{"id":1236,"date":"2005-11-24T00:00:00","date_gmt":"2005-11-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1236"},"modified":"2005-11-24T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-24T00:00:00","slug":"estados-unidos-cheney-sobe-a-aposta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/estados-unidos-cheney-sobe-a-aposta\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: Cheney sobe a aposta"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 24\/11\/2005 &ndash; O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, assumiu a tarefa de defender seu chefe, o presidente George W. Bush, atacando os cr&iacute;ticos que reclamam cada vez com maior for&ccedil;a a retirada das tropas do Iraque. Cheney disse na segunda-feira no audit&oacute;rio do centro de estudos neoconservador American Enterprise Institute que a sugest&atilde;o de &quot;alguns senadores&quot; de que Bush &quot;enganou&quot; de prop&oacute;sito o povo norte-americano&quot; antes da guerra no Iraque &eacute; &quot;desonesta e repreens&iacute;vel&quot;. &quot;Qualquer insinua&ccedil;&atilde;o de que a informa&ccedil;&atilde;o anterior &agrave; guerra foi distorcida, exagerada ou fabricada pelo lide da na&ccedil;&atilde;o &eacute; completamente falsa&quot;, afirmou o vice-presidente em sua segunda apari&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em menos de uma semana. &quot;Este revisionismo &eacute; do tipo mais corrupto e desavergonhado&quot;, concluiu.<br \/> <!--more--> <br \/> Por&eacute;m Cheney tentou, em geral, concentrar seu discurso de segunda-feira nas desastrosas conseq&uuml;&ecirc;ncias que, segundo ele, teria a retirada dos Estados Unidos do Iraque. Nesse caso, previu, a rede terrorista Al Qaeda tomaria o poder nesse pa&iacute;s. &quot;Os Estados Unidos e outras na&ccedil;&otilde;es livres estariam melhor ou pior com Abu Musaba al-Zarqawi, Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri controlando o Iraque?&quot;, perguntou. &quot;Estar&iacute;amos mais ou menos seguros com o Iraque governado por um homem que pretendia destruir nosso pa&iacute;s?&quot;. Cheney se retirou do American Enterprise Institute sem responder perguntas, algo raro em se tratando da audi&ecirc;ncia mais amig&aacute;vel poss&iacute;vel para o vice-presidente.<\/p>\n<p> Nos &uacute;ltimos meses, a aprova&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o de Cheney caiu, segundo as pesquisas, de maneira mais abrupta e acelerada do que a de Bush: apenas 19% dos entrevistados disseram ter uma opini&atilde;o favor&aacute;vel sobre ele. Ex-funcion&aacute;rios do governo Bush e legisladores do opositor Partido Democrata identificaram o escrit&oacute;rio do vice-presidente como um centro de manipula&ccedil;&atilde;o de dados de intelig&ecirc;ncia com o fim de fabricar argumentos para a guerra no Iraque. O vice-presidente tamb&eacute;m se op&ocirc;s com for&ccedil;a ao projeto legislativo que proibiria funcion&aacute;rios norte-americanos de cometer atos de tortura e desumanos em territ&oacute;rio estrangeiro, o que fez cair sobre ele cr&iacute;ticas tanto de republicanos quanto de democratas.<\/p>\n<p> A apari&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de Cheney foi a &uacute;ltima de uma nutrida s&eacute;rie de altos funcion&aacute;rios do governo, incluindo o pr&oacute;prio Bush, o secret&aacute;rio de Defesa, Donald Rumsfeld, e o conselheiro de Seguran&ccedil;a Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley. A inten&ccedil;&atilde;o foi dupla. Em primeiro lugar, procuraram refutar as acusa&ccedil;&otilde;es sobre manipula&ccedil;&atilde;o de dados de intelig&ecirc;ncia antes da guerra no Iraque, para convencer a popula&ccedil;&atilde;o norte-americana de que o regime de Saddam Hussein mantinha programas de armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa e liga&ccedil;&otilde;es com a Al Qaeda. Em segundo lugar, tentaram se contrapor &agrave; press&atilde;o sobre o Congresso para que retire uma quantidade substancial de soldados norte-americanos do Iraque antes das elei&ccedil;&otilde;es legislativas do pr&oacute;ximo m&ecirc;s.<\/p>\n<p> Os dois assuntos n&atilde;o t&ecirc;m liga&ccedil;&atilde;o direta. Mas as pesquisas indicam que uma porcentagem semelhante dos entrevistados acredita que houve engano antes da invas&atilde;o e que as tropas devem se retirar mais cedo do que mais tarde. O governo foi pego com a guarda baixa no come&ccedil;o da semana passada. Uma maioria dos senadores republicanos uniu-se aos democratas para votar em favor da norma que estabelece prazos para a transfer&ecirc;ncia das fun&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a no Iraque durante o pr&oacute;ximo ano. Essa vota&ccedil;&atilde;o foi interpretada como um sinal de pouca confian&ccedil;a no oficialismo quanto &agrave; condu&ccedil;&atilde;o da guerra por parte do presidente Bush.