{"id":1253,"date":"2005-11-29T00:00:00","date_gmt":"2005-11-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1253"},"modified":"2005-11-29T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-29T00:00:00","slug":"amrica-latina-duplicam-as-remessas-de-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/economia\/amrica-latina-duplicam-as-remessas-de-imigrantes\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina: Duplicam as remessas de imigrantes"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 29\/11\/2005 &ndash; As remessas feitas por imigrantes latino-americanos e caribenhos para seus pa&iacute;ses somaram aproximadamente US$ 45 bilh&otilde;es no ano passado, duplicando a quantia enviada h&aacute; uma d&eacute;cada e em constante crescimento. Esses recursos enviados por trabalhadores imigrantes para suas fam&iacute;lias representam grande contribui&ccedil;&atilde;o para a economia regional e resgatam da pobreza mais de 2,5 bilh&otilde;es de pessoas. Embora para a popula&ccedil;&atilde;o geral da Am&eacute;rica Latina e do Caribe o efeito dessas remessas na pobreza seja pequeno, este se torna enorme para os benefici&aacute;rios diretos. A metade ou mais dos membros de um lar vinculados com imigrantes seriam pobres sem as remessas, enquanto alguns pobres seriam indigentes.<br \/> <!--more--> <br \/> Tais conclus&otilde;es constam do informe Panorama Social 2005, divulgado pela Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal), em sua sede no Chile. A pobreza e a indig&ecirc;ncia que afetam em conjunto 301 milh&otilde;es de pessoas seguem uma tend&ecirc;ncia de redu&ccedil;&atilde;o, ajudada em pequena propor&ccedil;&atilde;o pelas remessas, mas em um ritmo muito lento. O mexicano Francisco Morales, cujo filho Jos&eacute;, de 25 anos, lhe envia mensalmente US$ 200 desde os Estados Unidos, disse &agrave; IPS que estaria &quot;na rua&quot; sem esse dinheiro. &quot;Aqui (na capital mexicana) n&atilde;o tem emprego, eu preciso de rem&eacute;dios para diabetes e minha outra filha ainda estuda e precisa de ajuda&quot;, contou. Esses US$ 200 &quot;nos tiram um pouco da pobreza&quot;, disse Morales, vi&uacute;vo que trabalha como zelador noturno em um edif&iacute;cio de apartamentos.<\/p>\n<p> O M&eacute;xico recebe quase 40% do total das remessas enviadas para a regi&atilde;o. Sem esse dinheiro, a pobreza nas zonas rurais aumentaria em 10%, estima o estatal Conselho Nacional de Popula&ccedil;&atilde;o. Nas zonas rurais mexicanas, onde se concentram 75% da pobreza do pa&iacute;s, vivem 25 milh&otilde;es de pessoas. Nos &uacute;ltimos 10 anos, as remessas latino-americanas duplicaram, e 55% delas v&atilde;o para o M&eacute;xico e os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Central, 31% para a Am&eacute;rica do Sul e 14% para o Caribe. A maior parte desse dinheiro &eacute; enviada por latino-americanos e caribenhos que residem nos Estados Unidos, aonde chegaram, em muitos casos, vencendo obst&aacute;culos e perigos.<\/p>\n<p> Por&eacute;m as remessas tamb&eacute;m procedem do Canad&aacute; e da Espanha e, em menor medida, do Jap&atilde;o, onde residem mais de 254 mil brasileiros, segundo um estudo feito pela Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos em 2004. Esse mesmo documento reconhece que o dinheiro dos imigrantes n&atilde;o &eacute; &quot;por si s&oacute;&quot; uma solu&ccedil;&atilde;o para os problemas da pobreza. &quot;Em muitos casos, talvez na maioria deles, as remessas representam um al&iacute;vio tempor&aacute;rio para a pobreza das fam&iacute;lias, e raramente significam um caminho permanente para a seguran&ccedil;a financeira&quot;. A Cepal afirma que as economias de Haiti, Nicar&aacute;gua, Guiana e Jamaica apresentam uma elevada depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica dos fluxos de dinheiro dos emigrantes, pois representam entre 29% e 16% de seu produto interno bruto. Para na&ccedil;&otilde;es como Equador, M&eacute;xico ou El Salvador, essas remessas superam o investimento estrangeiro direto, e em alguns outros pa&iacute;ses representam mais de 50% do valor de suas