{"id":1274,"date":"2005-12-06T00:00:00","date_gmt":"2005-12-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1274"},"modified":"2005-12-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-12-06T00:00:00","slug":"china-esquizofrenia-comercial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/mundo\/china-esquizofrenia-comercial\/","title":{"rendered":"China: Esquizofrenia comercial"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 06\/12\/2005 &ndash; A China se identifica com o Sul em desenvolvimento, mas compartilha o desejo do Norte industrial de ampliar a liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial. <!--more--> Nessa dupla e contradit&oacute;ria identidade, se prop&otilde;e come&ccedil;ar a jogar forte nas negocia&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio. Os negociadores comerciais dos Estados Unidos s&atilde;o cr&iacute;ticos da atitude distante de Pequim em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; confer&ecirc;ncia ministerial da OMC que acontece este m&ecirc;s em Hong Kong. &quot;Creio que a China, importante jogadora e benefici&aacute;ria do sistema mundial de com&eacute;rcio, tem a responsabilidade de estar mais comprometida nas conversa&ccedil;&otilde;es&quot;, disse o representante comercial dos Estados Unidos, Rob Portman, quando visitou Pequim no m&ecirc;s passado. &Eacute; que a China permaneceu na periferia do grade debate sobre tarifas alfandeg&aacute;rias e subs&iacute;dios agr&iacute;colas que colocou frente a frente os pa&iacute;ses industrializados com os do mundo em desenvolvimento.            <\/p>\n<p>O presidente chin&ecirc;s, Hu Jintao, uniu-se no m&ecirc;s passado em Besan, na Cor&eacute;ia do Sul, aos seus pares do F&oacute;rum de Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica &Aacute;sia-Pac&iacute;fico (Apec) na reivindica&ccedil;&atilde;o de avan&ccedil;os nas negocia&ccedil;&otilde;es comerciais da OMC, bloqueadas por diferen&ccedil;as sobre agricultura. Mas poucos dias antes de os ministros de Com&eacute;rcio de 148 pa&iacute;ses se reunirem em Hong Kong, a China mant&eacute;m sil&ecirc;ncio sobre a posi&ccedil;&atilde;o que defender&aacute; nas delibera&ccedil;&otilde;es. As na&ccedil;&otilde;es pobres querem ampliar suas exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas por meio da redu&ccedil;&atilde;o das tarifas alfandeg&aacute;rias e dos subs&iacute;dios &aacute; produ&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses mais ricos, os quais por sua vez est&atilde;o interessados em abrir mais mercados para suas manufaturas e seus servi&ccedil;os. A China ingressou na OMC somente em 2001, mas a falta de experi&ecirc;ncia n&atilde;o explica seu sil&ecirc;ncio, mais atribu&iacute;vel &agrave; sua controvertida posi&ccedil;&atilde;o como exportador mais competitivo do planeta.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os negociadores chineses tentam convencer seus pares de que suas crescentes exporta&ccedil;&otilde;es t&ecirc;xteis e de a&ccedil;o, entre outros produtos, representam um desafio mas n&atilde;o uma amea&ccedil;a para o mercado mundial. Com 800 milh&otilde;es de seis 1,3 bilh&atilde;o de habitantes em zonas rurais, Pequim defende o fim dos subs&iacute;dios agr&iacute;colas (como todo o mundo em desenvolvimento), mas sua prioridade &eacute; abrir portas para facilitar suas exporta&ccedil;&otilde;es industriais. A agricultura representa apenas 4% das exporta&ccedil;&otilde;es chinesas. N&atilde;o &eacute; muito, comparado com &Iacute;ndia (13%) e Brasil (17%). Por outro lado, as exporta&ccedil;&otilde;es industriais se transformaram em um importante motor de crescimento econ&ocirc;mico chin&ecirc;s, ao influxo de uma campanha agressiva por novos mercados.<\/p>\n<p>&quot;A China ap&oacute;ia o livre com&eacute;rcio&quot;, disse o pesquisador Ren Yifeng, da Sociedade Chinesa para Estudos da OMC. &quot;Nos &uacute;ltimos 20 anos de reformas econ&ocirc;micas e abertura, o pa&iacute;s se beneficiou enormemente com a liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial. Hoje, o com&eacute;rcio exterior &eacute; muito importante para a China&quot;. Mas o aparato exportador do pa&iacute;s &eacute; acusado de numerosos males, entre eles de incentivar o desemprego na ind&uacute;stria norte-americana. Legisladores pressionam o governo de George W. Bush para que condene as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas de Pequim. Segundo os legisladores, a China &eacute; uma depredadora comercial cuja taxa de juros fixo &eacute; t&atilde;o artificialmente d&eacute;bil que impede a competi&ccedil;&atilde;o das empresas norte-americanas.<\/p>\n<p>De fato, a China &eacute; acusada em 386 das 2.500 investiga&ccedil;&otilde;es antidumping iniciadas entre 1995, ano de funda&ccedil;&atilde;o da OMC, e 2004. E foi punida em 272 casos. O dumping (competi&ccedil;&atilde;o desleal de pre&ccedil;os) consiste na venda de um produto a valor substancialmente abaixo de seu custo de produ&ccedil;&atilde;o, o que leva &agrave; ru&iacute;na os fabricantes do pa&iacute;s importador. Pequim alega ser v&iacute;tima do protecionismo. &quot;Quando se uniu &agrave; OMC acordou ser tratada at&eacute; 2015 como &quot;economia de n&atilde;o-mercado&quot;, uma concess&atilde;o de Washington para facilitar sua entrada. Por sua vez, os Estados Unidos obtiveram salvaguardas especiais diante de importa&ccedil;&otilde;es chinesas que considerar prejudiciais para seu mercado.