{"id":1241,"date":"2005-11-25T00:00:00","date_gmt":"2005-11-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1241"},"modified":"2005-11-25T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-25T00:00:00","slug":"terrorismo-a-ameaa-dos-bancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/mundo\/terrorismo-a-ameaa-dos-bancos\/","title":{"rendered":"Terrorismo: A amea&ccedil;a dos bancos"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 25\/11\/2005 &ndash; Os atos terroristas, que provocam ansiedades, temores e preocupa&ccedil;&otilde;es em milh&otilde;es de pessoas no mundo, n&atilde;o seriam poss&iacute;veis em sua atual magnitude sem a lavagem de dinheiro com a inevit&aacute;vel cumplicidade de grandes corpora&ccedil;&otilde;es financeiras. Nesse contexto de suspeita ca&iacute;ram bancos portugueses. A preocupante conclus&atilde;o corresponde a uma investiga&ccedil;&atilde;o divulgada nesta quinta-feira em Lisboa pelo analista Rui Costa Pinto, invocando um alerta do servi&ccedil;o secreto brit&acirc;nico M15 sobre a possibilidade de institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias de Portugal estarem realizando vultosas transa&ccedil;&otilde;es internacionais com eventuais liga&ccedil;&otilde;es com organiza&ccedil;&otilde;es terroristas.<br \/> <!--more--> <br \/> A advert&ecirc;ncia do M15, segundo Costa Pinto, foi determinante para avan&ccedil;ar com a &quot;Opera&ccedil;&atilde;o Furac&atilde;o&quot;, uma vasta a&ccedil;&atilde;o da Promotoria Geral da Rep&uacute;blica e da Pol&iacute;cia Judici&aacute;ria que entre 17 e 24 de outubro irromperam em quatro institui&ccedil;&otilde;es privadas, apreendendo in&uacute;meros documentos. As invas&otilde;es, que inclu&iacute;ram o Banco Comercial Portugu&ecirc;s, o Banco do Esp&iacute;rito Santo, o Banco Portugu&ecirc;s de Neg&oacute;cios e o Finibanco, tamb&eacute;m foram realizadas a partir de avisos emitidos pelo brit&acirc;nico National Criminal Intelligence Service (NCSI), que se dedica ao tratamento e an&aacute;lise de fluxos financeiros internacionais, afirma o analista.&quot;A suspeita de que estavam sendo registradas vultosas transa&ccedil;&otilde;es internacionais com poss&iacute;veis ramifica&ccedil;&otilde;es para organiza&ccedil;&otilde;es terroristas e o crime organizado, aumentou a convic&ccedil;&atilde;o dos investigadores de que existia o risco de perder o rastro de alguns servidores de bases de dados com informa&ccedil;&atilde;o dos circuitos provavelmente usados por esses grupos&quot;, afirma Costa Pinto. Diante da desconfian&ccedil;a de uma iminente transfer&ecirc;ncia desses servidores para o estrangeiro, que poderia comprometer definitivamente as pistas proporcionadas pelo M15, &quot;os magistrados do Departamento Central de Investiga&ccedil;&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o Penal (CDIAP), encabe&ccedil;ado pela promotora-adjunta, C&acirc;ndida de Almeida, decidiram avan&ccedil;ar&quot;, revelou o analista.<\/p>\n<p> As a&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;cia Judicial acompanhada por magistrados da Promotoria Geral da Rep&uacute;blica, al&eacute;m dos quatro bancos mencionados inclu&iacute;ram escrit&oacute;rios de advogados e empresas de assessoria fiscal do territ&oacute;rio continental portugu&ecirc;s e de seu arquip&eacute;lago atl&acirc;ntico da Madeira, geograficamente localizado na &Aacute;frica e que goza de um estatuto especial de zona livre de impostos por transa&ccedil;&otilde;es financeiras. A lavagem de capitais e a fuga e fraudes fiscais j&aacute; estavam sendo investigadas pelo Departamento Central de Investiga&ccedil;&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o Penal, Pol&iacute;cia Judici&aacute;ria e pelos departamentos competentes da administra&ccedil;&atilde;o fiscal do Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as, &quot;mas o alerta lan&ccedil;ado pelo M15 investiu outra dimens&atilde;o &agrave; opera&ccedil;&atilde;o em curso, ampliando seu raio de a&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Costa Pinto.<\/p>\n<p> Ele explica que a a&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita de invadir entidades supostamente livres de suspeita residiria no &quot;risco de que Portugal pudesse ser v&iacute;tima de um atentado terrorista. Essa foi a t&ocirc;nica dominante do discurso dos governantes e dos principais chefes policiais, que nunca desvalorizaram o grau de amea&ccedil;a da rede Al Qaeda e de outros grupos terroristas&quot;, ressaltou. De fato, somente algo de extrema gravidade poderia justificar a entrada da pol&iacute;cia nos bancos com um mandato judicial t&atilde;o amplo que lhes permitiu apreender uma volumosa documenta&ccedil;&atilde;o contendo dados sobre transfer&ecirc;ncias, as quais, em princ&iacute;pio, estariam protegidas pela lei do sigilo banc&aacute;rio.