exporta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> &Eacute; t&atilde;o grande a import&acirc;ncia do dinheiro enviado por aqueles que abandonam seus pa&iacute;ses agoniados pela pobreza, mas tamb&eacute;m levados por din&acirc;micas econ&ocirc;micas internacionais e por v&iacute;nculos familiares, que todos os governos do continente americano se esfor&ccedil;am em facilitar esta forma de assist&ecirc;ncia. Na C&uacute;pula Extraordin&aacute;ria das Am&eacute;ricas, realizada no M&eacute;xico no come&ccedil;o de 2004, os governos da regi&atilde;o assinaram um compromisso para reduzir ao m&aacute;ximo os custos de envio das remessas. Al&eacute;m disso, alguns pa&iacute;ses trabalham em planos destinados a fazer com que parte do dinheiro dos imigrantes seja destinada a projetos de desenvolvimento. &quot;Muitos governos expulsam sua gente e depois querem se aproveitar do dinheiro que enviam, &eacute; um paradoxo que mostra as contradi&ccedil;&otilde;es, injusti&ccedil;as e os grandes problemas econ&ocirc;micos de nossos pa&iacute;ses&quot;, disse &agrave; IPS Tom&aacute;s Vergara, professor de economia em v&aacute;rios col&eacute;gios de ensino secund&aacute;rio na capital mexicana.<\/p>\n<p> A Cepal afirma: &quot;os dados correspondentes a 11 pa&iacute;ses da regi&atilde;o mostram, em primeiro lugar, que a repercuss&atilde;o das remessas em termos de pobreza de toda a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; pouco significativa. Os maiores efeitos se observam em El Salvador e Rep&uacute;blica Dominicana, onde a soma das remessas &agrave; renda familiar reduz a pobreza em 4,5% e 2,2%, respectivamente. Nos demais pa&iacute;ses, as redu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o inferiores a 2%&quot;, afirma o documento. O panorama se modifica quando analisado o impacto desses recursos no conjunto de fam&iacute;lias que os recebem. &quot;Cinq&uuml;enta por cento ou mais das pessoas que formam fam&iacute;lias receptoras estariam abaixo da linha da pobreza se n&atilde;o contassem com o dinheiro dessas remessas&quot;, explica a Cepal, ao se referir a dados que falam do impacto das remessas em El Salvador, Bol&iacute;via, Equador, Guatemala, Honduras, M&eacute;xico, Nicar&aacute;gua, Paraguai, Peru, Rep&uacute;blica Dominicana e Uruguai.<\/p>\n<p> &quot;Em um conjunto significativo de lares bastam as remessas recebidas para sair da condi&ccedil;&atilde;o de pobreza extrema. Embora tamb&eacute;m existam fam&iacute;lias que continuam sendo pobres apesar de receberem dinheiro do exterior, esta fonte reduz, de todo modo, a brecha entre suas rendas e a linha de pobreza&quot;, diz a Cepal. O impacto das remessas na pobreza geral ainda &eacute; limitado, pois a porcentagem de fam&iacute;lias que recebem essa ajuda n&atilde;o supera os 16% do total nos 11 pa&iacute;ses analisados por esta ag&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Entretanto, a exist&ecirc;ncia destes recursos evita que sejam pobres, pelo menos, 2,5 milh&otilde;es de pessoas nos 11 pa&iacute;ses estudados, conclui a Cepal. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 29\/11\/2005 &ndash; As remessas feitas por imigrantes latino-americanos e caribenhos para seus pa&iacute;ses somaram aproximadamente US$ 45 bilh&otilde;es no ano passado, duplicando a quantia enviada h&aacute; uma d&eacute;cada e em constante crescimento. Esses recursos enviados por trabalhadores imigrantes para suas fam&iacute;lias representam grande contribui&ccedil;&atilde;o para a economia regional e resgatam da pobreza mais de 2,5 bilh&otilde;es de pessoas. Embora para a popula&ccedil;&atilde;o geral da Am&eacute;rica Latina e do Caribe o efeito dessas remessas na pobreza seja pequeno, este se torna enorme para os benefici&aacute;rios diretos. A metade ou mais dos membros de um lar vinculados com imigrantes seriam pobres sem as remessas, enquanto alguns pobres seriam indigentes.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/economia\/amrica-latina-duplicam-as-remessas-de-imigrantes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1253\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}