<\/p>\n<p>Mas com a s&eacute;rie de acusa&ccedil;&otilde;es por parte dos Estados Unidos e da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia contra a China, por exporta&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o desde t&ecirc;xteis at&eacute; a&ccedil;o, Pequim advertiu que sua condi&ccedil;&atilde;o de economia de n&atilde;o-mercado foi explorada para impor-lhe facilmente san&ccedil;&otilde;es antidumping. Quando um membro da OMC tenta determinar o pre&ccedil;o normal de uma exporta&ccedil;&atilde;o de uma economia de n&atilde;o-mercado lhe &eacute; permitido usar os pre&ccedil;os de um terceiro pa&iacute;s como refer&ecirc;ncia. Se o pre&ccedil;o da exporta&ccedil;&atilde;o chinesa &eacute; menor do que o do pa&iacute;s de refer&ecirc;ncia, se infere que a China incorre em dumping. Mas, devido ao baixo pre&ccedil;o das exporta&ccedil;&otilde;es chinesas, as investiga&ccedil;&otilde;es costumam concluir que existe dumping. Pequim insiste em afirmar que se fossem aplicados os valores do mercado interno, ganharia a maioria dos processos.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, o governo chin&ecirc;s negociou acordos bilaterais com na&ccedil;&otilde;es como Brasil, Mal&aacute;sia, Nova Zel&acirc;ndia e Cingapura, que lhe concederam o status de economia de mercado. Mas a China continua vulner&aacute;vel &agrave;s acusa&ccedil;&otilde;es antidumping dos Estados Unidos e da UE, seus principais s&oacute;cios comerciais. Especialistas afirmam que, desse modo, as regras da OMC s&atilde;o usadas pelo Norte rico para impedir que se converta em uma nova pot&ecirc;ncia mundial. &quot;Os pa&iacute;ses industriais incorrem no duplo discurso em assuntos econ&ocirc;micos e aplicam suas teorias de &#039;soberania superior de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica? para for&ccedil;ar as na&ccedil;&otilde;es fracas a conceder privil&eacute;gios&quot;, escreveu Pang Zhongying, professor de rela&ccedil;&otilde;es internacionais e com&eacute;rcio na Universidade de Tianjin Nakai, no Di&aacute;rio da China.<\/p>\n<p>&quot;A disputa sobre a soberania econ&ocirc;mica &eacute; essencialmente uma luta pelo poder escondida o cen&aacute;rio mundial. No atual contexto de &#039;abertura econ&ocirc;mica?, as influ&ecirc;ncias do exterior sobre na&ccedil;&otilde;es individuais se distribuem de modo desequilibrado&quot;, concluiu Pang. Nessas circunst&acirc;ncias, a China &eacute; compreensivelmente propensa a aventar as preocupa&ccedil;&otilde;es internacionais sobre seu crescente volume de exporta&ccedil;&otilde;es e tenta evitar acusa&ccedil;&otilde;es de dumping. Na reuni&atilde;o da Apec de novembro, o presidente Hu defendeu que a crescente economia de seu pa&iacute;s seja vista como uma oportunidade, mais do que como uma amea&ccedil;a para o mundo.<\/p>\n<p>&quot;O desenvolvimento da China n&atilde;o se interpor&aacute; no caminho de ningu&eacute;m, nem representar&aacute; uma amea&ccedil;a para ningu&eacute;m&quot;, disse Hu a empres&aacute;rios em Busan. Se a China gera super&aacute;vit comercial com s&oacute;cios importantes como Estados Unidos e Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, levando &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de mais medidas protecionistas, &eacute; prov&aacute;vel que se mostre como fervorosa defensora do livre com&eacute;rcio internacional. Ainda h&aacute; consider&aacute;vel ansiedade entre os pa&iacute;ses industriais quanto a um firme alinhamento de Pequim com o mundo em desenvolvimento, como ocorreu em 2003 na frustrada confer&ecirc;ncia ministerial da OMC em Canc&uacute;n, M&eacute;xico.<\/p>\n<p>Essa preocupa&ccedil;&atilde;o tem origem em discursos do presidente Hu, segundo os quais a prioridade &eacute; o combate &agrave; pobreza e a redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, em benef&iacute;cio dos produtores agr&iacute;colas chineses. Aumentar a renda nas zonas rurais da China, economicamente deprimidas, se tornou uma prioridade para o atual governo. Um aumento das exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas poderia ajudar a conseguir esta meta. Entretanto, ser&aacute; dif&iacute;cil se os pa&iacute;ses ricos continuarem impondo restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s importa&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas.<\/p>\n<p>A China j&aacute; teve disputas com Jap&atilde;o, Cor&eacute;ia do Sul e UE pelos limites &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas, mas novos requisitos ambientais mais r&iacute;gidos poderiam desatar novos conflitos comerciais nos pr&oacute;ximos anos. De todo modo, especialistas da China descartam a possibilidade de pol&iacute;ticas internas influ&iacute;rem na posi&ccedil;&atilde;o de Pequim nas conversa&ccedil;&otilde;es da OMC. &quot;Estamos em um processo de construir uma &#039;sociedade harmoniosa?, o que significa equilibrar o d&iacute;spar crescimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s. Mas &eacute; muito mais prov&aacute;vel, que este processo seja ajudado pela facilita&ccedil;&atilde;o do livre com&eacute;rcio do que por seu colapso&quot;, afirmou Ren Yifeng. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 06\/12\/2005 &ndash; A China se identifica com o Sul em desenvolvimento, mas compartilha o desejo do Norte industrial de ampliar a liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/12\/mundo\/china-esquizofrenia-comercial\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,9,4],"tags":[],"class_list":["post-1274","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-globalizacao","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1274\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}