{"id":1267,"date":"2005-12-05T00:00:00","date_gmt":"2005-12-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1267"},"modified":"2005-12-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-12-05T00:00:00","slug":"eua-ir-a-hora-do-realismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/mundo\/eua-ir-a-hora-do-realismo\/","title":{"rendered":"EUA-Ir&atilde;: A hora do realismo"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 05\/12\/2005 &ndash; O an&uacute;ncio do influente embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, de que iniciaria negocia&ccedil;&otilde;es diretas com o Ir&atilde; constitui um novo e claro sinal de que o equil&iacute;brio de poderes dentro do governo do presidente George W. Bush se volta a favor dos chamados &quot;realistas&quot;. <!--more--> O an&uacute;ncio, feito em uma entrevista publicada na semana passada pela revista Newswweek marca uma importante mudan&ccedil;a na pol&iacute;tica externa do governo Bush, que agora se v&ecirc; obrigada a buscar a colabora&ccedil;&atilde;o iraniana para estabilizar o Iraque. Washington e Teer&atilde; mant&ecirc;m conversa&ccedil;&otilde;es diretas desde maio de 2003, pouco depois da derrubada do presidente iraquiano, Saddam Hussein pela coaliz&atilde;o liderada pelos Estados Unidos, e quando a influ&ecirc;ncia dos neoconservadores estava em seu apogeu.            <\/p>\n<p>Na &eacute;poca, a administra&ccedil;&atilde;o Bush afirmava que atentados atribu&iacute;dos &agrave; rede terrorista internacional Al Qaeda na Ar&aacute;bia Saudita haviam sido preparados em territ&oacute;rio iraniano. Esta acusa&ccedil;&atilde;o interrompeu de imediato o di&aacute;logo diplom&aacute;tico bilateral que se desenvolvia em Genebra, dirigido pelo pr&oacute;prio Khalilzad e que tinha como temas centrais Afeganist&atilde;o e Ir&atilde;. &quot;Fui autorizado pelo presidente para manter um di&aacute;logo com os iranianos, como fiz no Afeganist&atilde;o, diretamente. Haver&aacute; reuni&otilde;es, e isso tamb&eacute;m &eacute; uma novidade e um ajuste&quot; na pol&iacute;tica externa, disse o diplomata &agrave; Newsweek. A decis&atilde;o de reiniciar as conversa&ccedil;&otilde;es diretas com Teer&atilde;, que ainda n&atilde;o reagiu a este an&uacute;ncio, desencadeou um acalorado debate dentro do governo Bush, insuflado pelos temores do programa de desenvolvimento nuclear iraniano.<\/p>\n<p>Alguns pol&iacute;ticos de linha dura, incluindo os neoconservadores ligados ao independente Comit&ecirc; sobre o Perigo Presente, criado para combater o terrorismo isl&acirc;mico, querem que a administra&ccedil;&atilde;o se aproxime de Teer&atilde; para, assim, ganhar maior acesso aos grupos de oposi&ccedil;&atilde;o iranianos. Os neoconservadores afirmam que, com suficiente apoio dos Estados Unidos, esses grupos poderiam subverter o regime teocr&aacute;tico do Ir&atilde;, assim como o apoio ao sindicato Solidariedade contribuiu para criar as condi&ccedil;&otilde;es para acabar com o sistema comunista na Pol&ocirc;nia em 1990. Mas outros acreditam que seria um erro dar qualquer passo que d&ecirc; legitimidade internacional ao governo iraniano, sobretudo diante da desafiante postura do novo presidente, Mahmoud Ahmadinejad.<\/p>\n<p>&quot;Por um lado, creio que &eacute; uma boa id&eacute;ia manter contatos com advers&aacute;rios&quot;, disse Raymond Tanter, ex-integrante do Conselho de Seguran&ccedil;a Nacional, que chegou a propor a Washington que utilizasse contra Teer&atilde; o grupo iraquiano Mujahadin-e Khalq, inclu&iacute;do na lista de organiza&ccedil;&otilde;es terroristas elaborada pelo governo norte-americano. &quot;Por outro lado, quando ou&ccedil;o Ahmadinejad propor varrer Israel do mapa me parece que estabelecer contatos seria premiar a beliger&acirc;ncia iraniana. N&atilde;o sei o porque o fazem&quot;, acrescentou. Os realistas, grupo que dominou no &uacute;ltimo s&eacute;culo e meio a pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos, mas foi relegado pelos neoconservadores no primeiro mandato de Bush, preferem a a&ccedil;&atilde;o multilateral e priorizam o fortalecimento das alian&ccedil;as tradicionais de Washington, especialmente a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan).