{"id":1256,"date":"2005-11-30T00:00:00","date_gmt":"2005-11-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1256"},"modified":"2005-11-30T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-30T00:00:00","slug":"birmnia-reforma-poltica-sem-aung-san-suu-kyi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/birmnia-reforma-poltica-sem-aung-san-suu-kyi\/","title":{"rendered":"Birm&acirc;nia: Reforma pol&iacute;tica sem Aung San Suu Kyi"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 30\/11\/2005 &ndash; A ditadura militar da Birm&acirc;nia anunciou que a pr&oacute;-democr&aacute;tica Aung San Suu Kyi continuar&aacute; detida por tempo indeterminado, mas isso n&atilde;o a impediu de continuar falando de reforma pol&iacute;tica atrav&eacute;s de uma reforma constitucional. A junta militar que governa este pa&iacute;s do sudeste asi&aacute;tico anunciou no final de semana que Aung San Suu Kyi, pr&ecirc;mio Nobel da Paz que esteve detida 11 dos &uacute;ltimos 16 anos, n&atilde;o ser&aacute; libertada da pris&atilde;o domiciliar que lhe foi imposta em maio de 2003.<br \/> <!--more--> <br \/> Suu Kyi lidera a opositora Liga Nacional para a Democracia (NLD), que junto com a Liga para a Democracia das Na&ccedil;&otilde;es Shan, boicotou as sess&otilde;es da Conven&ccedil;&atilde;o encarregada da reforma constitucional desde que recome&ccedil;aram, em maio de 2004. A NLD insistiu que n&atilde;o podia nem mesmo considerar sua participa&ccedil;&atilde;o enquanto sua l&iacute;der estivesse presa. A organiza&ccedil;&atilde;o direitos humanos Anistia Internacional condenou a ditadura pela pris&atilde;o de Suu Kyi e outros membros de seu partido.<\/p>\n<p> &quot;A deten&ccedil;&atilde;o de Suu Kyi e outros dirigentes pol&iacute;ticos, equivocadamente presos em Myanmar (nome pelo qual o governo militar designa o pa&iacute;s), &eacute; uma par&oacute;dia de justi&ccedil;a&quot;, disse a Anistia. A decis&atilde;o dos generais acontece no momento em que Rangun tenta obter apoio da comunidade internacional para reiniciar a pr&oacute;xima fase de reforma constitucional, no pr&oacute;ximo dia 5. Mas, Suu Kyi e seu partido n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos exclu&iacute;dos desse exerc&iacute;cio de reforma que a junta iniciou em maio de 2004. No come&ccedil;o de novembro, tr&ecirc;s dirigentes da etnia shan receberam duras condena&ccedil;&otilde;es de pris&atilde;o por sua atividade pol&iacute;tica no Estado de Shan, ao longo da fronteira entre Birm&acirc;nia e Tail&acirc;ndia.<\/p>\n<p> Hkun Htun Oo, presidente da Liga para a Democracia das Nacionalidades Shan, foi condenado a 93 anos de pris&atilde;o, enquanto seus correligion&aacute;rios Hso Ten e Sai Nyunt Lwin receberam penas de 106 e 85 anos, respectivamente. Com a pris&atilde;o de Oo chegam a 13 os parlamentares eleitos que a junta enviou para o c&aacute;rcere desde 1990, quando as for&ccedil;as armadas se negaram a reconhecer os resultados das elei&ccedil;&otilde;es gerais de 1990. A Liga Nacional para a Democracia e outros partidos de base &eacute;tnica, com a Liga para a Democracia das Nacionalidades Shan, derrotaram o partido do regime militar, obtendo enorme maioria no parlamento de 485 membros.<\/p>\n<p> &quot;Estas condena&ccedil;&otilde;es funcionam como uma advert&ecirc;ncia para outras comunidades &eacute;tnicas envolvidas no processo de reforma constitucional&quot;, disse Khuensai Jaiven, editor da ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias Shan Herald. &quot;Estes dirigentes devem seguir a linha do regime militar ou ser&atilde;o tratados do mesmo modo que os l&iacute;deres shan&quot;, afirmou o jornalista. Para os pa&iacute;ses vizinhos da Birm&acirc;nia no sudeste da &Aacute;sia, os gestos hostis por parte de Rangun em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poderiam ter acontecido em pior momento. A Associa&ccedil;&atilde;o de Na&ccedil;&otilde;es do Sudeste Asi&aacute;tico (Asean), que tem a Birm&acirc;nia entre seus 10 membros, defendeu o pa&iacute;s, alvo de crescentes condena&ccedil;&otilde;es por parte dos Estados Unidos e das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p> A Mal&aacute;sia, presidente de turno da Asean, anunciou que uma reuni&atilde;o do bloco regional marcada para este m&ecirc;s em Kuala Lumpur se concentrar&aacute; na agenda econ&ocirc;mica e de integra&ccedil;&atilde;o, sem discutir assuntos conflitivos como os direitos humanos, o que poria a Birm&acirc;nia em uma situa&ccedil;&atilde;o delicada. A Asean mant&eacute;m sua postura, apesar de a Assembl&eacute;ia Geral ter, em novembro, condenado a Birm&acirc;nia por viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, desde torturas, viola&ccedil;&otilde;es e trabalhos for&ccedil;ados at&eacute; viola&ccedil;&atilde;o das liberdades pol&iacute;ticas e civis.