas sovi&eacute;ticas. Um projeto de regulamenta&ccedil;&atilde;o que concedia maior liberdade &agrave;s ONGs chinesas, e cuja promulga&ccedil;&atilde;o estava prevista para o final deste ano, foi completamente abandonado. Por outro lado, o Minist&eacute;rio de Assuntos Civis deixou de receber pedidos para a cria&ccedil;&atilde;o de novas associa&ccedil;&otilde;es civis, desferindo efetivamente um tapa na expans&atilde;o da sociedade civil. Como contrapartida, a decis&atilde;o de Hu Jintao de reabilitar a figura do l&iacute;der reformista Hu Yaobang, destitu&iacute;do em 1987 por suas pol&iacute;ticas liberais, foi utilizada cuidadosamente para aumentar a popularidade do Partido Comunista. <\/p>\n<p> As comemora&ccedil;&otilde;es pelo nascimento do antigo l&iacute;der do Partido, que continua sendo muito popular e cuja morte em 1989 contribuiu para precipitar os protestos pedindo democracia na Pra&ccedil;a Tiananm&eacute;n, aconteceram no dia 18 deste m&ecirc;s. O memorial foi decorado de modo a associar as atuais autoridades do Partido com o popular dirigente falecido, embora tenha havido o cuidado de manter dist&acirc;ncia de suas inclina&ccedil;&otilde;es liberais. Estranhamente, entre os presentes ao ato estavam o primeiro-ministro, Wen Jiabao, e o vice-presidente, Zeng Qinghong &#8211; n&uacute;mero dois e o n&uacute;mero tr&ecirc;s do Partido Comunista, respectivamente &#8211; mas Hu Jintao n&atilde;o compareceu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 23\/11\/2005 &ndash; Ao receber a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, as autoridades da China insistiram em uma ret&oacute;rica pr&oacute;-democr&aacute;tica e de di&aacute;logo em mat&eacute;ria de direitos humanos, mas na realidade t&ecirc;m outros planos, dizem especialistas. A principal meta de Pequim &#8211; advertem &#8211; continua sendo a moderniza&ccedil;&atilde;o do governante Partido Comunista e a preserva&ccedil;&atilde;o de seu monop&oacute;lio do poder pol&iacute;tico, mais do que completar &quot;a travessia para maiores liberdades&quot;, como recomendou Bush em suas declara&ccedil;&otilde;es. Os governantes pensam que se conseguirem manter um elevado crescimento econ&ocirc;mico e melhorar a efici&ecirc;ncia do Partido que det&eacute;m o poder desde 1949, a popula&ccedil;&atilde;o continuar&aacute; apoiando-os, apesar dos protestos.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/china-democracia-sim-mas-em-primeiro-lugar-o-partido\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1231","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1231"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1231\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}