<\/p>\n<p>Por outro lado, os neoconservadores s&atilde;o hostis aos processos multilaterais, em geral, e &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em particular. Seus postulados sobre pol&iacute;tica externa recha&ccedil;am o pragmatismo e formulam os conflitos em termos morais. Para o historiador Juan Cole, especialista em Oriente M&eacute;dio da Universidade de Michigan, o an&uacute;ncio de Khalilzad tem uma mensagem clara. &quot;&Eacute; um bom sinal de desespero e um reconhecimento de que o governo Bush necessita da boa vontade do Ir&atilde; para sair do Iraque&quot;, disse &aacute; IPS. De fato, Khalilzad explicou que a decis&atilde;o &eacute; parte de uma estrat&eacute;gia geral h&aacute; tempos reclamada por realistas como o ex-conselheiro de Seguran&ccedil;a Nacional Brent Scowcroft e alguns membros do Partido Democrata, de oposi&ccedil;&atilde;o, incluindo seu principal porta-voz em assuntos de pol&iacute;tica externa, Joseph Biden, que destacam a necessidade de buscar a coopera&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses vizinhos ao Iraque para uma eventual retirada norte-americana.<\/p>\n<p>Esse objetivo se tornou mais urgente no m&ecirc;s passado, quando ao apoio da popula&ccedil;&atilde;o norte-americana &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o caiu drasticamente, bem como a confian&ccedil;a na &quot;guerra mundial contra o terrorismo&quot; liderada por Bush. Enquanto o apoio popular ao presidente cai a n&iacute;veis in&eacute;ditos desde a administra&ccedil;&atilde;o de Richard Nixon (1969-1974), os democratas intensificam suas demandas de uma volta ao realismo na pol&iacute;tica externa, e os integrantes do Partido Republicano (no poder) se impacientam. A Casa Branca foi sacudida no come&ccedil;o de novembro quando uma maioria de senadores republicanos votou junto com os democratas um pedido ao governo para que apresente relat&oacute;rios peri&oacute;dicos sobre as perspectivas de retirar um n&uacute;mero substancial de soldados do Iraque em 2006 e treinar efetivos locais para substitu&iacute;-los.<\/p>\n<p>O Departamento de Defesa tem planos para retirar grande parte dos quase 160 mil soldados do Iraque. A id&eacute;ia seria reduzir esse n&uacute;mero para 140 mil depois das elei&ccedil;&otilde;es parlamentares iraquianas previstas para este m&ecirc;s; a 115 mil at&eacute; julho do pr&oacute;ximo ano, e para 100 mil, ou menos, at&eacute; novembro de 2006. Mas estes projetos est&atilde;o condicionados n&atilde;o s&oacute; &agrave; capacidade do Ex&eacute;rcito em treinar e equipar dezenas de milhares de integrantes das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a iraquianas, como tamb&eacute;m a uma estrat&eacute;gia pol&iacute;tica efetiva para reduzir a viol&ecirc;ncia da insurg&ecirc;ncia sunita. Ao mesmo tempo, &eacute; chave assegurar que os grupos xiitas, em especial o Conselho Supremo para a Revolu&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica no Iraque, o mais ligado a Teer&atilde;, estejam dispostos a aceitar qualquer medida destinada a pacificar o pa&iacute;s. <\/p>\n<p>&Eacute; &agrave; luz de tudo isto que devem ser analisadas as tentativas de contatos diplom&aacute;ticos das &uacute;ltimas semanas no Oriente M&eacute;dio, sobretudo a C&uacute;pula da Liga &Aacute;rabe no Cairo, onde xiitas e sunitas iraquianos se reuniram para fazer um chamado pela reconcilia&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s e exigir a retirada de todas as tropas estrangeiras. O presidente iraquiano, Jalal Talabani, tamb&eacute;m emitiu um claro sinal ao fazer uma visita a Teer&atilde; imediatamente depois da c&uacute;pula &aacute;rabe. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 05\/12\/2005 &ndash; O an&uacute;ncio do influente embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, de que iniciaria negocia&ccedil;&otilde;es diretas com o Ir&atilde; constitui um novo e claro sinal de que o equil&iacute;brio de poderes dentro do governo do presidente George W. 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