<\/p>\n<p> &quot;A situa&ccedil;&atilde;o atual ser&aacute; realmente embara&ccedil;osa para a Asean, que v&ecirc; a Birm&acirc;nia realizar tais a&ccedil;&otilde;es&quot;, disse &agrave; IPS Soe Aung, porta-voz do Conselho Nacional da Uni&atilde;o da Birm&acirc;nia, coaliz&atilde;o de 30 organiza&ccedil;&otilde;es pr&oacute;-democr&aacute;ticas no ex&iacute;lio. &quot;Ignorar este problema afetar&aacute; o v&iacute;nculo da Asean com seus s&oacute;cios de di&aacute;logo: Estados Unidos e Uni&atilde;o Europ&eacute;ia&quot;, acrescentou. O que piora a situa&ccedil;&atilde;o para a Asean &eacute; que o &uacute;ltimo giro se soma a outros absurdos que acompanharam suas desesperadas tentativas para se livrar de sua condi&ccedil;&atilde;o de paria, entre elas assegurar que suas inten&ccedil;&otilde;es de reforma pol&iacute;tica s&atilde;o s&eacute;rias, apesar de necessitar de mais tempo.<\/p>\n<p> Esta farsa come&ccedil;ou quando o general Khin Nyunt, designado primeiro-ministro em agosto de 2003, revelou que a junta militar tinha um plano de sete passos para conseguir uma reforma pr&oacute;-democr&aacute;tica. O primeiro foi a nova convoca&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o Nacional, para reiniciar as interrompidas negocia&ccedil;&otilde;es por uma nova constitui&ccedil;&atilde;o. Khin Nyunt foi preso por ordem da junta em outubro de 2004, envergonhando os governos da Asean que o haviam qualificado de &quot;moderado&quot; e comprometido com uma mudan&ccedil;a genu&iacute;na. Em maio de 2004, quando come&ccedil;ou a primeira fase da nova convoca&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o, o governo estabeleceu as regras: os mais de mil delegados eram os favoritos da junta, mas o debate, pela lei, estaria severamente restringido.<\/p>\n<p> Esta lei, que entrar&aacute; em vigor quando a Conven&ccedil;&atilde;o iniciar seus trabalhos na pr&oacute;xima semana, pro&iacute;be os delegados e os partidos pol&iacute;ticos de criticarem o formato da conven&ccedil;&atilde;o, projetado pela junta, bem como propor uma constitui&ccedil;&atilde;o alternativa &agrave; que a junta j&aacute; esbo&ccedil;ou. Os que infringirem esta lei durante a Conven&ccedil;&atilde;o poder&atilde;o passar na pris&atilde;o um per&iacute;odo de cinco a 20 anos. N&atilde;o &eacute; de estranhar que alguns dos participantes das comunidades &eacute;tnicas da Birm&acirc;nia, que assinaram para participar deste exerc&iacute;cio, tenham suas reservas a respeito da Conven&ccedil;&atilde;o. &quot;A comunidade mon reduziu o n&iacute;vel de sua representa&ccedil;&atilde;o na Conven&ccedil;&atilde;o Nacional&quot;, disse Debbie Stothard, da Rede Alternativa da Asean na Birm&acirc;nia, uma organiza&ccedil;&atilde;o de defesa dos direitos humanos. A constitui&ccedil;&atilde;o em estudo ser&aacute; a terceira do pa&iacute;s desde 1974. A Birm&acirc;nia foi governada por opressivos regimes militares desde o golpe de Estado de 1962. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 30\/11\/2005 &ndash; A ditadura militar da Birm&acirc;nia anunciou que a pr&oacute;-democr&aacute;tica Aung San Suu Kyi continuar&aacute; detida por tempo indeterminado, mas isso n&atilde;o a impediu de continuar falando de reforma pol&iacute;tica atrav&eacute;s de uma reforma constitucional. A junta militar que governa este pa&iacute;s do sudeste asi&aacute;tico anunciou no final de semana que Aung San Suu Kyi, pr&ecirc;mio Nobel da Paz que esteve detida 11 dos &uacute;ltimos 16 anos, n&atilde;o ser&aacute; libertada da pris&atilde;o domiciliar que lhe foi imposta em maio de 2003.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/birmnia-reforma-poltica-sem-aung-san-suu-kyi\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}