{"id":1271,"date":"2005-12-05T00:00:00","date_gmt":"2005-12-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1271"},"modified":"2005-12-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-12-05T00:00:00","slug":"artigo-stan-atingiu-os-pobres-mas-no-o-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/america-latina\/artigo-stan-atingiu-os-pobres-mas-no-o-pib\/","title":{"rendered":"Artigo: Stan atingiu os pobres, mas n&atilde;o o PIB"},"content":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 05\/12\/2005 &ndash; Embora o golpe representado pela tormenta tropical Stan aos pobres de El Salvador e Guatemala tenha sido severo, as principais vari&aacute;veis macroecon&ocirc;micas desses pa&iacute;ses mostraram apenas arranh&otilde;es. <!--more--> Um m&ecirc;s depois da passagem do furac&atilde;o, os governos podem respirar tranq&uuml;ilos. Seu crescimento econ&ocirc;mico, a infla&ccedil;&atilde;o anual de seus pa&iacute;ses, o equil&iacute;brio fiscal e os n&iacute;veis da d&iacute;vida externa est&atilde;o relativamente a salvo.<\/p>\n<p>Mas a hist&oacute;ria &eacute; outra para as pessoas afetadas, cujo futuro imediato pressagia mais pobreza, assim como para o meio ambiente, que sofreu danos gigantescos que podem levar d&eacute;cadas para serem recuperados, segundo avalia&ccedil;&otilde;es de cerca de trinta especialistas coordenados pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Os efeitos do Stan, que cruzou o istmo centro-americano e o sul do M&eacute;xico nos primeiros dias de outubro, foram analisados minuciosamente por uma equipe liderada pela Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica Para a Am&eacute;rica Latina (Cepal) nos casos da Guatemala e El Salvador. Entre 26 de outubro e 8 de novembro, mais de 30 especialistas trabalharam na an&aacute;lise.<\/p>\n<p>Uma das conclus&otilde;es centrais do estudo foi que o impacto do Stan ser&aacute; relativamente pequeno no &acirc;mbito macroecon&ocirc;mico, mas variar&aacute; de severo a grave entre as comunidades afetadas, disse Ricardo Zapata, um dos especialistas que lideraram a investiga&ccedil;&atilde;o.&quot;Por que essa diferen&ccedil;a? &Eacute; que os afetados, que s&atilde;o os mais pobres, contribuem muito pouco para a economia de seus pa&iacute;ses&quot;, explicou Zapata. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Guatemala, onde as chuvas torrenciais, inunda&ccedil;&otilde;es e deslizamentos causados pelo Stan levaram lama para as zonas rurais, matando cerca de 700 pessoas, cair&aacute; neste ano apenas de 3,2% para 3% ou 3,1%. No caso de El Salvador, onde morreram 69 pessoas, o PIB baixar&aacute; de cerca de 2,5% para 2,2%.<\/p>\n<p>Em ambos os pa&iacute;ses centro-americanos, as perdas econ&ocirc;micas diretas provocadas pela tormenta chegaram a US$ 331 milh&otilde;es, sendo que a Guatemala ficou com a pior parte, US$ 976 milh&otilde;es. Grupos n&atilde;o-governamentais que se movimentaram para ajudar os prejudicados pelo Stan, sustentaram que o acontecido em El Salvador e Guatemala teve dimens&otilde;es de cat&aacute;strofe entre os pobres, que levar&atilde;o v&aacute;rios anos para retornar aos seus n&iacute;veis anteriores de desenvolvimento.<\/p>\n<p>&quot;Continua o perigo de fome extrema e a situa&ccedil;&atilde;o continua grave, mas a macroeconomia n&atilde;o tem problemas, o que confirma que em nossos pa&iacute;ses existe um estilo de desenvolvimento injusto e sem igualdade&quot;, disse Eduardo de Le&oacute;n, diretor da Funda&ccedil;&atilde;o Rigoberta Mench&uacute; da Guatemala. Sobre o caso guatemalteco, a Cepal informou que &quot;al&eacute;m do valor econ&ocirc;mico dos danos e perdas, o efeito do Stan recaiu sobre todo o &acirc;mbito social, com conseq&uuml;&ecirc;ncias dif&iacute;ceis de quantificar no conjunto social, nas redes comunit&aacute;rias, e efeitos diferenciados entre homens e mulheres, e com rela&ccedil;&atilde;o aos diversos grupos &eacute;tnicos e culturais&quot;.