<\/p>\n<p> Mas o pior para o governo chegou quanto a semana terminava e o representante democrata John Murtha reclamou a retirada dos 150 mil soldados norte-americanos do Iraque no prazo de seis meses a partir das elei&ccedil;&otilde;es de 15 de dezembro. Segundo o plano de Murtha, permaneceria no pa&iacute;s do Golfo uma for&ccedil;a de rea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida composta por fuzileiros navais para impedir que Al Qaeda ou associados tomem o poder ou usem o territ&oacute;rio iraquiano. O governo e os legisladores republicanos reagiram com f&uacute;ria e acusaram Murtha, ele mesmo um fuzileiro naval condecorado, de &quot;bater e fugir&quot; e de ajudar o inimigo.<\/p>\n<p> Depois de um intenso debate na C&acirc;mara de Representantes na semana passada, os dirigentes do Partido Republicano pareceram se dar conta de que atacar uma figura como Murtha foi um erro, a ponto de o pr&oacute;prio Bush ter no domingo sa&iacute;do a p&uacute;blico e qualific&aacute;-lo de &quot;homem fino e bom&quot;. Cheney fez o mesmo perante a American Enterprise Institute: &quot;Murtha, afirmou, &eacute; &quot;um homem bom, um fuzileiro, um patriota, e tem uma posi&ccedil;&atilde;o clara em uma discuss&atilde;o leg&iacute;tima&quot;. Mas depois se lan&ccedil;ou ao ataque dos que afirmam que seu governo influiu nos argumentos para ir &agrave; guerra e daqueles que cometem um ato de &quot;pessimismo contraproducente&quot; de promover a retirada das tropas.<\/p>\n<p> &quot;A &uacute;nica chance de vit&oacute;ria dos terroristas &eacute; que fujamos da luta. Eles desprezam nosso valores, duvidam de nossas for&ccedil;as e acreditam que os Estados Unidos perder&atilde;o a coragem e baixar&atilde;o a guarda&quot;, afirmou. O vice-presidente citava uma carta supostamente escrita pelo n&uacute;mero dois da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, destinada ao l&iacute;der da organiza&ccedil;&atilde;o no Iraque, al-Zarqawi, e, segundo o governo Bush, interceptada por for&ccedil;as norte-americanas em julho. &quot;Mas esta na&ccedil;&atilde;o decidiu n&atilde;o recuar diante da brutalidade e nunca viver &agrave; merc&ecirc; de tiranos ou terroristas&quot;, afirmou. Cheney tamb&eacute;m argumentou que tanto democratas quanto republicanos autorizaram no Congresso a&ccedil;&otilde;es militares contra Saddam Hussein em outubro de 2002, ao considerar que os supostos programas armamentistas iraquianos constitu&iacute;am uma &quot;amea&ccedil;a&quot;.<\/p>\n<p> Mas desta vez o vice-presidente n&atilde;o garantiu &#8211; como em ocasi&otilde;es anteriores &#8211; que os legisladores teriam, ent&atilde;o, examinado os mesmos dados de intelig&ecirc;ncia que o governo possu&iacute;a antes da guerra. Essa afirma&ccedil;&atilde;o foi recha&ccedil;ada por democratas, boa parte da imprensa e, inclusive, alguns republicanos. Por outro lado, em sua interven&ccedil;&atilde;o perante o American Enterprise Institute Cheney se concentrou na quest&atilde;o das armas, sem se referir em nenhuma oportunidade aos tamb&eacute;m desmentidos v&iacute;nculos estreitos entre o regime de Saddam e a Al Qaeda.<\/p>\n<p> De todo modo, as refer&ecirc;ncias &agrave; rede terrorista sugerem que Cheney e seus aliados neoconservadores se consideram a &uacute;ltima barreira ao colapso total da pol&iacute;tica norte-americana no Iraque. O mesmo asseguraram nos &uacute;ltimos dias importantes figuras do setor neoconservador do governo, como Richard Perle e Bill Kristol. &quot;Perder contra os terroristas no Iraque seria intoler&aacute;vel. A retirada imediata do Iraque &eacute; a receita da cat&aacute;strofe&quot;, escreveram a quatro m&atilde;os Kristol e o tamb&eacute;m neoconservador Robert Kagan, no editorial da revista The Weekly Standard desta semana. Visto de outra perspectiva, a intensa atividade dos defensores da guerra em torno desse argumento testemunha a abruta mudan&ccedil;a do clima pol&iacute;tico em Washington. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 24\/11\/2005 &ndash; O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, assumiu a tarefa de defender seu chefe, o presidente George W. Bush, atacando os cr&iacute;ticos que reclamam cada vez com maior for&ccedil;a a retirada das tropas do Iraque. Cheney disse na segunda-feira no audit&oacute;rio do centro de estudos neoconservador American Enterprise Institute que a sugest&atilde;o de &quot;alguns senadores&quot; de que Bush &quot;enganou&quot; de prop&oacute;sito o povo norte-americano&quot; antes da guerra no Iraque &eacute; &quot;desonesta e repreens&iacute;vel&quot;. &quot;Qualquer insinua&ccedil;&atilde;o de que a informa&ccedil;&atilde;o anterior &agrave; guerra foi distorcida, exagerada ou fabricada pelo lide da na&ccedil;&atilde;o &eacute; completamente falsa&quot;, afirmou o vice-presidente em sua segunda apari&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em menos de uma semana. &quot;Este revisionismo &eacute; do tipo mais corrupto e desavergonhado&quot;, concluiu.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/estados-unidos-cheney-sobe-a-aposta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}