{"id":1233,"date":"2005-11-23T00:00:00","date_gmt":"2005-11-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1233"},"modified":"2005-11-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-23T00:00:00","slug":"comunicaes-a-pobreza-perdida-na-agenda-da-informao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/comunicaes-a-pobreza-perdida-na-agenda-da-informao\/","title":{"rendered":"Comunica&ccedil;&otilde;es: A pobreza perdida na agenda da informa&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 23\/11\/2005 &ndash; Como conseguir que as quest&otilde;es referentes &agrave; pobreza, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, meio ambiente e igualdade de g&ecirc;nero ganhem lugar nas primeiras p&aacute;ginas dos jornais e nos notici&aacute;rios de r&aacute;dio e televis&atilde;o? A pergunta costuma causar uma esp&eacute;cie de cartase entre jornalistas, quando relatam suas &quot;agruras&quot; para informar sobre determinados assuntos que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consideram &quot;not&iacute;cia&quot; ou bastante atraentes. O papel da m&iacute;dia na informa&ccedil;&atilde;o sobre o desenvolvimento foi analisado nesta segunda-feira em um encontro organizado em Montevid&eacute;u pela ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias IPS (Inter Press Service) para jornalistas de Brasil, Argentina, Bol&iacute;via, Col&ocirc;mbia, Chile, Paraguai e Uruguai, do qual participaram rep&oacute;rteres, editores e chefes de not&iacute;cias de imprensa e meios eletr&ocirc;nicos grandes e pequenos, metropolitanos e de localidades com poucos habitantes.<br \/> <!--more--> <br \/> &Agrave; primeira vista, os oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio &#8211; com os quais os l&iacute;deres mundiais se comprometeram em setembro de 2000 &#8211; s&atilde;o uma tem&aacute;tica dif&iacute;cil de vincular com as &quot;not&iacute;cias&quot; locais com as quais lidam diariamente os jornalistas, cuja b&uacute;ssola costuma ser a agenda pol&iacute;tica do lugar, disseram alguns participantes do semin&aacute;rio. Apresentadores e jornalistas de r&aacute;dio de cidades pequenas do interior do Uruguai descreveram um campo marcado pelos propriet&aacute;rios ou concession&aacute;rios das emissoras no qual certos assuntos ficam exclu&iacute;dos, sob pena de demiss&atilde;o ou ter o programa tirado do ar. No Peru, depois de uma d&eacute;cada de severas restri&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade de imprensa, hoje vigora a liberdade, e tamb&eacute;m est&atilde;o em vigor normas que obrigam os funcion&aacute;rios a tornarem p&uacute;blica a informa&ccedil;&atilde;o que manejam.<\/p>\n<p> Entretanto, &quot;a qualidade e a imagem do jornalismo cai continuamente&quot;, disse &Aacute;ngel P&aacute;ez, chefe da unidade de investiga&ccedil;&otilde;es do jornal peruana La Rep&uacute;blica, citando uma pesquisa segundo a qual oito em cada 10 pessoas nesse pa&iacute;s n&atilde;o confiam na imprensa. Em sua opini&atilde;o, isto ocorre porque a competi&ccedil;&atilde;o dos jornais por mais leitores se trava no terreno da redu&ccedil;&atilde;o de custos e sal&aacute;rios dos jornalistas e, ainda, promovendo um tipo de informa&ccedil;&atilde;o superficial. Os problemas de concentra&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica e homogeneiza&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos foram descritos pelo representante da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias, Gustavo G&oacute;mez, para quem o &uacute;nico canal de televis&atilde;o que chega &agrave;s cidades do interior do Uruguai retransmite uma s&iacute;ntese dos informativos da capital, em meio a uma programa&ccedil;&atilde;o marcada por programas da vizinha Argentina.<\/p>\n<p> &quot;Onde est&aacute; o espa&ccedil;o para a informa&ccedil;&atilde;o local?&quot;, perguntou G&oacute;mez, que integra o F&oacute;rum de Comunica&ccedil;&atilde;o e Participa&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde; do Uruguai, e que sugeriu a necessidade de desenvolver meios alternativos, diferentes dos privados e dos estatais. Aos diagn&oacute;sticos &agrave; cartase, seguiram algumas propostas de autocr&iacute;tica do exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o. Na Argentina n&atilde;o existe uma estrutura de concentra&ccedil;&atilde;o dos meios diferente da de outros setores da economia, como os bancos ou supermercados, disse jornalista Mario Wainfeld, colunista do di&aacute;rio P&aacute;gina 12. Alguns colegas costumam mimetizar-se com a proposta &quot;antipol&iacute;tica&quot; de propriet&aacute;rios dos meios, que buscam reduzir todos os problemas, inclu&iacute;dos os do subdesenvolvimento, &agrave; &quot;m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o&quot; e &agrave; &quot;corrup&ccedil;&atilde;o&quot; dos governos e para os quais o jornalista deve ser um &quot;fiscal&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Poderia-se, inclusive, chegar &agrave; &quot;simplifica&ccedil;&atilde;o&quot; de que &quot;ali onde existe um pobre &eacute; preciso buscar um corrupto respons&aacute;vel&quot;, quando todos sabemos que os problemas da pobreza s&atilde;o &quot;muito mais complexos&quot;, afirmou Wainfeld. Alguns editores e apresentadores de notici&aacute;rios de televis&atilde;o do Uruguai destacaram que os problemas da pobreza e os ambientais est&atilde;o diariamente entre as not&iacute;cias divulgadas, devido a iniciativas e planos sociais lan&ccedil;ados pelo governo ou pela campanha contra a instala&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias de celulose nesse pa&iacute;s. A paraguaia Magdalena Riveros, do jornal &Uacute;ltima Hora, afirmou que a tem&aacute;tica social pode ganhar as primeiras p&aacute;ginas em seu pa&iacute;s quase que exclusivamente atrav&eacute;s de &quot;mat&eacute;rias chorosas&quot;.