<\/p>\n<p> O temor de que por Portugal estivesse transitando dinheiro sujo das redes internacionais terroristas assumiu tal magnitude que as opera&ccedil;&otilde;es policiais deixaram de ser de compet&ecirc;ncia exclusiva do Poder Judici&aacute;rio, convertendo-se em assunto de seguran&ccedil;a nacional do Estado, o que obrigou os investigadores a informarem o primeiro-ministro, Jos&eacute; S&oacute;crates. Depois dos atentados em Nova York e Washington no dia 11 de setembro de 2001; de Madri em 11 de mar&ccedil;o de 2004, e em Londres no dia 7 de julho passado, aumentou sensivelmente a aten&ccedil;&atilde;o sobre as transa&ccedil;&otilde;es pouco transparentes, pois sem este financiamento muitos dos ataques &quot;n&atilde;o poderiam ter sido realizados&quot;, diz Costa Pinto.<\/p>\n<p> Al&eacute;m do empenho do M15 e do NCSI brit&acirc;nicos, a n&iacute;vel internacional tem um papel protagonista neste tipo de combate ao terrorismo o Grupo de A&ccedil;&atilde;o Financeira Internacional (GAFI), criado em uma a&ccedil;&atilde;o conjunta dos Estados Unidos com a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, a Pol&iacute;cia Internacional (Interpol) e a Eurojust, uma organiza&ccedil;&atilde;o formada por ju&iacute;zes europeus. Os principais problemas encontrados por estas institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os obst&aacute;culos colocados pelos chamados para&iacute;sos banc&aacute;rios, uma lista de territ&oacute;rios e pa&iacute;ses composta por Egito, Rep&uacute;blica Dominicana, Granada, Guatemala, L&iacute;bano, Ilhas Cook, Ilhas Marshall, Indon&eacute;sia, Israel, Birm&acirc;nia, Nauru, Nig&eacute;ria, Niue, Filipinas, S&atilde;o Crist&oacute;v&atilde;o-Nevis, S&atilde;o Vicente e Granadinas.<\/p>\n<p> Desse elenco tamb&eacute;m fazem partes os europeus R&uacute;ssia, Ucr&acirc;nia e Hungria, este &uacute;ltimo pa&iacute;s o &uacute;nico membro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia com este estatuto, o que dificulta a investiga&ccedil;&atilde;o internacional de lavagem de dinheiro, como afirma a portuguesa Maria Jos&eacute; Morgado, promotora-geral adjunta para o distrito de Lisboa. Em seu livro &quot;Inimigo sem rosto: Fraude e Corrup&ccedil;&atilde;o em Portugal&quot;, Morgado afirma que, &quot;apesar da evolu&ccedil;&atilde;o registrada, ainda h&aacute; muito a ser feito no sentido de seguir a pista do dinheiro sujo, porque os procedimentos em vigor continuam revelando um alto grau de impot&ecirc;ncia diante dos rastros invis&iacute;veis&quot;.<\/p>\n<p> A maior dificuldade reside nos para&iacute;sos fiscais com uma legisla&ccedil;&atilde;o &quot;que permite aos seus bancos e institui&ccedil;&otilde;es financeiras receber, guardar a aplicar dinheiro segundo os mais radicais princ&iacute;pios do segredo banc&aacute;rio absoluto, de confid&ecirc;ncia, do anonimato e da n&atilde;o coopera&ccedil;&atilde;o com as autoridades judiciais e policiais&quot;, acrescenta a promotora. Os n&uacute;meros movimentados no opaco mundo das transa&ccedil;&otilde;es financeiras s&atilde;o astron&ocirc;micos. Segundo as informa&ccedil;&otilde;es divulgadas em 2001 pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) o dinheiro lavado nos circuitos econ&ocirc;micos legais poderia chegar a ser de 2% a 4% do produto interno bruto mundial.<\/p>\n<p> Em n&uacute;meros, trata-se de uma quantidade gigantesca que oscila entre US$ 840 bilh&otilde;es e US$ 1,7 trilh&atilde;o, cifras tradicionalmente associadas ao crime organizado, mas que atualmente est&atilde;o cada vez mais relacionadas com fraude contra o fisco e terrorismo. Um investigador explicou &agrave; IPS, sob condi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o ter sua identidade revelada, que &quot;o ultraliberalismo econ&ocirc;mico imperante no mundo da globaliza&ccedil;&atilde;o chegou a tal n&iacute;vel que hoje &eacute; relativamente f&aacute;cil realizar todo tipo de opera&ccedil;&atilde;o financeira ilegal. Ningu&eacute;m tem consci&ecirc;ncia das dificuldades que n&oacute;s investigadores encontramos em todo o mundo quando seguimos uma pista que nos leva a uma institui&ccedil;&atilde;o financeira teoricamente intoc&aacute;vel, cujos dirigentes se defendem nos acusando de ir contra as leis do livre mercado&quot;, lamentou. Prender e processar um alto expoente das c&uacute;pulas financeiras, apesar das provas contundentes, &eacute; praticamente &quot;uma miss&atilde;o imposs&iacute;vel&quot;, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 25\/11\/2005 &ndash; Os atos terroristas, que provocam ansiedades, temores e preocupa&ccedil;&otilde;es em milh&otilde;es de pessoas no mundo, n&atilde;o seriam poss&iacute;veis em sua atual magnitude sem a lavagem de dinheiro com a inevit&aacute;vel cumplicidade de grandes corpora&ccedil;&otilde;es financeiras. Nesse contexto de suspeita ca&iacute;ram bancos portugueses. A preocupante conclus&atilde;o corresponde a uma investiga&ccedil;&atilde;o divulgada nesta quinta-feira em Lisboa pelo analista Rui Costa Pinto, invocando um alerta do servi&ccedil;o secreto brit&acirc;nico M15 sobre a possibilidade de institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias de Portugal estarem realizando vultosas transa&ccedil;&otilde;es internacionais com eventuais liga&ccedil;&otilde;es com organiza&ccedil;&otilde;es terroristas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/mundo\/terrorismo-a-ameaa-dos-bancos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1241","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1241\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}