<\/p>\n<p>Algo parecido &eacute; apontado para El Salvador: &quot;O impacto social, o maior em termos quantitativos, tem por sua vez um impacto qualitativo sobre os distintos grupos populacionais, em particular os mais vulner&aacute;veis: a popula&ccedil;&atilde;o rural, as mulheres camponesas e pequenos comerciantes, em cuja economia de campo os danos e perdas s&atilde;o pouco vis&iacute;veis.&quot;<\/p>\n<p>A ag&ecirc;ncia internacional acrescenta que ser&atilde;o restringidas as melhorias nos &iacute;ndices de desenvolvimento humano e ser&aacute; elevada a depend&ecirc;ncia de remessas por parte de imigrantes, especialmente dos Estados Unidos.Em mat&eacute;ria ambiental, adverte que foram registrados danos severos, com perdas de terra cultiv&aacute;vel, que foram acrescentados aos j&aacute; existentes. E adverte que o Stan e outros fen&ocirc;menos naturais similares seriam menos danosos se fossem protegidos e aproveitados de maneira melhor os bosques e as coberturas vegetais.<\/p>\n<p>Mas nas finan&ccedil;as macroecon&ocirc;micas dos governos, tema que tanto preocupa seus credores e organismos financeiros internacionais, h&aacute; uma relativa tranq&uuml;ilidade. Zapata observou que as autoridades desses pa&iacute;ses preferem n&atilde;o contratar novos empr&eacute;stimos nem alterar seus equil&iacute;brios fiscais para atender ao golpe social desferido pelo Stan. O especialista prev&ecirc; que os programas sociais oficiais que j&aacute; estavam em andamento se voltar&atilde;o para as comunidades afetadas. &quot;O que acontece &eacute; que se deixar&aacute; de ajudar a alguns para atender a outros&quot;, disse ele.<\/p>\n<p>Na Am&eacute;rica Central vivem 43,2 milh&otilde;es de pessoas e mais da metade &eacute; pobre. Os piores graus de desenvolvimento social correspondem a El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicar&aacute;gua, pa&iacute;ses em que a popula&ccedil;&atilde;o que vive abaixo da linha da pobreza, medida pela impossibilidade de satisfazer necessidades b&aacute;sicas, flutua entre 30% e 60% do total. Mesmo antes de avaliar o impacto do Stan, a Cepal advertiu que seria improv&aacute;vel que v&aacute;rios dos pa&iacute;ses centro-americanos cumprissem a projetada redu&ccedil;&atilde;o da pobreza extrema nos prazos previstos nos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, acordados em setembro de 2000 pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p>O primeiro objetivo relacionado &agrave; erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza extrema e da fome, prop&otilde;e reduzir &agrave; metade, entre 1990 e 2015, o percentual de pessoas cuja renda seja inferior a um d&oacute;lar por dia e que pade&ccedil;am de fome.Embora na Am&eacute;rica Central o PIB tenha crescido desde o final dos anos 90 em percentuais entre 4,5% em 1999 e 3,8% em 2004, esse ritmo n&atilde;o se traduziu em uma redu&ccedil;&atilde;o significativa na pobreza e em melhorias em mat&eacute;ria de emprego e educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Em nossos pa&iacute;ses o que importa &eacute; a macroeconomia e n&atilde;o a microeconomia, que &eacute; a que pode verdadeiramente nos tirar da pobreza&quot;, opinou o diretor da Funda&ccedil;&atilde;o Mench&uacute;.<\/p>\n<p>* O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p>Links internos: Ind&iacute;genas desarmados diante de desastres http:\/\/tierramerica.net\/portugues\/2005\/1015\/particulo.shtml <\/p>\n<p>Links externos: CEPAL http:\/\/www.eclac.cl\/<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde. Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 05\/12\/2005 &ndash; Embora o golpe representado pela tormenta tropical Stan aos pobres de El Salvador e Guatemala tenha sido severo, as principais vari&aacute;veis macroecon&ocirc;micas desses pa&iacute;ses mostraram apenas arranh&otilde;es. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/america-latina\/artigo-stan-atingiu-os-pobres-mas-no-o-pib\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21],"class_list":["post-1271","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1271\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}