<\/p>\n<p> Por sua vez, Emiliano Cotelo, apresentador e diretor do programa de r&aacute;dio Em Perspectiva, do Uruguai, assinalou as dificuldades para fazer um acompanhamento dos temas, &quot;porque &agrave;s vezes os jornalistas se v&ecirc;em dominados pelo curto prazo&quot;. Mas tamb&eacute;m indicou que os assuntos das grandes c&uacute;pulas mundiais perdem peso devido ao descr&eacute;dito que ganharam a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e outras entidades internacionais, diante do escasso cumprimento de determinados compromissos. Por outro lado, o representante do Uruguai no Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia, Tom Bergmann-Harris, afirmou que o cumprimento das Metas do Mil&ecirc;nio &eacute; uma &quot;responsabilidade dos governos&quot;, que a cidadania, atrav&eacute;s dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, deveria controlar. Tamb&eacute;m pediu que &quot;n&atilde;o enfraque&ccedil;a a id&eacute;ia de que os objetivos s&atilde;o alcan&ccedil;&aacute;veis&quot;. Em definitivo, n&atilde;o s&atilde;o mais do que &quot;os direitos humanos fundamentais&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p> Esses oito objetivos pretendem reduzir pela metade a propor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o mundial que vive na indig&ecirc;ncia e na fome, at&eacute; 2015. Tamb&eacute;m objetiva conseguir ensino prim&aacute;rio universal, igualdade de g&ecirc;nero e autonomia da mulher, redu&ccedil;&atilde;o em dois ter&ccedil;os da mortalidade infantil e em tr&ecirc;s quartos da mortalidade materna, combater a aids, a mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as, garantir a sustentabilidade do meio ambiente e fomentar uma associa&ccedil;&atilde;o mundial para o desenvolvimento. Trata-se de metas &quot;conservadoras, minimalistas e pouco ambiciosas&quot;, segundo a avalia&ccedil;&atilde;o inicial feita por organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, recordou o ativista uruguaio Roberto Bissio, porta-voz da Campanha Global de A&ccedil;&atilde;o contra a Pobreza (GCAP, sigla em ingl&ecirc;s).<\/p>\n<p> &quot;Quando perguntamos aos t&eacute;cnicos do sistema das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que as formularam o motivo de determinadas porcentagens, a resposta que tivemos foi simples: tratou-se de projetar at&eacute; 2015 o ritmo de avan&ccedil;os registrados em d&eacute;cadas anteriores&quot;, afirmou. &quot;Isto significa, basicamente, n&atilde;o exigir nada a mais dos governos e das institui&ccedil;&otilde;es multilaterais&quot;, acrescentou Bissio. Entretanto, &quot;por uma vez&quot;, as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais assumiram o desafio de aceitar esses compromissos e perguntar a cada ano aos governos o que fizeram para cumprirem a pr&oacute;pria agenda com que se comprometeram, e &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais, como Banco Mundial, Fundo Monet&aacute;rio Internacional e a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, acrescentou. O certo &eacute; que a partir dos anos 90, a d&eacute;cada das grandes confer&ecirc;ncias internacionais que produziram importantes documentos e compromissos, &quot;os indicadores de desenvolvimento come&ccedil;aram a se estancar e, em alguns casos, a retroceder&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p> O encontro de jornalistas aconteceu no contexto do semin&aacute;rio &quot;Governos locais pela inclus&atilde;o social e contra a pobreza &#8211; As cidades perante o desafio dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio&quot;, convocada pelo governo de Montevid&eacute;u, pelo sistema das Na&ccedil;&otilde;es Unidas no Uruguai, a GCAP e pela IPS, com patroc&iacute;nio da prefeitura de Roma. Os prefeitos Ricardo Ehrlich, de Montevid&eacute;u, e Fernando Damata Pimentel, de Belo Horizonte, e a vice-prefeita de Roma, Maria Pia Garavaglia, se referiram &agrave;s estrat&eacute;gias locais de luta contra a pobreza e &agrave; necessidade de combater a fragmenta&ccedil;&atilde;o social das cidades, provocada, em parte, pela globaliza&ccedil;&atilde;o. &quot;Estamos muito longe de entend&ecirc;-los&quot;, sintetizou o diretor-geral da IPS, Mario Lubetkin. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 23\/11\/2005 &ndash; Como conseguir que as quest&otilde;es referentes &agrave; pobreza, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, meio ambiente e igualdade de g&ecirc;nero ganhem lugar nas primeiras p&aacute;ginas dos jornais e nos notici&aacute;rios de r&aacute;dio e televis&atilde;o? A pergunta costuma causar uma esp&eacute;cie de cartase entre jornalistas, quando relatam suas &quot;agruras&quot; para informar sobre determinados assuntos que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consideram &quot;not&iacute;cia&quot; ou bastante atraentes. O papel da m&iacute;dia na informa&ccedil;&atilde;o sobre o desenvolvimento foi analisado nesta segunda-feira em um encontro organizado em Montevid&eacute;u pela ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias IPS (Inter Press Service) para jornalistas de Brasil, Argentina, Bol&iacute;via, Col&ocirc;mbia, Chile, Paraguai e Uruguai, do qual participaram rep&oacute;rteres, editores e chefes de not&iacute;cias de imprensa e meios eletr&ocirc;nicos grandes e pequenos, metropolitanos e de localidades com poucos habitantes.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/comunicaes-a-pobreza-perdida-na-agenda-da-informao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1233","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1233\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}